Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 29 de julho de 2012


EPISÓDIO 05 – O TERRÍVEL MONSTRO KRORSEGUNDO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL, APESAR DE PODEROSO, SE REVELA UM ROBÔ DE CORES FEIAS E COM SEU NOME ESCRITO DE FORMA ESPALHAFATOSA EM SUA LATARIA.
- APÓS A VITÓRIA CONTRA O PRIMEIRO INIMIGO, NEGÃO COMETE EXCESSOS NO ÁLCOOL E VOMITA POR DUAS VEZES.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Os cinco jovens passaram aquele dia inteiro no quartel-general do grupo. Mestre Jacoh lhes mostrou toda a infra-estrutura de que dispunham e todos ficaram bastante impressionados. Havia o Super Computador, capaz de fazer coisas que nenhum computador normal faria, muito embora nenhuma delas tivesse utilidade para o grupo. Havia as Câmaras de Descanso, pequenos espaços onde eles poderiam se isolar do mundo e entrar em contato com suas energias interiores, muito embora lá só pudessem ficar de pé, não permitindo que conseguissem realmente descansar. E havia também uma garagem imensa, na qual se encontravam cinco motocicletas com grandes habilidades. Antes que os Jacohrangers se empolgassem com os veículos, Mestre Jacoh esclareceu que as cinco motos não estavam regularizadas com as leis de trânsito de Cidadopolislândia e não poderiam ser usadas até que uma pendência judicial fosse resolvida.

- Bom saber que o conhecimento advindo de nossas experiências de vida e a força de vontade presente nos cantos mais recônditos de nossos corações não são os únicos recursos que temos para combater as forças do mal – disse Ruivão.

Os demais concordaram. Negão acabava de tomar um remédio contra ressaca. Polaco contava a seus amigos que por ter passado a infância trabalhando na Oktoberfest, seu fígado havia desenvolvido uma imensa tolerância ao álcool. Eis porque ele não tinha passado mal, mesmo tendo bebido sete vezes mais que seu colega.
Japa olhava para o Super Computador, apertando botões, passando a mão pela tela de cristal líquido ultra-tecnológica e conectando através de um cabo algumas informações de seu aparelho celular para a máquina. Vez por outra ele dava uma olhada para Paty, mas ela apenas suspirava de amor ao ouvir Ruivão falar sobre como seria maravilhoso quando toda a humanidade tivesse acesso aos mesmos equipamentos que eles tinham no quartel-general.
Tudo ia bem, até que uma gigantesca sirene soou. Ela ficava sobre uma mesa de centro, enfeitada com uma linda toalha xadrez. O som da sirene gritava em alta voz, repetidamente, as palavras “Mexam-se! Mexam-se! Inimigo causando problemas! Mexam-se!”.
O Super Computador logo exibiu em sua tela a imagem de uma criatura mutante horrenda, cercada por soldados Krur, atacando o museu de Cidadopolislândia. Certamente, aquele era mais um monstro do impiedoso Império Krar.

- Nossa sorte é que estão atacando o museu, um lugar sem graça, cheio de atrações tolas e desagradáveis, incapazes de atrair um grande público. É bem provável que mesmo nós demorando bastante até chegarmos lá, não haja vítimas – disse Negão.
- Você tem razão, amigo! – concordou Ruivão – Mas lembre-se que o monstro poderá destruir obras de valor histórico elevado, destruindo nosso passado, afastando-nos de nossas raízes culturais e enfraquecendo nossos vínculos com os valores que nos fazem ser o que somos hoje. Um passo imenso para a nossa extinção!
- Puxa, belas palavras, Ruivão! – disse Paty, suspirando de amor.
- Chega de conversa! – gritou Japa!
- Hora de jacohmbater o mal! – gritaram todos.

E os cinco Jacohrangers, transformados, preparados e cientes de sua obrigação, saíram em desabalada carreira de seu quartel-general até o museu da cidade, que ficava a muitos quilômetros de distância dali.

***

Os soldados Krur vieram dar aos heróis as boas-vindas. O vermelho e o preto golpearam as criaturas com seus punhos, o azul usou suas pernas para desferir poderosos chutes, o amarelo atacou com seu escudo, e a rosa ficou receosa de quebrar suas unhas e preferiu assistir o confronto a uma certa distância.
Os Jacohrangers, aos poucos, foram derrubando os soldados, após muitos minutos de golpes intercalados a coreografias e gritos de guerra totalmente desnecessários. Rasteiras, socos, cabeçadas e até esquivas receberam nomes esquisitos, o que de certa forma confundiu os adversários.
Os cinco, então, ingressaram no museu. Havia um cheiro de fogo lá dentro. Quadros, estátuas, peças de artesanato e tapeçarias estavam carbonizadas, despedaçadas ou cheias do cuspe do monstro nojento. Todos se revoltaram e foram entrando em várias salas, até ouvirem o monstro urrar e derrubarem a porta do aposento em que ele estava.

- Monstro maligno! Somos os Jacohrangers e vamos destruí-lo para que aprenda a não destruir o único local com um pouco de cultura que nossa cidade possui! – gritou o herói vermelho.

O monstro vociferou alguma coisa que não pôde ser entendida. Parecia apenas ficar claro que seu nome era Krorsegundo. A criatura avançou com suas garras em grande velocidade e atacou. O preto e o azul tiveram seus abdomens feridos. O vermelho e a rosa receberam uma poderosa seqüência de socos, e o amarelo teve o pescoço enrolado pela cauda do inimigo e quase morreu sufocado.
Os cinco Jacohrangers se levantaram e invocaram suas armas. A espada do vermelho e o escudo do azul não atingiam o oponente, que se desviava habilmente. A rosa atirava com sua besta sem direção. Acabou acertando o preto. O amarelo golpeava com sua maça, mas os ataques ricocheteavam na poderosa couraça do monstro.
E Krorsegundo contra-atacou. Sua imensa cauda aumentou de tamanho magicamente, chicoteando os cinco inimigos ao mesmo tempo. No momento em que eles se levantavam, feridos, mas dispostos a não se renderem, o monstro disparou de suas garras uma série de raios lasers que explodiram no peito dos Jacohrangers. Os heróis gritaram e foram atirados acrobaticamente para trás, chocando-se contra as paredes do museu.


- Esse monstro tem a habilidade especial de não ter habilidade especial nenhuma e mesmo assim ser mais forte que nós – constatou o Jacohranger azul.
- Habilidade especial? – perguntou o vermelho – Pois a única habilidade especial necessária para se vencer é uma forma infinita dentro do coração chamada "coragem". E essa nós temos!
- Tem razão, vermelho! O que sugere que façamos para derrotá-lo? – perguntou o preto.
- Não sei! – disse o vermelho, com sinceridade.
- E se usássemos nossa bazuca sem nome? – sugeriu a rosa.
- Boa idéia! – todos gritaram ao mesmo tempo – Bazuca sem nome!

As armas dos Jacohrangers se desmaterializaram e se uniram umas às outras, dando forma à poderosa bazuca desprovida de nome. Os cinco seguraram a poderosa arma e dispararam com fúria, libertando uma onda de energia cósmica altamente destrutiva. O monstro Krorsegundo urrou e explodiu, transformando-se em meros pedaços de matéria orgânica monstruosa ensangüentada.
Os heróis vibraram quando viram ao longe, surgir uma arma que disparou um estranho raio que eles se lembraram de já terem visto antes. De longe, uma voz desagradavelmente familiar gritou.

- Raio agigantador!

E o terrível monstro Krorsegundo foi reconstruído com, aproximadamente, cinqüenta metros de altura. Os Jacohrangers olharam uns para os outros espantados, muito embora, no fundo de seus corações, já soubessem desde o começo que aquilo iria acontecer.
Felizmente, sem precisar ser chamado, o Gigante Guerreiro Jacohlossal já vinha voando em direção aos valorosos heróis. Os cinco guerreiros da justiça saltaram, e uma comporta abriu-se, dando acesso ao interior da máquina de guerra gigantesca.
E Krorsegundo e o Gigante Guerreiro Jacohlossal iniciaram um terrível combate. A cauda da criatura enrolou-se na mão do robô, não permitindo que usassem o “Punho Sangrento Jacohlossal”. O Jacohranger vermelho invocou o “Míssil Jacohlossal”, que atingiu violentamente o monstro.
Krorsegundo se desequilibrou, e disparou rajadas de energia de suas mãos. O Gigante Guerreiro Jacohlossal respondeu com o “Raio Jacohlossal”. As duas energias mediram forças em um terrível equilíbrio. Até que o Jacohranger vermelho, o preto, o amarelo e a rosa perceberam que o azul estava urinando em uma das paredes do robô.

- Venha logo nos ajudar! – gritou o vermelho.

Com a ajuda do azul, o “Raio Jacohlossal” ganhou mais força e atingiu o monstro Krorsegundo. Antes que a criatura maligna pudesse se recuperar, ela ouviu apenas um grito. Um grito que selaria, para sempre, o seu destino:

- Golpe Fatal Final Jacohlossal!

O monstro Krorsegundo virou cinzas cósmicas ensangüentadas. Graças à bravura, à coragem e aos recursos incomuns dos Jacohrangers, a cidade de Cidadopolislândia estava salva.

- SERÁ QUE, EM UMA SEQUÊNCIA UM TANTO QUANTO ÓBVIA, O PRÓXIMO MONSTRO A ATACAR OS JACOHRANGERS SE CHAMARÁ “KRORTERCEIRO”?
- A URINA INCONTROLÁVEL DE JAPA PODERÁ SE TORNAR UM PROBLEMA NO FUTURO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 22 de julho de 2012



EPISÓDIO 04 – O GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O JACOHRANGER AZUL CONSEGUE URINAR MESMO ESTANDO TRANSFORMADO.
- O MONSTRO KRORPRIMEIRO É DESTRUÍDO, MAS O TERRÍVEL “RAIO AGIGANTADOR” O RESSUSCITA E O FAZ CRESCER ATÉ ATINGIR MAIS DE CINQUENTA METROS DE ALTURA!
O QUE IRÁ ACONTECER?

O que antes era um monstro poderoso, ameaçador, horrendo, repulsivo, asqueroso, nauseante e aterrador, tinha se tornado um monstro poderoso, ameaçador, horrendo, repulsivo, asqueroso, nauseante, aterrador e gigantesco. Seus pés eram maiores que caminhões e fediam mais que uma dúzia de caminhoneiros sem tomar banho há meses.
A cidade se agitava, tremia e sacudia a cada passo do terrível monstro. Os Jacohrangers davam piruetas e saltos acrobáticos para trás, procurando evitarem ser pisoteados. Alguns inocentes transeuntes que tinham acabado de sair de casas noturnas próximas ao local se assustavam com a impressionante visão daquela criatura imensa. Outros, no entanto, acreditavam que aquilo era uma terrível alucinação provocada pelos efeitos embriagantes do álcool.
Os Jacohrangers apontavam suas armas desafiadoramente em direção a Krorprimeiro, mas ele os ignorava totalmente. Um olhar mais atento revelaria que o monstro, na verdade, ria deles.

- E se usássemos nossa bazuca sem nome de novo? – sugeriu o Jacohranger amarelo.
- E se disséssemos ao monstro que ele pode ficar com as garotas menstruadas que ele seqüestrou, contanto que não nos mate? – propôs o Jacohranger preto.
- E se nós fugíssemos? – perguntou a rosa.
- E se nós corrêssemos perguntar ao mestre Jacoh onde está o robô gigante que ele nos prometeu? – resmungou o azul.
- E se o robô gigante a que ele se referiu for apenas uma metáfora para simbolizar a gigantesca e invencível força que habita o coração daqueles que conduzem suas vidas movidos pela certeza inabalável de que a justiça triunfará no final? – filosofou o vermelho.
- É, pode ser que seja isso – concordou a rosa – Vamos ficar aqui parados por alguns minutos, enquanto esperamos que a força de nossos corações derrote o monstro gigante.

Dez minutos se passaram. Nada aconteceu.

- Pelo jeito, o robô gigante não era uma metáfora – concluir o Jacohranger preto.

Todos concordaram com um leve movimento da cabeça. E então, os Jacohrangers começaram a ser atacados pelo monstro gigante. Eles tiveram que dar mais saltos e piruetas para desviarem dos chutes que eram alvo. Percebendo que não atingiria os valorosos heróis, Krorprimeiro passou a atacar prédios, iniciando uma terrível destruição em Cidadopolislândia.

- Nossa sorte é que hoje é sábado e todos esses prédios estavam vazios, porque seus moradores certamente foram se divertir em casas noturnas, casas de apostas clandestinas ou lupanares – disse o Jacohranger amarelo, tranqüilizando a todos.
- Mas, voltando a falar sobre o robô gigante, será que o que precisamos não é simplesmente chamá-lo, invocá-lo, ou algo parecido? – perguntou o vermelho – Isso funcionou com nossas armas, lembram?
- Mas qual será o nome do robô? – perguntou o Jacohranger preto.
- Gigante Guerreiro Jacohlossal – respondeu o azul.
- Como você sabe? – todos os outros perguntaram ao mesmo tempo.
- Porque tem um robô gigante com esse nome escrito no peito vindo em nossa direção.

Os cinco Jacohrangers vibraram com a aproximação da gigantesca máquina de guerra metálica. O robô tinha formato humanóide, cores berrantes, e o nome dele escrito em letras garrafais na altura do peito. Andava com velocidade e parecia ser forte em batalhas corpo-a-corpo. Os heróis pegaram impulso e saltaram, torcendo para que se abrisse algum compartimento dentro do Gigante Guerreiro Jacohlossal para que pudessem entrar dentro dele. Por sorte, isso aconteceu, e eles ingressaram na máquina de guerra defensora da justiça.

- Uau! Nosso próprio robô gigante! – bradou o Jacohranger vermelho, estupefato.
- Com ele, poderemos voltar das boates sem precisar pagar um táxi – o preto disse ao amarelo.
- Aqui poderemos ficar a sós quando quisermos ter momentos de intimidade – a rosa disse ao vermelho.

O Jacohranger azul ficou com ciúme e nada disse. Antes que algum deles prosseguisse com as tolices sem conteúdo, Krorprimeiro atacou. O golpe das garras do monstro arranhou ligeiramente a superfície do robô e o empurrou para trás. O Gigante Guerreiro Jacohlossal manteve o equilíbrio e tentou contra-atacar.

- Que coincidência! – disse a Jacohranger rosa, com um sorriso no rosto – Cada vez que o Ruivão aperta um desses botões, ou mexe em uma dessas alavancas, o robô dá um golpe, ou se move, ou faz alguma coisa.

A batalha entre o robô e o monstro seguia equilibrada. Vez por outra, um deles se desequilibrava, caindo sobre um prédio e provocando caos e destruição em Cidadopolislândia. Durante o confronto, os heróis descobriram que o Gigante Guerreiro Jacohlossal tinha as armas: “Raio Jacohlossal”, “Míssil Jacohlossal” e “Punho Sangrento Jacohlossal”.

- Muito interessante saber que nosso robô tem tantas opções de ataque, mas eu acho que já está na hora de aplicarmos o golpe final – disse o Jacohranger preto.
- Tem razão. Já está quase amanhecendo e nenhum de nós dormiu nada. Mais do que heróis que combatem o mal, somos exemplos para uma geração de jovens que precisa entender os benefícios de uma noite de sono – disse o Jacohranger vermelho.
- Puxa, Ruivão! Você é tão maduro! – disse a rosa, suspirando de amor.

Novamente, o azul ficou enciumado e entristecido.

- Vamos lá, então! – todos gritaram ao mesmo tempo – Golpe Fatal Final Jacohlossal!

E o robô gigante acertou um enorme soco com o punho energizado na região do peito do monstro Krorprimeiro, fazendo-o explodir em treze mil, duzentos e quarenta e dois diminutos pedaços. O Gigante Guerreiro Jacohlossal fez uma pose de máquina guerra orgulhosa por ter vencido bem sua batalha, e o cinco heróis dentro dele vibraram com o triunfo.
Um pouco mais tarde, Negão e Polaco, já destransformados, salvaram as três jovens menstruadas que estavam sendo mantidas prisioneiras. Eles as levaram para casa assim que amanheceu, não sem antes tentarem sem sucesso seduzi-las. Os dois até convidaram Japa para participarem do processo de conquista do coração das moças, mas o jovem Jacohranger azul só conseguia pensar na linda Paty e na maneira como ela suspirava pelo apatetado colega Ruivão.

- Todos esses anos tomando banho diariamente, e a mulher que gosto vai se apaixonar por um cara mal-cheiroso, sujo, mal-vestido e metido a autor de contracapa de livro de auto-ajuda.

Ainda era manhã quando o mestre Jacoh veio cumprimentá-los pelo primeiro triunfo. Não apenas isso, veio também buscá-los para que o acompanhassem até o quartel-general deles. Polaco e Negão estavam completamente alcoolizados e não conseguiriam encontrar nem seus umbigos sozinhos. Ruivão e Paty estavam mais concentrados em conversar sobre a bipolaridade das emoções humanas e Japa praguejava por seu insucesso amoroso.

- Realmente, vocês precisam mesmo de um mestre forte para que se mantenham unidos.

Ninguém deu atenção às palavras dele. Com muita dificuldade, e após duas crises de vômito de Negão, os seis partiram para a base da equipe, onde descansariam até o momento em que o Império Krar atacasse de novo.

***

- Quer dizer, então, que você falhou em sua primeira tentativa de conquistar esse mundo? – o General Krir perguntou ao General Krer.
- Nunca imaginei que essa cidade estranha pudesse um grupo de super-heróis com um robô gigante para defendê-la.
- Vejo que você é um completo incompetente. Eu mesmo terei que tomar uma atitude ao que parece.
- Negativo! Atacarei novamente aqueles cinco miseráveis e conquistarei esse mundo. Vou despertar o monstro Krorsegundo de seu sono milenar. E dessa vez não haverá falhas.

- SERÁ O MONSTRO KRORSEGUNDO MAIS PODEROSO QUE KRORPRIMEIRO?
- SERÁ JAPA CAPAZ DE RESISTIR À TRISTEZA DE VER SUA AMADA APAIXONADA POR UM IDIOTA MAL-CHEIROSO?
- CONSEGUIRÁ O MESTRE JACOH ENSINAR A SEUS COMANDADOS O CAMINHO DE SEU QUARTEL-GENERAL?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 15 de julho de 2012



EPISÓDIO 03 – A PRIMEIRA BATALHA

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O MONSTRO KRORPRIMEIRO SEQUESTRA TRÊS JOVENS MENSTRUADAS E AS LEVA PARA ALGUM TIPO DE ESCONDERIJO.
- MESTRE JACOH CONSEGUE REUNIR CINCO JOVENS QUE NÃO SÃO GRANDE COISA, E AGRADECE AOS CÉUS PELO FATO DE OS INIMIGOS TAMBÉM NÃO SEREM GRANDE COISA.
O QUE IRÁ ACONTECER?

A trilha de menstruação permitia aos cinco jovens seguir os vilões. As prisioneiras provavelmente fossem jovens, bonitas e inteligentes. Mas estavam em uma fase do mês em que talvez não devessem ser abordadas por homens. Talvez por isso, Polaco e Negão não pareciam ter muita pressa em salvá-las.

- É muito difícil combater o mal em uma noite em que não beijei ninguém – reclamava Polaco.
- Então você não poderá combater o mal quase nunca, amigo! – gargalhou Negão, recebendo um soco de seu amigo.

Ruivão e Paty caminhavam um pouco à frente, conversando sobre a massificação da pusilanimidade, o esmorecimento da auto-estima humana e as dificuldades de se conseguir um emprego quando seu corpo inteiro cheira a fezes. Japa ia um pouco atrás deles, reparando nas curvas “interessantes” do corpo de sua nova colega. Ele também aproveitava para manusear seu aparelho celular.
Enquanto avançavam rumo ao esconderijo inimigo, os cinco podiam notar o terror provocado pela passagem dos inimigos: pessoas choravam nas calçadas de suas casas, policiais fechavam o vidro de suas viaturas e se escondiam debaixo dos bancos, e as demais casas noturnas fechavam suas portas. Nenhuma mulher jovem e atraente queria correr o risco de ser sequestrada.

- Pelo bem das casas noturnas. Pelo bem daqueles que trabalharam muito durante a semana aguardando a chegada das noites de sábado para irem às casa noturnas atrás de lindas jovens para seduzir. Pelo bem das mulheres que saem nos fins de semana a procura de um príncipe encantado. Em nome de todos eles, eu juro: esses vilões irão pagar! – disse Negão.
- Isso me lembra que talvez tenhamos mais chance de vencer os inimigos se nos transformarmos, não acham? – perguntou Ruivão.
- Acho até que nossa moral com a mulherada irá aumentar se tivermos super poderes – ponderou Polaco.
- E talvez a armadura disfarce um pouco o cheiro de lixo e de fezes que há em você, Ruivão! – disse Paty, suspirando de amor.
- Tem razão! – disse o líder – Todos preparados?

E os cinco jovens colocaram suas lentes de contato multicoloridas. E disseram a frase que faria os vilões tremerem daquele momento em diante:

- Hora de “jacohmbater” o mal!

***

Os cinco estavam transformados. Um olhava um pouco para o outro, e todos olhavam bastante para Paty. Eles sentiam-se mais fortes, mais protegidos, mais resistentes, mais poderosos, mais confiantes, mas não mais estilosos. Todos concordaram que os trajes novos eram feios, de cores berrantes, desconfortáveis e de extremo mau gosto. Menos o de Paty, que realçava suas pernas, seus seios e suas nádegas.

- Paty, você tem namorado? – perguntou Japa, com água na boca.
- Não! – ela respondeu, sem entender a indireta – E você, Ruivão, tem namorada?
- Não! – ele respondeu, sem entender a indireta – E o mestre Jacoh, será que tem namorada?

Polaco ficou em dúvida: “Será que o Ruivão está apaixonado pelo mestre Jacoh?”. Os cinco seguiram caminhando, até chegarem a um galpão abandonado. O local era escuro, sujo, embora não fedesse tanto quanto o Ruivão. Do interior da construção era possível escutar jovens gritando por socorro. Os cinco Jacohrangers não tiveram dúvidas: talvez, quem sabe, pudesse ser aquele o lugar que procuravam.

- Eu acho que seria bem impressionante se entrássemos derrubando a porta, de forma triunfal! – disse Polaco.
- Acho que teremos outros problemas para resolver primeiro – disse Japa, apontando para doze criaturas totalmente albinas vindo na direção deles.

Eram os soldados Krur. Estavam em dezoito (Japa havia contado errado), e atacaram sem piedade. Socos, chutes e cotoveladas foram desferidos em todas as direções e por todos os lados. Os Jacohrangers, depois de transformados, eram muito mais fortes que antes, e pareciam não ter dificuldades para destruir os adversários. Em poucos minutos, todos os vinte e três soldados Krur (é bem fácil contá-los errado) jaziam derrotados no chão sujo de menstruação.

- Vencemos, mas o pior está lá dentro! – dizia Ruivão – O General Krer e o monstro Krorprimeiro devem ser mais poderosos e têm reféns. Com certeza é uma armadilha. É melhor nos aproximarmos do galpão com MUITO cuidado.
- O Japa não pensa assim – disse Polaco, apontando para uma parede do galpão onde o Jacohranger azul urinava.
- Esqueçam o que eu disse! Vamos derrubar a porta de uma vez.

Antes que os bravos heróis derrubassem o galpão, o monstro Krorprimeiro surgiu, grunhindo, urrando e tentando se limpar de uma substância vermelha que parecia ser menstruação.
Os quatro Jacohrangers (Japa ainda urinava) entraram em combate contra o monstro. O vermelho recebeu um golpe na altura do peito desferido pelas garras do monstro. Com um violento chute, o Jacohranger preto foi derrubado. Os ataques do amarelo e da rosa foram defendidos pelo monstro, que contra-atacou com cabeçadas e mais socos. Os quatro caíram.

- Ele é muito poderoso! – constatou o Jacohranger amarelo.
- O mestre Jacoh disse que teríamos armas que não eram grande coisa, mas que eram o melhor que ele tinha conseguido – disse Ruivão – Vamos invocá-las!
- Sim! – todos responderam.
- Eu invoco as armas que não são grande coisa, mas que são o melhor que nosso mestre conseguiu! – gritou Ruivão.

E então, após um brilho súbito, surgiram cinco armas nas mãos dos Jacohrangers. O vermelho recebeu uma espada, o preto recebeu um bastão, o amarelo recebeu uma maça-estrela, o azul recebeu um escudo, e a rosa recebeu uma besta.
O monstro Krorprimeiro tentou atacá-los, mas o vermelho aparou as garras do monstro com sua espada, a rosa disparou um dardo na perna da criatura desequilibrando-a. O preto golpeou o que havia no meio das pernas do inimigo com seu bastão, o azul empurrou o monstro com seu escudo. E o amarelo atingiu Krorprimeiro violentamente com sua maça.

- Hora de darmos o golpe final! – gritou Ruivão.

As cinco armas, misteriosamente, abandonaram as mãos de seus donos e flutuaram, umas de encontro às outras. Ficaram transparentes e começaram a se unir, e a se moldar, ganhando uma nova forma. Era a forma de uma bazuca.

- Essa bazuca tem algum nome? – perguntou o Jacohranger preto.
- Não – respondeu o vermelho – Acho que podemos chamá-la de “bazuca sem nome”.
- Boa idéia! – todos concordaram.



Os cinco se posicionaram e seguraram a bazuca, enquanto o monstro Krorprimeiro cambaleava, cuspia sangue e dizia palavrões em seu idioma. Uma onda de energia crescente foi surgindo, até que um vórtice de poder cósmico partiu velozmente em direção ao peito da criatura maligna. Ocorreu uma violenta explosão, que ceifou a vida do ser das trevas. A bazuca sem nome se desmaterializou, e os Jacohrangers vibraram com a primeira vitória.

- General Krer, nós derrotamos seus soldados e seu monstro. Você foi derrotado. Entregue pacificamente as reféns, ou teremos que derrotá-lo também! – gritou o vermelho.

A parede explodiu. O General Krer saiu. O cenho franzido de ódio, semblante de revolta. De repente, para a surpresa de todos, ele começou a gargalhar!

- Idiotas! Acham realmente que já venceram o monstro Krorprimeiro?
- O que? – perguntou o amarelo – Como assim? O que quer dizer com isso?
- Que tipo de império maligno nós seríamos se não tivéssemos um raio capazes de tornar nossos monstros gigantes?
- Impossível! – gritou o Jacohranger preto.
- Raio agigantador! – berrou o General Krer.

Um raio misterioso veio dos céus, atingindo as cinzas do corpo destruído de Krorprimeiro. O monstro ressuscitou e foi ficando maior, maior e maior, até atingir aproximadamente cinqüenta metros de altura. Ou mais.

- COMO OS JACOHRANGERS DERROTARÃO UM MONSTRO GIGANTE?
- COMO O JACOHRANGER AZUL CONSEGUE URINAR ESTANDO TRANSFORMADO?
- ESTARÁ RUIVÃO APAIXONADO PELO MESTRE JACOH?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 8 de julho de 2012

EPISÓDIO 02 - SURGEM OS JACOHRANGERS


EPISÓDIO 02 – SURGEM OS JACOHRANGERS

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- DOIS JOVENS TÊM SUAS TENTATIVAS DE SEDUZIR AS MULHERES FRUSTRADAS PELA APARIÇÃO DE UM IMPÉRIO INIMIGO.
- MESTRE JACOH CONVOCA UM JOVEM PARA COMBATER O MAL RECÉM-CHEGADO, MAS PERCEBE QUE SOZINHO (E TALVEZ ATÉ ACOMPANHADO) O GAROTO É UM INCAPAZ.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Krorprimeiro, o terrível monstro, grunhia. Ninguém entendia o que ele queria dizer, nem mesmo seu mestre, o General Krer. A criatura gesticulava, berrava e apontava para suas futuras vítimas, na esperança de que seu aliado a entendesse e concordasse com sua brilhante e súbita idéia.

- Deve ser terrível não ser compreendido pelos amigos – comentou Negão.
- Não deve ser fácil – Polaco assentiu com a cabeça.

O monstro gritava e vociferava sílabas desconexas, enquanto o General Krer mantinha em seu rosto uma expressão que claramente significava “O que?”. Os gestos de Krorprimeiro eram estranhos e cada vez mais bruscos. Após alguns minutos de tentativas frustradas, a criatura já estava dando socos em si mesma de tanto ódio.

- Por que, ao invés de fazer gestos, você não me diz logo o que você quer? – disse General Krer.

Krorprimeiro respirou fundo, cuspiu sonoramente no chão e disse, com uma voz surpreendentemente limpa, clara e audível:

- Eu estava dizendo que talvez fosse melhor, ao invés de matarmos essas pessoas, seqüestrarmos algumas delas. E se esse planeta tiver algum tipo de grupo de cinco heróis com grandes poderes? Seria mais fácil derrotá-los se tivéssemos reféns.
- Parece um bom plano – General Krer balançou a cabeça, meio indeciso – Bem, então faça isso logo para podermos voltar para nosso esconderijo subterrâneo secreto. Estou começando a ficar com sono – ele disse, um pouco antes de bocejar.

Sem encontrar resistência, Krorprimeiro agarrou três garotas seminuas e as levou consigo para seu esconderijo subterrâneo secreto. General Krer o seguiu.

- Meu Deus! – exclamou um jovem – O que faremos agora que eles seqüestraram três garotas?
- Não se preocupe – respondeu outro – Há muitas outras garotas lá dentro.

Ele concordou, e todos os que estavam ali entraram na casa noturna novamente. Todos, menos Negão e Polaco.

***

Trazido por um raio de teletransporte, Mestre Jacoh e Ruivão chegaram até o local onde o Império Krar tinha efetuado seu primeiro ataque. Lá chegando, encontraram rastros de destruição, sangue, uma camisinha jogada no chão e alguns cadáveres. Dois jovens, um negro e outro excessivamente branco, também estavam lá. Um deles conversava com uma jovem que trajava um vestido altamente revelador.

- Então, seu nome é Paty? Lindo nome. Quase tanto quanto o seu rosto – disse Negão, entre sorrisos e piscadelas.
- Obrigada! – ela sorriu timidamente.
- Sabia que você é muito linda?
- Pena que eu não posso dizer o mesmo de você.
- Então faça como eu, Paty! Minta! – gargalhou Negão, saindo da presença da jovem e indo recolher uma garrafa que estava no chão.

Polaco decidiu se aproximar da jovem Paty.

- Sabia que você é muito linda?
- Pena que eu não posso dizer o mesmo de você.
- Então faça como eu: dê um soco no Negão para descarregar a raiva! – Polaco caminhou até seu amigo e lhe deu um soco no ombro.

Cada um deles já planejava seguir seu caminho, quando uma voz carregada de autoridade e sotaque inglês lhes deteve.

- Esperem aí, vocês três. Preciso falar com vocês.

Mestre Jacoh contou a Negão, Polaco e Paty o que estava acontecendo. Falou sobre o poder e a crueldade do Império Krar. Explicou a importância de que um grupo de corajosos guerreiros se dispusesse a abrir mão dos melhores anos de suas vidas para ficarem dia e noite preparados para enfrentarem seres terríveis, sabendo que não haveria nenhum tipo de reconhecimento ou gratidão por parte daqueles que eles protegeriam. E lhes deixou claro que, uma vez que os três tinham sobrevivido a um ataque dos inimigos, eles eram os mais indicados.

- Vocês se chamarão Jacohrangers!

Todos gargalharam até não terem mais ar.

- Ruivão, você será o líder do grupo, graças à sua capacidade de lidar com situações difíceis, constrangedoras, desagradáveis, humilhantes, degradantes e subumanas. Vocês será o Jacohranger vermelho! – Mestre Jacoh lhe entregou uma lente de contato vermelha – Com olhos vermelhos, você provavelmente será vítima da desconfiança das autoridades, mas acho que você entende que não vou poder resolver todos os seus problemas.

Com palavras igualmente animadoras, mestre Jacoh entregou aos demais suas respectivas lentes de contato. Negão tornou-se o Jacohranger preto, Polaco se tornou o Jacohranger amarelo e Paty tornou-se a Jacohranger rosa.

- Resta ainda a lente de contato azul, que transformará seu portador no Jacohranger azul. Escolher o último guerreiro não é algo que possa ser feito com pressa. Temos que esperar que apareça alguém realmente digno, alguém que prove ter as virtudes necessárias, alguém que saibamos que vá fazer um bom uso desse poder.
- Que tal aquele rapaz que está mijando ali na parede? – perguntou Ruivão.
- Deve servir. Vamos lá falar com ele! – respondeu mestre Jacoh.

O jovem, um oriental que atendia pelo apelido de “Japa”, tornou-se então o Jacohranger azul.

- Para se transformarem, vocês só precisam dizer “Hora de Jacohmbater o mal!” Seria importante que vocês dissessem isso com bastante empolgação, alegria e euforia. Levei muito tempo para pensar nessa frase, sabem?
- E teremos armas? Um robô gigante? Um quartel-general? – perguntou Polaco.
- Sim. Quando vocês se transformarem, terão poder suficiente para invocar armas. Eu adoraria dizer que são poderosas armas lendárias, dotadas de um poder inigualável, mas seria mentira. Serão armas comuns, por isso seria bom que vocês não dependessem muito delas. E, sim, nós temos um quartel-general. Aqui está um pequeno mapa de como chegar até lá.

Mestre Jacoh entregou a cada um deles um pedaço de papel cheio de rabiscos e nomes de rua. Japa se perguntava “Por que ele não respondeu nada sobre o robô gigante?’.

- Mais alguém quer dizer alguma coisa? – disse o mestre.
- Sim! – respondeu Paty – Ela lente de contato rosa não combina com a cor das minhas unhas!



***

Munidos de um grande poder, e um mestre sábio, os cinco jovens destemidos partiram em direção ao local onde talvez, quem sabe, se tivessem sorte, estariam os terríveis vilões que seqüestraram as três jovens.

- Como tem tanta certeza que esse é o caminho certo? – Negão perguntou.
- Porque estamos seguindo essa trilha vermelha no chão. Parece que as moças seqüestradas estavam menstruadas! – respondeu Japa.
- Você parece entender de mulher – comentou Polaco.
- Hei, Ruivão. O líder do grupo não deveria ser você? – questionou Paty.
- A liderança é algo muito relativo, Paty. Milhões não têm o que comer. Milhões não sabem ler e escrever. Milhões não têm onde morar. Milhões não têm o que vestir. Será que as lideranças do mundo governam a vida dessas pessoas? Ou será que cada um lidera a si mesmo, na eterna busca pela realização de seus sonhos?
- Para um mendigo sujo, maltrapilho e mal-cheiroso, até que você entende de filosofia – Paty suspirou.
- Muito obrigado! Dormir nos lixões das grandes metrópoles me fez amadurecer muito.

SERÁ QUE A MATURIDADE DE RUIVÃO AJUDARÁ OS JACOHRANGERS?
SERÃO ELES CAPAZES DE SOBREPUJAR O PODER TERRÍVEL DOS CRUÉIS INVASORES E SALVAR AS JOVENS SEQUESTRADAS?
E, AFINAL: QUAL A COR DAS UNHAS DE PATY?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 1 de julho de 2012


EPISÓDIO 01 – A TERRA EM PERIGO

Tremores de terra. Maremotos. Nevascas, furacões e vulcões em erupção. Guerras, fome, morte e violência. Pessoas corruptas, gananciosas e que pouco ou nenhum valor dão à vida alheia. Egoísmo, inveja e ganância desmedida. Sem dúvida, os primeiros sinais.

- Será que toda essa onda de maldade é uma causa, ou uma conseqüência da chegada deles? – perguntava-se mestre Jacoh, no silêncio de seus aposentos.

Qualquer que fosse a resposta, ele tinha certeza do significado de tudo aquilo. O Império Krar tinha chegado à Terra.

***

- Você pode me chamar de “meu amor”, ou de “futuro esposo”.
- Na verdade, nós chamamos o meu amigo aqui de “Negão”.

A moça abafou um riso escarninho e retirou-se. Ele tentou seguí-la, mas, no meio da aglomeração em que estava, acabou não sendo bem–sucedido. Voltou até seu amigo, estampando em seu rosto um semblante de revolta sincera.

- Eu não te atrapalho quando você está conversando com a mulherada, Polaco. Para que fazer isso?

Negão fazia jus a seu apelido. Era afro-descendente, alto, forte, robusto, de lábios grossos e braços ainda mais. O cabelo era raspado em sua totalidade, as roupas eram modestas, mas sempre de bom-gosto, e seu comportamento beirava à rebeldia adolescente. Ao menos quando o assunto era conquistar o sexo oposto.
Polaco, filho de uma proeminente família de descendentes de alemães, era branco da cabeça aos pés. O rosto era pálido mesmo quando corava, e seus amigos costumavam brincar dizendo que, quando nervoso, ele ficava “branco de raiva”. Vestia roupas discretas e em tons neutros, para combinar com os cabelos loiros curtos aparados regularmente.
Ambos tinham o hábito de aproveitar as noites de sábado para cometerem excessos em boates. Abordavam jovens senhoritas, bebericavam mais do que seus fígados podiam suportar e, ocasionalmente, trocavam agressões verbais com os seguranças dos estabelecimentos em que estavam. Aquela parecia que seria mais uma noite típica. Mas o destino quis que não fosse.

- Se quer ser bom com as mulheres, tem que saber manter a conversa em alto nível mesmo quando está sob pressão.
- Se você quiser manter seus dentes intactos, terá que se manter calado quando eu estiver conversando com alguma garota. Melhor: terá que se manter longe.

A discussão teria durado mais alguns minutos (ou até outra adorável senhorita passar por eles), mas foi interrompida por um estranho estrondo. O susto inicial se tornou medo quando mais estrondos surgiram, como que em uma seqüência de explosões. Pessoas gritaram, se empurravam, tropeçavam umas nas outras, tentando alcançar as saídas da casa noturna – até descobrirem da pior maneira possível que era de lá que vinha o caos.
Muitos jovens desmaiavam. Negão conseguiu mover-se no meio da multidão, e então percebeu que, na verdade, todos estavam sendo agredidos por estranhas criaturas. Polaco veio atrás dele, aos tropeções, cambaleando, como se tivesse bebido. Muitos outros também esbarraram neles. Mas aqueles realmente tinham bebido.

- O que está acontecendo? Quem são aqueles caras? – Polaco perguntou.

Eram indivíduos com corpo humanóide, mas pareciam revestidos por uma carapaça alienígena totalmente albina, fazendo-os parecer estátuas brancas em movimento. Negão pensou em responder ao amigo “Não os conhece? Achei que fossem seus irmãos.”, mas optou por não fazê-lo.
Os dois amigos conseguiram chegar até uma das saídas da casa noturna. Dois seguranças lutavam contra um grupo de sete daquelas criaturas. No chão, três outros seguranças mortos. Aquilo, definitivamente, não era uma brincadeira.

- Soldados Krur! Não deixem ninguém com vida! – gritou alguém que parecia estar em algum lugar do outro quarteirão.

Revoltados por terem suas tentativas de sedução interrompidas por misteriosos invasores aparentemente assexuados, muitos jovens imaturos e alcoolizados decidiram auxiliar os seguranças na batalha contra os inimigos. Negão e Polaco fizeram o mesmo. Ambos tinham noções consideráveis de artes marciais, pois tinham feito aulas anos atrás. Saber agredir fisicamente os semelhantes fora a maneira que eles encontraram, na época, de conseguirem concluir os estudos com a sanidade parcialmente intacta.
Houve chutes, socos e arremessos de garrafas, e os invasores albinos foram caindo um a um. Infelizmente, três pessoas foram feridas. Já se iniciava uma balbúrdia ao redor dos jovens machucados, quando uma gargalhada sinistra roubou a atenção de todos.

- Idiotas! Acham que poderão resistir à investida do Império Krar? Sou o General Krer, irmão do General Krir, e trago comigo o primeiro monstro da raça Kror para compensar a derrota dos meus soldados Krur.

Todos os presentes o olharam embasbacados. Não por suas palavras intimidadoras, sua postura altiva, ou seu semblante beligerante, que exalava um poder que não deveria ser desafiado. Não, o motivo era outro. Era sua aparência.
Ele um indivíduo alto, de voz rouca, cabelos azuis sujos escorrendo além da linha do ombro, revestido por uma armadura cheia de símbolos que provavelmente não tinham significado algum. Nas mãos ele tinha uma espada de lâmina vermelha – mas que parecia marrom devido à iluminação precária da rua. Seu rosto era repleto de cores estranhas, que lembravam pinturas de criancinhas indígenas. Não rir dele era mais difícil do que derrotá-lo.

- Como se atrevem a não defecarem em si mesmos de medo? Monstro Krorprimeiro, destrua-os.

E surgiu de algum lugar mal-iluminado da rua uma criatura bestial. Tinha rosto reptiliano, com uma língua que se recusava a ficar dentro da boca e gotejava saliva ácida. O corpo do ser era revestido por uma couraça amarronzada, que lembrava roupas de couro não lavadas há semanas. O monstro também tinha uma cauda, e uma voz que silvava algo que ninguém pôde entender, pois todos gritavam de horror e repulsa.
A criatura estava prestes a atacar, quando uma viatura da polícia anunciou sua chegada. Os defensores da ordem aproximaram-se lentamente em seu veículo blindado, viram que a ameaça se tratava de uma criatura sobrenatural cuja extensão real dos poderes eles desconheciam, e deram a ré a toda velocidade, fugindo covardemente.  
Um jovem, embriagado e disposto a descarregar em alguém a frustração gerada pelos constantes fracassos com o sexo oposto, tentou agredir Krorprimeiro com socos e chutes. As garras do inimigo lhe rasgaram o tórax, ceifando-lhe a vida.

A Terra estava realmente em perigo.

***

- Mestre Jacoh, está me dizendo então que a Terra está sob ataque de um poderoso e cruel império maligno cuja origem é desconhecida, e que se nada for feito a humanidade será escravizada, ou destruída, ou usada como matéria-prima para o surgimento de mais monstros sobrenaturais, que por sua vez tentarão invadir outro planeta para destruir seus moradores, ou escravizá-los ou transformá-los em matéria-prima para a formação de mais monstros sobrenaturais?
- Eu não teria conseguido ser tão direto, Ruivão. Mas, infelizmente, é isso mesmo.

Ruivão era o apelido daquele jovem ruivo, alto, extremamente magro, cheio de sardas e vestido com roupas de mendigo. Os pedaços de borracha que calçava não mereciam mais serem chamados de “tênis”. Anos trabalhando como engraxate, carregador de caixas e entregador de panfletos lhe tinha concedido uma força física considerável – embora pouco ou nenhum dinheiro.

- Meu São Rodrigo, protetor de todo mendigo, me proteja.
- Não tenha medo, Ruivão! Você foi chamado aqui porque quero que use as capacidades que você tem para organizarmos um contra-ataque. Não deixaremos nenhum império maligno dominar nosso mundo.
- Mas, mestre Jacoh, eu sou apenas um jovem morador das ruas incapaz de pagar por uma refeição decente. Como serei capaz de derrotar criaturas tão cruéis?
- Pensando bem, você não será! Vamos ter que adiar um pouco o contra-ataque. Vou precisar encontrar mais alguém para te ajudar.

***

Enquanto isso, na frente da casa noturna, Krorprimeiro já tinha assassinado quatro pessoas. Negão e Polaco tinham parte de seus corpos cobertos de sangue. Felizmente, não era o deles, e sim o dos cadáveres que eles tentaram acudir e cuspiram neles.

- Hei, monstro. Proponho que você vá embora e nos deixe em paz, e em troca, eu prometo pensar em uma forma de te compensar por você ter ido embora e nos deixado em paz! – disse Polaco, em uma desesperada tentativa de salvar várias vidas.

SERÁ QUE O MONSTRO SE SENSIBILIZARÁ COM O PEDIDO DE POLACO?
SERÁ QUE O SANTO PROTETOR DOS MENDIGOS AJUDARÁ RUIVÃO?
COMO O MESTRE JACOH PRETENDE IMPEDIR OS INVASORES DE DESTRUÍREM A HUMANIDADE, OU ESCRAVIZÁ-LA, OU TRANSFORMÁ-LA EM MATÉRIA PRIMA PARA A CRIAÇÃO DE MAIS MONSTROS SOBRENATURAIS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE “JACOHRANGERS”!