Jacohrangers

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domingo, 1 de julho de 2012


EPISÓDIO 01 – A TERRA EM PERIGO

Tremores de terra. Maremotos. Nevascas, furacões e vulcões em erupção. Guerras, fome, morte e violência. Pessoas corruptas, gananciosas e que pouco ou nenhum valor dão à vida alheia. Egoísmo, inveja e ganância desmedida. Sem dúvida, os primeiros sinais.

- Será que toda essa onda de maldade é uma causa, ou uma conseqüência da chegada deles? – perguntava-se mestre Jacoh, no silêncio de seus aposentos.

Qualquer que fosse a resposta, ele tinha certeza do significado de tudo aquilo. O Império Krar tinha chegado à Terra.

***

- Você pode me chamar de “meu amor”, ou de “futuro esposo”.
- Na verdade, nós chamamos o meu amigo aqui de “Negão”.

A moça abafou um riso escarninho e retirou-se. Ele tentou seguí-la, mas, no meio da aglomeração em que estava, acabou não sendo bem–sucedido. Voltou até seu amigo, estampando em seu rosto um semblante de revolta sincera.

- Eu não te atrapalho quando você está conversando com a mulherada, Polaco. Para que fazer isso?

Negão fazia jus a seu apelido. Era afro-descendente, alto, forte, robusto, de lábios grossos e braços ainda mais. O cabelo era raspado em sua totalidade, as roupas eram modestas, mas sempre de bom-gosto, e seu comportamento beirava à rebeldia adolescente. Ao menos quando o assunto era conquistar o sexo oposto.
Polaco, filho de uma proeminente família de descendentes de alemães, era branco da cabeça aos pés. O rosto era pálido mesmo quando corava, e seus amigos costumavam brincar dizendo que, quando nervoso, ele ficava “branco de raiva”. Vestia roupas discretas e em tons neutros, para combinar com os cabelos loiros curtos aparados regularmente.
Ambos tinham o hábito de aproveitar as noites de sábado para cometerem excessos em boates. Abordavam jovens senhoritas, bebericavam mais do que seus fígados podiam suportar e, ocasionalmente, trocavam agressões verbais com os seguranças dos estabelecimentos em que estavam. Aquela parecia que seria mais uma noite típica. Mas o destino quis que não fosse.

- Se quer ser bom com as mulheres, tem que saber manter a conversa em alto nível mesmo quando está sob pressão.
- Se você quiser manter seus dentes intactos, terá que se manter calado quando eu estiver conversando com alguma garota. Melhor: terá que se manter longe.

A discussão teria durado mais alguns minutos (ou até outra adorável senhorita passar por eles), mas foi interrompida por um estranho estrondo. O susto inicial se tornou medo quando mais estrondos surgiram, como que em uma seqüência de explosões. Pessoas gritaram, se empurravam, tropeçavam umas nas outras, tentando alcançar as saídas da casa noturna – até descobrirem da pior maneira possível que era de lá que vinha o caos.
Muitos jovens desmaiavam. Negão conseguiu mover-se no meio da multidão, e então percebeu que, na verdade, todos estavam sendo agredidos por estranhas criaturas. Polaco veio atrás dele, aos tropeções, cambaleando, como se tivesse bebido. Muitos outros também esbarraram neles. Mas aqueles realmente tinham bebido.

- O que está acontecendo? Quem são aqueles caras? – Polaco perguntou.

Eram indivíduos com corpo humanóide, mas pareciam revestidos por uma carapaça alienígena totalmente albina, fazendo-os parecer estátuas brancas em movimento. Negão pensou em responder ao amigo “Não os conhece? Achei que fossem seus irmãos.”, mas optou por não fazê-lo.
Os dois amigos conseguiram chegar até uma das saídas da casa noturna. Dois seguranças lutavam contra um grupo de sete daquelas criaturas. No chão, três outros seguranças mortos. Aquilo, definitivamente, não era uma brincadeira.

- Soldados Krur! Não deixem ninguém com vida! – gritou alguém que parecia estar em algum lugar do outro quarteirão.

Revoltados por terem suas tentativas de sedução interrompidas por misteriosos invasores aparentemente assexuados, muitos jovens imaturos e alcoolizados decidiram auxiliar os seguranças na batalha contra os inimigos. Negão e Polaco fizeram o mesmo. Ambos tinham noções consideráveis de artes marciais, pois tinham feito aulas anos atrás. Saber agredir fisicamente os semelhantes fora a maneira que eles encontraram, na época, de conseguirem concluir os estudos com a sanidade parcialmente intacta.
Houve chutes, socos e arremessos de garrafas, e os invasores albinos foram caindo um a um. Infelizmente, três pessoas foram feridas. Já se iniciava uma balbúrdia ao redor dos jovens machucados, quando uma gargalhada sinistra roubou a atenção de todos.

- Idiotas! Acham que poderão resistir à investida do Império Krar? Sou o General Krer, irmão do General Krir, e trago comigo o primeiro monstro da raça Kror para compensar a derrota dos meus soldados Krur.

Todos os presentes o olharam embasbacados. Não por suas palavras intimidadoras, sua postura altiva, ou seu semblante beligerante, que exalava um poder que não deveria ser desafiado. Não, o motivo era outro. Era sua aparência.
Ele um indivíduo alto, de voz rouca, cabelos azuis sujos escorrendo além da linha do ombro, revestido por uma armadura cheia de símbolos que provavelmente não tinham significado algum. Nas mãos ele tinha uma espada de lâmina vermelha – mas que parecia marrom devido à iluminação precária da rua. Seu rosto era repleto de cores estranhas, que lembravam pinturas de criancinhas indígenas. Não rir dele era mais difícil do que derrotá-lo.

- Como se atrevem a não defecarem em si mesmos de medo? Monstro Krorprimeiro, destrua-os.

E surgiu de algum lugar mal-iluminado da rua uma criatura bestial. Tinha rosto reptiliano, com uma língua que se recusava a ficar dentro da boca e gotejava saliva ácida. O corpo do ser era revestido por uma couraça amarronzada, que lembrava roupas de couro não lavadas há semanas. O monstro também tinha uma cauda, e uma voz que silvava algo que ninguém pôde entender, pois todos gritavam de horror e repulsa.
A criatura estava prestes a atacar, quando uma viatura da polícia anunciou sua chegada. Os defensores da ordem aproximaram-se lentamente em seu veículo blindado, viram que a ameaça se tratava de uma criatura sobrenatural cuja extensão real dos poderes eles desconheciam, e deram a ré a toda velocidade, fugindo covardemente.  
Um jovem, embriagado e disposto a descarregar em alguém a frustração gerada pelos constantes fracassos com o sexo oposto, tentou agredir Krorprimeiro com socos e chutes. As garras do inimigo lhe rasgaram o tórax, ceifando-lhe a vida.

A Terra estava realmente em perigo.

***

- Mestre Jacoh, está me dizendo então que a Terra está sob ataque de um poderoso e cruel império maligno cuja origem é desconhecida, e que se nada for feito a humanidade será escravizada, ou destruída, ou usada como matéria-prima para o surgimento de mais monstros sobrenaturais, que por sua vez tentarão invadir outro planeta para destruir seus moradores, ou escravizá-los ou transformá-los em matéria-prima para a formação de mais monstros sobrenaturais?
- Eu não teria conseguido ser tão direto, Ruivão. Mas, infelizmente, é isso mesmo.

Ruivão era o apelido daquele jovem ruivo, alto, extremamente magro, cheio de sardas e vestido com roupas de mendigo. Os pedaços de borracha que calçava não mereciam mais serem chamados de “tênis”. Anos trabalhando como engraxate, carregador de caixas e entregador de panfletos lhe tinha concedido uma força física considerável – embora pouco ou nenhum dinheiro.

- Meu São Rodrigo, protetor de todo mendigo, me proteja.
- Não tenha medo, Ruivão! Você foi chamado aqui porque quero que use as capacidades que você tem para organizarmos um contra-ataque. Não deixaremos nenhum império maligno dominar nosso mundo.
- Mas, mestre Jacoh, eu sou apenas um jovem morador das ruas incapaz de pagar por uma refeição decente. Como serei capaz de derrotar criaturas tão cruéis?
- Pensando bem, você não será! Vamos ter que adiar um pouco o contra-ataque. Vou precisar encontrar mais alguém para te ajudar.

***

Enquanto isso, na frente da casa noturna, Krorprimeiro já tinha assassinado quatro pessoas. Negão e Polaco tinham parte de seus corpos cobertos de sangue. Felizmente, não era o deles, e sim o dos cadáveres que eles tentaram acudir e cuspiram neles.

- Hei, monstro. Proponho que você vá embora e nos deixe em paz, e em troca, eu prometo pensar em uma forma de te compensar por você ter ido embora e nos deixado em paz! – disse Polaco, em uma desesperada tentativa de salvar várias vidas.

SERÁ QUE O MONSTRO SE SENSIBILIZARÁ COM O PEDIDO DE POLACO?
SERÁ QUE O SANTO PROTETOR DOS MENDIGOS AJUDARÁ RUIVÃO?
COMO O MESTRE JACOH PRETENDE IMPEDIR OS INVASORES DE DESTRUÍREM A HUMANIDADE, OU ESCRAVIZÁ-LA, OU TRANSFORMÁ-LA EM MATÉRIA PRIMA PARA A CRIAÇÃO DE MAIS MONSTROS SOBRENATURAIS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE “JACOHRANGERS”!

14 comentários:

  1. Na verdade as 19:30hs de brasília referente as 07:30hs do japão é a de sábado e não a de domingo. O japão está 12 horas a frente. Ou seja 19:30hs de Sábado aqui = 07:30hs de Domingo lá.

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    1. Olá, Marcelo. Seja bem-vindo, e obrigado por comentar. Eu quis dizer que às 19:30 de domingo em Tóquio, são 07:30 de domingo aqui. Seja como for, espero que tenha curtido e que volte no próximo fim de semana.

      Abraço.

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  2. MUITO BOM!!!!!!!

    Parabéns nobre mestre Jacoh, por mais essa empreitada! Você e a Angela trabalhando juntos, não tem como dar errado!!Ficou muito engraçado, tanto o desenho quanto o texto.

    O QUE ACONTECERÁ COM OS HERÓIS??

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    1. Obrigado, e seja bem-vinda, Lady Astreya. Breve saberemos o que acontecerá com os heróis.

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  3. Hahaha, estava com saudades deste tipo de histórias...

    Ótimo trabalho, grande amigo!

    Já adicionei teu novo espaço entre os irmãos de armas de meus Salões!

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    1. Fico agradecido pelo apoio, nobre Odin. Seja sempre bem-vindo aqui.

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  4. (^_^)v Konban wa! 
    Primeiro eu resolvi seguir a página e comentar depois! hehehe Só para garantir não que ia perder isso aqui de vista, mas enfim, aqui estou... Acabei recebendo a notícia desse "novo sentai" por e-mail e eis que minha curiosidade logo tratou de traçar um leve perfil para esses novos heróis, mas que bacana, hein?! Parabéns pela criação! Vida longa aos JACOHRANGERS! HEHEHEHE Se me permitirei estarei divulgando os novos heróis em meu Blog: Tatisatsu! Tudo bem?! ^_^ Sucesso!

    Abraços...

    PS: Divulguei para meus amigos no facebook! ^_^

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    1. Olá, Tati. Arigatou gozaimasu pelos elogios, pela visita e pela divulgação.

      Ficaremos orgulhosos se puder ajudar na divulgação. A propósito, embora você não saiba, visito com certa regularidade seu blog.

      Abraços.

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  5. Hahaha XD Muito figura!! Adorei!!! \o/ Só fiquei esperançosa quanto a ver ilustrações da Angela mostrando os heróis sem as roupas de super sentai XD

    Vou compartilhar o endereço do blog lá no Face \o/ E já tô seguindo também. Quero acompanhar os próximos capítulos.

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    1. Seja bem-vinda, Gisele. Ficamos felizes que tenha gostado, e agradecidos se puder ajudar a divulgar.

      Quanto às ilustrações, vamos ver com a Angela.

      Abraços.

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  6. Gisele, pode deixar que no próximo capitulo tem ilustração! Aguardem =)

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  7. Parabéns pela iniciativa ae pessoal, sucesso para vocês. :)

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    1. Muito obrigado, Bruno Master. Seja bem-vindo e volte sempre.

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