Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 26 de agosto de 2012

EPISÓDIO 09 - RESGATE



EPISÓDIO 09 – RESGATE

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- UMA TRADICIONAL FESTA DOS DESCENDENTES DE ALEMÃES FOI PREJUDICADA PELA CRUELDADE SEM PAR DO MALIGNO IMPÉRIO INVASOR!
- JAPA OPTA POR TENTAR SE TORNAR UM SEDUTOR MELHOR ATRAVÉS DA LEITURA, AO INVÉS DE PARAR DE URINAR EM LOCAIS PÚBLICOS.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Os cinco Jacohrangers partiram em velocidades, deslocando-se velozmente pelas ruas de Cidadopolislândia rumo ao local onde os pais de Polaco eram mantidos prisioneiros. Transeuntes observavam a movimentação de indivíduos trajando horrendas roupas coloridas e pensavam se tratar de integrantes da banda Restart.

- Estamos sendo vaiados! – constatou Ruivão.
- Pior seria se nos pedíssemos para autografarmos CD ‘s – respondeu Japa.

O trajeto era demorado, e isso parecia fazer parte da estratégia dos cruéis seqüestradores. Os heróis chegariam ao campo de batalha cansados, sem forças, sem disposição, sem alegria, sem fôlego, sem resistência, sem ar e sem levar em conta que teriam que percorrer, depois, todo o caminho de volta a pé também.
A ampulheta foi generosa e o tempo passou, chegando logo o momento do encontro entre os Jacohrangers, os soldados Krur, o monstro Krorterceiro e o General Krir. O local era uma área devastada que há poucos dias atrás tinha sido palco da festa conhecida como Oktoberfest. Atrás de onde estavam os vilões havia um barracão imenso, repleto de armadilhas.

- Finalmente vocês chegaram, heróis de meia tigela! – bradou o General Krir.
- Suas atitudes foram dignas de um covarde! – gritou o Jacohranger vermelho!
- Seu miserável! Como se atreveu a envolver pessoas inocentes em seus planos de conquistas? – gritou o amarelo.
- Seu bobo! Seu feio! Seu malvado! – berrou a rosa.
- Liberte meus pais imediatamente! – exigiu o amarelo.
- Chega! – gritou em resposta o General maligno – Se querem resgatar os reféns, venham e façam isso à força!

E a batalha começou.

- São quarenta soldados Krur, um monstro e um general. São muitos inimigos. O que faremos? – perguntou o preto.
- Eu luto contra um dos soldados Krur. Vocês enfrentam os outros trinta e nove soldados, o monstro e o general – sugeriu a rosa.
- Boa idéia! – respondeu o azul, suspirando de paixão.

Os soldados Krur cercaram o Jacohranger amarelo e começaram a golpeá-lo ao mesmo tempo. O jovem herói defendia-se como podia, aproveitando para contra-atacar com violência sempre que conseguia. Em dado momento, levou sete socos ao mesmo tempo e cambaleou para trás, mas conseguiu se recuperar e derrotou três soldados inimigos com um golpe só. As malditas criaturas esbranquiçadas pareciam ter escolhido ele como alvo, não restando a Polaco alternativa a não ser combater sozinho aqueles inimigos.
O Jacohranger preto e o azul lutavam junto contra o terrível monstro Krorterceiro. Era uma criatura abominável, que os agredia com seus muitos tentáculos, impossibilitando que os dois se defendessem adequadamente. Mesmo usando suas armas, os guerreiros da justiça iam, aos poucos, apanhando mais do que batendo. Vez por outra, um deles caía, para se levantar em seguida e continuar lutando com bravura.
O Jacohranger vermelho pôs-se a combater o General Krir. Suas espadas colidiram várias vezes, gerando um réquiem de aço raspando em aço. Faíscas saíam das lâminas, palavrões saíam das bocas e sangue saía da goela do ser maligno cada vez que ele era atingido. A batalha permanecia equilibrada, pois cada vez que Ruivão avançava, Krir recuava, como que fugindo do combate. Foram precisos dezoito minutos até que Ruivão percebesse que aquilo era uma estratégia do General para distraí-lo enquanto seus amigos Jacohrangers apanhavam.

- Posso lhe contar um segredo, tolo defensor desse planeta miserável? – Krir perguntou.
- Pode, mas peço que conte em voz alta para que meus colegas também escutem – respondeu o líder dos Jacohrangers.
- Os reféns estão correndo um perigo muito maior do que vocês imaginam. Há uma bomba poderosíssima dentro do lugar onde eles estão presos. Caso não consigam salvá-los em menos de vinte e dois minutos e quarenta e sete segundos, os prisioneiros irão pelos ares. Huahuhauhauhuahuahuahuhauhuahuahu! – o General emitiu uma gargalhada maligna.
- Ainda bem que a Jacohranger rosa já os está libertando – o vermelho apontou para o enorme barracão.
- O que? Como isso é possível?

Todos viram a Jacohranger rosa saindo com Fritz e Frida do balcão e os orientando a fugirem velozmente em busca de um lugar seguro para se esconderem.

- General estúpido. Quando a luta começou, seus soldados atacaram Polaco, seu monstro atacou Japa e Negão e você atacou Ruivão, mas ninguém me atacou, permitindo que eu salvasse os reféns sem dificuldade!  -Paty explicou.
- Mesmo os melhores planos podem apresentar falhas! – ele pensou consigo mesmo – Bem, talvez seja melhor eu recuar. Monstro Krorterceiro, soldados Krur, acabem com esses palhaços fantasiados de Restart!

E após uma fumaça envolver seu corpo, o General Krir desapareceu.

- Amigos, esse é o momento de acabarmos com esses soldados e esse monstro imundo! – berrou o Jacohranger amarelo.

E todos começaram a lutar com mais vontade e melhor distribuídos. O vermelho, o preto e o azul lutavam contra Krorterceiro, enquanto a rosa e o amarelo confrontavam os soldados. Naquele momento, só vinte e seis dos quarenta Krur ainda restavam de pé em condições de combater.
Usando suas armas, Polaco e Paty foram derrotando um a um os soldados. Em poucos minutos, não havia mais nenhuma das abomináveis criaturas branquelas na batalha. Quando os dois se sentaram no chão planejando descansar, após percorrerem centenas de quilômetros a pé, lembraram-se que o monstro Krorterceiro ainda precisava ser derrotado. 
Juntos, os cinco Jacohrangers fizeram o possível para derrotar o cruel inimigo. A força do adversário era terrível, pois ele atacava todos ao mesmo tempo com seus tentáculos, ao mesmo tempo em que os usava para se defender. Mesmo com suas armas, os heróis tinham dificuldade em ferir o rival.

- Provavelmente ele ficou dormindo em um dos colchões que há dentro do barracão enquanto nós corríamos feito loucos para chegarmos até aqui – disse a rosa.
- Isso me deu uma idéia – balbuciou o Jacohranger azul – Hei, Ruivão você sabe falar o idioma dos monstros?
- Sim, amigo – o vermelho respondeu – Sou fluente no idioma “monstrês arcaico”.
- Então diga ao monstro que tem alguém lá dentro do barracão o chamando.

O Jacohranger vermelho não entendeu o porquê daquilo, mas fez o que seu colega solicitou. Disse a Krorterceiro que alguém o aguardava dentro do imenso barracão há poucos metros deles. A criatura, com a ingenuidade características de um monstro honesto, correto, sincero e decente, acreditou e adentrou no colossal galpão.
O herói azul orientou seus colegas a se afastarem. Ninguém entendeu por que, mas todos o obedeceram e saíram de perto do barracão. Logo o lugar explodiu terrivelmente, fazendo com que poeira se espalhasse por quilômetros de distância. Krorterceiro provavelmente explodiu tinha sido destruído com aquele grande colapso.  

- Gostou da minha idéia, Paty? – Japa perguntou, achando que aquilo ajudaria a seduzi-la.
- Com certeza, Japa. Acho que a convivência com Ruivão está te deixando mais inteligente! – a garota respondeu.
- Não se preocupem, amigos – Ruivão manifestou-se – Não importa quem tem sido o autor da idéia genial. O importante é o resultado final.
- Pena que o Krorterceiro ainda está vivo – disse Negão, apontando para os escombros, de onde se levantava o terrível monstro inimigo.
- Ao menos ele está ferido – ponderou Polaco.

Os cinco guerreiros voltaram a empunhar suas armas e partiram em direção ao monstro. Para a surpresa deles, a criatura saiu correndo, fugindo covardemente do combate. Cansados, os Jacohrangers não conseguiam alcançá-la.

- E se arremessássemos nossas armas nele? – sugeriu o herói preto, quando o grupo estava a dezessete metros e catorze centímetros de distância do monstro.
- E se esperássemos que ele se canse? – propôs o azul.
- E se usássemos a bazuca sem nome? – pensou em voz alta o Jacohranger amarelo.
- Boa idéia! – gritou o vermelho.
- Bazuca sem nome!

E a poderosa arma se materializou, empunhada pelos braços valentes dos cinco jovens heróis. Um poderoso disparo de poderosa energia voou poderosamente até o não mais tão poderoso assim monstro enviado pelo poderoso Império Krar. A criatura foi atingida nas costas, sendo destruída e reduzida a doze mil, quatrocentos e cinqüenta dois pedacinhos. Suficientes para que a ambição maligna não acabasse ali.

- Raio agigantador! – gritou uma voz que parecia ser do Imperador Krar.

E Krorterceiro se reconstruiu, desta vez em um tamanho colossal, obrigando os heróis a chamarem o Gigante Guerreiro Jacohlossal. A imponente máquina de guerra demorou alguns minutos para chegar, talvez devido à distância que precisou percorrer. Embora fosse um robô, um objeto inanimado, os Jacohranger tiveram a impressão de que o Gigante Guerreiro Jacohlossal chegava ao campo de batalha cansado.

- Deve ser por que ele precisou voar por vários quilômetros sem parar... – ponderou o herói vermelho.

E batalha recomeçou. O Punho Jacohlossal golpeou Krorterceiro, que revidou com três tentáculos. O robô defensor da justiça caiu, para logo se levantar e então cair de novo. Isso se repetiu por quatro vezes, até que o Míssil Jacohlossal foi disparado. O monstro caiu, para logo se levantar e então cair de novo. Isso se repetiu cinco vezes, até que ele decidiu atacar novamente com seu tentáculo.

- Ruivão, será que não está na hora de aplicarmos o golpe final? – perguntou Polaco.
- É sempre difícil dizer quando é a hora de fazermos alguma coisa, amigo – respondeu Ruivão – O tempo é uma abstração, e se o destino é um reflexo direto de nossas ações e escolhas, quem pode dizer o quão diferentes seriam nossas vidas se tivéssemos feito no momento certo aquilo que acreditamos ter feito no momento errado e vice-versa?
- Estou dizendo isso porque quero dar um abraço nos meus pais. Eles estavam correndo perigo e agora estão a salvo, lembra?
- Desculpe, eu havia esquecido. Vamos dar o golpe final então.
- Golpe Fatal Final Jacohlossal! – gritaram todos ao mesmo tempo.

Krorterceiro foi transformado em poeira cósmica.

***

- Meu filho, estamos muitos orgulhosos de você – disse Fritz, com um inconfundível sotaque alemão.
- Por que, pai? Por eu ter lutado com bravura? Por eu ter escolhido arriscar minha vida para defender a justiça arriscando-me corajosamente contra inimigos cujo real poder não conhecemos?
- Não. Por você não ter entrado em coma alcoólico ainda este ano. Seus dois irmãos estão internados com suspeita de cirrose. Não puderam comparecer à Oktoberfest.
- Sei que eles melhorarão, pai.

E com essas emocionantes palavras, Polaco despediu-se de seus pais, indo cada um para um canto.

***

Enquanto isso, na terrível fortaleza do Império Krar, ninguém menos que o Imperador Krar dava ordens ao General Krer.

- Da próxima vez, não admitirei falhas!
- Peço perdão, meu Imperador. Mas lembre-se que o monstro Krorquarto é muito poderoso. Ele certamente derrotará os Jacohrangers.
- Por que não aumenta os poderes dele colocando-o na “Câmara de Aumentação de Poderes”?
- Ótima idéia, meu Imperador. Farei isso assim que ele sair da “Câmara da Obtenção de Invulnerabilidade a Tudo Exceto Por um Ponto Fraco”.
- Três dias. Esse é todo o tempo que aguardarei.
- Ouço e obedeço, meu Imperador. Em três dias, o monstro Krorquarto estará pronto para um novo ataque.

E, rapidamente, aqueles três dias se passaram. O terrível ser das trevas saiu da “Câmara dos Ajustes de Últimos Detalhes” e colocou-se à disposição do General Krer para uma nova investida contra os Jacohrangers.

- TERÁ O MONSTRO KRORQUARTO O PODER NECESSÁRIO PARA SOBREPUJAR A GRANDE CAPACIDADE DE BATALHA DOS JACOHRANGERS?
- QUANTO TEMPO LEVARÁ PARA QUE POLACO ENTRE EM COMA ALCOÓLICO?
- SERÁ DE FATO O TEMPO UMA ABSTRAÇÃO E O DESTINO APENAS UM MERO REFLEXO DE NOSSAS AÇÕES E ESCOLHAS?
- NOSSA VIDA TERIA SIDO DIFERENTE SE TIVÉSSEMOS FEITO NO MOMENTO CERTO O QUE ACREDITAMOS TER FEITO NO MOMENTO ERRADO E VICE-VERSA?

NÃO PERCA NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

domingo, 19 de agosto de 2012

EPISÓDIO 08 - O SEQUESTRO DOS PAIS DE POLACO



EPISÓDIO 08 – O SEQUESTRO DOS PAIS DE POLACO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- OS ATAQUES DO TERRÍVEL IMPÉRIO KRAR SE INTENSIFICAM, E AGORA AMEAÇAM A RECICLAGEM DE CIDADÓPOLISLÂNDIA.
- RUIVÃO TEME NÃO SER CAPAZ DE OBTER UMA RESPOSTA SATISFATÓRIA PARAO SEU DILEMA SOBRE OS DESERTOS.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Após o recente confronto com o General Krir, finalmente a paz reinou por alguns dias, e só assim os cinco jovens heróis puderam perceber o quanto Cidadopolislândia era bela. Havia parques, embora os brinquedos estivessem enferrujados e sem condições de uso. Havia imensos canteiros de flores, apesar de todas elas estarem murchas e terem sido pisoteadas por crianças ranhentas. Havia museus e prédios históricos, ainda que seu conteúdo fosse maçante e nada agradável.
Sem dúvidas, os cinco adoravam aquela cidade. Tinha policiais, mas eles eram corruptíveis e despreparados; tinha políticos, mas eles eram desonestos e arrogantes; tinham lupanares e eles possuíam em suas fachadas o nome “zona” escrito em letras garrafais.
Negão e Ruivão decidiram sair juntos para aproveitar o dia de folga. Foram a um bairro pobre conhecido como “Favelópolislândia”. Negão tinha interesse em procurar jovens pobres e sem oportunidades para convidá-los a aprender a tocar instrumentos de percussão. Ruivão desejava observar as características do local e o comportamento das pessoas para escrever seu primeiro livro: “A massificação da pusilanimidade e o esmorecimento da auto-estima humana”.
Paty foi ao salão. Faria as unhas e passaria toda a tarde escolhendo cores para as mechas que pretendia fazer no cabelo. Além, é claro, de ler revistas de fofocas sem precisar comprá-las.
Japa tinha ido à biblioteca. Debruçou-se sobre uma mesa e pôs-se a ler um livro intitulado: “A arte da sedução: descubra onde você está falhando”. Ao lado dele, uma pilha com outros títulos da mesma natureza: “Então, você não tem capacidade de conquistar uma mulher?”, “Perca a virgindade sem gastar um centavo: pergunte-me como” e o mais grosso de todos: “Duzentas e setenta e nove dicas para conseguir se casar antes dos sessenta e três anos”.
Polaco e Mestre Jacoh estavam no quartel-general do grupo, discutindo.

- Qual é o problema em eu tirar dezoito dias de folga, mestre? Minha família mora longe, e eu não a visito desde a última vez que eles fizeram um abaixo-assinado para que eu não os visitasse mais.
- Polaco, você precisa entender que você pode ser necessário aqui. E se o Império Krar atacar novamente?
- Mas, mestre, e se meus pais forem atacados? Preciso ir para protegê-los!
- Polaco, na verdade, você quer visitá-los porque eles estão trabalhando nos preparativos da Oktoberfest e você quer tomar chopp em grande quantidade e de graça.
- Por que o senhor acha isso, mestre?
- Porque encontrei em seu quarto um bilhete que você ia mandar para o Ruivão, dizendo: “Amigo, vou passar dezoito dias com meus pais tomando cerveja de graça e em grande quantidade. Mas, para o mestre Jacoh, direi que vou visitar meus pais porque eles podem ser alvo de ataques do Império Krar. Abraço”.

Polaco abaixou a cabeça e foi tomar banho.

***

Na região sul do Brasil, sobre um prédio altíssimo em que soprava um violento vento de chuva, dois indivíduos. Malignos, sujos e estranhamente vestidos, eram invasores espaciais. E tinham planos terríveis para colocar em prática.

- Será mais fácil derrotar os “Sabãoempórangers” se tivermos reféns para usarmos como escudo – disse o general Krir.
- O nome deles não é esse – respondeu Krer.
- O nome deles não importa! – Cheguei até a pensar em seqüestrar centenas de pessoas. Isso os deixaria muito ocupados com os resgates. Mas, para isso, nós teríamos que ficar muito ocupados nos seqüestros. Então achei melhor seqüestrarmos uma ou duas pessoas apenas, de preferência alguém que seja importante para eles. Assim, eles ficarão emocionalmente vulneráveis e serão mais facilmente derrotados.
- Parece um bom plano. Onde está o monstro Krorterceiro? – Krer perguntou.
- Deve ter se perdido. Quando expliquei a ele como chegar até aqui, fiquei com a impressão que ele não entendeu.

Minutos depois, Krorterceiro chegou ao topo do prédio. General Krer gargalhou, General Krir jurou vingar-se dos insolentes heróis, e o monstro apenas coçou seus glúteos. Um demoníaco plano estava prestes a ser posto em ação.

***

As pessoas corriam desesperadas, não porque suas vidas estavam ameaçadas, mas porque barris de chopp seriam desperdiçados se nada fosse feito. A banda parou de tocar as músicas típicas, os churrasqueiros largaram as carnes no fogo e os dançarinos abandonaram suas coreografias tolas. Todos se uniram com o propósito de não deixar aquela terrível invasão prejudicar o consumo desenfreado de álcool, as ressacas posteriores e os eventuais comas alcoólicos.
O monstro era horrendo. Tinha tentáculos quase infinitos, todos azuis, rosto monstruoso com cicatrizes vermelhas, patas amarelas, chifres brancos, e cabelos marrom-alaranjados. Parecia, de fato, um idiota em uma fantasia de carnaval. De fato, algum engraçadinho chegar a gritar para ele: “Você está na festa errada”. No entanto, o pior ainda estava por vir.
Dezenas de indivíduos brancos, quase albinos, marcharam com expressões sádicas nos rostos sem expressão. Eram soldados Krur, e tinham a missão de auxiliar Krorterceiro. O pânico aumentou, pois as criaturas invasoras corriam de um lado para o outro, parecendo estar a procura de alguém.
Os seguranças do evento não estavam presentes quando o caos começou. Uma busca desesperada revelou que eles estavam desmaiados ao lado de uma parede, de tal forma embriagados que chegaram à inconsciência. Todos os esforços na tentativa de acordá-los foi em vão. Muitos presentes pegaram as armas deles e decidiram se defender por si mesmos.
 Após longos minutos de confusão, balbúrdia, correria e degustação de chopp, Krorterceiro e seus aliados Krur encontraram quem procuravam: um casal de senhores de meia idade, loiros. Ele tinha um bigode horrendo, e ela prendia o cabelo em um penteado de extremo mal-gosto. Ambos tinham dificuldades em se manter de pé, pois o álcool que tinham consumido havia lhes tirado a lucidez. Talvez por isso não tivessem resistido à captura. Eles se chamavam Fritz e Frida.

Eram os pais de Polaco.

***

Os dois foram levados prisioneiros e trancafiados em uma cela escura, suja e sem bebidas alcoólicas. Estavam ainda tão fora si mesmos, que nem sequer perceberam que foram levados para outro lugar, aprisionados. Nem ao menos notaram que estavam algemados. Repararam apenas que a bebida havia acabado.
General Krir organizou um grupo de “boas-vindas” para os Jacohrangers. Além dele, o monstro Krorterceiro e quarenta e três soldados. Esperaram pacientemente pela vinda dos heróis. Ansioso, aguardou para que pudesse acertar as contas com os cinco impertinentes.
Cinco dias se passaram, e não veio ninguém. Quando General Krir já tinha perdido completamente a paciência, General Krer veio conversar com ele.

- Será que não seria uma boa idéia AVISAR os Jacohrangers que você seqüestrou parentes deles?

O silêncio reinou por vários minutos.

- É uma idéia tão maluca que pode dar certo.

***

No quartel-general dos Jacohrangers, o alarme soou, com os já tradicionais gritos de “Vamos seus trastes imprestáveis, vamos! Mexam-se! Perigo! Perigo!”. Logo surgiu no monitor principal do computador do grupo a imagem horrenda do General Krir.

- “Oritimbórangers”, tremam de medo, pois eu, General Krir, tenho como reféns os pais de um de vocês. Se quiserem vê-los novamente com vida, aceitem meu desafio. Venham resgatá-los, se puderem.

E gargalhou, como ouvira falar que os vilões do planeta Terra costumavam fazer após ameaçar os heróis. Polaco ficou com os olhos marejados de água, pois reconheceu na imagem do monitor que os prisioneiros eram seus pais. Seus colegas o apoiaram tanto quanto suas inteligências permitiam. Todos começaram a fazer seus preparativos, enquanto Mestre Jacoh identificava a localização do esconderijo inimigo. Em poucos minutos, estavam prontos e decididos.

Partiriam para o resgate.

- SE OS PAIS DE POLACO TÊM NOMES TIPICAMENTE ALEMÃES, COMO ELE PODE SER DESCENDENTE DE POLONÊS?
- POR QUE O GENERAL KRIR CHAMOU OS HERÓIS DE ORITIMBÓRANGERS? SERÁ QUE ELE SABE O SIGNIFICADO DA PALAVRA “ORITIMBÓ”?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 12 de agosto de 2012

EPISÓDIO 07 - O PODER DA AMIZADE



EPISÓDIO 07 – O PODER DA AMIZADE

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- UM VILÃO INCAPAZ DE PRONUNCIAR CORRETAMENTE O NOME DOS JACOHRANGERS ARMA UMA EMBOSCADA COVARDE CONTRA RUIVÃO.
- O JACOHRANGER VERMELHO ACHA MAIS FÁCIL SALVAR O MUNDO RECICLANDO CAIXAS DE LEITE DO QUE DERROTANDO UM TERRÍVEL IMPÉRIO INVASOR.
O QUE IRÁ ACONTECER?

O Jacohranger vermelho estava no chão, ferido, enfraquecido, mas sem ter abandonado a vontade de lutar. Seu coração estava cheio de fúria, pois seu inimigo, o terrível General Krir, havia cometido um ato de crueldade: golpeou, destruiu e incendiou o gigantesco carrinho que estava entupido de material reciclável. Parte do sangue de Ruivão ferveu de ódio, mas outra parte escorria pelas calçadas sujas das vielas de Cidadopolislândia.

- Chegou a hora de lhe dar o golpe final! – rugiu o General.
- Não posso morrer – o Jacohranger vermelho falava com muita dificuldade – Não antes de te fazer uma pergunta.
- Eu já sei! – Krir gargalhou – Você quer saber o que faremos com seu mundo depois que eu destruir você e seus amigos, certo? Pois eu digo o que eu farei: ou destruirei a humanidade, ou escravizarei toda a terra, ou usaremos os seres humanos como matéria-prima para a fabricação de mais monstros. Com mais monstros, atacaremos outros planetas para destruir seu povo, escravizar seu povo, ou usar seu povo como matéria-prima para a fabricação de mais monstros. E assim sucessivamente.
- Na verdade, a pergunta não era essa.
- O que? Qual era a pergunta, então?
- O deserto se chama “deserto”, porque é um lugar “deserto”, ninguém mora lá. Mas, e se milhares de pessoas fossem morar no deserto, ele não seria mais um lugar “deserto”. O deserto deixaria de ser “deserto”?

O profundo e desafiador questionamento do Jacohranger vermelho fez o General Krir refletir por alguns minutos.

***

- Isso se chama ressaca! – disse Polaco.

Negão sentia fortes dores de cabeça e ainda tinha certa vontade de vomitar. A madrugada anterior tinha sido agitada. Ele havia mentido ao mestre Jacoh que iria vigiar as ruas e garantir a segurança da cidade, e correu a uma danceteria, onde bebeu e abordou senhoritas até o amanhecer. Chegar de volta ao quartel-general só foi possível porque Japa o localizou através de um aparelho localizador.

- Há uma cópia desse diminuto aparelho em cada um de nossos corpos – o Jacohranger azul explicava aos colegas – Assim, é possível localizarmos uns aos outros em qualquer circunstância e em qualquer lugar em que estejamos.

Japa recebeu aplausos de Negão, Polaco, Paty e Mestre Jacoh. Mas, no fundo, a intenção dele com aqueles aparelhos era vigiar o que sua amiga Paty fazia, e com quem ela saía.
Negão cuspia na privada doses consideráveis de um chá de boldo que não conseguiu engolir, enquanto o Mestre Jacoh se perguntava qual seria a próxima investida do demoníaco Império Krar. Também se perguntava por que Ruivão estava demorando tanto. Também se perguntava o que tinha acontecido naquelas vielas que apareceram destruídas no telejornal. Polaco foi o primeiro a perceber que aquelas coisas todas podiam estar interligadas.

- Seu senso investigativo é impressionante, Polaco! – bradou Jacoh.
- Japa, que tal usarmos o localizador para tentarmos descobrir onde está o Ruivão? Daí, podemos aproveitar para ir até ele, resgatá-lo, e deter a ambição maligna de nossos inimigos!– propôs Negão.

Japa hesitou por alguns segundos. Se Ruivão fosse destruído, seu caminho estaria livre para que ele seduzisse Paty. Por outro lado, como a garota poderia amá-lo se ele se recusasse a ajudar um colega em dificuldades. Haveria outra chance para Japa seduzir Paty? Ele escolheria a amizade ou amor?
Negão adorava seu amigo Ruivão, e dera a idéia de procurá-lo, mas, no fundo, o que ele realmente queria era dormir. Se Ruivão estava em situação de perigo fora por escolha dele. Mas... Como poderia abandonar um colega em apuros? Dormir ou auxiliar um colega?
Polaco, Paty e Mestre Jacoh tiveram que dar nos dois um grande sermão sobre a importância da amizade, da união, do apoio mútuo, irrestrito e incondicional que era indispensável para que os Jacohrangers triunfassem sobre as forças do mal. Incapazes de agüentar tanta falação, Negão e Japa decidiram cooperar.

O General Krir sentiria o poder da amizade.

***

Os quatro jovens amigos gritaram “Hora de Jacohmbater o mal!”. O azul ajustou o localizador e encontrou rapidamente Ruivão. Estava em uma viela não muito perto dali. Uma vez que as motocicletas do grupo ainda tinham problemas legais com os órgãos de trânsito de Cidadopolislândia, os quatro tiveram que partir a pé.
Vinte e três minutos depois, chegaram ao local. Lá, uma cena estranha: um indivíduo maligno, poderoso e ameaçador, debatia com Ruivão. O Jacohranger vermelho estava caído, ensangüentado, ferido e enfraquecido no chão sujo de sangue. Não parecia capaz de reagir, mas não lhe faltavam argumentos para discutir com seu oponente.

- Basta, invasor maligno! – gritou o Jacohranger preto – O que você fez foi imperdoável!
- Exato! – berrou o amarelo – Ferir nosso amigo? Tudo bem. Destruir parte de nossa cidade? Tudo bem. Mas dar corda a ele e fazê-lo pensar que alguém se importa com essas babaquices pseudo-intelectuais dele? Isso é demais!
-Prepare-se! – vociferou o azul.

Os três empunharam suas armas, enquanto a rosa foi acudir o colega em apuros. O bastão, o escudo e a maça golpearam, agrediram e tentaram atingir o General maligno, mas não foram bem sucedidas. Krir era muito veloz, hábil e poderoso. Desferiu dois socos que levaram o Jacohranger preto a nocaute. O amarelo esquivou-se de alguns chutes, porém não resistiu ao poder de um raio de que foi alvo. O azul conseguiu manter seu confronto com o General equilibrado por pouco tempo. Logo também foi golpeado e caiu.
Naquele momento, o vermelho e a rosa preparavam-se para o combate. Ela tinha um projétil pronto para ser disparado por sua besta. Ele voltou a segurar com força o cabo de sua espada. General Krir olhou para eles e percebeu que não seria fácil derrotar aqueles jovens.

- Você ousou me atacar covardemente. Ousou destruir parte dessas belas vielas. Ousou destruir meu lixo reciclável. Ousou me iludir, fazendo-me acreditar que se importava com minhas reflexões filosóficas de grande profundidade. Por tudo isso, você não pode sair impune – disse o vermelho.

O disparo da Jacohranger rosa atingiu o inimigo de raspão, dando ao vermelho a chance de golpeá-lo com a espada. A criatura urrou de dor e disse três horríveis palavrões. Os cinco Jacohrangers taparam os ouvidos para não ouvir, e perderam a chance de continuarem atacando.
Mas quando o General Krir pensava em agredir o vermelho e a rosa, os outros três Jacohrangers já estão de pé novamente.

- Talvez sejamos fracos, burros, desmiolados, imaturos, despreparados, irresponsáveis e inconseqüentes. Mas somos amigos! E é por isso que jamais seremos derrotados por você! – gritou o Jacohranger azul.

Os cinco heróis iniciaram um ataque conjunto, atingindo o General várias e várias vezes, até que ele caiu no chão. Quando se levantou, manquitolando e cambaleando mais do que Negão quando bebia, percebeu que estava prestes a receber o golpe final.

- Bazuca sem nome! – todos gritaram ao mesmo tempo, invocando a mais poderosa arma de que dispunham.
- Não serei destruído agora! Eu voltarei! – gritou General Krir.

E após uma explosão e um grande clarão, o inimigo maligno havia escapado magicamente. Os cinco defensores da justiça se abraçaram e vibraram pela vitória. Todos ajudaram Ruivão a recolher o que restava de seu material reciclável, e juntos regressaram lentamente até o quartel-general do grupo. Àquela altura, Negão já estava bem melhor de sua ressaca.

- Eu sempre soube que vocês conseguiriam – disse o Mestre Jacoh.
- Nós não – respondeu com sinceridade Japa.

E assim, mais uma vez, o dia foi salvo graças aos Jacohrangers!

- SE MILHARES DE PESSOAS FOREM MORAR NO DESERTO, ELE DEIXARÁ DE SER “DESERTO”?
- QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS PLANOS DO TERRÍVEL IMPÉRIO KRAR PARA CONQUISTAR A TERRA?
- SERÁ NEGÃO CAPAZ DE CONTINUAR COMBATENDO O MAL MESMO SENDO SEMPRE ACOMETIDO POR VIOLENTAS RESSACAS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DOS JACOHRANGERS!

domingo, 5 de agosto de 2012



EPISÓDIO 06 – GENERAL KRIR CONTRA O JACOHRANGER VERMELHO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL DERROTOU O MONSTRO INIMIGO, MAS SEU INTERIOR FOI EMPESTEADO POR UM MISTERIOSO CHEIRO DE URINA.
- O ELEVADO NÚMERO DE PEDAÇOS A QUE O MONSTRO DESTRUÍDO SE REDUZIU SE ESPALHOU E EMPORCALHOU CIDADOPOLISLANDIA.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Japa chorava. Mesmo um corajoso guerreiro que defende a justiça era capaz de sofrer por amor. Ele estava realmente apaixonado por Paty, que apenas sabia que ele existia. E nada mais. Como se isso não bastasse, ela suspirava de paixão pelo seu colega Ruivão, alguém que era pouco mais que um mendigo metido a filósofo.
Naturalmente, Japa fazia isso escondido em seus aposentos. Cada um dos cinco Jacohrangers tinha um quarto para si no quartel-general do grupo. Para Polaco e Negão, aquilo era ótimo, pois permitia a ambos usar o dinheiro com que pagariam aluguel para comprar garrafas de conhaque nas casas noturnas que freqüentavam. Mas para Japa, a possibilidade de morar na base do grupo era um pretexto para ficar mais próximo de Paty e vê-la com mais freqüência.
Ruivão decidiu sair. Apesar de o Mestre Jacoh ter dito que eles deveriam abandonar seus empregos e se concentrarem apenas no combate ao mal, o jovem Jacohranger vermelho fazia questão de puxar um gigantesco carrinho, com o qual passava por becos, catando papel, papelão, plástico e outros objetos recicláveis. Não havia necessidade disso, pois todas as contas dos cinco guerreiros seriam pagas pelo caixa do grupo, mas Ruivão o fazia por hobby. Sim, ele sentia prazer em perambular pelas vielas sujas e mal-cheirosas de Cidadopolislândia puxando um pesado “veículo”, sob um sol fortíssimo, remexendo lixões e aterros sanitários, enquanto filosofava consigo mesmo.

- Será que os membros do tal Império Krar são realmente vilões? Ou a vilania seria um conceito puramente maniqueísta formulado por nosso egocentrismo? Não seremos nós os vilões, sob a ótica daqueles que não compreendemos e não procuramos compreender?

E por longas horas, Ruivão mantinha-se absorto em seus pensamentos, vagando pela parte mais pobre, imunda, repugnante, encardida e poluída da cidade. Ele não sabia o que o destino tinha lhe reservado... (Até porque, ele sempre acreditou que o destino fosse uma abstração meramente resultante do conjunto das ações realizadas pelos seres vivos).

***

Nas profundezas não muito profundas de uma encosta encostada em um local cheio de encostos e maus espíritos, ficava umas das muitas bases subterrâneas dos terríveis invasores do Império Krar. Lá, soldados Krur treinavam combate corporal, visando ficarem fortes o bastante para vencerem os Jacohrangers. Supervisionando a operação, estava ninguém menos que o General Krer. As coisas não iam bem, mas, pelo menos, não tinha ninguém olhando. Até que chegou o General Krir e começou a tirar sarro dele.

- Só posso dar risada da sua incompetência, Krer. Você deveria ter sido capaz de derrotar aqueles cinco “bocó-rangers”.
- O nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! O que importa é que você os subestimou. Não adianta simplesmente atacá-los. Por que nunca tentou formular um plano?
- Um plano... – General Krer coçou o queixo – Aí está... É algo tão maluco que pode até dar certo. Que tipo de plano?
- Eu tenho um plano. Mas não vou deixar que você o execute. Deixe que eu me encarregue de destruir os “cocoricó-rangers”. Limite-se a treinar os soldados Krur.
- O nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! – gritou o General Krir.
- Então me conte qual é o seu plano.
- É muito simples. Os Jacohrangers são muito fortes lutando juntos. Mas talvez não sejam tão fortes assim separados.
- Você pretende comprar propriedades em outros países para que cada um vá morar em pontos diferentes do planeta?
- Não! Vou simplesmente atacar o vermelho quando ele estiver sozinho. E depois de destruí-lo, os outros ficaram desorientados, como cãezinhos assustados. Não é à toa que eles se chamam “totó-rangers”.
- Na verdade, o nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! – berrou o General Krir – Agora saia da minha frente, pois vou executar meu plano.

E assim, o General Krir partiu.

***

Ruivão estava cansado. O sol estava brilhando forte, o ar estava abafado, e o pouco vento que existia não refrescava – apenas trazia correntes de ar mal cheiroso vindo dos esgotos. Ele continuava catando caixas de papelão, caixas de ovos, embalagens de sabonete e outros objetos que certamente salvariam o mundo se fossem reciclados naquelas quantidades diminutas. Ele estava tão concentrado naquilo, que nem percebeu que estava sendo seguido.

- Pare aí mesmo! – gritou alguém com uma voz trovejante.

Ruivão olhou para trás, para frente, para os lados, para cima, para baixo, e fechou os olhos para olhar para “dentro de si mesmo”. Não vendo ninguém além dele, deduziu que era com ele que estavam falando.

- Olá, indivíduo que não sei quem é, e que se veste como se fosse o general maligno de algum império espacial que invadiu nosso planeta. Pode me dizer por que pediu que eu parasse, quem você é, e por que você parece um general maligno de algum império espacial que invadiu nosso planeta?
- Pode parecer coincidência, mas sou mesmo um general maligno de um império espacial que invadiu seu planeta. Sou o General Krir e vim matá-lo antes que seus amigos venham ajudá-lo.
- É como eu sempre digo: “as aparências não enganam”. Bem, vamos lá então: Hora de Jacohmbater o mal.

E Ruivão transformou-se no Jacohranger vermelho. Pensou em fazer alguma pose interessante, gritar algo ameaçador ou dar uma lição de moral no cruel invasor, mas tinha pressa. Queria voltar a recolher lixo reciclável e contribuir para a preservação do meio ambiente.
O General Krir tinha corpo de formato humanóide. Dois braços, duas pernas, uma cabeça, todos nos lugares habituais. Era robusto, forte e careca. Seu corpo era um amontoado de músculos e furúnculos roxos, parcialmente escondidos por pedaços de armadura. Seus olhos eram amarelos e esbugalhados, tinha pequenos chifres na cabeça, no rosto, no queixo, no nariz, nas orelhas, no pescoço, na nuca e na espada que trazia nas mãos. Ele também usava uma capa enorme, que não era bonita, e na qual ele enroscava os pés quando precisava correr muito depressa.
O vermelho sacou sua espada, e seu oponente fez o mesmo. Os dois se olharam com cara de malvados por longos minutos, até que não resistiram e começaram a rir. Quando perceberam qual a situação, voltaram a fazer caras de malvados e iniciaram a batalha.

- Não me vencerá, malfeitor – gritou o vermelho.
- Não me vencerá, mal cheiroso – gritou o General.

As duas espadas se chocaram por várias vezes. Os inimigos se golpeavam, brandiam suas lâminas com ferocidade, atacavam e recuavam, se esquivavam e contra atacavam... Até que o General Krir começou a levar vantagem.
O ser das trevas atingiu o Jacohranger vermelho duas vezes em golpes verticais na altura dos ombros. O defensor da justiça gritou de dor e caiu. Por um instante, achou que o general iria atacar seu carrinho cheio de materiais recicláveis. Ficou surpreso quando percebeu que o objetivo de Krir era apenas matá-lo.

- Sem seus amigos você não tem chance!

Um terceiro e um quarto golpe foram desferidos. O vermelho ficou agonizando no chão, enquanto seu inimigo se aproximava dele a passos lentos, pronto para desferir o golpe final. O Jacohranger tentou invocar a bazuca sem nome, mas ela não veio. Só viria se todas as cinco armas do grupo se reunissem.

- Saiba que o vermelho do meu uniforme representa a chama da esperança que não poderá ser apagada enquanto existir no coração dos seres humanos a convicção sincera de que a justiça triunfará sobre o mal. Sabe o que isso significa, General Krir?
- Não!
- É uma pena, porque eu também não sei. Meditei muito sobre isso, mas não encontrei nenhuma resposta.

O General Krir desferiu um violento chute no queixo do Jacohranger vermelho, fazendo-o ser arremessado até a parede mais próxima. O jovem gritou de dor. Mesmo protegido por sua armadura, ele sangrou. Os transeuntes ao redor já se afastavam. Não devido ao medo da terrível batalha que colocava em risco a liberdade da raça humana. Mas por causa do fedor de Ruivão.

- SERÁ O JACOHRANGER VERMELHO CAPAZ DE DESCOBRIR O QUE REPRESENTA A CHAMA DA ESPERANÇA QUE NÃO PODERÁ SER APAGADA ENQUANTO EXISTIR NO CORAÇÃO DOS SERES HUMANOS A CONVICÇÃO SINCERA DE QUE O BEM TRIUNFARÁ SOBRE O MAL?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!