Jacohrangers

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domingo, 5 de agosto de 2012



EPISÓDIO 06 – GENERAL KRIR CONTRA O JACOHRANGER VERMELHO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL DERROTOU O MONSTRO INIMIGO, MAS SEU INTERIOR FOI EMPESTEADO POR UM MISTERIOSO CHEIRO DE URINA.
- O ELEVADO NÚMERO DE PEDAÇOS A QUE O MONSTRO DESTRUÍDO SE REDUZIU SE ESPALHOU E EMPORCALHOU CIDADOPOLISLANDIA.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Japa chorava. Mesmo um corajoso guerreiro que defende a justiça era capaz de sofrer por amor. Ele estava realmente apaixonado por Paty, que apenas sabia que ele existia. E nada mais. Como se isso não bastasse, ela suspirava de paixão pelo seu colega Ruivão, alguém que era pouco mais que um mendigo metido a filósofo.
Naturalmente, Japa fazia isso escondido em seus aposentos. Cada um dos cinco Jacohrangers tinha um quarto para si no quartel-general do grupo. Para Polaco e Negão, aquilo era ótimo, pois permitia a ambos usar o dinheiro com que pagariam aluguel para comprar garrafas de conhaque nas casas noturnas que freqüentavam. Mas para Japa, a possibilidade de morar na base do grupo era um pretexto para ficar mais próximo de Paty e vê-la com mais freqüência.
Ruivão decidiu sair. Apesar de o Mestre Jacoh ter dito que eles deveriam abandonar seus empregos e se concentrarem apenas no combate ao mal, o jovem Jacohranger vermelho fazia questão de puxar um gigantesco carrinho, com o qual passava por becos, catando papel, papelão, plástico e outros objetos recicláveis. Não havia necessidade disso, pois todas as contas dos cinco guerreiros seriam pagas pelo caixa do grupo, mas Ruivão o fazia por hobby. Sim, ele sentia prazer em perambular pelas vielas sujas e mal-cheirosas de Cidadopolislândia puxando um pesado “veículo”, sob um sol fortíssimo, remexendo lixões e aterros sanitários, enquanto filosofava consigo mesmo.

- Será que os membros do tal Império Krar são realmente vilões? Ou a vilania seria um conceito puramente maniqueísta formulado por nosso egocentrismo? Não seremos nós os vilões, sob a ótica daqueles que não compreendemos e não procuramos compreender?

E por longas horas, Ruivão mantinha-se absorto em seus pensamentos, vagando pela parte mais pobre, imunda, repugnante, encardida e poluída da cidade. Ele não sabia o que o destino tinha lhe reservado... (Até porque, ele sempre acreditou que o destino fosse uma abstração meramente resultante do conjunto das ações realizadas pelos seres vivos).

***

Nas profundezas não muito profundas de uma encosta encostada em um local cheio de encostos e maus espíritos, ficava umas das muitas bases subterrâneas dos terríveis invasores do Império Krar. Lá, soldados Krur treinavam combate corporal, visando ficarem fortes o bastante para vencerem os Jacohrangers. Supervisionando a operação, estava ninguém menos que o General Krer. As coisas não iam bem, mas, pelo menos, não tinha ninguém olhando. Até que chegou o General Krir e começou a tirar sarro dele.

- Só posso dar risada da sua incompetência, Krer. Você deveria ter sido capaz de derrotar aqueles cinco “bocó-rangers”.
- O nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! O que importa é que você os subestimou. Não adianta simplesmente atacá-los. Por que nunca tentou formular um plano?
- Um plano... – General Krer coçou o queixo – Aí está... É algo tão maluco que pode até dar certo. Que tipo de plano?
- Eu tenho um plano. Mas não vou deixar que você o execute. Deixe que eu me encarregue de destruir os “cocoricó-rangers”. Limite-se a treinar os soldados Krur.
- O nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! – gritou o General Krir.
- Então me conte qual é o seu plano.
- É muito simples. Os Jacohrangers são muito fortes lutando juntos. Mas talvez não sejam tão fortes assim separados.
- Você pretende comprar propriedades em outros países para que cada um vá morar em pontos diferentes do planeta?
- Não! Vou simplesmente atacar o vermelho quando ele estiver sozinho. E depois de destruí-lo, os outros ficaram desorientados, como cãezinhos assustados. Não é à toa que eles se chamam “totó-rangers”.
- Na verdade, o nome deles não é esse.
- O nome deles não importa! – berrou o General Krir – Agora saia da minha frente, pois vou executar meu plano.

E assim, o General Krir partiu.

***

Ruivão estava cansado. O sol estava brilhando forte, o ar estava abafado, e o pouco vento que existia não refrescava – apenas trazia correntes de ar mal cheiroso vindo dos esgotos. Ele continuava catando caixas de papelão, caixas de ovos, embalagens de sabonete e outros objetos que certamente salvariam o mundo se fossem reciclados naquelas quantidades diminutas. Ele estava tão concentrado naquilo, que nem percebeu que estava sendo seguido.

- Pare aí mesmo! – gritou alguém com uma voz trovejante.

Ruivão olhou para trás, para frente, para os lados, para cima, para baixo, e fechou os olhos para olhar para “dentro de si mesmo”. Não vendo ninguém além dele, deduziu que era com ele que estavam falando.

- Olá, indivíduo que não sei quem é, e que se veste como se fosse o general maligno de algum império espacial que invadiu nosso planeta. Pode me dizer por que pediu que eu parasse, quem você é, e por que você parece um general maligno de algum império espacial que invadiu nosso planeta?
- Pode parecer coincidência, mas sou mesmo um general maligno de um império espacial que invadiu seu planeta. Sou o General Krir e vim matá-lo antes que seus amigos venham ajudá-lo.
- É como eu sempre digo: “as aparências não enganam”. Bem, vamos lá então: Hora de Jacohmbater o mal.

E Ruivão transformou-se no Jacohranger vermelho. Pensou em fazer alguma pose interessante, gritar algo ameaçador ou dar uma lição de moral no cruel invasor, mas tinha pressa. Queria voltar a recolher lixo reciclável e contribuir para a preservação do meio ambiente.
O General Krir tinha corpo de formato humanóide. Dois braços, duas pernas, uma cabeça, todos nos lugares habituais. Era robusto, forte e careca. Seu corpo era um amontoado de músculos e furúnculos roxos, parcialmente escondidos por pedaços de armadura. Seus olhos eram amarelos e esbugalhados, tinha pequenos chifres na cabeça, no rosto, no queixo, no nariz, nas orelhas, no pescoço, na nuca e na espada que trazia nas mãos. Ele também usava uma capa enorme, que não era bonita, e na qual ele enroscava os pés quando precisava correr muito depressa.
O vermelho sacou sua espada, e seu oponente fez o mesmo. Os dois se olharam com cara de malvados por longos minutos, até que não resistiram e começaram a rir. Quando perceberam qual a situação, voltaram a fazer caras de malvados e iniciaram a batalha.

- Não me vencerá, malfeitor – gritou o vermelho.
- Não me vencerá, mal cheiroso – gritou o General.

As duas espadas se chocaram por várias vezes. Os inimigos se golpeavam, brandiam suas lâminas com ferocidade, atacavam e recuavam, se esquivavam e contra atacavam... Até que o General Krir começou a levar vantagem.
O ser das trevas atingiu o Jacohranger vermelho duas vezes em golpes verticais na altura dos ombros. O defensor da justiça gritou de dor e caiu. Por um instante, achou que o general iria atacar seu carrinho cheio de materiais recicláveis. Ficou surpreso quando percebeu que o objetivo de Krir era apenas matá-lo.

- Sem seus amigos você não tem chance!

Um terceiro e um quarto golpe foram desferidos. O vermelho ficou agonizando no chão, enquanto seu inimigo se aproximava dele a passos lentos, pronto para desferir o golpe final. O Jacohranger tentou invocar a bazuca sem nome, mas ela não veio. Só viria se todas as cinco armas do grupo se reunissem.

- Saiba que o vermelho do meu uniforme representa a chama da esperança que não poderá ser apagada enquanto existir no coração dos seres humanos a convicção sincera de que a justiça triunfará sobre o mal. Sabe o que isso significa, General Krir?
- Não!
- É uma pena, porque eu também não sei. Meditei muito sobre isso, mas não encontrei nenhuma resposta.

O General Krir desferiu um violento chute no queixo do Jacohranger vermelho, fazendo-o ser arremessado até a parede mais próxima. O jovem gritou de dor. Mesmo protegido por sua armadura, ele sangrou. Os transeuntes ao redor já se afastavam. Não devido ao medo da terrível batalha que colocava em risco a liberdade da raça humana. Mas por causa do fedor de Ruivão.

- SERÁ O JACOHRANGER VERMELHO CAPAZ DE DESCOBRIR O QUE REPRESENTA A CHAMA DA ESPERANÇA QUE NÃO PODERÁ SER APAGADA ENQUANTO EXISTIR NO CORAÇÃO DOS SERES HUMANOS A CONVICÇÃO SINCERA DE QUE O BEM TRIUNFARÁ SOBRE O MAL?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

3 comentários:

  1. Hahaha, muito bom! E nenhuma história deste gênero estaria completa sobre uma reflexão do valor da Chama da Esperança... vejamos o que aguarda os jovens e barulhentos heróis no próximo capítulo.

    E mudando um pouco de assunto, coloquei em meus Salões uma pequena passagem do segundo capítulo de teu novo livro. As pessoas gostaram muito de teu trabalho, nobre amigo.

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  2. SERÁ QUE RUIVÃO IRÁ RESISTIR? SERÁ QUE O PODER DO AMOR DE PATY NÃO VIRÁ SALVÁ-LO??

    Hehehehe, me empolguei com as chamadas!

    Gostei das maravilhosas aliterações nesta parte: "Nas profundezas não muito profundas de uma encosta encostada em um local cheio de encostos e maus espíritos"! Que poesia!

    Como sempre, muito engraçado e bem escrito, nobre Jaco! Espero pelo próximo capítulo!

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  3. Eu também pensei na Paty quando cheguei no final do capítulo XD Mas também pode ser o Japa, chegando para salvá-lo e dizendo algo como "não queri ver a Paty triste, então vim ajudá-lo" hehehe.

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