Jacohrangers

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domingo, 30 de setembro de 2012

EPISÓDIO 14 - A PRIMEIRA AMNÉSIA A GENTE NUNCA ESQUECE


EPISÓDIO 14 – A PRIMEIRA AMNÉSIA A GENTE NUNCA ESQUECE

- UMA VIOLENTA PANCADA NA CABEÇA FEZ NEGÃO QUESTIONAR QUEM ELE É, PARA ONDE ELE VAI E POR QUE A NOVELA DAS 08:00 COMEÇA ÀS 09:00.
- A GIGANTESCA LEGIÃO DE FÃS DOS JACOHRANGERS COMEÇA A SUSPEITAR QUE LOGO SURGIRÁ UM SEXTO INTEGRANTE NO GRUPO.

O QUE IRÁ ACONTECER?

- Quem sou eu? Onde está meu pé? Por que o céu é azul? Por que a palavra “caipirinha” fica vindo à minha cabeça?

Negão estava com a visão turva e os pensamentos embaralhados. Não conseguia se lembrar de nada. Não entendia por que estava ali, não sabia por que um monstro horrível com um tridente batia sem parar em quatro indivíduos com fantasias coloridas. Logo reparou que também estava com uma daquelas roupas esquisitas, ficou com medo que a criatura decidisse bater nele também e tentou correr. Mas estava desorientado e caiu sem sentidos.
Os Jacohrangers agonizavam. Estavam feridos demais, ensangüentados e com seus trajes de combate bastante danificados. Suas forças pareciam ter se esvaído. Apenas em quatro não era possível usar a “bazuca sem nome”. A derrota parecia inevitável e só restava a eles gritar. Gritar com Negão.

- Amigo, se você não consegue encontrar sua verdadeira identidade em sua cabeça, procure-a em seu coração! – gritou Japa.
- Negão, tente se lembrar! Éramos amigos! Enchíamos a cara juntos. Fazíamos amizade com seguranças de casas noturnas para podermos nas semanas seguintes entrar lá de graça. Tente se lembrar, Negão! – berrou Polaco.
- Negão, sempre te achei vulgar, e nunca gostei da forma como você trata as mulheres. Mas agora os Jacohrangers precisam de você! – bradou Paty.
- Amigo, você sempre foi um jovem infantil, imaturo, irresponsável, que chegou à vida adulta agindo como um adolescente e conduzindo sua vida de forma desregrada e inconseqüente! Por favor, recobre logo a consciência e aproveite essa chance de, pelo menos uma vez na vida, ser útil à sociedade e à raça humana como um todo! – pediu Ruivão.

Negão ouvia aquilo sem saber se era com ele que falavam. Sua cabeça latejava e suas idéias estavam aparvalhadas. A consciência ia e voltava, e até seu corpo parecia não responder aos comandos. Sentia a boca seca e tinha uma vontade incontrolável de consumir bebida alcoólica. Mas não se lembrava de quem era.
Os outros quatro Jacohrangers estavam sendo massacrados. Logo morreriam, e, para evitar o pior, o vermelho decidiu tomar medidas drásticas.

- Hei, monstro maligno, olhe lá em cima! Um avião!

Krorquinto virou-se e olhou para o céu, procurando avidamente pelo avião. Longos minutos se passaram, até que a criatura entendeu que tinha sido enganada. Mas já era tarde: os Jacohrangers haviam fugido, levando Negão desacordado com eles.

***

O monstro Krorquinto havia recuado. Estava novamente nas profundezas de profundidade profundamente profunda do Império Krar, onde todos comemoravam o bom trabalho por ele realizado. Tinha massacrado os Jacohrangers, feito um deles perder a memória o obrigado todos eles a fugir. A vitória definitiva era apenas questão de tempo.

- Vencemos! – o General Krer se rejubilava – Logo teremos o controle total do planeta Terra.
- E por que não temos ainda? – perguntou o Imperador Krar.
- Bem, meu Imperador, na verdade... Bem, os Jacohrangers fugiram. E para destruí-los, precisamos que eles apareçam. Ou seja, não nos resta nada, absolutamente nada a fazer, exceto ficarmos de braços cruzados aguardando.
- Idiota! Por que não manda Krorquinto atacar a cidade, assassinar pessoas inocentes e destruir casas? Isso certamente obrigaria os Jacohrangers a aparecerem.
- Genial, meu Imperador! Eu jamais teria pensado em um plano tão inteligente, original e surpreendente. Não é à toa que o senhor é o futuro Imperador do universo.
- Execute logo o plano!

A destruição teria início.

***

Mestre Jacoh estava profundamente constrangido. Há poucos minutos ele assistia um filme erótico (“Zé-bom-de-perna no país das ninfomaníacas”), quando os Jacohrangers chegaram. Estavam cansados, feridos e enfraquecidos, mas encontraram forças para debochar, gozar, ironizar, agredir verbalmente, ridicularizar, constranger, ofender, achincalhar e enxovalhar seu mestre. Todas as tentativas de mudar de assunto falharam. Não importava se Cidadopolislândia estava em perigo, se Negão tinha perdido a memória, ou se o inimigo era poderoso demais. A única coisa sobre a qual se falava era o filme pornográfico do mestre Jacoh.

- E aí, mestre? É verdade que o senhor é presidente do fã-clube do Kid Bengala? – ironizou Polaco.
- O senhor não tem competência para conseguir uma mulher de verdade, mestre? – perguntou seriamente Paty.
- Com que freqüência o senhor faz isso, Mestre Jacoh? Todas as vezes que a gente sai para combater o mal? – questionou Japa.
- Apesar de não lembrar quem sou, nem quem o senhor é, gostaria de dizer HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – gargalhou Negão.
- Mestre Jacoh, todos nós aqui entendemos que o senhor está em uma idade de transição, na qual seu corpo passa por muitas transformações. Sabemos que o senhor está experimentando sensações que nunca teve antes e que isso pode estar lhe gerando certa insegurança. Mas nada justifica esse comportamento libertino e adolescente, Mestre! – disse Ruivão.

Negão ainda não tinha recuperado a memória, os Jacohrangers ainda estavam terrivelmente feridos e o Mestre Jacoh ainda era alvo de chacotas quando o alarme soou. Aparentemente, o terrível monstro Krorquinto iniciara um violento ataque contra o povo de Cidadopolislândia.

- Japa, seu celular ultra-tecnológico não tem nenhuma função “Curar amnésia dos amigos”? – perguntou Paty.
- Infelizmente, não! – ele respondeu desapontado – Mas se o que fez Negão perder a memória foi uma violenta pancada na cabeça, talvez outra pancada na cabeça possa fazê-lo recuperar a memória.
- Uma idéia tão inusitada que pode dar certo – disse Ruivão. Em seguida o Jacohranger vermelho desferiu um poderoso soco no amigo Negão.

Após alguns minutos desacordado (e com o alarme soando), o Jacohranger preto recobrou a consciência. Tinha recuperado totalmente a memória. Estava pronto para Jacohmbater o mal.
Embora muito cansados, feridos, e com certa preguiça, os cinco heróis partiram para travar a batalha final com o monstro Krorquinto.

***

O centro de Cidadopolislândia era puro pânico. O poder destrutivo da criatura maligna tinha causado um grande estrago. Carros foram destruídos, casas ardiam em chamas e pessoas agonizavam no chão sujo. Krorquinto grunhia e urrava, como que se deleitando com o sofrimento daquele povo.
Então chegaram os Jacohrangers. Emitindo suas bravatas adolescentes, disfarçando a feiúra de seus trajes com poses ainda mais constrangedoras e compensando a burrice com muita coragem e determinação. Não traziam nas mãos suas armas, pois já sabiam que elas não surtiriam efeito contra o terrível inimigo.

- Bazuca sem nome! – gritaram todos em uníssono, convocando seu mais poderoso recurso.

Krorquinto subestimou o poder destrutivo da bazuca e não tentou desviar da gigantesca quantidade de energia cósmica que avançou velozmente até ele. Virou poeira alienígena, enquanto Paty dizia algo como “Volte à forma humilde que merece”.

- Raio agigantador! – gritou uma voz oriunda de outro mundo.

E Krorquinto foi reconstruído com dezenas de metros de altura. Não tardou para que o Gigante Guerreiro Jacohlossal também viesse, dando abrigo aos cinco heróis. Monstro e robô trocaram golpes. Os raios vindos do tridente da besta mediram forças com o “Míssil Jacohlossal”. Chutes e socos foram desferidos em todas as direções. Mas logo foi pronunciada a frase que encerraria o confronto:

- Golpe Fatal Final Jacohlossal!

E Krorquinto foi derrotado definitivamente.

- HAVERÁ UM LIMITE PARA A DIVERSIDADE DE FUNÇÕES QUE O CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO DE JAPA PODE TER?
- SE FOREM VERDADEIROS OS BOATOS DE QUE O MESTRE JACOH TEM PÔSTERES DA ATRIZ QUE INTERPRETAVA A YELLOW FLASH SEMINUA, QUE IMPACTO ISSO PODE TER NA HISTÓRIA?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS

domingo, 23 de setembro de 2012

EPISÓDIO 13 - NEGÃO PERDE A MEMÓRIA


CAPÍTULO 13 – NEGÃO PERDE A MEMÓRIA

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- APESAR DE SUAS IMENSAS LIMITAÇÕES INTELECTUAIS, OS JACOHRANGERS TÊM CONSEGUIDO CONTER OS TERRÍVEIS AVANÇOS DO IMPÉRIO KRAR.
- PATY PEDE A JAPA QUE CONSIGA PARA ELA UM CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO COM A FUNÇÃO “REMOVEDOR DE MAQUIAGEM”. ELE PROMETE TENTAR.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os Jacohrangers estavam cansados. Tinham acabado de voltar de uma cerimônia de agradecimento organizada pela prefeitura de Cidadopolislândia. Prefeito, vereadores e assessores discursaram, aplaudiram os heróis e terminaram lhes oferecendo a chave da cidade. Ruivão agradeceu e comentou que mais importante do que a chave da cidade seria obter a chave para ingressar nos corações de seus habitantes e lá permanecer para sempre. Antes que o líder dos heróis transformasse o momento em uma divagação verborrágica pseudofilosófica, Mestre Jacoh tratou de tirar o microfone dele.
E todo aquele trajeto fora feito a pé. As motocicletas dos Jacohrangers ainda não estavam regularizadas nos órgãos de trânsito, nenhum deles tinha carro, e não parecia ser uma boa idéia irem os cinco dentro de um ônibus junto a pessoas normais. Tiveram que cruzar Cidadopolislândia inteira, duas vezes, sob o inclemente sol do meio-dia.
Por tudo isso, eles descansavam. Negão estava deitado sobre um sofá velho, as mãos e a boca ocupadas com uma garrafa de Bacardi de abacate. Sua língua parecia enrolada, cada um de seus olhos estava voltado para uma direção diferente e nada do que ele dizia fazia sentido. Polaco folheava revistas de conteúdo adulto com as pálpebras arregaladas. Paty alisava seu cabelo com uma chapinha, enquanto pensava com qual sandália de salto alto deveria sair no fim de semana. Ruivão lia uma grossa enciclopédia da coleção “Filósofos malsucedidos e as causas inatas da impopularidade deles”. Era o terceiro daquela série e chamava-se “Causas e conseqüências dos transtornos tripolares e das psicopatias humanas”. Japa fazia ajustes em seu celular ultra-tecnológico. E Mestre Jacoh aproveitava para aparar a barba (e deixar metade do rosto ensangüentado no processo).
Já era tarde quando um pequeno jovem bateu palmas na frente do quartel-general do grupo. Pouco mais que um mendigo, sujo, maltrapilho, fedorento, pestilento e sarnento. Gritava “Hei, Jacohrangers! Tem alguém em casa? Jacohrangers!”. À medida que o tempo passava e ninguém o atendia, ele chamava cada vez mais alto, aborrecendo toda a vizinhança.
 De pijama, roupão, pantufa de ursinho e cabelo estropiado, Mestre Jacoh saiu pela passagem secreta. Chegou até o jovem, sendo prontamente seguido por Ruivão. O garoto chorava, o que era bom levando-se em conta que as lágrimas lavavam parte da imundície da face dele.

- Pois não, meu jovem. Em que podemos ajudá-lo? – perguntou Mestre Jacoh, intercalando palavras a bocejos.
- Quero ser um Jacohranger! – o rapaz bradou – Quero combater o Império Krar!
- Meu amiguinho, entenda: se você luta contra as injustiças que encontra em sua vida cotidiana, se combate o mal com todas as forças que possui, se partilha de nossos ideais de paz, liberdade, alegria e amadurecimento filosófico, então você já é um Jacohranger!
- Não diga bobagens! Quero ter um traje colorido e esquartejar aqueles invasores. Quero que eles paguem por tudo que já fizeram a esse mundo.

O ódio no coração daquele garoto era quase proporcional à sua falta de higiene. Mestre Jacoh sabia que um sentimento negativo mal direcionado poderia ser prejudicial. E se um desejo de vingança transformasse o pretenso Jacohranger de hoje no inescrupuloso vilão de amanhã?

- Meu garoto, diga-nos: Por que quer tanto destruir o Império Krar? Eles lhe fizeram algum mal? Assassinaram seus familiares?
- Havia uma jovem muito linda em minha rua... Eu a amava profundamente. Eu fazia planos para ficar com ela, eu já me imaginava casando-me com ela. Seria mágico! Mas... Mas... Acabamos não ficando juntos...
- O Império Krar atrapalhou tudo? Algum monstro maligno seqüestrou, feriu ou assustou sua amada?
- Na verdade, fui eu que não consegui conquistá-la – o garoto esclareceu – Mas gosto de pensar que não foi culpa minha.

Com muita dificuldade, Mestre Jacoh, Ruivão, e depois Japa, Polaco, Paty e Negão conseguiram convencer o jovem a sair dali e seguir sua vida. Ele ainda não estava pronto para ser um Jacohranger.
No entanto, seu desejo insaciável de justiça, seu coração bondoso e sua ingenuidade constrangedora motivaram os cinco heróis. Todos eles sentiram uma vontade ainda maior de derrotar logo o Império Krar. A paz em Cidadopolislândia, no Brasil e em toda terra precisava ser restaurada com urgência máxima.
E como que em resposta àquele sentimento, o destino se encarregou de dar aos Jacohrangers uma chance. O alarme soou. A cidade estava sob ataque. Era o monstro Krorquinto.

***

Era uma criatura horrenda. Tinha braços grossos e fortes, porém ágeis. Empunhava um tridente afiado e circundado por uma estranha energia rutilante. Seu tronco era robusto e revestido por uma couraça sobrenatural. Rosto horripilante, nariz adunco, dentes pontiagudos, olhos de um negro maligno e cabelos grisalhos mal distribuídos completavam a aparência da demoníaca criatura.
A pé, correndo como se um cachorro perigoso os perseguisse, os Jacohrangers corriam até o local onde o ataque ocorria. Quando chegaram ao local, já havia um rastro de destruição, vítimas e muita correria. Algumas dezenas de soldados Krur também se encontravam lá, aumentando ainda mais o caos.

- Hora de Jacohmbater o mal! – gritaram todos!
- Derrotaremos você, monstro, para que haja paz em Cidadopolislândia – gritou o vermelho.
- Derrotaremos você, monstro, para que eu possa voltar logo à prática do alcoolismo! – disse o preto.
- Derrotaremos você, monstro, para que você fique derrotado e assim não nos derrote! – bradou o azul.
- Derrotaremos você, monstro, para que as mulheres que estão vendo essa luta se encantem com minha bravura – era o amarelo.
- Derrotaremos você, monstro, porque o Ruivão disse que faremos isso, e se ele disse, então nós faremos! – explicou a rosa.

E o confronto teve início. Sem precisar recorrer a suas armas, os Jacohrangers foram nocauteando um a um os soldados Krur. As criaturas albinas tentavam agredir os heróis, valendo-se de sua superioridade numérica, mas não eram bem-sucedidos. Os cinco jovens desferiam, socos, chutes, cotoveladas, cabeçadas, caneladas, joelhadas, orelhadas, narigadas e cusparadas nos inimigos.
Mais do que mais poderosos, eles eram mais organizados, lutando quase que em formação. Posicionavam-se em pontos estratégicos do campo de batalha, golpeavam adversários específicos e, definitivamente, sabiam fazer de seu entrosamento uma arma a mais. Em poucos minutos, todos os soldados Krur tinham tombado.
Então, começou a batalha contra Krorquinto. Sete segundos depois, ficou claro que os Jacohrangers precisariam de suas armas, ou seriam devastados pelo poder do tridente do monstro. Espada, escudo, bastão e maça-estrela se chocaram contra a lâmina do inimigo sem grande sucesso.
Tudo foi piorando à medida que Krorquinto foi atacando com cada vez mais violência. Os Jacohrangers não tinham força, nem habilidade, nem inteligência, nem capacidade de se defenderem adequadamente. Os golpes foram ferindo-os mais e mais. A derrota parecia inevitável, quando Ruivão tomou uma providência drástica.

- Bazuca sem nome! – o garoto invocou.

No entanto, contrariando todas as estatísticas que sempre afirmaram que um monstro maligno invasor espera pacientemente que os heróis o destrocem com uma poderosa bazuca, Krorquinto não esperou. E arremessou seu tridente violentamente. Ruivão e Japa conseguiram se desviar, mas Negão foi atingido na lateral do crânio.
Por dentro de seu traje, sangue escorreu em grande quantidade. O Jacohranger preto caiu, e bazuca sem nome teve que ser largada no chão para que ele fosse atendido.

- Negão, você está bem? – perguntou Polaco.
- Quem sou eu? – ele perguntou.
- Uma pergunta pertinente, amigo – disse Ruivão – Muitas vezes, a busca pela verdadeira identidade do nosso “eu” interior é uma jornada que nos leva a fazer perguntas desse tipo. No entanto, sugiro que deixemos isso para depois, pois precisamos derrotar um monstro terrivelmente poderoso.
- Ele não está filosofando, Ruivão! – disse Paty – Negão perdeu a memória.
- Quem sou eu? Quem são vocês? Onde estou? Por que vocês e eu usamos essas roupas cretinas?

Sem ter idéia do que fazer, os outros quatro heróis olharam para o monstro Krorquinto e o viram gargalhando e se preparando para uma nova seqüência de ataques.

- Você é o Negão, nós somos os Jacohrangers, você está no centro de Cidadopolislândia e usamos essas roupas, porque embora feias, elas nos fortalecem no combate contra o mal! – explicou Ruivão, com pressa.

- SERÁ QUE AS EXPLICAÇÕES DO JACOHRANGER VERMELHO SERÃO SUFICIENTES PARA QUE NEGÃO RECUPERE A MEMÓRIA?
- SERÁ QUE A BAZUCA SEM NOME PODERÁ SER USADA PELOS QUATRO JACOHRANGERS RESTANTES?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

domingo, 16 de setembro de 2012

EPISÓDIO 12 - BAZUCA SEM NOME CONTRA DISRUPTOR NEURAL


EPISÓDIO 12 – BAZUCA SEM NOME CONTRA DISRUPTOR NEURAL

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- PELA PRIMEIRA VEZ EM MILÊNIOS DE EXISTÊNCIA, O IMPÉRIO KRAR TEVE A COMPETÊNCIA NECESSÁRIA PARA ELABORAR UM PLANO QUE TALVEZ POSSA DAR CERTO.
- MESTRE JACOH APROVEITA QUE OS JACOHRANGERS FORAM COMBATER O CRIME E ESCONDE SUA CARTEIRINHA DE PRESIDENTE DO FÃ-CLUBE MUNDIAL DOS URSINHOS CARINHOSOS.
O QUE IRÁ ACONTECER?

- Ruivão, o líder é você, mas acho que deveríamos fugir – sugeriu Negão.
- Meu amigo, muito embora o conceito de fuga seja discutível, você tem razão. Mas, antes, cabe fazermos uma profunda reflexão sobre o que é fugir. Será que um recuo estratégico visando um retorno triunfal pode ser considerado uma fuga? Aceitar uma derrota temporária para ganhar tempo para nos preparar para uma vitória definitiva seria uma fuga?
- Discutiremos isso quando estivermos seguros, Ruivão! – propôs Polaco – Agora vamos! Hora de “Jacohrrer” dos inimigos!

Com muita relutância, Ruivão parou de filosofar e correu covardemente junto com seus colegas. Atravessaram metade da cidade sendo perseguidos, embora por estarem transformados em Jacohrangers escaparam graças à Super-Ultra-Velocidade-Razoável.
Quando os cinco chegaram ao quartel-general constrangidos, humilhados, decepcionados, desapontados e se sentindo trastes inúteis, imprestáveis, fracassados, incapazes, medíocres e desnecessários para a raça humana, notaram que Mestre Jacoh estava no quarto dele cantando entusiasmado uma canção desconhecida.

- Quem é que surge... De algum lugar lá do céu... Se movimentando... Rapidinho como um vaga-lume?

Ao notar que não estava mais só, Mestre Jacoh rapidamente largou o desodorante que improvisava como microfone e tentou recuperar sua dignidade. Felizmente para ele, os Jacohrangers estavam tomados pela frustração e não o ridicularizaram. Ao menos não muito.

- Mestre Jacoh, agora que parou de se expor a esse constrangimento, o que acha de nos ajudar a pensar em uma forma de acabarmos com o plano do General Krer? – disse Paty.
- Claro que ajudarei vocês – ele respondeu, recuperando a compostura – Mas primeiro preciso saber exatamente que plano é esse que fez vocês recuarem covardemente feito mariquinhas.

Os Jacohrangers contaram a seu líder tudo que tinha acontecido. Mestre Jacoh ficou algum tempo pensativo sem responder nada. Foi até o grande computador do grupo e começou a apertar teclas. Após alguns minutos, começaram a aparecer na tela várias imagens de armas, seguidas por extensos relatórios sobre elas. Mais botões foram apertados. Barulhos foram ouvidos, e a foto de um objeto muito parecido com o “disruptor neural” surgiu no monitor.

- Sem dúvidas, é uma arma terrível! – exclamou Mestre Jacoh.
- O senhor a conhece? – Japa perguntou.
- Não!
- Então por que disse que é uma arma terrível?
- Porque ela NÃO está nos arquivos das “armas não terríveis”.
- E o que podemos fazer contra ela? – perguntou Polaco.

Mestre Jacoh balançou a cabeça. Ele não sabia.

***

General Krer usava o “disruptor neural” sem parar. Os soldados Krur encurralavam pessoas em vielas sujas, e a cruel arma enfraquecia os sistemas nervosos das vítimas. Já eram mais de três mil e quatrocentas pessoas mentalmente dominadas. Se nada fosse feito, não demoraria a que toda Cidadopolislândia estivesse sob o domínio dos nefastos invasores.
Para piorar tudo, as próprias pessoas escravizadas receberam ordens para encurralar mais cidadãos inocentes em becos sem saída. Com isso, o número de indivíduos sob o poder do General Krer se multiplicava rapidamente. O terrível vilão ainda cogitava usar o “disruptor neural” para controlar os próprios Jacohrangers. Se isso acontecesse, a terra estaria condenada.

***

- Japa, você entende dessas coisas de tecnologia. Não tem nenhuma idéia? – Paty perguntou, enchendo o coração do amigo de esperança e paixão adolescente.
- Vou verificar! – ele respondeu, quase suspirando de amor.

O jovem tentou por longos minutos, mas não foi bem-sucedido. Seu celular ultra-tecnológico tinha as funções mp3, câmera fotográfica, câmera de vídeo, SMS, reprodução de vídeo, despertador, televisão, DVD, microondas, liquidificador, batedeira, ferro de passar, descascador de batatas, tradutor de latido de cachorros, entre vários outros. Porém, não possuía a opção “disparo de raio que cancela o poder de armas malignas”.

- Preciso comprar um celular mais avançado! – o garoto se lamentou.

E Japa passou a noite em claro procurando na internet alternativas para a construção de um aparelho, raio, máquina, computador ou qualquer coisa que pudesse cancelar o poder do “disruptor neural”. Ruivão passou a madrugada inteira lendo livros húngaros de filosofia e auto-ajuda. Paty fez sua tradicional “máscara de beleza” e foi dormir cedo, alegando que aquilo era necessário para a manutenção da perfeição de sua pele. Negão e Polaco foram a uma casa noturna e voltaram em torno de cinco da manhã completamente embriagados. Chegaram a vomitar no computador em que Japa trabalhava, fazendo-o desistir de sua pesquisa.

- Será que a bazuca neural não tem poder suficiente para liberar um raio que cancele o poder do disruptor sem nome? – perguntou Negão, com um desagradável bafo saindo de sua boca.
- E se o “Gigueiro Guerrante Jacohlossal” esmagasse o disrural neuruptor? Sugeriu Polaco, tão ou mais alcoolizado que o colega.

Os outros três Jacohrangers se entreolharam e acharam que aquilo poderia ser uma alternativa. Japa e Mestre Jacoh trabalharam na bazuca sem nome, alterando suas configurações energéticas para que ela liberasse um raio capaz de cancelar os efeitos dominadores do terrível disruptor neural.
Após todos conseguirem, com muito esforço, dar um banho frio em Polaco e Negão, os cinco Jacohrangers partiram rumo ao General Krer e seus servos. Pois era hora de Jacohmbater o mal!

***

Aproximadamente nove mil pessoas hipnotizadas. Eram zumbis, autômatos, escravos mentais do inescrupuloso General Krer. Uns poucos soldados Krur também estavam ali. Não demorou que vissem, ao longe, os Jacohrangers aproximando-se para o combate.
No entanto, apenas o Jacohranger preto e a rosa vinham. O vilão estranhou, mas ordenou que seus servos os atacassem. Enquanto os dois heróis fugiam, gritando e chamando por suas mães, o vermelho, o azul e o amarelo vinham pelo outro lado. E surpreenderam o General Krer.

- Agora daremos um fim em seu plano nefasto, vil vilão! – gritou Ruivão.

A bazuca sem nome foi disparada em uma das pessoas hipnotizadas. O raio a atingiu, circundando seu corpo por alguns instantes. A inocente cidadã se contorceu um pouco, mas logo voltou a correr como lhe fora ordenado. O plano dos Jacohrangers havia falhado.

- Não há nada que possam fazer para me deter! – General Krer gritou, e desferiu sua gargalhada maligna.

O Jacohranger preto e a rosa já estavam cercados pelos milhares de pessoas, que arremessavam contra eles garrafas, tijolos e ossos de galinha. O vermelho e o amarelo não sabiam o que fazer, quando o Jacohranger azul decidiu tomar uma medida extrema.
Segurou sozinho a bazuca sem nome e disparou seu poderosíssimo raio destrutivo no disruptor neural. A diabólica arma do General Krer foi feita em trilhões de pedaços. O efeito maligno do artefato tinha sido cancelado. As pessoas, antes dominadas, voltaram a ser donas de si mesmas, e pararam de atacar os Jacohrangers.

- Miseráveis! Eu voltarei! Com um novo plano! – e, após uma explosão multicolorida, General Krer e os soldados Krur sumiram de Cidadopolislândia.

Logo, as milhares de pessoas recobraram a lucidez e voltaram a seus afazeres (ou, no caso de algumas, voltaram ao ócio). Uma vez mais, os Jacohrangers haviam salvo sua cidade e regressavam, a pé, para seu quartel-general, para um merecido descanso.

Mas, por quanto tempo?

- QUAIS SERÃO AS REAIS FUNÇÕES NUNCA ANTES APROVEITADAS DO CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO DE JAPA?
- QUEM VAI LIMPAR A IMUNDÍCIE PROVOCADA PELO VÔMITO DE NEGÃO E POLACO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 9 de setembro de 2012

EPISÓDIO 11 - O TERRÍVEL PLANO


EPISÓDIO 11 – O TERRÍVEL PLANO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- MORADORAS DE CIDADÓPOLISLÂNDIA ABREM MÃO DE SUA SEGURANÇA EM NOME DAS COMPRAS DE PRODUTOS EM LIQUIDAÇÃO.
- APESAR DE MESTRE JACOH SER O RESPONSÁVEL DIRETO PELA DESTRUIÇÃO DO CRUEL MONSTRO MALIGNO QUE APARENTAVA SER INVENCÍVEL, SUAS HABILIDADES CULINÁRIAS SÃO POSTAS À PROVA PELOS JACOHRANGERS.
O QUE IRÁ ACONTECER?

Aquele era o local conhecido como Câmara do Desenvolvimento de Armas Diabólicas. Era um salão diminuto, contando com espaço apenas para um computador com tecnologia alienígena e cadáveres de seres espaciais. Ali, se unia magia e ciência, poder e conhecimento.
Após o Imperador Krar ter punido o General Krer pelo fracasso, o General Krir solicitou autorização para comandar o próximo ataque, pois o monstro Krorquinto já estava quase pronto. Krer suplicou por uma nova oportunidade, alegando que não precisaria de nenhum monstro para executar seu plano. E recebeu essa chance.
General Krer soldava complexos mecanismos eletrônicos, intercalando-os a pedaços de cérebro dos seres que jaziam no chão da sala. Um objeto comprido, em formato de arma, com aspecto, cor e cheiro de arma estava sendo construído. Parecia uma arma, tinha o poder demoníaco de uma arma. E, de fato, era uma arma.

- Com essa nova arma, poderei... Poderei... Bem, ainda não sei o que poderei, mas certamente alguma coisa eu poderei – o General falava sozinho.

Sabendo da pressa do Imperador Krar, Krer passou duas noites em claro finalizando sua arma. Testou-a em três soldados Krur, embora não tivesse muita certeza se os resultados obtidos eram os esperados.
A arma parecia uma mistura de bazuca com canhão, mas era pequena, capaz de ser alojada no ombro do General maligno. Dela saía um raio alaranjado com bolinhas lilases e detalhes em verde-musgo. O disparo era sempre rápido e certeiro, não permitindo defesa, esquiva, evasiva ou qualquer tentativa de resistência por parte da vítima.

Era o “disruptor neural”.

- Está me dizendo que essa arma é capaz de desestabilizar o sistema nervoso de suas vítimas, fazendo-as serem facilmente dominadas e escravizadas? – perguntou o Imperador Krar.
- Exatamente, meu Imperador. Com ela, dominarei o povo de Cidadopolislândia e o jogarei contra os odiáveis Jacohrangers. Aqueles patéticos heróis são muito nobres para ousarem fazer mal a seres humanos. E serão destruídos por aqueles que juraram proteger!

Imperador Krar e General Krer emitiram, em um uníssono, uma gargalhada maligna arrepiante. Alguns soldados Krur também participariam do plano, para aterrorizar as pessoas, fazendo-as correrem para algum lugar onde o General Krer poderia atingir todas ao mesmo tempo.
Em algum lugar das profundezas relativamente profundas da forte fortaleza do Império Krar, o pérfido General Krir se corroia de ódio pelo aparente sucesso de seu rival. O monstro Krorquinto ainda não estava pronto, restando a ele apenas esperar e torcer pelo fracasso de seu colega. Afinal, apenas ele deveria destruir os “Mocotóhrangers”.

***

As pessoas corriam em um frenesi terrível – e desta vez não era devido a uma liquidação. Indivíduos brancos, albinos, saídos de algum pesadelo doentio, ou de alguma propaganda de sabão em pó, avançavam em direção à população. Não chegavam a ferir ninguém, mas obrigavam famílias inteiras a fugir. E a fuga era sempre em direção a um gigantesco beco sem saída.
Horas depois, quando já havia aproximadamente cento e oitenta e seis pessoas aglomeradas em uma viela suja, General Krer apareceu, trazendo sobre seu ombro o imponente “Disruptor neural”. Ficava claro o que iria acontecer. Só não ficava claro QUANDO aconteceria, pois ao invés de dar seqüência ao plano, o maligno invasor preferiu contar a suas vítimas o que aconteceria.

- Essa poderosa arma que vocês vêem a muito custo equilibrada em meus ombros é o disruptor neural. Com ele, vou enfraquecer seus sistemas nervosos, tornando-os facilmente sugestionáveis. Assim, dominarei todos vocês e todos os outros cidadãos dessa cidade que eu conseguir encurralar nesse beco. Então, quando vocês estiverem sob o meu poder, irei lançá-los em combate contra os odiosos Jacohrangers. Eles não terão coragem de ferir vocês, por isso só poderão se limitar a se defenderem. Mas como pretendo que sejam milhares de pessoas a atacá-los, eles não resistirão e serão destruídos. Hahahahahahahahahahahahahahahaha!

Quando o General Krer terminou seu discurso, todas as pessoas cochilavam umas sobre as outras. Nenhum terror era maior do que o tédio provocado pelo discurso pseudo-grandiloqüente de um pseudo-vilão pseudo-poderoso e pseudo-assustador. Ainda mais um que trazia consigo uma pseudo-arma e pseudo-soldados.  
No entanto, a crueldade do invasor não tinha limites. Não poupou as pessoas dorminhocas, nem os idosos, mulheres ou tampouco crianças. Todos foram vítimas do raio multicolorido do disruptor neural. Todos se tornaram servos do mal.

***

No quartel-general dos Jacohrangers, um alerta soava em mais de seiscentos e quarenta e oito decibéis.

- Perigo! Perigo! Mexam-se! Mexam-se, inúteis! Vilão malvado ataca pessoas inocentes com arma desconhecida! Perigo! Mexam-se!

Os cinco heróis demoraram alguns minutos para se reunirem. Mestre Jacoh estava saindo de um banho quente e chegou à sala de reunião com uma toalha com o desenho dos “Ursinhos Carinhosos” na cabeça. Após ser alvo da chacota de seus pupilos por quase cinqüenta minutos, ele pôde enfim orientá-los.

- Jovens heróis, ouçam-me! O mal não dá tréguas. Novamente, o terrível Império Krar ataca covardemente pessoas inocentes.
- Por que “novamente”? – perguntou Negão – É a primeira vez que eles fazem isso!
- Seja como for, eles precisam ser contidos. E só vocês podem fazer isso. Portanto, partam! Partam a cara dos malfeitores e protejam nossa cidade! Mostrem o quanto vocês são valentes!
- Por que está nos chamando de “valentes”? – dessa vez quem perguntou foi Polaco – O senhor poderia nos chamar de corajosos, bravos, ousados ou heróicos. Mas preferiu nos chamar de “valentes”. Por quê?
- Porque “Valente” é o nome daquele leãozinho dos “Ursinhos Carinhosos”! – disse Paty.

Todos caíram na gargalhada. Foram mais duas horas e doze minutos de galhofa e questionamento da masculinidade do Mestre Jacoh, até que os cinco jovens resolveram salvar sua cidade.

- Hora de Jacohmbater o mal!

E os cinco Jacohrangers partiram!

***

Eram aproximadamente mil, trezentas e quarenta e duas pessoas dominadas pelo poder tirânico do disruptor neural. Babavam discretamente, tinham os olhos sem brilho e repetiam frases sem sentido como “Glória ao Império Krar!”, “Morte aos Jacohrangers” e “Quem é o melhor agora, General Krir?”.
Os Jacohrangers chegaram ao campo de batalha improvisado ainda dando risada de seu mestre.

- Será que ele acha que quando ele morrer ele vai para a “Nuvem Rosa”? – ironizou Japa.
- Eu acho que ele já teve pesadelos com o “Coração Gelado” – brincou Ruivão.

E os cinco riram, até perceberem que eram observados por centenas de pessoas mentalmente escravizadas, catorze soldados Krur e um general maligno bastante satisfeito.

- Vejo que vieram tentar me deter, Jacohrangers! Pois saibam que o que tenho em meus ombros é uma arma chamada disruptor neural... – e o General voltou a contar seu terrível plano em detalhes.
- Você é um ser desprezível e que fala demais, General Krer! Se não formos mortos por essa multidão que você escravizou e a quem não podemos atacar, juro que derrotaremos você, ou que ao menos tentaremos, ou que, no mínimo, xingaremos bastante você para descarregarmos nossa raiva! – gritou Ruivão.

As pessoas dominadas pelo disruptor neural encresparam os cenhos e cerraram os punhos. General Krer ordenou que elas atacassem os Jacohrangers. Os heróis olharam uns para os outros, sem saber o que fazer. Aquele era o momento mais crítico de toda a história do grupo.

- SERÃO OS JACOHRANGERS CAPAZES DE AO MENOS XINGAR O GENERAL KRER PARA DESCARREGAR A RAIVA QUE SENTEM DELE?
- SERÁ QUE O MESTRE JACOH ERA APAIXONADO PELA “LAURA”, A PRIMA DO “MALVADO”, DOIS DOS MAIS DETESTÁVEIS VILÕES DOS “URSINHOS CARINHOSOS”?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIOS DE JACOHRANGERS!

domingo, 2 de setembro de 2012

EPISÓDIO 10 - QUAL SERÁ O PONTO FRACO DO MONSTRO KRORQUARTO?


EPISÓDIO 10 – QUAL SERÁ O PONTO FRACO DO MONSTRO KRORQUARTO?

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O TERRÍVEL IMPÉRIO KRAR SE PREPARA PARA ENVIAR UM PODEROSO MONSTRO PARA ATACAR CIDADÓPOLISLÂNDIA.
- SECRETAMENTE, NEGÃO E JAPA APOSTAM SOBRE QUANTO LEVARÁ PARA QUE POLACO ENTRE EM COMA ALCOÓLICO.

O QUE IRÁ ACONTECER?

A presença do Imperador Krar intimidou o General Krer, que se ajoelhou desajeitadamente. O soberano do império maligno olhava atentamente para o monstro Krorquarto. Aquela criatura disforme, com quatro pés, sete braços, três cabeças, oito caudas e nove narizes era a nova esperança deles. Certamente, os Jacohrangers jamais conseguiriam vencer tal abominação.

- Ele está pronto?
- Sim, meu Imperador! Ele acabou de sair da COVA, Câmara da Obtenção de Visual Assustador. É praticamente invulnerável, tem apenas um ou dois ou sete insignificantes pontos fracos e tem poder suficiente para lutar sozinho, dispensando a ajuda dos soldados Krur.
- Por falar nisso, onde estão os soldados Krur agora?
- Estão trancafiados na CPI, Câmara de Punição aos Inúteis. E lá ficarão até voltarem a ser necessários.
- Entendo. Seja como for, ordene ao monstro Krorquarto que inicie o ataque imediatamente!
- Sim, meu Imperador!

***

As pessoas corriam desesperadas, atropelando umas às outras, como se tivessem o demônio em seus calcanhares. Abandonavam filhos, esbarravam em idosos e gritavam freneticamente em uma pressa que beirava o sobrenatural. Os corações estavam ansiosos como poucas vezes na vida – e por um bom motivo.

Uma liquidação.

Donas de casa mal-amadas, quarentonas solteironas e milionárias fúteis e consumistas se acotovelavam para entrar em uma loja que comercializava produtos que preencheriam o vazio de suas existências insípidas e sem propósito. Homens que passavam pelo local riam daquelas mulheres se empurrando histéricas e gritavam: “Joga milho”. A balbúrdia era tamanha, que toda aquela multidão malcheirosa e desocupada demorou longos minutos para perceber que sua cidade estava sob ataque de um monstro alienígena.
Acreditando que aquilo se tratava de uma estratégia de marketing do comércio local para atrair mais compradoras, as pessoas presentes ignoraram totalmente a presença do monstro e seguiram preocupadas apenas em aproveitar as ofertas.
Sentindo-se rejeitada, a criatura maligna passou a atacar um imponente prédio de fachada azul que ficava a poucos quarteirões dali. A construção era imensa, visivelmente cara e ocupava uma grande área do centro de Cidadopolislândia.
Nesse meio tempo, os Jacohrangers já chegavam, sendo alvo das chacotas daqueles a quem juraram proteger.

- Hahaha! Que uniformes ridículos! – gritou um transeunte.
- Os Changeman e os Flashman jamais se rebaixariam a ponto de vestirem isso – disse outro.
- Mamãe, não quero que nosso mundo seja protegido por heróis tão mal-vestidos – disse um garotinho.

Krorquarto viu os intrépidos heróis se aproximarem armados para combatê-lo. A criatura parou a destruição que vinha causando e voltou-se para os cinco inimigos. Fez um grande esforço para segurar uma risada, e se preparou para batalhar.

- Criatura maligna, nós somos os Jacohrangers e seu reinado de terror chegará ao fim! – disse o vermelho.
- Você se atreveu a atacar e destruir parte da sede da prefeitura e da Câmara de Vereadores! – gritou o preto.
- E se atreveu a fazer isso em um dia de recesso dos parlamentares. Nem para nos livrar deles você não serviu! – vociferou o azul.
- Agora nós iremos te punir em nome da justiça! – berrou o amarelo.
- Sou a Jacohranger rosa e punirei você em nome da lua!

Ninguém entendeu o que ela quis dizer, então decidiram começar a batalha. Os cinco empunharam suas armas e avançaram contra a criatura. Os virotes de besta da Jacohranger rosa ricocheteavam na grossa couraça que envolvia o monstro, sem lhe causar dano. O bastão do Jacohranger preto movia-se velozmente, mas encontrava defesa nos múltiplos braços, tentáculos e caudas do ser infernal. O Jacohranger azul investiu com sua maça-estrela, atingindo várias cabeças do monstro, porém sem ferir nenhuma. O Jacohranger amarelo usou seu escudo para atacar a retaguarda do monstro. No entanto, seis dos vinte e três olhos de Krorquarto ficavam em suas costas, o que lhe permitiu desviar-se de todos os golpes.

- Ele é poderoso demais! – disse o Jacohranger vermelho, após tentar, sem sucesso, ferir o inimigo com sua espada.
- Se ele tem tanto poder, e está só se defendendo, como será quando ele resolver nos atacar? – questionou o azul.
- Cale-se, não dê idéias ao monstro! – bradou o preto.

Krorquarto moveu estranhamente uma das cabeças, como se tivesse acabado de ter uma idéia. E atacou os Jacohrangers. Três caudas do monstro acertaram violentamente o rosto da heroína rosa. Duas caudas e um dos punhos golpearam sem piedade o Jacohranger preto. Cinco garras e um cotovelo atingiram o guerreiro de amarelo. O de azul foi ferido por uma rajada saída de um dos nove chifres da besta. O jovem que trajava vermelho foi machucado pelo ataque conjunto de quatro cabeças, três braços, cinco pernas, dois estômagos e mais seis estranhos órgãos internos do monstro que ninguém saiba quais eram.
Antes que os Jacohrangers pudessem contra-atacar, ou mesmo se defender, novas investidas das múltiplas partes do corpo de Krorquarto voltou a agredi-los. Os cinco jovens valentes agonizavam no chão, tentando encontrar forças para reagir, uma solução para vencer e uma explicação racional para existir um ser tão biologicamente errado.

- Não vamos nos deixar vencer! – disse o Jacohranger vermelho – Vamos usar a bazuca sem nome!
- Bazuca sem nome! – gritaram todos.

A enigmática arma dos heróis surgiu, e prontamente realizou um violento disparo de energia, que atingiu em cheio o monstro. Quando a poeira da explosão desapareceu, Krorquarto continuava de pé, quase sem nenhum ferimento.

- Na falta de uma idéia melhor, e como também não temos outra arma melhor, eu sugiro tentarmos de novo – disse o Jacohranger azul.
- Bazuca sem nome!

Outra grande explosão, outro momento de grande expectativa, e outra frustração quando viram novamente o monstro Krorquarto praticamente ileso. E a criatura voltou a atacá-los. Braços, pernas, patas, caudas, cabeças, garras, estômagos, pulmões, pâncreas e duodenos foram usados para agredir os Jacohrangers. Os heróis estavam tombados no chão, lutando contra a vontade de caírem inconscientes. Os ferimentos eram terríveis, mas eles não podiam se dar por vencidos. Cidadopolislândia precisava deles.

- Esse monstro não pode ser invencível! – gritou o preto – Ele tem que ter um ponto fraco.
- A invencibilidade é algo relativo, Negão – disse o Jacohranger vermelho – E os pontos fracos podem mudar de acordo com nosso estado emocional, pois nossa fragilidade de hoje pode ser nossa virtude de amanhã. O verdadeiro invencível é aquele que potencializa os pontos fortes, não teme seus pontos fracos, e tem a maturidade de perceber a diferença.
- Que lindo isso, Ruivão! – mesmo ensangüentada, a Jacohranger rosa suspirava de amor.
- Voltando ao assunto, qual será o ponto fraco desse monstro? – perguntou o azul.
- Deve ser algo comum. Sei lá, eletricidade, fogo, luz solar ou pastel de creme de fígado de barata – sugeriu o amarelo.
- Pastel de creme de fígado de barata! – gritou o vermelho – Como não pensei nisso antes?

Com as parcas forças que lhe restavam, o Jacohranger vermelho correu até a barraca de um feirante próxima e encheu as mãos de pastéis. Furioso, arremessou todos no monstro Krorquarto. Nada aconteceu.

- Não quero ser chato, Ruivão, mas esses pastéis de palmito comuns – alertou o Jacohranger preto.
- Pastéis são sempre pastéis, amigo, porque o interior deles não importa, ao contrário dos seres humanos, que têm a essência como a característica mais importante. Se um pastel não puder vencer o monstro pela sua massa, pelo óleo gorduroso que o umedece, então não será o diferente tipo de recheio que vai fazê-lo.

Paty suspirava, Japa balançava a cabeça em negativa, Polaco e Negão riam. E o monstro Krorquarto aproveitou para atacá-los violentamente. Os cinco Jacohrangers foram mais feridos até não terem mais forças para se mexer. O cruel inimigo se aproximava, pronto para assassiná-los, quando foi atingido por algo ou alguém. E urrou de dor e ódio.

- Mestre Jacoh! O senhor por aqui? – perguntou o Jacohranger vermelho.
- O que é isso em suas mãos, Mestre Jacoh? – questionou o azul
- Isso é pastel de creme de fígado de barata! O legítimo pastel de creme de fígado de barata! O único ponto fraco desse terrível monstro.

De fato, Krorquarto agonizava. Tinha sido atingido apenas por dois pastéis e já sangrava. Mestre Jacoh se aproveitou para continuar atacando e foi arremessando mais e mais pastéis no monstro até então invencível. Depois de cinqüenta e três pastéis arremessados, Krorquarto explodiu, para a alegria dos ainda muito feridos Jacohrangers.

- Viva! – todos gritaram ao mesmo tempo.

No entanto, outro grito, vindo das profundezas, os lembrou que a batalha ainda não tinha acabado.

- Raio agigantador.

E Krorquarto foi reconstruído e ampliado até atingir os cinqüenta e três metros e dezoito centímetros de altura. Os Jacohrangers ainda recuperavam-se de seus ferimentos, quando o Gigante Guerreiro Jacohlossal surgia e os recebia em um de seus compartimentos. A terrível batalha entre os dois seres titânicos, no entanto, não abalou em nada o ímpeto das compras que se empurravam nas lojas em busca das melhores ofertas.

- Míssil Jacohlossal

E o ataque quase não surtiu efeito. Os heróis tentaram o Punho Jacohlossal e a recém-descoberta Espada Sagrada Jacohlossal! Mas Krorquarto seguia sem ser ferido.

- Será que na forma gigante ele também é vulnerável a pastéis de creme de fígado de barata? – perguntou a Jacohranger rosa.
- Será que o Gigante Guerreiro Jacohlossal tem algum golpe que arremesse pastéis de creme de fígado de barata? – questionou o herói azul.
- Talvez! – disse vermelho.
- Golpe Jacohlossal de Pastéis de Creme de Fígado de Barata! – gritaram todos.

E, para a surpresa dos cinco defensores da justiça, um dos braços do Gigante Guerreiro Jacohlossal transformou-se em uma bazuca e disparou dezenas de pastéis de creme de fígado de barata. Krorquarto não resistiu ao poder do terrível ataque e sucumbiu, após uma terrível explosão.

***

Após a vitória, os Jacohrangers recuperavam-se dos graves ferimentos sofridos e aproveitavam para meditar sobre os belos ensinamentos que o confronto lhes trouxe.

- Eu estava errado – dizia Ruivão, com um tom de desapontamento na voz – Os pastéis não são todos iguais. Eles também possuem uma essência que os difere uns dos outros.
- Acho que a principal lição aprendida hoje é: mesmo alguém poderoso pode ter uma fraqueza a ser explorada. E essa fraqueza, muitas vezes, pode ser algo estranho, algo em que nunca teríamos pensado – disse Japa.
- Discordo de tudo que você disse, Japa – era Paty – Aliás, é melhor deixar esse negócio de filosofia para quem entende, como o Ruivão por exemplo.
- Acho que a principal lição aprendida hoje é: numa situação de grande dificuldade, sempre podemos contar com nosso Mestre Jacoh, pois ele sempre nos surpreenderá com seus conhecimentos – disse Negão.

Todos sorriram. Qualquer que fosse a lição aprendida, o importante era que tinham vencido as forças do mal.

- Na verdade – disse Polaco – a grande lição aprendida hoje é que devemos ficar atentos ao que o Mestre Jacoh cozinha para nós no almoço.

- O QUE OS JACOHRANGERS TERÃO COMIDO NO ALMOÇO PREPARADO PELO MESTRE JACOH DESDE QUE COMEÇARAM A FAZER SUAS REFEIÇÕES NO QUARTEL-GENERAL DA EQUIPE?
- SERÁ QUE AS LIQUIDAÇÕES DAS LOJAS SERÃO SUFICIENTES PARA PREENCHER O VAZIO DAS EXISTÊNCIAS INSÍPIDAS E SEM PROPÓSITO DE ESPOSAS MAL-AMADAS E QUARENTONAS SOLTEIRONAS?
- SERÁ QUE OS CHANGEMAN, OS FLASHMAN, OS MASKMAN, OU O GOGGLE FIVE TINHAM A MESMA CAPACIDADE FILOSÓFICA APRESENTADA PELOS JACOHRANGERS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!