Jacohrangers

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domingo, 2 de setembro de 2012

EPISÓDIO 10 - QUAL SERÁ O PONTO FRACO DO MONSTRO KRORQUARTO?


EPISÓDIO 10 – QUAL SERÁ O PONTO FRACO DO MONSTRO KRORQUARTO?

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O TERRÍVEL IMPÉRIO KRAR SE PREPARA PARA ENVIAR UM PODEROSO MONSTRO PARA ATACAR CIDADÓPOLISLÂNDIA.
- SECRETAMENTE, NEGÃO E JAPA APOSTAM SOBRE QUANTO LEVARÁ PARA QUE POLACO ENTRE EM COMA ALCOÓLICO.

O QUE IRÁ ACONTECER?

A presença do Imperador Krar intimidou o General Krer, que se ajoelhou desajeitadamente. O soberano do império maligno olhava atentamente para o monstro Krorquarto. Aquela criatura disforme, com quatro pés, sete braços, três cabeças, oito caudas e nove narizes era a nova esperança deles. Certamente, os Jacohrangers jamais conseguiriam vencer tal abominação.

- Ele está pronto?
- Sim, meu Imperador! Ele acabou de sair da COVA, Câmara da Obtenção de Visual Assustador. É praticamente invulnerável, tem apenas um ou dois ou sete insignificantes pontos fracos e tem poder suficiente para lutar sozinho, dispensando a ajuda dos soldados Krur.
- Por falar nisso, onde estão os soldados Krur agora?
- Estão trancafiados na CPI, Câmara de Punição aos Inúteis. E lá ficarão até voltarem a ser necessários.
- Entendo. Seja como for, ordene ao monstro Krorquarto que inicie o ataque imediatamente!
- Sim, meu Imperador!

***

As pessoas corriam desesperadas, atropelando umas às outras, como se tivessem o demônio em seus calcanhares. Abandonavam filhos, esbarravam em idosos e gritavam freneticamente em uma pressa que beirava o sobrenatural. Os corações estavam ansiosos como poucas vezes na vida – e por um bom motivo.

Uma liquidação.

Donas de casa mal-amadas, quarentonas solteironas e milionárias fúteis e consumistas se acotovelavam para entrar em uma loja que comercializava produtos que preencheriam o vazio de suas existências insípidas e sem propósito. Homens que passavam pelo local riam daquelas mulheres se empurrando histéricas e gritavam: “Joga milho”. A balbúrdia era tamanha, que toda aquela multidão malcheirosa e desocupada demorou longos minutos para perceber que sua cidade estava sob ataque de um monstro alienígena.
Acreditando que aquilo se tratava de uma estratégia de marketing do comércio local para atrair mais compradoras, as pessoas presentes ignoraram totalmente a presença do monstro e seguiram preocupadas apenas em aproveitar as ofertas.
Sentindo-se rejeitada, a criatura maligna passou a atacar um imponente prédio de fachada azul que ficava a poucos quarteirões dali. A construção era imensa, visivelmente cara e ocupava uma grande área do centro de Cidadopolislândia.
Nesse meio tempo, os Jacohrangers já chegavam, sendo alvo das chacotas daqueles a quem juraram proteger.

- Hahaha! Que uniformes ridículos! – gritou um transeunte.
- Os Changeman e os Flashman jamais se rebaixariam a ponto de vestirem isso – disse outro.
- Mamãe, não quero que nosso mundo seja protegido por heróis tão mal-vestidos – disse um garotinho.

Krorquarto viu os intrépidos heróis se aproximarem armados para combatê-lo. A criatura parou a destruição que vinha causando e voltou-se para os cinco inimigos. Fez um grande esforço para segurar uma risada, e se preparou para batalhar.

- Criatura maligna, nós somos os Jacohrangers e seu reinado de terror chegará ao fim! – disse o vermelho.
- Você se atreveu a atacar e destruir parte da sede da prefeitura e da Câmara de Vereadores! – gritou o preto.
- E se atreveu a fazer isso em um dia de recesso dos parlamentares. Nem para nos livrar deles você não serviu! – vociferou o azul.
- Agora nós iremos te punir em nome da justiça! – berrou o amarelo.
- Sou a Jacohranger rosa e punirei você em nome da lua!

Ninguém entendeu o que ela quis dizer, então decidiram começar a batalha. Os cinco empunharam suas armas e avançaram contra a criatura. Os virotes de besta da Jacohranger rosa ricocheteavam na grossa couraça que envolvia o monstro, sem lhe causar dano. O bastão do Jacohranger preto movia-se velozmente, mas encontrava defesa nos múltiplos braços, tentáculos e caudas do ser infernal. O Jacohranger azul investiu com sua maça-estrela, atingindo várias cabeças do monstro, porém sem ferir nenhuma. O Jacohranger amarelo usou seu escudo para atacar a retaguarda do monstro. No entanto, seis dos vinte e três olhos de Krorquarto ficavam em suas costas, o que lhe permitiu desviar-se de todos os golpes.

- Ele é poderoso demais! – disse o Jacohranger vermelho, após tentar, sem sucesso, ferir o inimigo com sua espada.
- Se ele tem tanto poder, e está só se defendendo, como será quando ele resolver nos atacar? – questionou o azul.
- Cale-se, não dê idéias ao monstro! – bradou o preto.

Krorquarto moveu estranhamente uma das cabeças, como se tivesse acabado de ter uma idéia. E atacou os Jacohrangers. Três caudas do monstro acertaram violentamente o rosto da heroína rosa. Duas caudas e um dos punhos golpearam sem piedade o Jacohranger preto. Cinco garras e um cotovelo atingiram o guerreiro de amarelo. O de azul foi ferido por uma rajada saída de um dos nove chifres da besta. O jovem que trajava vermelho foi machucado pelo ataque conjunto de quatro cabeças, três braços, cinco pernas, dois estômagos e mais seis estranhos órgãos internos do monstro que ninguém saiba quais eram.
Antes que os Jacohrangers pudessem contra-atacar, ou mesmo se defender, novas investidas das múltiplas partes do corpo de Krorquarto voltou a agredi-los. Os cinco jovens valentes agonizavam no chão, tentando encontrar forças para reagir, uma solução para vencer e uma explicação racional para existir um ser tão biologicamente errado.

- Não vamos nos deixar vencer! – disse o Jacohranger vermelho – Vamos usar a bazuca sem nome!
- Bazuca sem nome! – gritaram todos.

A enigmática arma dos heróis surgiu, e prontamente realizou um violento disparo de energia, que atingiu em cheio o monstro. Quando a poeira da explosão desapareceu, Krorquarto continuava de pé, quase sem nenhum ferimento.

- Na falta de uma idéia melhor, e como também não temos outra arma melhor, eu sugiro tentarmos de novo – disse o Jacohranger azul.
- Bazuca sem nome!

Outra grande explosão, outro momento de grande expectativa, e outra frustração quando viram novamente o monstro Krorquarto praticamente ileso. E a criatura voltou a atacá-los. Braços, pernas, patas, caudas, cabeças, garras, estômagos, pulmões, pâncreas e duodenos foram usados para agredir os Jacohrangers. Os heróis estavam tombados no chão, lutando contra a vontade de caírem inconscientes. Os ferimentos eram terríveis, mas eles não podiam se dar por vencidos. Cidadopolislândia precisava deles.

- Esse monstro não pode ser invencível! – gritou o preto – Ele tem que ter um ponto fraco.
- A invencibilidade é algo relativo, Negão – disse o Jacohranger vermelho – E os pontos fracos podem mudar de acordo com nosso estado emocional, pois nossa fragilidade de hoje pode ser nossa virtude de amanhã. O verdadeiro invencível é aquele que potencializa os pontos fortes, não teme seus pontos fracos, e tem a maturidade de perceber a diferença.
- Que lindo isso, Ruivão! – mesmo ensangüentada, a Jacohranger rosa suspirava de amor.
- Voltando ao assunto, qual será o ponto fraco desse monstro? – perguntou o azul.
- Deve ser algo comum. Sei lá, eletricidade, fogo, luz solar ou pastel de creme de fígado de barata – sugeriu o amarelo.
- Pastel de creme de fígado de barata! – gritou o vermelho – Como não pensei nisso antes?

Com as parcas forças que lhe restavam, o Jacohranger vermelho correu até a barraca de um feirante próxima e encheu as mãos de pastéis. Furioso, arremessou todos no monstro Krorquarto. Nada aconteceu.

- Não quero ser chato, Ruivão, mas esses pastéis de palmito comuns – alertou o Jacohranger preto.
- Pastéis são sempre pastéis, amigo, porque o interior deles não importa, ao contrário dos seres humanos, que têm a essência como a característica mais importante. Se um pastel não puder vencer o monstro pela sua massa, pelo óleo gorduroso que o umedece, então não será o diferente tipo de recheio que vai fazê-lo.

Paty suspirava, Japa balançava a cabeça em negativa, Polaco e Negão riam. E o monstro Krorquarto aproveitou para atacá-los violentamente. Os cinco Jacohrangers foram mais feridos até não terem mais forças para se mexer. O cruel inimigo se aproximava, pronto para assassiná-los, quando foi atingido por algo ou alguém. E urrou de dor e ódio.

- Mestre Jacoh! O senhor por aqui? – perguntou o Jacohranger vermelho.
- O que é isso em suas mãos, Mestre Jacoh? – questionou o azul
- Isso é pastel de creme de fígado de barata! O legítimo pastel de creme de fígado de barata! O único ponto fraco desse terrível monstro.

De fato, Krorquarto agonizava. Tinha sido atingido apenas por dois pastéis e já sangrava. Mestre Jacoh se aproveitou para continuar atacando e foi arremessando mais e mais pastéis no monstro até então invencível. Depois de cinqüenta e três pastéis arremessados, Krorquarto explodiu, para a alegria dos ainda muito feridos Jacohrangers.

- Viva! – todos gritaram ao mesmo tempo.

No entanto, outro grito, vindo das profundezas, os lembrou que a batalha ainda não tinha acabado.

- Raio agigantador.

E Krorquarto foi reconstruído e ampliado até atingir os cinqüenta e três metros e dezoito centímetros de altura. Os Jacohrangers ainda recuperavam-se de seus ferimentos, quando o Gigante Guerreiro Jacohlossal surgia e os recebia em um de seus compartimentos. A terrível batalha entre os dois seres titânicos, no entanto, não abalou em nada o ímpeto das compras que se empurravam nas lojas em busca das melhores ofertas.

- Míssil Jacohlossal

E o ataque quase não surtiu efeito. Os heróis tentaram o Punho Jacohlossal e a recém-descoberta Espada Sagrada Jacohlossal! Mas Krorquarto seguia sem ser ferido.

- Será que na forma gigante ele também é vulnerável a pastéis de creme de fígado de barata? – perguntou a Jacohranger rosa.
- Será que o Gigante Guerreiro Jacohlossal tem algum golpe que arremesse pastéis de creme de fígado de barata? – questionou o herói azul.
- Talvez! – disse vermelho.
- Golpe Jacohlossal de Pastéis de Creme de Fígado de Barata! – gritaram todos.

E, para a surpresa dos cinco defensores da justiça, um dos braços do Gigante Guerreiro Jacohlossal transformou-se em uma bazuca e disparou dezenas de pastéis de creme de fígado de barata. Krorquarto não resistiu ao poder do terrível ataque e sucumbiu, após uma terrível explosão.

***

Após a vitória, os Jacohrangers recuperavam-se dos graves ferimentos sofridos e aproveitavam para meditar sobre os belos ensinamentos que o confronto lhes trouxe.

- Eu estava errado – dizia Ruivão, com um tom de desapontamento na voz – Os pastéis não são todos iguais. Eles também possuem uma essência que os difere uns dos outros.
- Acho que a principal lição aprendida hoje é: mesmo alguém poderoso pode ter uma fraqueza a ser explorada. E essa fraqueza, muitas vezes, pode ser algo estranho, algo em que nunca teríamos pensado – disse Japa.
- Discordo de tudo que você disse, Japa – era Paty – Aliás, é melhor deixar esse negócio de filosofia para quem entende, como o Ruivão por exemplo.
- Acho que a principal lição aprendida hoje é: numa situação de grande dificuldade, sempre podemos contar com nosso Mestre Jacoh, pois ele sempre nos surpreenderá com seus conhecimentos – disse Negão.

Todos sorriram. Qualquer que fosse a lição aprendida, o importante era que tinham vencido as forças do mal.

- Na verdade – disse Polaco – a grande lição aprendida hoje é que devemos ficar atentos ao que o Mestre Jacoh cozinha para nós no almoço.

- O QUE OS JACOHRANGERS TERÃO COMIDO NO ALMOÇO PREPARADO PELO MESTRE JACOH DESDE QUE COMEÇARAM A FAZER SUAS REFEIÇÕES NO QUARTEL-GENERAL DA EQUIPE?
- SERÁ QUE AS LIQUIDAÇÕES DAS LOJAS SERÃO SUFICIENTES PARA PREENCHER O VAZIO DAS EXISTÊNCIAS INSÍPIDAS E SEM PROPÓSITO DE ESPOSAS MAL-AMADAS E QUARENTONAS SOLTEIRONAS?
- SERÁ QUE OS CHANGEMAN, OS FLASHMAN, OS MASKMAN, OU O GOGGLE FIVE TINHAM A MESMA CAPACIDADE FILOSÓFICA APRESENTADA PELOS JACOHRANGERS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

Um comentário:

  1. Duvido que alguém tem mais capacidade filósofica do que os Jacohrangers XD.

    ATAQUE DE DUODENO!!! Eu juro que vou usar isso em alguma partida de RPG.

    E confesso que ri muito na parte do "joga milho", embora goste de liquidações (mas fuja delas porque posso gostar de liquidações, mas não gosto do calor humano de pessoas desesperadas por preços baixos).

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