Jacohrangers

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domingo, 23 de setembro de 2012

EPISÓDIO 13 - NEGÃO PERDE A MEMÓRIA


CAPÍTULO 13 – NEGÃO PERDE A MEMÓRIA

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- APESAR DE SUAS IMENSAS LIMITAÇÕES INTELECTUAIS, OS JACOHRANGERS TÊM CONSEGUIDO CONTER OS TERRÍVEIS AVANÇOS DO IMPÉRIO KRAR.
- PATY PEDE A JAPA QUE CONSIGA PARA ELA UM CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO COM A FUNÇÃO “REMOVEDOR DE MAQUIAGEM”. ELE PROMETE TENTAR.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os Jacohrangers estavam cansados. Tinham acabado de voltar de uma cerimônia de agradecimento organizada pela prefeitura de Cidadopolislândia. Prefeito, vereadores e assessores discursaram, aplaudiram os heróis e terminaram lhes oferecendo a chave da cidade. Ruivão agradeceu e comentou que mais importante do que a chave da cidade seria obter a chave para ingressar nos corações de seus habitantes e lá permanecer para sempre. Antes que o líder dos heróis transformasse o momento em uma divagação verborrágica pseudofilosófica, Mestre Jacoh tratou de tirar o microfone dele.
E todo aquele trajeto fora feito a pé. As motocicletas dos Jacohrangers ainda não estavam regularizadas nos órgãos de trânsito, nenhum deles tinha carro, e não parecia ser uma boa idéia irem os cinco dentro de um ônibus junto a pessoas normais. Tiveram que cruzar Cidadopolislândia inteira, duas vezes, sob o inclemente sol do meio-dia.
Por tudo isso, eles descansavam. Negão estava deitado sobre um sofá velho, as mãos e a boca ocupadas com uma garrafa de Bacardi de abacate. Sua língua parecia enrolada, cada um de seus olhos estava voltado para uma direção diferente e nada do que ele dizia fazia sentido. Polaco folheava revistas de conteúdo adulto com as pálpebras arregaladas. Paty alisava seu cabelo com uma chapinha, enquanto pensava com qual sandália de salto alto deveria sair no fim de semana. Ruivão lia uma grossa enciclopédia da coleção “Filósofos malsucedidos e as causas inatas da impopularidade deles”. Era o terceiro daquela série e chamava-se “Causas e conseqüências dos transtornos tripolares e das psicopatias humanas”. Japa fazia ajustes em seu celular ultra-tecnológico. E Mestre Jacoh aproveitava para aparar a barba (e deixar metade do rosto ensangüentado no processo).
Já era tarde quando um pequeno jovem bateu palmas na frente do quartel-general do grupo. Pouco mais que um mendigo, sujo, maltrapilho, fedorento, pestilento e sarnento. Gritava “Hei, Jacohrangers! Tem alguém em casa? Jacohrangers!”. À medida que o tempo passava e ninguém o atendia, ele chamava cada vez mais alto, aborrecendo toda a vizinhança.
 De pijama, roupão, pantufa de ursinho e cabelo estropiado, Mestre Jacoh saiu pela passagem secreta. Chegou até o jovem, sendo prontamente seguido por Ruivão. O garoto chorava, o que era bom levando-se em conta que as lágrimas lavavam parte da imundície da face dele.

- Pois não, meu jovem. Em que podemos ajudá-lo? – perguntou Mestre Jacoh, intercalando palavras a bocejos.
- Quero ser um Jacohranger! – o rapaz bradou – Quero combater o Império Krar!
- Meu amiguinho, entenda: se você luta contra as injustiças que encontra em sua vida cotidiana, se combate o mal com todas as forças que possui, se partilha de nossos ideais de paz, liberdade, alegria e amadurecimento filosófico, então você já é um Jacohranger!
- Não diga bobagens! Quero ter um traje colorido e esquartejar aqueles invasores. Quero que eles paguem por tudo que já fizeram a esse mundo.

O ódio no coração daquele garoto era quase proporcional à sua falta de higiene. Mestre Jacoh sabia que um sentimento negativo mal direcionado poderia ser prejudicial. E se um desejo de vingança transformasse o pretenso Jacohranger de hoje no inescrupuloso vilão de amanhã?

- Meu garoto, diga-nos: Por que quer tanto destruir o Império Krar? Eles lhe fizeram algum mal? Assassinaram seus familiares?
- Havia uma jovem muito linda em minha rua... Eu a amava profundamente. Eu fazia planos para ficar com ela, eu já me imaginava casando-me com ela. Seria mágico! Mas... Mas... Acabamos não ficando juntos...
- O Império Krar atrapalhou tudo? Algum monstro maligno seqüestrou, feriu ou assustou sua amada?
- Na verdade, fui eu que não consegui conquistá-la – o garoto esclareceu – Mas gosto de pensar que não foi culpa minha.

Com muita dificuldade, Mestre Jacoh, Ruivão, e depois Japa, Polaco, Paty e Negão conseguiram convencer o jovem a sair dali e seguir sua vida. Ele ainda não estava pronto para ser um Jacohranger.
No entanto, seu desejo insaciável de justiça, seu coração bondoso e sua ingenuidade constrangedora motivaram os cinco heróis. Todos eles sentiram uma vontade ainda maior de derrotar logo o Império Krar. A paz em Cidadopolislândia, no Brasil e em toda terra precisava ser restaurada com urgência máxima.
E como que em resposta àquele sentimento, o destino se encarregou de dar aos Jacohrangers uma chance. O alarme soou. A cidade estava sob ataque. Era o monstro Krorquinto.

***

Era uma criatura horrenda. Tinha braços grossos e fortes, porém ágeis. Empunhava um tridente afiado e circundado por uma estranha energia rutilante. Seu tronco era robusto e revestido por uma couraça sobrenatural. Rosto horripilante, nariz adunco, dentes pontiagudos, olhos de um negro maligno e cabelos grisalhos mal distribuídos completavam a aparência da demoníaca criatura.
A pé, correndo como se um cachorro perigoso os perseguisse, os Jacohrangers corriam até o local onde o ataque ocorria. Quando chegaram ao local, já havia um rastro de destruição, vítimas e muita correria. Algumas dezenas de soldados Krur também se encontravam lá, aumentando ainda mais o caos.

- Hora de Jacohmbater o mal! – gritaram todos!
- Derrotaremos você, monstro, para que haja paz em Cidadopolislândia – gritou o vermelho.
- Derrotaremos você, monstro, para que eu possa voltar logo à prática do alcoolismo! – disse o preto.
- Derrotaremos você, monstro, para que você fique derrotado e assim não nos derrote! – bradou o azul.
- Derrotaremos você, monstro, para que as mulheres que estão vendo essa luta se encantem com minha bravura – era o amarelo.
- Derrotaremos você, monstro, porque o Ruivão disse que faremos isso, e se ele disse, então nós faremos! – explicou a rosa.

E o confronto teve início. Sem precisar recorrer a suas armas, os Jacohrangers foram nocauteando um a um os soldados Krur. As criaturas albinas tentavam agredir os heróis, valendo-se de sua superioridade numérica, mas não eram bem-sucedidos. Os cinco jovens desferiam, socos, chutes, cotoveladas, cabeçadas, caneladas, joelhadas, orelhadas, narigadas e cusparadas nos inimigos.
Mais do que mais poderosos, eles eram mais organizados, lutando quase que em formação. Posicionavam-se em pontos estratégicos do campo de batalha, golpeavam adversários específicos e, definitivamente, sabiam fazer de seu entrosamento uma arma a mais. Em poucos minutos, todos os soldados Krur tinham tombado.
Então, começou a batalha contra Krorquinto. Sete segundos depois, ficou claro que os Jacohrangers precisariam de suas armas, ou seriam devastados pelo poder do tridente do monstro. Espada, escudo, bastão e maça-estrela se chocaram contra a lâmina do inimigo sem grande sucesso.
Tudo foi piorando à medida que Krorquinto foi atacando com cada vez mais violência. Os Jacohrangers não tinham força, nem habilidade, nem inteligência, nem capacidade de se defenderem adequadamente. Os golpes foram ferindo-os mais e mais. A derrota parecia inevitável, quando Ruivão tomou uma providência drástica.

- Bazuca sem nome! – o garoto invocou.

No entanto, contrariando todas as estatísticas que sempre afirmaram que um monstro maligno invasor espera pacientemente que os heróis o destrocem com uma poderosa bazuca, Krorquinto não esperou. E arremessou seu tridente violentamente. Ruivão e Japa conseguiram se desviar, mas Negão foi atingido na lateral do crânio.
Por dentro de seu traje, sangue escorreu em grande quantidade. O Jacohranger preto caiu, e bazuca sem nome teve que ser largada no chão para que ele fosse atendido.

- Negão, você está bem? – perguntou Polaco.
- Quem sou eu? – ele perguntou.
- Uma pergunta pertinente, amigo – disse Ruivão – Muitas vezes, a busca pela verdadeira identidade do nosso “eu” interior é uma jornada que nos leva a fazer perguntas desse tipo. No entanto, sugiro que deixemos isso para depois, pois precisamos derrotar um monstro terrivelmente poderoso.
- Ele não está filosofando, Ruivão! – disse Paty – Negão perdeu a memória.
- Quem sou eu? Quem são vocês? Onde estou? Por que vocês e eu usamos essas roupas cretinas?

Sem ter idéia do que fazer, os outros quatro heróis olharam para o monstro Krorquinto e o viram gargalhando e se preparando para uma nova seqüência de ataques.

- Você é o Negão, nós somos os Jacohrangers, você está no centro de Cidadopolislândia e usamos essas roupas, porque embora feias, elas nos fortalecem no combate contra o mal! – explicou Ruivão, com pressa.

- SERÁ QUE AS EXPLICAÇÕES DO JACOHRANGER VERMELHO SERÃO SUFICIENTES PARA QUE NEGÃO RECUPERE A MEMÓRIA?
- SERÁ QUE A BAZUCA SEM NOME PODERÁ SER USADA PELOS QUATRO JACOHRANGERS RESTANTES?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

2 comentários:

  1. Hmmm... Será que teremos um Jacohranger verde? Hehehe!!

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  2. Hahahaha, adorei a parte em que o Ruivão acha que o Negão está filosofando quando pergunta "Quem sou eu?" XD

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