Jacohrangers

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domingo, 28 de outubro de 2012

EPISÓDIO 18 – (QUASE) TODOS CONTRA O MONSTRO KRORSÉTIMO



EPISÓDIO 18 – (QUASE) TODOS CONTRA O MONSTRO KRORSÉTIMO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O TRIÂNGULO AMOROSO DOS JACOHRANGERS TORNOU-SE UM QUADRILÁTERO, COM GRANDES POSSIBILIDADES DE VIRAR UM PENTÁGONO.
- SEM JAPA, OS HERÓIS NÃO PODEM USAR A “BAZUCA SEM NOME”, FICANDO COM SEU PODER DE BATALHA BASTANTE REDUZIDO.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os cinco heróis resfolegavam após a difícil vitória. Aproveitaram para socorrer os feridos e tranqüilizar as pessoas que ali estavam.

- O medo é a manifestação das fragilidades recônditas de nosso sistema nervoso, um mero reflexo de nosso despreparo emocional – Ruivão explicava às vítimas assustadas.

Aos poucos, Cidadopolislândia ia se recuperando do trauma dos ataques recentes. Começava a surgir naquela ingênua população um sentimento de extrema confiança nos Jacohrangers. Quando fossem alvo de uma nova investida dos invasores, saberiam ter em quem confiar.
Os heróis, no entanto, ainda estavam preocupados com Japa. Não havia nem sinal do Jacohranger azul em parte alguma. Se outro monstro maligno surgisse, a ausência do jovem seria terrivelmente sentida. Definitivamente, a paz em Cidadopolislândia dependia da resolução daquele problema.

- Vamos procurar em grupos – sugeriu Ruivão – Proponho nos separarmos em grupos de sete. Serão três grupos: um procura na região sudoeste da cidade, outro na região nordeste, e outro grupo fica aqui sem fazer nada torcendo para que Japa apareça de repente.
- Quem procura na região noroeste? E quem procura na região sudeste? – perguntou Negão.
- E quem procura no centro? – questionou João.
- Ruivão, somos apenas cinco! Não podemos nos dividir em grupos de sete – Paty alertou.
- Tem razão! – o Jacohranger vermelho concordou – Acho que então devemos desistir de procurar.

E os cinco voltaram a seu quartel-general para descansar.

***

O monstro Krorsétimo estava pronto. Kroroitavo e Krornono se encontravam muito próximos da fase final de criação. Tudo corria bem. Deixar o comando dos ataques sob a responsabilidade dos Generais Krer e Krir fora um erro. O próprio Imperador Krar comandava as operações agora.

- General Krer, investigue em segredo a localização do Jacohrangers azul. Quando encontrá-lo, envie soldados Krur para atacá-lo enquanto ele estiver sozinho.
- Sim, meu Imperador.
- Quanto a você, General Krir, inicie a operação com o monstro Krorsétimo. Seqüestre crianças e as aprisione em algum local para atrair os Jacohrangers!
- Sim, meu Imperador!

“Isso é só o começo, Jacohrangers! Só o começo!”

***

Polaco ouvia músicas típicas de descendentes de alemão, enquanto bebericava chope e comia pedaços de mortadela. Há poucos minutos recusara um convite de Negão de folhearem revistas eróticas.
Em outro aposento, Paty e João discutiam (aos berros) a relação. Ele queria assistir reprises de Jaspion e Metalder, por entender que aquilo seria instrutivo. Ela exigia ser levada ao shopping para fazer compras, pois havia uma loja de vestidos em liquidação. Gritos de “Você é egoísta” e de “Não, você é que é” podiam ser ouvidos por toda a vizinhança.
Mestre Jacoh e Ruivão se desentendiam sobre o que deveriam assistir. O velho mestre queria acompanhar os episódios inéditos de “Ursinhos Carinhosos” e, na seqüência, uma “maratona” de 36 horas seguidas de “Cavalo de fogo”. O Jacohranger vermelho preferia assistir um programa de debates, com o interessantíssimo tema: “Transtornos psicóticos agudos: você os tem, ou isso é coisa da sua cabeça?”. Ambos discutiram sem chegar a nenhum acordo por muito tempo.

Até que soou o alarme.

Aos tropeções, os Jacohrangers chegaram à sala principal de seu quartel-general e viram que uma transmissão chegava ao monitor. Após instantes de chuviscos, formou-se a imagem do demoníaco General Krir dentro de um imenso barracão, escuro, sujo e mal-cheiroso. Atrás dele, dezenas de crianças amarradas chorando, gritando, se debatendo e tentando se libertar. Ao lado do maligno invasor, uma criatura bestial, espadaúda e com um tridente na mão. Era o monstro Krorsétimo.

- Aspiradordepohrangers! Sou eu, o seu terror, o invencível General Krir. Vêem essas crianças? Estão presas, feridas, famintas, com sede, sujas, assustadas e sem ninguém que possa salvá-las. Se quiserem libertá-las, terão que vir até aqui e derrotar o monstro Krorsétimo. Ah, antes que eu me esqueça: há uma bomba poderosíssima instalada nesse lugar. Vocês têm apenas uma hora para evitar o pior.

O demoníaco general gargalhou e a transmissão se encerrou. Mestre Jacoh rastreou a origem do sinal e orientou os cinco jovens. E então eles partiram!

- Hora de Jacohmbater o mal!

Em aproximadamente trinta minutos eles chegaram ao local onde o covarde inimigo os aguardava. Não tardou para que um punhado de soldados Krur tentasse detê-los. Eram dez e continuavam tão poderosos quanto no combate anterior, mas os heróis tinham aumentado bastante suas forças.
Com os primeiros oponentes no chão, e tendo apenas vinte e cinco minutos, os Jacohrangers se viram frente a frente com o monstro Krorsétimo. Empunharam suas armas, ensaiaram uma pose de batalha debilóide e avançaram entoando bravatas tipicamente adolescentes.
As armas dos guerreiros até conseguiam ferir a grossa couraça da besta maligna, mas era difícil atingí-lo, pois ele desviava-se dos golpes, aparava todas as investidas e parecia mais hábil na luta corpo-a-corpo mesmo em desvantagem numérica. Após cinco minutos de luta, Krorsétimo exibia uns poucos arranhões, enquanto os Jacohrangers já tinham suas armaduras bastante danificadas.

E restavam apenas vinte minutos.

- Esqueceram-se das crianças? – General Krir gritava de longe – Elas têm pouco tempo de vida! Hahahahahahahahahahahaha!
- Aquele miserável tem razão – bradou o Jacohranger preto a seus colegas – Temos que derrotar logo esse monstro.
- Será que é realmente impossível usar a “bazuca sem nome” sem o Japa? – perguntou o amarelo.
- Sim. Infelizmente, é impossível! – deixou claro o herói verde.
- E se nos auto-sugestionássemos, inserindo lentamente em nossas mentes a certeza de que Japa está aqui? – perguntou o vermelho – Será que a “bazuca sem nome” poderia ser usada?
- Não! – gritou o verde.

“Japa... Onde você está?”, pensava Paty.

A batalha seguia. Os Jacohrangers usavam ataques combinados, tentando fazer uso da vantagem de serem cinco contra um. Os poderes ampliados recentemente foram usados ao máximo. Krorsétimo fora muito ferido, mas não o bastante para ser vencido. Faltava o golpe final. Faltava a “bazuca sem nome”.

E faltavam apenas sete minutos e vinte e oito segundos.

O Jacohranger verde fez sinal a seus colegas para pararem. Encarou o monstro com o olhar desafiador típico do herói fracote que ficou nervosinho após levar uma surra vergonhosa e acha que pode intimidar o inimigo apenas fazendo cara de mau. Ele tinha um plano.
Aqueles segundos sem golpes, raios e bravatas foram dominados pelo silêncio, o que possibilitou que os gritos de desespero, medo, agonia, angústia, aflição, tristeza, melancolia e insegurança das crianças prisioneiras chegassem aos ouvidos dos Jacohrangers!

- Aposto dez reais que o João vai fazer cara de louco e dizer: “Tenho um plano!” – disse o preto ao amarelo.
- Tenho um plano! – bradou o Jacohranger verde, após fazer cara de louco.

- SERÁ QUE O JACOHRANGER VERDE TEM REALMENTE UM PLANO, OU SERÁ ISSO UMA ESTRATÉGIA PARA GANHAR TEMPO?
- FARIA ALGUM SENTIDO USAR UMA ESTRATÉGIA PARA GANHAR TEMPO, SE A BOMBA QUE AMEAÇA AS CRIANÇAS EXPLODIRÁ EM DOIS MINUTOS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DOS JACOHRANGERS! 

domingo, 21 de outubro de 2012

EPISÓDIO 17 - O FORTALECIMENTO DOS SOLDADOS KRUR


EPISÓDIO 17 – O FORTALECIMENTO DOS SOLDADOS KRUR

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- A UNIÃO E AMIZADE DOS JACOHRANGERS FICOU COMPROMETIDA PELO SURGIMENTO DE UM INÉDITO “QUADRILÁTERO AMOROSO”.
- O PRÓPRIO IMPERADOR DO IMPÉRIO RESOLVEU RESOLVER TUDO, TOMANDO A INICIATIVA DE INICIAR ALGUMAS ESTRATÉGIAS ESTRATÉGICAS. OCORRERÃO VÁRIOS FRACASSOS, OU SE SUCEDERÃO SUCESSOS SUCESSIVOS?

O QUE IRÁ ACONTECER?

O centro de Cidadopolislândia ardia. Casas, prédios, barracos, favelas, carros, motos, bicicletas, patinetes, hidrantes, caixas de isopor com cerveja, caminhões, postes, semáforos, mochilas, bolsas, garrafas, sacos de lixo, chaves de fenda e até casinhas de cachorro. Tudo tinha virado cinzas. Fora isso, pessoas feridas agonizavam sobre as calçadas sujas.
Os Jacohrangers chegaram. O vermelho, o preto, o amarelo, a rosa e o verde. Mas o azul não estava entre eles. Talvez nunca mais estivesse.
Contra eles, quinze soldados Krur. Branquelos, albinos, pareciam ter sido mergulhados em um barril de farinha. Causavam caos e destruição com as estranhas armas que tinham em mãos. E em um bem-vindo acréscimo proporcionado pelo seu Imperador, agora eles também possuíam a capacidade de disparar raios ópticos. E começaram a dispará-los em direção aos Jacohrangers.

- Criaturas vis e esbranquiçadas! – gritou Ruivão – Não pensem que nos vencerão só porque vocês estão consideravelmente mais poderosos e nós estamos incompletos, cansados, surpreendidos, fragilizados e despreparados.

As rajadas de energia eram muitas. Os Jacohrangers tinham dificuldade para se desviar delas, sendo atingidos vez ou outra. O amarelo, em especial, fora ferido três vezes e chegou a cair. Levantou-se com dificuldade e logo teve que confrontar quatro soldados que o cercavam.
O verde combatia desarmado. Parecia dominar várias técnicas diferentes de luta, intercalando socos, chutes, cotoveladas, cabeçadas, joelhadas e cusparadas nos inimigos. Ainda assim, o confronto era terrivelmente duro. Inúmeros Krur o atacavam ao mesmo tempo. Eram mais ágeis, mais fortes e mais violentos.
A Jacohranger rosa tentava manter os oponentes longe com os disparos de seu arco. As flechas voavam velozes e certeiras, perfurando alguns soldados, o que não bastava, pois eles resistiam, arrancando os projéteis de seus corpos. E a batalha seguia.
O vermelho agredia os inimigos com sua espada. Entre um golpe e outro, filosofava e “passava uma lição de moral” nos oponentes. No entanto, a inferioridade numérica lhe causava sérios problemas. Em poucos minutos, Ruivão já se encontrava em uma situação desesperadora.
O Jacohranger preto estava nas mesmas condições. Gritava a seus colegas para que se agrupassem, mas nenhum deles parecia capaz de fazê-lo. Vencer parecia um sonho distante, por isso Negão começou a lutar tão defensivamente quanto possível, procurando apenas não ser massacrado e, quem sabe, conseguir recuar.
A quilômetros dali, Mestre Jacoh observava a cena com extrema preocupação. Os inimigos estavam mais poderosos, enquanto que os heróis não tinham aumentado seus poderes na mesma proporção. Mesmo com a chegada de um novo Jacohranger o grupo não teria a mesma força de antes sem Japa.

E não havia nada que o velho mestre pudesse fazer.

***

O monstro Krorsétimo estava totalmente pronto. Suas habilidades já tinham chegado ao nível máximo. Bastava lançá-lo em combate contra os odiáveis Jacohrangers. No entanto, o Imperador Krar preferia aguardar. Assistia com um sorriso diabólico o triunfo de seus soldados Krur contra os patéticos heróis mal-vestidos.

- Com sua licença, meu Imperador. Posso roubar alguns minutos de seu tempo? – era o General Krir.
- Seja breve. Estou muito ocupado vendo nossa vitória.
- Fico feliz em ver que os Borogodórangers estão prestes a serem vencidos. E justamente para garantir que isso realmente aconteça, peço sua permissão para ir ajudá-los. Eu também aumentei meus poderes. Fora isso, os soldados Krur, apesar de poderosos, podem ser sobrepujados pela inteligência dos inimigos. Minha presença no campo de batalha assegurará que isso não ocorra.
- Discordo de tudo que você disse, General, mas não vejo mal nenhum em seu envolvimento. Vá! Vá e destrua os malditos Jacohrangers!
- Sim, meu Imperador! Eu destruirei os Gogórangers!

O Imperador Krar teve vontade de corrigir seu subordinado, explicando-lhe que o nome dos inimigos era outro. Mas desistiu.

***

Encurralados, os Jacohrangers agonizavam no chão. Seus adversários os rodeavam, enquanto grunhiam em um idioma incompreensível e faziam caretas de maldade. A derrota parecia inevitável.

- Pela lógica, o Jacohranger azul deve chegar triunfalmente para nos salvar, e com o auxílio deles, venceremos essa batalha – disse Ruivão.
- Eu não esperaria por isso – João disse, tentando, sem sucesso, se levantar – Teremos que lutar com nossas próprias forças.
- E se chamássemos a “bazuca sem nome”? O poder explosivo dela deve ser capaz de acabar com esses miseráveis – sugeriu Paty.
- Sem o Japa não funcionará – disse Polaco – Ele é o único que sabe qual o botão que deve ser apertado.
- O que? A bazuca sem nome tem botões? E é apertando um deles que ela dispara? – surpreendeu-se Ruivão – Eu nunca havia reparado nisso.

O General Krir chegou ao campo de batalha. Os Jacohrangers ficaram surpresos, mas não muito. Afinal, dificilmente aquela situação poderia piorar.

- Soldados Krur! Se ficarmos parados olhando para esses miseráveis caídos, eles não farão nada! Vamos atacar e destruir essa cidade. Assim eles terão que nos combater para nos impedir. 
E a destruição começou. Carros, casas e cavaletes com retratos de candidato a vereador eram cruelmente atacados. Pessoas fugiam desesperadas, gritando tanto que os Krur não se sentiam encorajados a perseguí-las. O caos passou a reinar em Cidadopolislândia. E os cinco valentes heróis seguiam no chão, enfraquecidos.

- E se tentássemos persuadir nossos inimigos que não vale a pena insistir nessa destruição insensata, pois isso é uma demonstração de imaturidade por parte deles? – perguntou Ruivão.
- Acho que há outra opção – bradou João – Embora eu confesse que preferia usá-la apenas quando Japa estiver novamente conosco.
- Temos que entender nosso amigo oriental – disse Polaco – Ele, o João, a Paty e o Ruivão vivem um “quadrilátero amoroso”.
- E se levarmos em conta que eu sempre achei que o Mestre Jacoh tivesse uma “quedinha” pelo Ruivão, eu diria que é um “pentágono amoroso” – complementou Negão.
- Qual é a outra opção? Não temos tempo! – gritou Paty, irritada por estar em uma época do mês particularmente sensível.
- As lentes de contato que Mestre Jacoh me deu... Além de concederem meus poderes de Jacohranger verde, também possuem uma grande quantidade de energia reserva destinada a aumentar nossos poderes em momentos de dificuldade – explicou João.

Antes que Ruivão dissesse mais alguma bobagem, o herói verde se concentrou e colocou delicadamente seus dedos nas lentes de contato mágicas. Murmurou alguma coisa que nem ele mesmo entendeu. Faíscas crepitantes dirigiram-se pouco a pouco ao corpo dos cinco Jacohrangers.
Todos sentiram suas energias renovadas. Seus poderes consideravelmente ampliados. Sua autoconfiança recuperada. Seus ferimentos curados. Sua vontade de punir o mal aumentada.

- Hora de Jacohmbater o mal! – os cinco gritaram, após improvisarem uma ridícula pose de batalha.

Socos, chutes, cotoveladas e golpes desferidos com as armas voltaram a fazer efeito. Em poucos minutos, os soldados Krur foram caindo sem vida, para a alegria dos inocentes transeuntes que não conseguiram fugir e tiveram que assistir a batalha. Em face à situação, o General Krir optou por não confrontar diretamente os Jacohrangers. Sumiu magicamente após bradar em altíssimo som “Eu voltarei!”.

Cidadopolislândia estava salva. Por hora.

***

- Monstro Krorsétimo! Prepare-se para iniciar um novo ataque! – bradou o Imperador Krar.

- EXISTIRÁ, DE FATO, UM “PENTÁGONO AMOROSO” NOS JACOHRANGERS?
- SERÁ QUE JAPA USARÁ SEU SOFRIMENTO COMO UM PRETEXTO PARA CRIAR UMA BANDA “EMO”?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

domingo, 14 de outubro de 2012

EPISÓDIO 16 - O PASSADO DE PATY


EPISÓDIO 16 – O PASSADO DE PATY

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- SURGE JOÃO, O NOVO JACOHRANGER, QUE RIVALIZA COM RUIVÃO EM FALTA DE HIGIENE, E QUE PARECE SER UM PROFUNDO ESTUDIOSO DO UNIVERSO DOS TOKUSATSUS.
- ATENÇÃO: ESSE NÃO É, NÃO É, UM EPISÓDIO “FILLER”!

O QUE IRÁ ACONTECER?

- Não acredito! O que está fazendo aqui? – perguntou João.
- É uma longa história! – respondeu Paty – E você? O que está fazendo aqui?
- É uma curta história! Decidi ser herói, vim aqui pedir uma chance e fui aceito.

Sem entender nada, Ruivão olhava para o Mestre Jacoh, que, pasmo, olhava para Polaco, que por sua vez olhava para Negão, que olhava frustrado para seu copo de cerveja vazio, através do qual olhava para Japa, que olhava para as pernas de Paty.

- Como assim? – perguntou o Mestre Jacoh – Quer dizer que vocês já se conheciam?
- É uma história longa! – suspirou João.
- Na verdade, é uma história curta! – corrigiu Paty – Éramos namorados!

Os queixos de Ruivão e Japa foram ao chão. Negão e Polaco sorriram um para o outro, em um claro sinal de que pensavam: “esse João tem o perfil de ter amigas bonitas para nos apresentar”. Mestre Jacoh apenas deu de ombros.

- Desculpe perguntar, Paty, mas... Por que vocês terminaram? – questionou Japa.
- Ele era muito machista.
- Infelizmente, esse tipo de coisa acontece – opinou Ruivão – Relacionamentos amorosos são como jacarés: muitos dizem ter medo de se machucarem com eles mesmo sem conhecê-los, mas aqueles que os conhecem têm ainda mais medo e fogem deles.

Paty grunhiu e Japa ficou preocupado. Em outras ocasiões, ela teria suspirado pela tolice dita por Ruivão. O jovem Jacohranger azul começou a imaginar que sua amada ainda fosse apaixonada pelo recém-chegado João. Aliás, teria ela uma predileção por homens encardidos e fedorentos?

***

O Imperador Krar caminhava em sua forma espectral pelas cercanias da base de operações do Império. General Krer e General Krir não estavam em parte alguma. O comandante supremo das forças do mal queria acreditar que os dois apalermados estivessem procurando uma nova estratégia para derrotar os Jacohrangers e conquistar a Terra.
Enquanto isso, o próprio Imperador colocava em ação uma ousada operação. Uma nova tecnologia de fortalecimento dos monstros estava sendo testada. O monstro Krorsexto colocava à prova seus poderes contra uma legião de soldados Krur. A batalha entre eles era modesta, mas serviria para que o Império decidisse quais rumos seguir.
Prevenido e com pressa de conquistar a Terra, o Imperador Krar já tinha o monstro Krorsétimo em fase final de criação, usando uma tecnologia alternativa. Se Krorsexto não se mostrasse poderoso o suficiente, seu sucessor estaria preparado.

- Caso tudo isso falhe, ainda tenho mais uma surpresa sendo preparada para os Jacohrangers.

***

- Você jamais vai ser capaz de entender os sentimentos de uma mulher!
- Eu jamais vou entender qual a utilidade dos sentimentos de uma mulher!
- Você é egoísta! Só pensa em si mesmo! Jamais se esforçou para me entender!
- Egoísta? Eu? Quem aqui gastou o dinheiro das nossas férias no salão, na manicure e no shopping?
- Está vendo? Você não entende as necessidades de uma mulher.
- E você não entende o significado da palavra “economia”.
- Quer dizer que você dá mais valor ao seu dinheiro do que a mim?
- Quer dizer que você dá mais valor às suas vaidades do que a mim?
- Essas vaidades eram para eu ficar mais bonita para você!
- O dinheiro era para eu ter um futuro para oferecer para você!
- Adiantaria termos dinheiro se eu não me sentisse bem comigo mesma?
- Quando você quisesse sair para se divertir em um sábado a noite e eu te levasse para um ponto de ônibus você entenderia.

Ruivão e os demais Jacohrangers estavam pasmos.

- Isso é inédito! Eles estão discutindo a relação sem nem terem mais uma relação – disse o Jacohranger vermelho.
- É quase como o Império Krar, que quer conquistar a Terra, mas não sabe o que fazer com ela – disse Japa.
- É quase como eu, que compro bebidas alcoólicas mesmo sabendo que vou vomitá-las – disse Negão.
- É quase como eu, que assisto que converso com os Ursinhos Carinhosos quando os vejo na TV mesmo sabendo que eles não responderão – disse o Mestre Jacoh.
- A verdade é que essa briga vai continuar por muitas horas. O melhor que temos a fazer é deixá-los a sós. Quando voltarmos, é bem provável que ainda estejam brigando – disse Polaco.

Os Jacohrangers saíram daquele aposento. Mas Polaco esqueceu sua carteira e quando voltou, trinta segundos depois, Paty e João se beijavam ardentemente.

- Polaco, por favor avise a todos que João e eu reatamos nosso namoro!

***

O Imperador Krar assistia com muito interesse ao combate entre os soldados Krur e Krorsexto. O monstro levava a pior, estando muito próximo da destruição, mas aquilo não parecia importar ao comandante supremo das forças do mal. O confronto não foi interrompido em nenhum momento. Aquele era um teste real visando avaliar o poder de combate deles. Só os fortes sobreviveriam!
O Imperador torceu os lábios no que parecia ser um sorriso quando os soldados, quinze deles, destruíram o monstro Krorsexto. Mesmo sendo muito forte, a criatura não resistiu ao poder combinado dos Krur. Era um indicativo que a magia negra usada para o aumento das forças dos soldados funcionara perfeitamente.
“Repetirei a dose”, pensou o Imperador Krar. Ainda era possível usar aquele feitiço mais uma vez, fortalecendo ainda mais os soldados Krur. Havia a possibilidade de que eles ficassem poderosos o bastante para derrotarem sem ajuda os Jacohrangers. E caso isso não acontecesse, o monstro Krorsétimo já estava a postos – e era um ser extremamente forte.
General Krir e General Krer não estavam lá e nem faziam falta. O Imperador sozinho conduziu a cerimônia maligna que amplificou ainda mais a força e as habilidades de combate dos soldados Krur. Demorou muito, despertando no comandante maligno um desejo de retornar à sua câmara de repouso. Quando de lá voltasse, um novo e terrível ataque teria início.

Aquele seria o fim dos Jacohrangers!

***

A notícia surpreendeu a todos. Ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer tão rápido. Ruivão sentiu dentro de si um leve incômodo, algo que nem seu extenso conhecimento sobre a causa e a natureza das psicopatologias humanas pôde identificar. Ciúme? Estranheza? Orgulho ferido? Ele pensou que talvez devesse reler alguns livros de filosofia marroquina que tinha em seu armário.
No entanto, Japa não reagiu bem àquela notícia. Saiu em desabalada carreira, sem destino, sem dizer nada a ninguém, guiado apenas pela dor e pela tristeza. Correu sem rumo até se cansar e chorou. Como uma criança. Horas se passaram sem que pudesse ser encontrado.

- Ele deve ter ido se sentar em alguma calçada para refletir sobre a bipolaridade intrínseca dos relacionamentos humanos – disse Ruivão.
- Ou deve ter ido mijar nas paredes de algum prédio público – sugeriu Negão.

Mestre Jacoh era o único que realmente entendia os sentimentos de seu pupilo. Aquele acontecimento poderia trazer conseqüências preocupantes aos Jacohrangers. Como lidar com a tristeza de Japa? Será que ele devia, como líder do grupo, conversar com Paty? Ou conversar a sós com João? Ou torcer para que Japa tivesse apenas ido mijar nas paredes de algum prédio público?

- Tenho certeza que deve ter ido se sentar em alguma calçada para meditar sobre como usar o celular ultra-tecnológico dele para filmar o meu casamento com João – disse Paty.

Dois dias se passaram e Japa não regressou, tampouco foi encontrado pelos seus companheiros. Para piorar tudo, o alarme soou.

- Mexam-se! Inúteis, mexam-se! Um ataque de soldados Krur! Mexam-se!

- SERÃO OS SOLDADOS KRUR SUFICIENTEMENTE PODEROSOS PARA CRIAR UM PROBLEMA AOS HERÓIS?
- O QUE PODERÁ ACONTECER, AGORA QUE OS JACOHRANGERS VIVEM UM QUADRILÁTERO AMOROSO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS! 


domingo, 7 de outubro de 2012

EPISÓDIO 15 - O SEXTO JACOHRANGER


EPISÓDIO 15 – O SEXTO JACOHRANGER

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- OS TERRÍVEIS INVASORES DO IMPÉRIO KRAR INTENSIFICAM SEUS ATAQUES, AO PASSO QUE OS JACOHRANGERS PARECEM CADA VEZ MAIS ENFRAQUECIDOS.
- SERÁ QUE APENAS CINCO JACOHRANGERS SERÃO SUFICIENTES PARA DETER AS AMBIÇÕES MALIGNAS DOS CRUÉIS VILÕES?

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os Jacohrangers sangravam. A batalha já havia acabado, a paz já estava restabelecida e Negão já tinha recuperado a memória, mas os heróis ainda estavam feridos. Muito feridos. Terrivelmente feridos. Mestre Jacoh, que nem havia tomado parte no confronto, ficou ferido só de ver aquilo.
Os “kits de primeiros socorros” eram modestos. Ajudavam a minimizar a dor, mas não curavam, nem aceleravam a cicatrização. A recuperação total levaria quase uma semana. E se o Império Krar atacasse naquele espaço de tempo? Mestre Jacoh começou a pensar que deveria ter construído uma “Câmara de Cura”, ao invés de gastar aquele dinheiro com pokémons de pelúcia.
Ruivão acreditava que a dor era algo meramente psicológico. Com a força de vontade oriunda do âmago mais recôndito de seu subconsciente, ele procurava sugestionar seu sistema nervoso central, induzindo-o a acreditar que nenhuma parte de seu corpo doía. Após quarenta minutos fazendo isso sem sucesso, o garoto começou a chorar em silêncio.
Negão tinha hematomas por todo o corpo. O simples ato de esticar o braço para pegar o celular e ligar para alguma linda jovem já era um esforço maior do que ele podia suportar. Acabou adormecendo. Acordou com a sensação de ter o corpo inteiro perfurado por agulhas. Quando abriu os olhos percebeu que REALMENTE estava com o corpo perfurado por agulhas – Mestre Jacoh achou que acupuntura poderia ajudar. Negão praguejou contra seu mentor, mas não teve forças para nada além disso.
Japa sonhava acordado. Em suas ilusões adolescentes, Paty vinha fazer massagens nele e acariciá-lo. No entanto, ele acordou com sua colega dizendo que ele estava babando enquanto dormia. Ele esticou o braço para se limpar e gritou de dor. Um grito agudo. Estridente. Um grito de mocinha.
Polaco gemia baixinho. Tentava perder os sentidos tomando doses inacreditáveis de vinho, vodka, whisky, cerveja, caipirinha, conhaque, pinga, chopp e diversos tipos de coquetéis. Na verdade, ele só não tomava acetona porque tiraria o esmalte dos dentes. O excesso de álcool o fez vomitar, e como ele não tinha força para levantar-se e correr para o banheiro, acabou se emporcalhando todo.
Paty soluçava de tanto chorar. A dor que sofria era muito grande, fazendo-a sentir como se seu peito tivesse sido rasgado. A tristeza estava além de todos os limites. Não por que estivesse ferida, não por que seus amigos estivessem feridos, tampouco por que a terra estava em perigo. Mas porque seu vestido novo, que ela usava por baixo do traje de combate, estava rasgado. E outro daqueles custaria muito caro.
Mestre Jacoh contemplava os cinco jovens em um estado tão lastimável e não conseguia esconder a preocupação. A única esperança de salvação do mundo residia naquele grupo.

“Pode não ser suficiente”, ele pensava.

***

Era um jovem fétido. Bem-intencionado, dedicado e valente. Mas mal-cheiroso ao extremo. Pouco mais que um mendigo, e talvez nem isso, chamava-se João da Silva. Tinha dezoito anos, vestia roupas rasgadas, amassadas, esburacadas, sujas de lama e fezes de cachorro. O cabelo era um amontoado de fios oleosos que desconheciam a água.
Nas mãos, ele tinha um livro repleto de figuras de heróis coloridos. Chamava-se: “Tokusatsus: tudo que você queria saber, mas não podia perguntar porque seus colegas ririam de você”. João folheava o tomo com gosto, absorvendo aquele conteúdo como se sua vida dependesse daquilo. Lia sentado em uma das muitas calçadas de uma das muitas vielas de um dos muitos bairros de uma das muitas cidades vizinhas a Cidadopolislândia. Mas após uma leitura demorada de algumas dezenas de páginas, levantou-se decidido.
Semanas atrás, havia tentando conversar com o grupo de desmiolados que atendiam pelo nome de Jacohrangers. Os heróis o ouviram, mas não quiseram aceitá-lo como membro do grupo. João se revoltou e decidiu se preparar ainda mais. Sua intenção era que o tempo se encarregasse de mostrar que ele poderia ser um bom defensor da justiça.
Mas como parecia que ia chover, e João não tinha um lugar coberto para dormir, decidiu antecipar tudo e tentar entrar para os Jacohrangers de uma vez. E partiu rumo ao quartel-general dos heróis.

***

“Está decidido”, Mestre Jacoh pensava consigo mesmo. “Assim que encontrar alguém digno, entregarei a ele a sexta lente de contato e teremos mais um Jacohranger”. O velho mentor do grupo andava em círculos pelo quartel-general, aguardando que chegasse uma boa notícia. Que alguma coincidência trouxesse até ali uma pessoa comprometida com o combate ao mal. Que o destino levasse a ele quem estava destinado a ser o sexto Jacohranger.

E então a campainha tocou.

- Eram Testemunhas de Jeová – disse Ruivão, minutos mais tarde.

E então a campainha tocou de novo.

- Mestre Jacoh, tem um cara sujo aqui que diz querer ser um herói – gritou Ruivão – Ofereço para ele aquelas sobras de carne moída da semana retrasada?

O Mestre correu até a área externa do quartel-general. Abraçou aquele jovem desconhecido sem sequer dizer uma palavra antes, ignorando totalmente o fato de que ele poderia ser um marginal que fora até ali para roubá-los.

- Entre, meu jovem! – disse Jacoh, com pressa – Chegou, enfim, o momento.

Os cinco Jacohrangers ainda sentiam muitas dores, mas já conseguiam ao menos circular pelo quartel-general. Ruivão voltava da área externa junto com Jacoh, Negão e Polaco jogavam um estranho jogo de perguntas e respostas no qual quem errava devia tomar uma bebida estranha, Japa mexia em seu celular ultra-tecnológico, e Paty tomava banho.
Não demorou a que Mestre Jacoh apresentasse João a todos eles. Um pouco depois, houve uma conversa em que todas as explicações foram feitas: as características detalhadas dos inimigos, as frases de efeito que deviam ser ditas em cada momento da batalha, os problemas com os órgãos de trânsito, que obrigavam os Jacohrangers a não usarem suas motos.

- Para me transformar eu preciso dizer, obrigatoriamente, “Hora de Jacohmbater o mal”? Não posso dizer “Vamos Change”, ou “Refração Flash”, ou “Aura Mask”? – João perguntou.
- Você deve dizer o que todos os seus colegas dizem! – Jacoh respondeu.
- Não seria melhor dizer “Henshin”? Ou então “Conversão”, ou ainda “Raio Solar”?
- Diga apenas o que seus colegas também dizem, João.

O sexto Jacohranger, de cor verde, aos poucos, ia se familiarizando com a missão dele. Sua chegada aumentava o poder de defesa de Cidadopolislândia. Mas eles mal sabiam que o Império Krar também buscava aumentar seus poderes.

***

O monstro Krorsexto estava dentro de uma “CORSA” (Câmara de Otimização e Reparo de Superpoderes Adquiridos). Repousava imerso em um líquido esverdeado, seu corpo reagindo àquela substância. Todos os músculos pareciam se fortalecer mais e mais com aquele tratamento.
Em outro local do esconderijo do Império Krar, soldados Krur trabalhavam sem parar na construção de uma nova Câmara. As criaturas albinas não faziam idéia de qual seria a utilidade daquilo, nem eram capazes de supor o que seu Imperador tinha em mente. Por isso trabalhavam em silêncio. Havia pressa no término da câmara.

- O fim dos Jacohrangers agora é apenas questão de tempo! – pensava consigo mesmo o Imperador Krar.

***

Paty saiu do banho. Uma toalha enrolava-se sobre a cabeça, protegendo aqueles longos cabelos que ainda seriam secados, escovados, hidratados, alisados, novamente hidratados, talvez pintados e certamente hidratados outra vez. Mas toalha e produtos de higiene pessoal caíram no chão com o susto.

- João! Eu não acredito! Você? Aqui? – ela disse.
- Paty! Eu não acredito! Você? Aqui? – ele também disse.

Mestre Jacoh e os demais se entreolharam sem entender. Aparentemente, aqueles dois já se conheciam.

- HAVERÁ ALGUM SEGREDO DIGNO DE NOTA NO PASSADO DE PATY QUE SÓ SERÁ REVELADO NO PRÓXIMO EPISÓDIO?
- NÃO SERIA MESMO MELHOR SE OS JACOHRANGERS SE TRANSFORMASSEM USANDO AS FRASES SUGERIDAS POR JOÃO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACHRANGERS!