Jacohrangers

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domingo, 7 de outubro de 2012

EPISÓDIO 15 - O SEXTO JACOHRANGER


EPISÓDIO 15 – O SEXTO JACOHRANGER

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- OS TERRÍVEIS INVASORES DO IMPÉRIO KRAR INTENSIFICAM SEUS ATAQUES, AO PASSO QUE OS JACOHRANGERS PARECEM CADA VEZ MAIS ENFRAQUECIDOS.
- SERÁ QUE APENAS CINCO JACOHRANGERS SERÃO SUFICIENTES PARA DETER AS AMBIÇÕES MALIGNAS DOS CRUÉIS VILÕES?

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os Jacohrangers sangravam. A batalha já havia acabado, a paz já estava restabelecida e Negão já tinha recuperado a memória, mas os heróis ainda estavam feridos. Muito feridos. Terrivelmente feridos. Mestre Jacoh, que nem havia tomado parte no confronto, ficou ferido só de ver aquilo.
Os “kits de primeiros socorros” eram modestos. Ajudavam a minimizar a dor, mas não curavam, nem aceleravam a cicatrização. A recuperação total levaria quase uma semana. E se o Império Krar atacasse naquele espaço de tempo? Mestre Jacoh começou a pensar que deveria ter construído uma “Câmara de Cura”, ao invés de gastar aquele dinheiro com pokémons de pelúcia.
Ruivão acreditava que a dor era algo meramente psicológico. Com a força de vontade oriunda do âmago mais recôndito de seu subconsciente, ele procurava sugestionar seu sistema nervoso central, induzindo-o a acreditar que nenhuma parte de seu corpo doía. Após quarenta minutos fazendo isso sem sucesso, o garoto começou a chorar em silêncio.
Negão tinha hematomas por todo o corpo. O simples ato de esticar o braço para pegar o celular e ligar para alguma linda jovem já era um esforço maior do que ele podia suportar. Acabou adormecendo. Acordou com a sensação de ter o corpo inteiro perfurado por agulhas. Quando abriu os olhos percebeu que REALMENTE estava com o corpo perfurado por agulhas – Mestre Jacoh achou que acupuntura poderia ajudar. Negão praguejou contra seu mentor, mas não teve forças para nada além disso.
Japa sonhava acordado. Em suas ilusões adolescentes, Paty vinha fazer massagens nele e acariciá-lo. No entanto, ele acordou com sua colega dizendo que ele estava babando enquanto dormia. Ele esticou o braço para se limpar e gritou de dor. Um grito agudo. Estridente. Um grito de mocinha.
Polaco gemia baixinho. Tentava perder os sentidos tomando doses inacreditáveis de vinho, vodka, whisky, cerveja, caipirinha, conhaque, pinga, chopp e diversos tipos de coquetéis. Na verdade, ele só não tomava acetona porque tiraria o esmalte dos dentes. O excesso de álcool o fez vomitar, e como ele não tinha força para levantar-se e correr para o banheiro, acabou se emporcalhando todo.
Paty soluçava de tanto chorar. A dor que sofria era muito grande, fazendo-a sentir como se seu peito tivesse sido rasgado. A tristeza estava além de todos os limites. Não por que estivesse ferida, não por que seus amigos estivessem feridos, tampouco por que a terra estava em perigo. Mas porque seu vestido novo, que ela usava por baixo do traje de combate, estava rasgado. E outro daqueles custaria muito caro.
Mestre Jacoh contemplava os cinco jovens em um estado tão lastimável e não conseguia esconder a preocupação. A única esperança de salvação do mundo residia naquele grupo.

“Pode não ser suficiente”, ele pensava.

***

Era um jovem fétido. Bem-intencionado, dedicado e valente. Mas mal-cheiroso ao extremo. Pouco mais que um mendigo, e talvez nem isso, chamava-se João da Silva. Tinha dezoito anos, vestia roupas rasgadas, amassadas, esburacadas, sujas de lama e fezes de cachorro. O cabelo era um amontoado de fios oleosos que desconheciam a água.
Nas mãos, ele tinha um livro repleto de figuras de heróis coloridos. Chamava-se: “Tokusatsus: tudo que você queria saber, mas não podia perguntar porque seus colegas ririam de você”. João folheava o tomo com gosto, absorvendo aquele conteúdo como se sua vida dependesse daquilo. Lia sentado em uma das muitas calçadas de uma das muitas vielas de um dos muitos bairros de uma das muitas cidades vizinhas a Cidadopolislândia. Mas após uma leitura demorada de algumas dezenas de páginas, levantou-se decidido.
Semanas atrás, havia tentando conversar com o grupo de desmiolados que atendiam pelo nome de Jacohrangers. Os heróis o ouviram, mas não quiseram aceitá-lo como membro do grupo. João se revoltou e decidiu se preparar ainda mais. Sua intenção era que o tempo se encarregasse de mostrar que ele poderia ser um bom defensor da justiça.
Mas como parecia que ia chover, e João não tinha um lugar coberto para dormir, decidiu antecipar tudo e tentar entrar para os Jacohrangers de uma vez. E partiu rumo ao quartel-general dos heróis.

***

“Está decidido”, Mestre Jacoh pensava consigo mesmo. “Assim que encontrar alguém digno, entregarei a ele a sexta lente de contato e teremos mais um Jacohranger”. O velho mentor do grupo andava em círculos pelo quartel-general, aguardando que chegasse uma boa notícia. Que alguma coincidência trouxesse até ali uma pessoa comprometida com o combate ao mal. Que o destino levasse a ele quem estava destinado a ser o sexto Jacohranger.

E então a campainha tocou.

- Eram Testemunhas de Jeová – disse Ruivão, minutos mais tarde.

E então a campainha tocou de novo.

- Mestre Jacoh, tem um cara sujo aqui que diz querer ser um herói – gritou Ruivão – Ofereço para ele aquelas sobras de carne moída da semana retrasada?

O Mestre correu até a área externa do quartel-general. Abraçou aquele jovem desconhecido sem sequer dizer uma palavra antes, ignorando totalmente o fato de que ele poderia ser um marginal que fora até ali para roubá-los.

- Entre, meu jovem! – disse Jacoh, com pressa – Chegou, enfim, o momento.

Os cinco Jacohrangers ainda sentiam muitas dores, mas já conseguiam ao menos circular pelo quartel-general. Ruivão voltava da área externa junto com Jacoh, Negão e Polaco jogavam um estranho jogo de perguntas e respostas no qual quem errava devia tomar uma bebida estranha, Japa mexia em seu celular ultra-tecnológico, e Paty tomava banho.
Não demorou a que Mestre Jacoh apresentasse João a todos eles. Um pouco depois, houve uma conversa em que todas as explicações foram feitas: as características detalhadas dos inimigos, as frases de efeito que deviam ser ditas em cada momento da batalha, os problemas com os órgãos de trânsito, que obrigavam os Jacohrangers a não usarem suas motos.

- Para me transformar eu preciso dizer, obrigatoriamente, “Hora de Jacohmbater o mal”? Não posso dizer “Vamos Change”, ou “Refração Flash”, ou “Aura Mask”? – João perguntou.
- Você deve dizer o que todos os seus colegas dizem! – Jacoh respondeu.
- Não seria melhor dizer “Henshin”? Ou então “Conversão”, ou ainda “Raio Solar”?
- Diga apenas o que seus colegas também dizem, João.

O sexto Jacohranger, de cor verde, aos poucos, ia se familiarizando com a missão dele. Sua chegada aumentava o poder de defesa de Cidadopolislândia. Mas eles mal sabiam que o Império Krar também buscava aumentar seus poderes.

***

O monstro Krorsexto estava dentro de uma “CORSA” (Câmara de Otimização e Reparo de Superpoderes Adquiridos). Repousava imerso em um líquido esverdeado, seu corpo reagindo àquela substância. Todos os músculos pareciam se fortalecer mais e mais com aquele tratamento.
Em outro local do esconderijo do Império Krar, soldados Krur trabalhavam sem parar na construção de uma nova Câmara. As criaturas albinas não faziam idéia de qual seria a utilidade daquilo, nem eram capazes de supor o que seu Imperador tinha em mente. Por isso trabalhavam em silêncio. Havia pressa no término da câmara.

- O fim dos Jacohrangers agora é apenas questão de tempo! – pensava consigo mesmo o Imperador Krar.

***

Paty saiu do banho. Uma toalha enrolava-se sobre a cabeça, protegendo aqueles longos cabelos que ainda seriam secados, escovados, hidratados, alisados, novamente hidratados, talvez pintados e certamente hidratados outra vez. Mas toalha e produtos de higiene pessoal caíram no chão com o susto.

- João! Eu não acredito! Você? Aqui? – ela disse.
- Paty! Eu não acredito! Você? Aqui? – ele também disse.

Mestre Jacoh e os demais se entreolharam sem entender. Aparentemente, aqueles dois já se conheciam.

- HAVERÁ ALGUM SEGREDO DIGNO DE NOTA NO PASSADO DE PATY QUE SÓ SERÁ REVELADO NO PRÓXIMO EPISÓDIO?
- NÃO SERIA MESMO MELHOR SE OS JACOHRANGERS SE TRANSFORMASSEM USANDO AS FRASES SUGERIDAS POR JOÃO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACHRANGERS!  

2 comentários:

  1. Ui! Paty já o conhece? Huhuhu... Agora eu quero ver XD

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  2. Esse final ficou digno de um folhetim romântico, não? Adorei :D

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