Jacohrangers

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domingo, 25 de novembro de 2012

EPISÓDIO 22 - QUEM VAI MORRER? KRER OU JACOHRANGERS?


EPISÓDIO 22 – QUEM VAI MORRER? KRER OU OS JACOHRANGERS?

- O USO DOS TRAJES DE COMBATE FAZ OS JACOHRANGERS TEREM SEU DNA ALTERADO, NÃO PODENDO MAIS PERMANECER NA TERRA POR MUITO TEMPO.
- UM EPISÓDIO EXTREMAMENTE IMPORTANTE DOS JACOHRANGERS ESTÁ AGENDADO PARA A SEMANA DO NATAL, ÉPOCA NA QUAL OS FÃS ESTARÃO OCUPADOS COM OUTRAS COISAS.

O QUE IRÁ ACONTECER?

- Ruivão! Você é devoto de São Rodrigo, o protetor de todo mendigo. Peça a ele que nos envie uma luz!

Com aquelas palavras de desespero, Negão quebrou o silêncio. Os seis heróis e seu mestre estavam reunidos em uma das salas do quartel-general. João e Japa comiam pizzas, Polaco brincava com as azeitonas e Paty revirava gavetas a procura de acetona. Só o Mestre Jacoh, Ruivão e Negão davam importância ao problema.

- O que são nove dias comparados à grandeza da eternidade? – o Jacohranger vermelho perguntou.
- Fico pensando o que aconteceria se alguém do Império Krar descobrisse o que está acontecendo – disse Negão.
- Provavelmente, eles ficariam escondidos por dez dias e só depois de vocês partirem é que eles atacariam a terra – disse o Mestre Jacoh, suspirando de preocupação – Talvez devêssemos fazer todo o possível para localizar a base secreta inimiga e lançar um ataque decisivo o quanto antes.
- Quanto antes os destruirmos, mais tempo sobrará para sairmos com lindas mulheres. Inclusive, tenho conversado com uma loira ultimamente... Acho que vou levá-la para o planeta Jacoh!
- Quanto antes destruirmos o Império Krar, mais tempo sobrará para refletirmos sobre os caminhos da vida, a frivolidade da filosofia quando não aplicada e os motivos que levam um povo a dar a seu planeta o nome de “Jacoh” – falou Ruivão.
- Existe um planeta chamado “Jacoh”? – Polaco se intrometeu, ligeiramente embriagado – Esse universo é uma droga mesmo!
- Será que o celular ultra-tecnológico do Japa não tem a função “alterar a DNA de heróis, possibilitando que eles permaneçam em seu planeta”? – João perguntou, surgindo do nada.
- Acho difícil! – Negão respondeu.

Os heróis seguiram conversando por mais algumas horas. Acabaram mudando de assunto e discutindo a alta do dólar, a alta do euro, a alta do ien e a alta do preço do Kinder Ovo.
Amanheceu e todos foram acordados pelo alarme. Os seis heróis e seu mestre chegaram à sala principal aos tropeções. Todos usavam pijamas, alguns listrados, uns com bolinhas e ainda uns com estampas de bichinhos.

- Quem ousa interromper meu sono de beleza? – Paty vociferou em meio a dois ou três bocejos.

O monitor principal mostrava a imagem do desagradável e insistente General Krer. Acompanhado de meia dúzia de soldados Krur, ele apontava uma arma que parecia poderosa para os pilares de sustentação da grande represa de Cidadopolislândia.

- Que sujeitinho mais insistente! – gritou Paty – Essa é a quadragésima sétima vez que ele nos desafia! Quantas vezes mais ele vai querer apanhar?
- Não sabia que tínhamos uma represa na cidade – comentou João.
- E não temos! – respondeu Negão – Parece que esse general passou as últimas horas construindo uma represa e enchendo-a de água para depois nos ameaçar.
- Por isso os soldados Krur estão segurando aqueles baldes? – era Japa.
- Dá tempo de tomar uma cerveja antes de irmos para a batalha? – perguntou Polaco.

E então a voz terrível e assustadora do maligno general se fez ouvir.

- Jacohrangers! Espero que possam me ouvir! Estou prestes a destruir esta grande e recém-construída represa, o que deixará sua preciosa cidade debaixo d’água. Eu os desafio a me deterem, se puderem. Mas venham preparados, pois essa será a batalha final. Não pararemos de lutar até eu ou vocês morrerem.

O monitor se encheu de chuviscos e a transmissão se encerrou. Mesmo bocejando, se espreguiçando e esfregando os olhos com freqüência, os seis defensores da justiça revoltaram-se com aquela covardia.

- Miserável! Derrotaremos você e usaremos sua represa como uma piscina! – gritou João.
- Mas e se toda aquela água inundar Cidadopolislândia? – perguntou Mestre Jacoh.
- Podemos secá-la com uma toalha! – Ruivão respondeu – Ou colocá-la dentro de algum tipo de centrífuga gigante. Ou ainda secá-la pegando emprestado o secador de cabelos da Paty.

Mestre Jacoh balançou a cabeça em sinal de desânimo.

- Hora de Jacohmbater o mal! – gritaram todos ao mesmo tempo.

***

O herói vermelho e o verde tomaram a dianteira, trocando socos e chutes com o inimigo. Krer revidava com joelhadas e cotoveladas, protegia-se com movimentos evasivos velozes e contra-atacava sempre que podia. Golpes foram desferidos por todos os lados, em um violento combate que parecia ter o equilíbrio como principal característica.
O Jacohranger azul, o amarelo, a rosa e o preto agrediam os soldados Krur. As criaturas caíam sem vida após poucos ataques, não representando ameaça aos heróis. Os quatro correram em direção à nova represa e notaram que ela estava realmente cheia. E fosse destruída, uma quantidade monstruosa de água avançaria sobre Cidadopolislândia. Seria uma tragédia!
Logo, todos os Krur foram derrotados, possibilitando que todos fossem ajudar Ruivão e João na batalha contra Krer. O general maligno parecia começar a levar vantagem, pois passava a usar armas poderosas. Um estranho e diminuto canhão sobre seus ombros disparava poderosa energia explosiva. Uma pistola dourada lançava lasers altamente destrutivos. Até flechas envenenadas eram arremessadas por Krer.

- Vocês podem até me derrotar, Jacohrangers! Mas não sem antes eu levar um de vocês comigo para o inferno!

Os Jacohrangers sacaram suas armas, posicionaram-se e trataram de reagir. Espada, escudo, bastão e um verdadeiro arsenal de outras armas (algumas improvisadas, tais como pedras, pedaços de madeira, hidrantes, pedaços de sabonete encontrados no chão...) foram usados ao mesmo tempo. O General Krer recuava e se enfraquecia a cada golpe, mas também feria quem o atacava.
Passou-se muito tempo. Os Jacohrangers resfolegavam, cuspiam sangue, manquitolavam. General Krer mantinha-se em pé a muito custo, tinha a visão embaçada pelo sangue que escorria farto de seus supercílios. Os sete lutadores sorriam o sorriso dos guerreiros. Só um lado sairia vencedor, mas todos terminariam a batalha com a sensação de terem lutado até seus limites.
O general inimigo canalizou energia em sua arma e preparou seu último trunfo, o “Super Ultra Mega Raio Krerzístico”. Os Jacohrangers já se posicionavam para usarem sua “bazuca sem nome”. Antes dos disparos, cada um olhou para seu(s) inimigo(s). Olhares de respeito e admiração. Alguém morreria naquela batalha, mas quem quer que fosse, morreria lutando.

- Bazuca sem nome! – seis vozes gritaram em uníssono.
- Super Ultra Mega Raio Krerzístico! – bradou a voz do invasor.

As energias colidiram em pleno ar e mediram forças, espalhando faíscas e dispersando raios minúsculos para todos os lados. Transeuntes que observavam de muito longe corriam, enquanto alguns gritavam bobagens sobre as pernas da Jacohranger rosa. Uns poucos incentivavam os heróis. Mas tudo que era dito não podia ser ouvido, pois o som das energias se chocando e tentando uma sobrepujar a outra dominava o ambiente.
Quando o equilíbrio parecia total, e a força de vontade se mostrava o fator que decidiria quem venceria, os seis Jacohrangers se lembraram. Uma mórbida contagem regressiva tinha se iniciado. Tinham aproximadamente oito dias, vinte e duas horas, quatorze minutos e dezessete segundos apenas para ficar na Terra. Não podiam perder: nem a batalha, nem tempo.
Das forças de vontade insuperáveis dos seis guerreiros, surgiu o milagre. A energia da “bazuca sem nome” aumentou e aumentou, empurrando cada vez mais o ataque inimigo. Até que o General Krer não resistiu e recebeu toda aquela poderosa onda destrutiva diretamente em si.
Explosão violenta e um grito de horror. Nada mais se ouviu. Os Jacohrangers se permitiram um minuto de descanso, sem dizer nada, sem a pergunta óbvia “Será que ele morreu?”, sem comemorarem. Olharam para a represa. Estava intacta e cheia. Cidadopolislândia estava salva e prevenida em caso de seca.

General Krer tinha sido destruído.

- EXISTIRÁ REALMENTE UM PLANETA CHAMADO “JACOH”?
- SERÁ SÃO RODRIGO, PROTETOR DE TODO MENDIGO, CAPAZ DE AUXILIAR DE ALGUMA FORMA OS JACOHRANGERS EM SUA DELICADA SITUAÇÃO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!                    

domingo, 18 de novembro de 2012

EPISÓDIO 21 - GRANDE REVELAÇÃO! OS SEIS JACOHRANGERS LUTAM JUNTOS


EPISÓDIO 21 – GRANDE REVELAÇÃO! OS SEIS JACOHRANGERS LUTAM JUNTOS!

NO CAPÍTULO ANTERIOR DOS JACOHRANGERS:

- JAPA É OBRIGADO A SE FINGIR DE MORTO CENTENAS DE VEZES PARA ESCAPAR DE SEUS INIMIGOS.
- FINALMENTE VEM À TONA A CONSTRANGEDORA HISTÓRIA QUE RELATA QUE, NO CARNAVAL PASSADO, MESTRE JACOH SE VESTIU DE MULHER (E, POR ALGUMAS HORAS, PASSOU A SE CHAMAR JACOHZILDA).

O QUE IRÁ ACONTECER?

Mestre Jacoh acompanhava pelos monitores do quartel-general o confronto entre os Jacohrangers e o General Krer. Independentemente do resultado do confronto, os seis heróis estavam novamente juntos, tornando aquilo uma ótima oportunidade para que finalmente fosse feita a grande revelação.
“Não será perigoso revelar algo tão importante na frente de um vilão? Mas e se os Jacohrangers forem derrotados? A informação que tenho para lhes passar pode fazer toda a diferença”. Mestre Jacoh se remoia de dúvida, indecisão, insegurança, hesitação e covardia. Decidiu então fazer uso de suas habilidades nunca antes reveladas de telepatia. Ele abriria um canal de comunicação diretamente com a mente de Ruivão, possibilitando que ambos conversassem livremente.
Ruivão era o líder do grupo, aquele que sempre tinha algo inteligente a dizer, alguma consideração sensata a fazer, algum conselho sábio a oferecer. Certamente ele saberia dizer qual o caminho certo a seguir.

“Ruivão, sou eu. O Mestre Jacoh. Estou usando minhas habilidades extra-psíquicas-sensoriais-telepáticas para que possamos nos comunicar”.
“Que legal, mestre! Um dia o senhor me ensina a fazer isso?”.
“Talvez. Agora preste atenção: tenho algo importantíssimo a contar para vocês, algo que não pode esperar. Mas sei que vocês estão no meio de uma batalha, por isso quero sua opinião: eu devo ir até aí?”.
“Se o senhor vier, depois terá que voltar. Por que não volta primeiro, para depois vir? Assim não terá que voltar quando chegar aqui”.

Mestre Jacoh encerrou a comunicação telepática e emitiu um suspiro de desânimo.

***

- Hora de Jacohmbater o mal!

O seis heróis estavam novamente transformados. Resfolegavam e gemiam baixinho pela dor de seus ferimentos, mas ao menos estavam unidos outra vez. Como uma equipe. E não pretendiam perder.

- Chegou a hora de acabar com você, General Mulher! – bradou Ruivão.
- Krer! Meu nome é Krer!
- Seu nome não é o mais importante! O fato é que separados somos fortes. Juntos somos os JACOHRANGERS!

O vermelho, o azul e o verde partiram sem piedade para cima do inimigo. Atacaram com seus punhos, suas pernas, suas armas, seu ódio, mas, sobretudo, atacaram com seus corações. O General Krer respondeu à altura, com golpes ferozes e velozes. O som das armas rasgando os trajes metálicos tomou de assalto o ambiente.
O preto, o amarelo e a rosa também tomaram parte no confronto, usando igualmente o ódio em seus corações como arma. Aos poucos, o inimigo foi se ferindo mais e mais, até cair ensangüentado no chão.

- Agora que somos seis, poderemos usar a “bazuca sem nome” com um poder de destruição muito maior! – gritou o Jacohranger preto.
- Ainda não fui completamente derrotado – o General respondeu – Tenho como último recurso meu mais poderoso ataque: o Super Raio Krerzístico!
 - Na verdade, lembro de você ter comentado que o monstro Kroroitavo está em algum lugar da cidade espalhando uma doença – disse o herói que trajava verde – Acho que deveríamos deixar você falando sozinho e ir combater a vil criatura que ameaça a paz em nossa cidade.
- Boa idéia! – gritaram juntos todos os demais.

E todos correram até um local de onde vinha uma grande gritaria, sem dar importância ao general maligno, que sumiu prometendo voltar para se vingar. Dez minutos depois, os Jacohrangers encontraram um rastro de pessoas desmaiadas sobre as calçadas, com os rostos com manchas esverdeadas e cuspindo sangue.

- São vítimas do monstro! – gritou o Jacohranger amarelo.
- Não podemos deixar de atribuir parte da culpa ao insatisfatório sistema público de saúde de nossa cidade – acrescentou o vermelho.
- Mas onde está o monstro? – perguntou o azul.
- Ali! – gritou a rosa, apontando para uma esquina longínqua onde caminhava uma terrível criatura.

Kroroitavo tem formato humanóide, mas seu corpo era revestido por uma estranha sobreposição de placas feitas de algum tipo de metal super resistente. Na mão ele tinha uma espada. No pé, um tridente, mas logo o chutou para não tropeçar pela quinta vez. A criatura urrava algo incompreensível, como que desafiando os heróis a derrotá-lo.
Os Jacohrangers avançaram até onde o monstro se encontrava e urraram em resposta. Ainda feridos, ainda cansados, mas confiantes. Antes que o confronto de fato se iniciasse, o herói de armadura preta tomou uma estranha iniciativa.
  
- Golpe de vista! – gritou ele.

Um estranho raio saiu de seus olhos, explodindo contra o peito do monstro.

- Sai um golpe das minhas vistas, por isso eu decidi chamar de “golpe de vista”! – ele explicou.

Os demais Jacohrangers perceberam que também tinham a mesma capacidade e desferiram os raios também, apenas alterando o nome de cada golpe. Ruivão chamou o seu de “Ataque da córnea assassina”, Japa de “Raio dos olhinhos puxados”, João de “Energia vesga”, Polaco de “Veja isso!” e Paty de “Olhar fatal de poder ampliado pelo delineador cuidadosamente escolhido”.
Kroroitavo caiu. Cuspia uma gosma esverdeada, com a qual contaminava suas vítimas. Levantou-se com muito esforço, mas ficava claro que não podia vencer os Jacohrangers quando seus seis integrantes lutavam juntos. Era uma questão de tempo para que fosse derrotado.

- Bazuca sem nome! – todos gritaram.

Uma gigantesca quantidade de energia explodiu o monstro em doze mil, quinhentos e quarenta e dois pedacinhos. Antes que os seis heróis vibrassem com seu triunfo, ouviram uma voz maligna e imponente que declarava que a batalha ainda não tinha sido vencida.

- Raio agigantador!

E Kroroitavo foi revivido, adquirindo a altura de aproximadamente cinqüenta e três metros, oitenta e quatro centímetros e nove milímetros. A criatura voltou a urrar, e chutou meia dúzia de carros que estavam estacionados em vagas destinadas a portadores de deficiência. Antes que pudesse fazer mais que isso, o Gigante Guerreiro Jacohlossal surgiu.

- Míssil Jacohlossal! – os seis gritaram.

Kroroitavo foi atingido. Cada vez que o monstro tentava se aproximar, a fim de ter uma batalha “corpo-a-corpo”, os Jacohrangers lançavam algum ataque à distância. E assim, a criatura foi sendo mais e mais enfraquecida. O Gigante Guerreiro Jacohlossal revelou até a existência de um golpe até então inédito: o “Raio Visual Muito Legal Jacohlossal”.
Quando Kroroitavo cambaleava, muito próximo do fim, os seis Jacohrangers bradaram em uníssono a frase que impelia seu robô gigante a desferir o golpe final.

- Golpe Fatal Final Jacohlossal!

O monstro maligno foi destruído. Todos abandonaram o robô, destransformaram-se e vibraram. Polaco e Negão dividiram uma garrafa de vodka, Paty retocou a maquiagem, João e Japa conversaram sobre as novas técnicas de batalha e Ruivão começou a ler seu livro de bolso intitulado “A proliferação de verborragia improdutiva: como evitá-la?”.
Então, Mestre Jacoh chegou até eles.

- Vejo que venceram, meus amigos. No entanto, tenho uma notícia ruim e uma péssima para lhes dar. A notícia ruim é que o uso dos trajes de Jacohrangers alterou o DNA de vocês, tornando-os incapazes de permanecerem na terra por muito tempo. Vocês têm um prazo de vinte e quatro dias para derrotarem o Império Krar e saírem do planeta.
- Essa é a notícia ruim – disse João – Qual é a péssima?
- Estou tentando criar coragem para dizer isso para vocês há quinze dias. O que significa que vocês só podem ficar na terra por mais nove dias.

- SERÃO NOVE DIAS SUFICIENTES PARA QUE OS JACOHRANGERS DESPEÇAM-SE DAS PESSOAS QUE AMAM, REALIZEM SEUS SONHOS, E DERROTEM O IMPÉRIO KRAR?
- CONSEGUIRÁ RUIVÃO CONTER A PROLIFERAÇÃO DA VERBORRAGIA IMPRODUTIVA EM TÃO POUCO TEMPO?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS!

domingo, 11 de novembro de 2012

EPISÓDIO 20 - O ATAQUE OFENSIVO DO GENERAL KRER


EPISÓDIO 20 – O ATAQUE OFENSIVO DO GENERAL KRER

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O USO DE UMA BAZUCA IMPROVISADA, SOMADO À DESATENÇÃO DOS VILÕES QUANTO AO HORÁRIO DE VERÃO, IMPEDE QUE CRIANÇAS INOCENTES PADEÇAM.
- JAPA SE VÊ OBRIGADO A RECORRER A TRUQUES INFANTILÓIDES PARA SOBREVIVER, MAS, AO MENOS, AUMENTA SEUS PODERES.

O QUE IRÁ ACONTECER?

A música estava no último volume. A letra dizia “Lua de cristal, que me faz sonhar. Faz de mim estrela, que eu já sei brilhar”. Mestre Jacoh cantava, pulava, gesticulava, dançava e improvisava um microfone com um frasco de desodorante vencido, mas tudo acabou quando ele tropeçou em um fio e o aparelho se desconectou da tomada.
O sábio mestre se recompôs e começou a ajeitar as almofadas jogadas pelo chão. Foi até a janela e reparou que a filha de um dos vizinhos (uma linda garotinha de oito anos) havia visto tudo o que ele fizera nos últimos minutos. Constrangido, fechou rapidamente as persianas. Em meio à arrumação do quarto, assuntos sérios começaram a povoar seus pensamentos.

- As últimas batalhas têm sido muito difíceis. O inimigo está cada vez mais violento e as lutas estão cada vez mais freqüentes. Ainda não encontrei tempo para ter “aquela” conversa com os Jacohrangers. Será que conseguirei fazer isso ainda hoje, quando eles voltarem?

Por algum motivo, era difícil não ter um mau pressentimento sobre tudo aquilo.

***

Japa caminhava. Seu destino era o quartel-general dos Jacohrangers, onde iria rever seus amigos, ajudá-los a combater o mal e tentar roubar Paty de João. Desculpar-se-ia com eles, se fosse o caso, mas finalmente deixaria de ser atacado sem ter ninguém para ajudá-lo a lutar.
O grande desafio era chegar até lá vivo. Soldados Krur o viram e começaram a perseguí-lo. Eram poucos, apenas cinco, mas suficientes para derrotá-lo, levando em conta seu cansaço, fraqueza, indisposição e estado físico. Ainda sentia as dores dos recentes golpes recebidos. Não estava em condições de lutar.
A perseguição era terrível. Japa não conseguia correr tanto quanto as circunstâncias exigiam mesmo estando transformado. Sabia que mais cedo ou mais tarde seria alcançado e que o combate era quase que inevitável. Não teria forças para lutar e seria morto. Não chegaria ao quartel-general a tempo de mostrar seu valor. Não reveria seus amigos, não conquistaria o coração de Paty, não poderia testar algumas funcionalidades recém-descobertas de seu celular ultra-tecnológico.
Quando estava prestes a ser alcançado, o Jacohranger azul se atirou ao chão e gritou “Morri de novo!”. Ficou alguns minutos imóveis e contou com a credulidade vergonhosa dos soldados Krur. As estúpidas criaturas invasoras acreditaram e se afastaram dele, voltando ao quartel-general do Império Krar.
Só mais tarde é que Japa pôde levantar-se sem medo de ser descoberto pelos inimigos. Seguiu então sua marcha incansável.

***

Os Jacohrangers repousavam em seu quartel-general. Os minúsculos recursos que tinham para curar ferimentos estavam sendo fartamente empregados. Todos se encontravam exaustos, feridos, enfraquecidos, suados, fedidos, febris, mal-vestidos, mal-humorados, despenteados e exalando cheiro de excremento.
Enquanto contemplava a recuperação lenta de seus pupilos, Mestre Jacoh tentava criar coragem para dizer-lhes algumas verdades que eles tinham direito de saber. Verdades que não podiam mais ser escondidas.

- Pessoal, é o seguinte – o mestre começou – Preciso que me ouçam com atenção, pois tenho algo importantíssimo a lhes contar.
- Tem algo a ver com os pôsteres novos de cantoras seminuas que o senhor colou na parte interna da porta de seu guarda-roupa? – perguntou Ruivão.
- Tem algo a ver com as estranhas manchas que encontramos em seus lençóis após o senhor ter assistido filmes eróticos na noite retrasada? – questionou Negão.
- Ou, quem sabe, algo a ver com aquelas suas fotos do carnaval passado que encontramos, nas quais o senhor estava vestido de mulher? – sugeriu Paty.
- Ou o senhor quer nos perguntar se já chegou pelos correios a confirmação de sua inscrição para o campeonato de cosplay dos Ursinhos Carinhosos? – era Polaco.
- Ou o senhor quer nos revelar que por usarmos os trajes de Jacohrangers, só poderemos continuar na terra por um curto período de tempo e, depois disso, teremos que ir para o seu planeta de origem, o planeta Jacoh? – disse João.

Antes que o mestre respondesse, o alarme soou.

- Mexam-se, inúteis! Mexam-se!

Uma transmissão do General Krer invadiu os monitores, desafiando os Jacohrangers para um confronto em uma das praças principais de Cidadopolislândia. Havia algo diferente na aparência do inimigo: parecia mais violento, mais bestial. Não havia dúvidas: ele estava muito mais forte que nos confrontos anteriores.

- Hora de Jacohmbater o mal! – todos bradaram.

***

General Krer estava sozinho. Não tinha com ele os desagradáveis soldados Krur, nem nenhum monstro. O outro general, Krir, também não estava lá. Aparentemente, ele lutaria realmente sozinho. Tinha nos lábios disformes e sujos de baba um sorriso de confiança.

- Bem-vindos, Jacohrangers! Escolhi esse lugar com muito carinho, porque aqui será o túmulo de vocês!
- Ficamos agradecidos por se preocupar com isso – disse Ruivão – Mas acredito que Negão já tenha plano funeral. Além disso, você nem sabe quando morreremos.
- Ruivão, ele quis dizer que vai nos matar aqui e agora – esclareceu Paty.

Antes que o Jacohranger vermelho expressasse sua surpresa, o general maligno avançou velozmente e desferiu um violento soco. O líder dos heróis foi arremessado a metros de distância. Os demais defensores da justiça invocaram suas armas e prepararam-se.
O amarelo atacou, atacou e atacou, sempre encontrando defesa na nova espada do general invasor. Polaco recebeu alguns contra-ataques, mas não chegou a se ferir gravemente. A heroína que vestia rosa disparou seus projéteis, dos quais Krer se desviou sem grande esforço. O Jacohranger verde e o preto tentaram um ataque combinado. Feriram um pouco seu inimigo, mas foram muito mais golpeados pelas investidas dele.
O Jacohranger vermelho e o General maligno brandiram suas espadas. O aço das lâminas quebrou o silêncio. Ambos mesclavam ataque e defesa em manobras ousadas e violentas, mesclando socos, chutes e cusparadas às investidas com as armas. A força de ambos parecia equivalente, até que Krer parou de usar a mão esquerda para coçar o queixo. Cinco segundos depois, Ruivão estava no chão agonizando.

- Como vêem, é impossível me vencer! Impossível!

E mais ataques velozes vieram, ferindo mais e mais os já enfraquecidos heróis.

- Sua ridícula bazuca improvisada não me vencerá, por isso nem pensem em usá-la.

   Os cinco Jacohrangers improvisaram uma formação de semicírculo e atacaram com uma coreografia que nunca haviam ensaiado. Até conseguiram ferir um pouco o General Krer, mas não o bastante. E logo veio o contra-ataque dele. Violentos raios saíram da lâmina da espada dele, gerando uma grande explosão.
Quando a poeira baixou, os Jacohrangers se encontravam prestes a perder os sentidos, no chão, destransformados. O poder das lentes de contato multicoloridas não resistiu aos ferimentos intensos. Parecia ser o fim. Mas, antes disso, o General Krer decidiu se vangloriar.

- Miseráveis! Por muito tempo vocês atrapalharam os planos de conquista do grande Império Krar. Mas agora, eu os derrotei, sem grande esforço. Enquanto isso, saibam que o monstro Kroroitavo, portador de uma terrível peste, está em algum lugar dessa cidade suja, contaminando os seres humanos. Assim, após o fim de vocês, teremos também o fim de toda a vida na terra.
- Temos que fazer alguma coisa. De preferência, mais do que apenas ficar aqui agonizando e esperando por um milagre! – murmurou o Jacohranger verde.

General Krer aproximava-se dos heróis caídos para desferir o golpe final, quando ouviu passos. E uma voz decidida.

- Não se aproxime de meus amigos. É comigo que você vai lutar!

Era Japa, o Jacohranger azul.

- Ora, ora. Parece que os seis Jacohrangers finalmente estão reunidos novamente. Pois aproveitarei para mandar todos juntos para o inferno.

- PELA MILIONÉSIMA VEZ, OS JACOHRANGERS ESTÃO ENFRAQUECIDOS E PRESTES A SEREM DERROTADOS!
- AFINAL, O QUE O MESTRE JACOH TEM PARA REVELAR E QUAL O IMPACTO QUE ISSO TERÁ PARA OS HERÓIS?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

domingo, 4 de novembro de 2012

EPISÓDIO 19 - COVARDIA! JAPA É ATACADO!



EPISÓDIO 19 – COVARDIA! JAPA É ATACADO!

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- SEM JAPA, SÓ RESTA AOS DEMAIS JACOHRANGERS CONFIAR EM ALGUMA IDÉIA MALUCA QUE POSSA TER SURGIDO NA MENTE NÃO MUITO CONFIÁVEL DE JOÃO!
- O IMPERADOR KRAR REVELA-SE UM GRANDE ESTRATEGISTA, TRAÇANDO VÁRIOS PLANOS DE CONTINGÊNCIA E ATACANDO EM VÁRIAS FRONTES!

O QUE IRÁ ACONTECER?

Cabisbaixo, mas decidido a se fortalecer, caminhava Japa. Estava na divisa de Cidadopolislândia com Vizinhalândia, a cidade adjacente. Sabia que não podia se deixar abater e também sabia que quando voltasse, seus amigos o olhariam com pena. Afinal, tinha feito o papel do coitadinho patético, rejeitado, desprezado e sem valor. O lado mais constrangedoramente fraco do pentágono amoroso.
A primeira opção que lhe surgiu foi procurar mestres de artes marciais. Retornar mais poderoso a seus amigos, com espantosas habilidades recém-adquiridas, seria algo muito impressionante. Se Paty não passasse a vê-lo com outros olhos, ao menos Japa seria forte o bastante para agredir aqueles que tinham o amor dela.
No entanto, em um raio de cento e quarenta e nove quilômetros não havia ninguém que sequer soubesse segurar um garfo, que dirá uma arma. Toda a periferia de Cidadopolislândia era desprovida de grandes guerreiros e lotada de mendigos, pedintes, drogados, prostitutas e pseudofilósofos birutas – alguns deles lembravam muito Ruivão. Japa percorreu um trecho extenso sem encontrar nada que fizesse sua jornada valer a pena.
Outra possibilidade seria ele treinar por conta própria. Procurar aprimorar suas habilidades, descobrir novas técnicas de batalha, fortalecer seu corpo e espírito. Ou, no mínimo, mentir a seus amigos que tinha feito tudo aquilo. Aproveitando a ausência de pessoas lúcidas e sóbrias nos arredores, o Jacohranger azul estudou novos usos para sua arma. Ensaiou novos golpes. Forçou seus reflexos ao máximo, até que eles melhorassem tanto quanto possível. E viu um brilho diferenciado em sua lente de contato azulada.
Definitivamente, ele estava muito mais poderoso. Algo muito conveniente naquele momento, pois logo ele ouviu passos. E depois mais passos, espirros, gritos, tropeções, mais passos e o som de armas enferrujadas sendo sacadas. Eram soldados Krur. Doze deles, olhando desafiadoramente na direção de Japa.

- Hora de Jacohmbater o mal!

E o ataque covarde começou.

***

O Jacohranger azul tinha a nítida sensação de estar mais poderoso. Sentia seu corpo mais leve, seus ataques mais efetivos, sua armadura de batalha mais resistente, sua arma com mais alternativas de golpes, seu pés mais firmes no chão, sua vontade de mijar cada vez mais ausente, seus olhos com cada vez menos ramela, seu estômago liberando cada vez menos gases, suas meias cada vez menos mal-cheirosas, seu cabelo mais perfumado e sua lábia na hora de seduzir uma garota ampliada.
Apesar disso, seus adversários eram muitos e também tinham ficado muito mais poderosos. Lâminas enferrujadas rasgavam o ar em velocidade impressionante, encontrando defesa na arma do Jacohranger azul, ou às vezes sendo esquivadas por ele. Uma ou outra acabava atingindo o herói, que ainda assim resistia bravamente.
Sentindo que a inferioridade numérica poderia lhe custar a vitória Japa pôs-se a lutar com todas as suas forças. Desferia os socos mais potentes, desviava-se das ofensivas inimigas tão rápido quanto podia, contra-atacava sem piedade, golpeava ao mesmo tempo o máximo de adversários possível.
Quatro jaziam no chão, vítimas dos novos poderes do Jacohranger azul, mas ainda restavam oito. E Japa já estava bastante ferido. Mesmo que triunfasse sobre os adversários restantes, quem poderia garantir que não surgiriam outros antes que ele se unisse a seus amigos?

***

Faltava um minuto e vinte e sete segundos.

Seguindo as orientações do Jacohranger verde, os demais heróis ergueram seus visores e tiraram suas lentes de contato. Concentraram toda a energia que ainda emanava delas em suas mãos. Uniram as cinco energias e apontaram-na em direção ao monstro Krorsétimo.

- Bazuca substituta improvisada! – gritaram todos.

O poder disparado no monstro o feriu gravemente, levando-o ao chão com violência. Ele ainda não estava totalmente destruído, mas não se encontrava em condições de continuar combatendo. Restavam apenas trinta e nove segundos antes que a bomba explodisse, ceifando as vidas de algumas crianças inocentes.
O Jacohranger vermelho tomou a dianteira e correu em direção ao imenso galpão onde os reféns eram mantidos prisioneiros. Estava próximo à entrada principal, quando tropeçou bisonhamente em seus próprios pés e caiu de boca no chão. Recompôs-se, ligeiramente constrangido, e voltou a correr.
Quando ele adentrou sozinho o local, o tempo chegava impiedosamente ao fim.

***

- Parece que os vilões ajustaram o relógio do detonador da bomba sem levar em conta que já entramos no horário de verão – sorriu Ruivão, acariciando as bochechas de uma garotinha de três anos – Quando eu desativei o mecanismo ainda faltavam cinqüenta e quatro minutos para a explosão.
- Ruivão, eu ouvi gritos de dor vindos lá de dentro. De quem eram? – perguntou Polaco.
- Meus! É que na tentativa de desligar a bomba, eu acabei levando alguns choques.
- Amigos, será que não estamos esquecendo de alguma coisa? – questionou Negão.
- Também tenho essa impressão! É como se tivéssemos que dar o golpe final em algum vilão que estivesse agonizando e não houvéssemos feito isso ainda... – riu Paty.
- Talvez seja só nossa impressão – disse João.

Muito tempo mais tarde, quando as crianças já estavam a salvo com seus pais, eles recordaram-se que o monstro Krorsétimo ainda não havia sido completamente derrotado. Após Negão e Polaco disputaram “par ou ímpar” em uma competição “melhor de noventa e cinco”, o Jacohranger preto ficou encarregado de ceifar a vida do ser maligno.

A vitória tinha vindo, mas Japa ainda não fora encontrado.

***

Só restavam vivos quatro soldados Krur, mas o Jacohranger azul já estava praticamente sem forças. Chegara a seu limite. Fora golpeado muitas e muitas e muitas e muitas e muitas e muitas vezes. Seu corpo estava cansado, os músculos se recusavam a obedecer a seus comandos, seu cérebro não tinha mais capacidade enviar comandos aos músculos.
Mas os inimigos ainda vinham, ainda atacavam, ainda queriam levar adiante o combate. Japa usou a pouca lucidez que ainda tinha consigo para tentar pensar em algum plano. Fugir não era uma alternativa. “Se ao menos Ruivão estivesse aqui”, ele pensava. “Ele certamente teria alguma idéia idiota, cretina e sem sentido, mas que funcionaria”. Naquele momento, o Jacohranger azul entendeu por que seu colega de cor vermelha era o líder do grupo. E deu valor a ele.

- O que poderia funcionar? O que? – Japa gritava, enquanto recebia violentos golpes – Já sei!

O Jacohranger azul jogou-se no chão e gritou “Morri”. Ficou completamente imóvel por alguns segundos, evitou até respirar. Mais tempo passou, com Japa sendo alvo dos olhares curiosos dos soldados Krur, que pareciam não acreditar naquela vitória.
Até que os vilões foram embora, felizes, acreditando que tinham, de fato, assassinado Japa. “É o tipo de coisa em que o Ruivão pensaria”, pensou o Jacohranger azul. Quando não havia mais soldados, ele levantou-se.

Era a hora de voltar para junto de seus amigos.

***

O Imperador Krar estava furioso.

- Krir! Seu imbecil! Os soldados que você comandava perderam uma grande chance de matar um Jacohranger! Por que os deixou sozinhos? Se você estivesse lá, certamente não teria caído naquele truque infantil.
- Mil perdões, meu Imperador. Não imaginei que os Krur pudessem ser enganados por algo tão tolo.
- Meu Imperador, se me permite, deixe que eu derrote aqueles miseráveis. No período em que fiquei ausente, eu também aumentei muito meus poderes. Prometo lutar contra os Jacohrangers até a morte. Não voltarei até que eles estejam destruídos.

O Imperador relutou, mas acabou autorizando Krer a realizar seu ataque.

- OS JACOHRANGERS FICARAM MAIS FORTES, OS MONSTROS TAMBÉM, O GENERAL KRER TAMBÉM E OS SOLDADOS KRUR TAMBÉM.
- HAVERÁ ALGUÉM EM CIDADOPOLISLÂNDIA QUE NÃO FICOU MAIS FORTE?

NÃO PERCAM NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!