Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 27 de janeiro de 2013

EPISÓDIO 31 - A TRISTEZA DE PATY E RUIVÃO


EPISÓDIO 31 – A TRISTEZA DE PATY E RUIVÃO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O ROBÔ RESERVA DOS JACOHRANGERS REVELA MUITAS HABILIDADES, PODERES, RECURSOS E FUNCIONALIDADES, MAS A MAIORIA DELAS SÓ PODE SER USADA UMA VEZ.
- OS JACOHRANGERS GASTAM SUAS ECONOMIAS NA COMPRA DE COZINHAS, PASTÉIS, KIBES, RISOLES, BOLINHAS DE QUEIJO E REFRIGERANTES SUPER-ULTRA-GASEIFICADOS.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Mestre Jacoh deu duas pancadas de leve na recém-consertada porta do quarto de Paty. A heroína rosa jogou sobre sua cama os brincos que ainda não tinha posto, girou a maçaneta levemente e não pôde esconder o espanto ao ver quem a visitava.

- Mestre! O que o senhor quer? Surgiu algum monstro?
- Preciso conversa com você a sós, antes da festa! Posso roubar cinqüenta e quatro minutos do seu tempo?
- Pode, desde que seja algo importante.

Jacoh e Paty sentaram-se na cama. A garota aproveitou para terminar de vestir suas meia-calças e colocar suas sandálias. O mestre coçava sua barbicha e olhava para o teto com cara de idiota.

- Você terá um papel importante nesta festa, Paty. E no futuro de todo o grupo Jacohrangers. Você tem consciência disso?
- Não. O que quer dizer com isso?
- Você já deveria saber. Polaco provavelmente passará os primeiros vinte minutos da festa bebendo descontroladamente e depois vai ficar vomitando até perder os sentidos. Negão e eu nos concentraremos apenas nas “strippers” que eu contratei. Mas João, Japa e Ruivão...
- O que há com eles?
- Paty, você sabe o que os três ficarão fazendo durante a festa, não sabe?
- O João ficará na frente do telão assistindo Ultraseven! O Japa deve ficar mexendo no celular dele. E acredito que o Ruivão passará o tempo todo lendo aqueles livros estranhos que só ele gosta.
- Não! Eles passarão a festa toda falando, olhando, pensando ou interagindo com você. Eles amam você, Paty!
- O que? – ela gritou.
- João é seu namorado. Ruivão começou a sentir muitos ciúmes de você e de seu namorado. E Japa sempre quis ser seu namorado.
- O que você diz não faz nenhum sentido, Mestre Jacoh! Japa tem a mania de tentar me espiar quando estou trocando de roupa, mas isso não significa que seja amor. Ruivão está com ciúmes de João, sim, mas é porque o João está meio que tomando a liderança dele. Não tem nada a ver com amor. E João é apenas meu namorado. Não tem nada, nada, absolutamente nada a ver com amor.

Mestre Jacoh se levantou, percebendo que não seria entendido. Havia feito o que estava ao seu alcance.

- A decisão é sua, Paty. Mas tome cuidado para não magoar nenhum dos três. Não seria justo com eles.

O velho sábio saiu do aposento sem fechar a porta e sem olhar para trás. Paty trancou-se no quarto e terminou de se arrumar.

***

A festa já tinha começado. Havia bexigas, bolos, strippers, chapéus estúpidos e vários aparelhos de som tocando músicas diferentes ao mesmo tempo. Ruivão ouvia compositores eruditos, Polaco escutava músicas típicas alemãs, ao passo que João curtia a trilha sonora do Jiraiya.

- Sabia que no original o nome da “Espada Olímpica” NÃO é Espada Olímpica? – João perguntou para Paty.

A Jacohranger rosa levantou-se e deixou seu namorado brincando com uma espada imaginária. Polaco cruzou seu caminho com o rosto pálido e quase vomitou em seus pés. A garota se irritou e acabou indo na direção de Ruivão. O líder do grupo a fitou com o olhar maluco de sempre e fez sinal para que ela o seguisse.
Ambos entraram na cozinha, onde havia mais comida, menos música, mais espaço, menos cheiro de fezes, e puxaram duas cadeiras. Ruivão sentou em uma delas e colocou um livro sobre a outra. Paty balançou a cabeça em negativa e puxou uma terceira cadeira.

- Ruivão, temos apenas mais um dia e poucas horas para ficarmos na Terra. Há algo que você gostaria de me dizer? Aproveite essa chance, porque não sabemos quando poderemos conversar assim tão à vontade outra vez.
- Paty, o tempo é uma abstração. Nunca é tarde para se dizer algo que não foi dito cedo porque se estava com sono. E vice-versa.
- Ruivão, vou ter que ser direta. Você sente alguma coisa por mim? Você me ama? Você sente ciúme por eu ter reatado meu namoro com João e não te dar mais atenção? Por favor, Ruivão, seja sincero.
- Conforme já expliquei, amor e ciúmes são abstrações, coisas circunstanciais e subjetivas. É claro, Paty, que você é a mulher mais bonita que eu conheço. Bem, seria... Se não fosse a moça que vem aqui toda quarta-feira vender iogurtes, a atendente da locadora, a atendente da panificadora, aquela apresentadora da TV, aquela atriz japonesa que o Mestre Jacoh tem vários pôsteres, a filha do dono da farmácia da esquina, aquela sua prima que você nos apresentou mês passado, as últimas sete ex-namoradas do Ruivão, a mãe do Polaco e a filhinha recém-nascida do porteiro do prédio da esquina da rua em que morava o irmão do ex-padrasto daquele cara que trazia os jornais para o Mestre Jacoh.
- Resumindo: você me acha feia. É isso, Ruivão?
- Paty, a beleza também é um conceito de definição e entendimento variáveis.

E por mais alguns minutos, a conversa seguiu neste mesmo rumo...

***

Japa estava amuado, em silêncio, sentado em um canto, tendo como única companhia um copo de refrigerante sem gelo e sem gás. Poucos metros diante dele estava Negão, agarrado a três strippers, proferindo bobagens impróprias para menores em seus ouvidos.

- Ele é feio e vulgar, mas não tem dificuldade com as mulheres? Será que devo pedir conselhos a ele.

Assim que surgiu a chance, Japa chamou seu amigo Jacohranger preto a um canto, diminuiu o volume da música e abrir seu coração.

- O que faço para Paty sentir vontade de casar comigo?
- Diga a ela coisas como “que tal meu ‘pipi’ no seu ‘popo’, Paty?” – Negão gargalhou.
- Estou falando sério!
- Converse com ela. Fale a verdade para ela. Você fica resmungando pelos cantos que ela namora o João, mas deve ter alguma misteriosa relação com o fato de que o João foi até ela, falou com ela, e tentou conquistá-la olhando nos olhos dela. Faça algo parecido também. Pode até não dar certo, mas as chances são maiores do que se você ficar choramingando pelos cantos. Lembre-se: você é membro de um grupo Super-Sentai, não de uma banda “emo”.   

E o Jacohranger azul começou a criar coragem e a pensar nas frases que diria à sua amada.

***

Paty foi ao banheiro, o tipo de atitude que uma mulher toma, não porque tenha qualquer motivo real para ir ao banheiro, mas para fazer os homens pensarem: “O que ela terá ido fazer no banheiro?”. Lá, olhou-se no espelho, como se aquilo fosse lhe proporcionar uma profunda reflexão.

- Mestre Jacoh estava errado – ela murmurava para si mesma – Ruivão não me ama. Ele é só um maluco incapaz de saber o que fala, muito menos o que sente. Mas esse não é o pior. O pior é que sinto que ainda gosto dele.

“Muito!”

***

Em algum outro canto da festa, Ruivão conversava mentalmente com seu “eu lírico”.

- Fizemos a coisa certa. Não é correto demonstrar fraqueza diante de uma mulher. Pode ser doloroso, mas a dor é só um conceito psicológico que pode ser combatido. O importante é que Paty não desconfie que nós estamos apaixonados por ela.

Uma lágrima rolou no rosto do Jacohranger vermelho.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DOS JACOHRANGERS:

O drama do “quadrilátero amoroso” se aproxima de uma definição. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 32 – A TRISTEZA AINDA MAIOR DE JAPA

domingo, 20 de janeiro de 2013

EPISÓDIO 30 - A UNIÃO DOS GENERAIS


 A UNIÃO DOS GENERAIS

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- ATRAVÉS DE UM ACORDO DIPLOMÁTICO RAZOÁVEL, OS JACOHRANGERS E O GENERAL KRIR EVITAM UM CONFLITO DESGASTANTE E DESNECESSÁRIO.
- GRAÇAS A ESSE ACORDO ESTÚPIDO E INFANTILÓIDE, GENERAL KRER FOI REVIVIDO, O QUE PODE TRAZER MAIS PROBLEMAS AOS SEIS HERÓIS.

O QUE IRÁ ACONTECER?

- O tempo que nos resta é muito curto. Talvez devêssemos ser um pouco mais sérios e tentar encontrar logo uma solução. A Terra pode ser destruída se não detivermos o Império Krar a tempo – disse Polaco, completamente embriagado e com a língua enrolada.
- Ruivão, não acha que ele pode ter razão? – perguntou João.
- Não temos por que dar atenção a um bêbado.

Mestre Jacoh e Negão, entre uma e outra visualizada em uma página de conteúdo adulto na internet, conversavam tão seriamente quanto era possível para um Jacohranger. Japa apenas ouvia, tentando encontrar um pretexto para ficar mais perto de Paty, que estava organizando sua coleção de mais de quatrocentos e noventa sapatos em um armário.

- Existe um líquido mágico que pode adaptar o DNA de vocês ao planeta Terra, possibilitando que vocês permaneçam aqui. No entanto, esse líquido está escondido sob as estranhas de uma montanha gigantesca, longínqua e protegida por ameaças que desafiam os horizontes das mais férteis imaginações.
- Mestre Jacoh, não entendo todas as palavras difíceis que você diz, mas acho que captei a mensagem principal – Negão respondeu – Onde fica esse lugar?
- Sob o Monte Everest. O grande problema é que o tempo que vocês desperdiçariam indo até lá poderia ser utilizado para derrotarem o Império Krar.
- E se dividimos nossas forças? – sugeriu Japa – Poderiam ir para essa montanha vocês dois, mais o João, o Ruivão e o Polaco. E aqui, sozinhos, protegendo o quartel-general, Paty e eu. O que acham?
- Como fazemos para localizar esse líquido? O Monte Everest é enorme! – Negão ignorou a idéia de seu colega.
- O corpo de vocês reagirá à aproximação do frasco que contém o líquido. Vocês mesmos sentirão quando estiverem próximos.

O diálogo foi bruscamente interrompido pelo grito escandaloso do alarme.

- Alguém deveria diminuir o volume dessa droga! – gritou o Jacohranger verde, após quase cair do sofá de tanto susto.
- Alguém deveria ir lutar no meu lugar. Estou com sono! – disse Polaco.

O monitor mostrava a imagem do General Krir e do General Krer juntos, lado a lado, destruindo a cidade. Por algum motivo, eles destruíam construções minúsculas que tinham o tamanho deles.

- Acho que o “zoom” está desativado! – comentou Japa, antes de ir corrigir o erro da imagem.

E então todos viram que, na verdade, os dois generais tinham usado o Raio Agigantador sobre eles mesmos para ficarem com mais de cinqüenta metros de altura. E tinham iniciado uma terrível destruição em um dos bairros de Cidadopolislândia.  

- Temos apenas um robô. Eles são dois – ponderou Paty – Como lutaremos em desvantagem?

Ruivão ficou cinco ou seis minutos contando nos dedos os números “um” e “dois” e pensando em uma solução para o dilema proposto por sua amiga. Sem resposta, disse apenas:

- No caminho pensamos em alguma coisa.
- Hora de Jacohmbater o mal! – todos gritaram ao mesmo tempo.

***

Em poucos minutos, já estavam todos dentro do Robô Reserva. A máquina de batalha estava pronta, energizada, preparada e capacitada. Contra ela, dois generais de aparência horrenda, portando armas que pareciam ter sido forjadas por algum debilóide com problema de visão.
Logo os Jacohrangers fizeram o Robô Reserva desembainhar a Espada Reserva e o Escudo Reserva. Todos fizeram uma pose de batalha típica de samurais japoneses do século XVIII e respiraram fundo. Era o início da terrível batalha.
Krir tomou a dianteira, desferiu um golpe e resmungou alguma bravata. Os heróis defenderam-se com dificuldade, pois Krer atacou pelo outro lado. O Robô Reserva por pouco não se desequilibrou e caiu. Os generais aproveitaram-se da situação para seguirem atacando mais e mais, com os Jacohrangers na defensiva, apenas aparando e bloqueando os golpes.
De tanto acabarem ao mesmo tempo, os generais gigantes conseguiram derrubar o Robô Reserva. Antes que ele se levantasse, Krir e Krer dispararam raios, explodindo parte da máquina de guerra inimiga. Para a surpresa deles, o robô dos heróis tornou a se levantar e partiu para o ataque. Do peito dele saiu o “Raio Reserva”, do qual General Krer se desviou com dificuldade.
A Espada Reserva começou a se chocar a arma do General Krir. Os Jacohrangers atacavam com agilidade, e o vilão defendia-se com igual destreza. Faíscas e explosões voavam por todos os lados. As lâminas gigantescas se encontravam em velozes movimentos, como se empunhadas por verdadeiros espadachins.
Em dado momento, Krer percebeu que poderia se aproveitar que o Robô Reserva estava tão concentrado em enfrentar Krir e atacá-lo. Sim, não havia por que ficar de braços cruzados assistindo uma batalha se havia a opção de golpear por trás de forma covarde, traiçoeira e eficiente.
A arma do General Krer acertou a perna esquerda do Robô Reserva, desequilibrando-o. Na seqüência, Krir o atingiu com violência, derrubando o robô. Espada e Escudo Reserva caíram. Os dois vilões aproveitaram ainda para desferir mais raios e danificar ainda mais o Robô Reserva.

- Desse jeito não venceremos, nem empataremos, nem conseguiremos adiar o combate para outra ocasião! – gritou o Jacohranger vermelho.
- Japa, pare de urinar nas paredes do robô! – gritou o preto.
- E se usássemos a “Super Energia Reserva”? – sugeriu o verde.

Dois botões foram apertados, um foi girado, três alavancas foram movimentadas e um código de cento e oito caracteres foi digitado. E a até então desconhecida “Super Energia Reserva” surgiu, regenerando as partes danificadas do robô, aumentando o poder de ataque dos heróis e limpando automaticamente as paredes sujas de urina.     
 O Robô Reserva, em uma velocidade impressionante, desferiu um soco que nocauteou Krer. Antes que o general maligno se levantasse, a Espada Reserva foi desembainhada e estocou na barriga do vilão. O Raio Reserva foi disparado. Krer gritou de dor e não conseguiu mais se levantar.
Krir veio com sua arma, mas o Escudo Reserva surgiu, bloqueando o golpe. Os heróis contra-atacaram com socos e mais golpes da Espada Reserva. O general caiu e recebeu chutes e mais golpes de espada. Os Jacohrangers já preparavam o golpe final.

- Golpe Final Reserva!

Antes o golpe decisivo fosse consumado, os generais usaram seu último recurso:

- Fuga covarde através de teletransporte!

Como que por magia, General Krer e General Krir voltaram para sua base. O plano deles tinha falhado.

***

Novamente em seu quartel-general, os Jacohrangers descansavam, comemoravam a vitória, jogavam truco e comentavam a vitória recente contra dois vilões terríveis.

- Alguém reparou que embaixo do botão da “Super Energia Reserva” tinha um aviso dizendo “Usar com cuidado. Esse recurso só pode ser utilizado uma única vez”? – perguntou Negão.
- Quem se importa? Só temos um dia e meio na Terra mesmo... – comentou Polaco.
- Um terrível império maligno ameaça toda a vida em nosso planeta. Temos um tempo muito pequeno para derrotá-los. Se falharmos, tudo que existe poderá deixar de existir. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçarmos nenhum dos poucos minutos que nos restam. Temos que fazer, imediatamente, o que qualquer outro grupo de heróis sério faria.
- O que, Ruivão?
- Uma festa de despedida!

Todos vibraram. Os Jacohrangers organizariam uma enorme festa para despedirem-se da Terra.
 
NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

Não há outro monstro pronto, o Imperador Krar está ausente, e os generais fugiram. Os Jacohrangers aproveitam para resolverem suas situações pessoais, pois são heróis sem cérebro, mas com corações. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 31 – A TRISTEZA DE PATY E RUIVÃO! 

domingo, 13 de janeiro de 2013

EPISÓDIO 29 - A TENTATIVA DE RESSUSCITAR O GENERAL KRER


EPISÓDIO 29 – A TENTATIVA DE RESSUSCITAR O GENERAL KRER

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- JAPA PERDE A GRANDE CHANCE DE VER A MULHER AMADA NUA, MUITO EMBORA SEJA BEM PROVÁVEL QUE O DESTINO O RECOMPENSE POR TER AGIDO COM RESPONSABILIDADE.
- OS JACOHRANGERS AGORA TÊM UM ROBÔ GIGANTE RESERVA AINDA MAIOR E MAIS PODEROSO QUE O ANTERIOR.

O QUE IRÁ ACONTECER?

As paredes ruíam, o teto desabava, o chão tremia. O covil maligno do Império Krar parecia prestes a se tornar uma pilha de escombros. Os soldados Krur se dividiam entre implorar por piedade e fugir covardemente. General Krir estava prostrado, encolhido, sendo alvo de um poderoso raio que o torturava disparado por seu furioso Imperador.

- Até quando terei que tolerar falhas? Até quando?
- Perdão, meu Imperador! Oh, perdão!

O General emitiu um grito de dor terrível e prolongado. O castigo cessou, mas a fúria do soberano do Império Krar parecia muito longe do fim. Algo horrendo estava prestes a ocorrer.

- Dessa vez não foi minha culpa!
- Cale-se! Vou lhe dar algumas horas para pensar em uma forma de destruir os malditos Jacohrangers! Enquanto isso, vou me ausentar. Preciso dar início a um novo e grandioso plano. Quando eu voltar, quero os Jacohrangers destruídos. Ou, no mínimo, uma estratégia decente para derrotá-los.
- Sim, meu Imperador.

Sabendo que a chance de vencer os odiosos heróis não era tão grande quanto gostaria, General Krir achou que talvez fosse melhor ter alguém com quem dividir a culpa depois que tudo desse errado. Além disso, se tivesse alguém para ajudá-lo, quem sabe até fosse possível sair vitorioso. Não custava arriscar.

Ele tentaria ressuscitar o General Krer.

***

Havia duas possibilidades. A primeira, um ritual relativamente simples com o qual o General Krer seria revivido e readquiriria todas as habilidades, capacidades e feiúra de antes de morrer. No entanto, para isso, seria necessário ter o corpo intacto do General Krer, algo que não mais existia.
A outra opção era realizar uma cerimônia profana mais complexa, que exigiria sacrifícios de seres vivos, mas dispensaria o corpo do falecido Krer. Não era o ideal, porém era a melhor alternativa.
General Krir tentou agir disfarçadamente para conseguir vítimas para seus sacrifícios. Usou magia ilusória para adquirir a aparência de um jovem bonito e forte, e com isso conseguiu aprisionar em um esconderijo quinze lindas jovens. Depois, transmutou-se em uma bela mulher e conseguiu dezoito prisioneiros.
No entanto, um dos cativos descobriu o plano e conseguiu escapar, fugindo e obrigando o general a assumir sua verdadeira forma para perseguí-lo. O caos se formou no centro de Cidadopolislândia, como Krir e alguns soldados Krur correndo atrás de um jovem que gritava de pavor.

Tal confusão fez soar certo alarme em certo quartel-general de certo grupo de heróis.

***

Dois dias e vinte e uma horas. Era tudo que restava aos Jacohrangers. Polaco vomitava na privada, enquanto os demais se reuniam para discutir possíveis opções de como prolongar o tempo que lhes restava.

- Poderíamos alterar todos os fusos-horários da Terra! – disse Ruivão – Eu me proponho a conversar com os membros das Nações Unidas.
- Poderíamos usar o tempo que nos resta para treinarmos substitutos! – disse Paty – Quando chegasse a hora de partirmos, eles que se virassem para proteger a Terra.
- Poderíamos levar a Terra toda conosco para o planeta Jacoh quando partirmos. Aí o Império Krar conquistaria um planeta vazio, desabitado e sem graça – foi a idéia de Negão.
- Há uma alternativa que pode prolongar o tempo de permanência de todos nós aqui na Terra – disse o Mestre Jacoh – Mas é algo extremamente arriscado, difícil, doloroso, desafiador e assustador.

Antes que o sábio mestre pudesse dizer algo, o alarme soou. Na tela do principal monitor, todos puderam ver a cena ridícula do General Krir e dos soldados Krur correndo atrás de um jovem. Antes que os Jacohrangers dessem socos na mesa de tanta indignação, o maligno general capturou o rapaz e o levou para seu esconderijo. Ao menos, os heróis conseguiram ver para onde o prisioneiro fora levado.

- Hora de Jacohmbater o mal!

***

Os seis Jacohrangers chegaram até o local onde General Krir mantinha seus prisioneiros. A intenção era fazer um reconhecimento do local e depois realizar um ataque surpresa. Ou, ao menos, essa era a intenção do verde, amarelo, azul, preto e rosa. Ruivão estragou tudo, chamando pelo inimigo em voz alta.

- Hey, general maligno. Viemos arruinar seus planos. Entregue-se por bem e liberte seus prisioneiros.

Enquanto todos lamentavam a burrice do colega, soldados Krur surgiam aos montes. Eram quase vinte, trazendo com eles estranhar armas. Paty derrubou três, Negão derrotou quatro, Polaco acabou com quatro, Japa venceu quatro, João matou três e Ruivão venceu dois. Os Jacohrangers arrombaram o local e tiveram que perder tempo com mais oito ou nove Krur.
Atrás de onde estava o General Krir havia uma cela, na qual estavam mais de trinta pessoas assustadas e algemadas. Havia ao lado um altar com símbolos estranhos grafados na parede.

- Não darão mais um passo, heróis de “meia-tigela”. Realizarei o ritual que necessito e vocês não poderão me impedir.
- Na verdade, poderemos sim! – respondeu o Jacohranger vermelho.
- Tem razão. Poderão mesmo. Tenho uma proposta a lhes fazer, heróis: eu deixo vocês libertarem essas pessoas, sem interferir. Em troca, vocês me deixam realizar o terrível maligno que preciso levar adiante, sem interferir. O que acham?
- Parece justo! – todos responderam em uníssono.

E então os seis heróis se puseram a resgatar os trinta e tantos prisioneiros, inclusive tratando de alguns de seus ferimentos. Alguns ficaram traumatizados com a brutal experiência e precisaram ser encaminhados para o Centro de Atendimento Psico-Social de Cidadopolislândia. Lá, uma extensa e bem-vinda terapia os aguardava.

- Também é nosso papel realizar esse tipo de trabalho – Ruivão repetia a seus amigos.

Horas mais tarde, os Jacohrangers já repousavam em seu quartel-general com a agradável sensação de terem cumprido sua missão com louvor: pessoas inocentes foram salvas e vilões foram derrotados.

- Um momento! – disse Negão – Pensando bem, nenhum vilão foi derrotado.
- Aliás, o que será que o General Krir queria? – perguntou Japa.
- Provavelmente apenas realizar um ritual que lhe permitisse um contato telepático com seus parentes distantes que ainda residem no planeta natal dele – Ruivão acalmou a todos.
- Menos mal! – João suspirou de alívio.

***

Nas profundezas de uma caverna, General Krir comemorava. Encontrara um jeito de ressuscitar o General Krer sem sacrifícios humanos. Completara o ritual e trouxera de volta a vida o colega. Tudo isso antes que seu Imperador voltasse de sabe-se lá onde.

- Podemos deixar os soldados Krur providenciando a criação e o aperfeiçoamento do monstro Krordecimosétimo – disse Krir – Por enquanto, proponho que nós dois unamos nossas forças em um ataque frontal contra os heróis. O que acha, General Krer?
- Acho que não custava você ter sacrificado a vida de uns quinze ou vinte humanos para realizar um ritual decente. Renasci com os ombros totalmente tortos. Mas, respondendo à sua pergunta, eu concordo com a idéia de um ataque frontal.
- Então, faça seus preparativos, pois atacaremos hoje.
- Acredito não ser possível. Falta um minuto para a meia-noite.
- Tem razão. Atacaremos amanhã.
 
NO PRÓXIMO EPISÓDIO DOS JACOHRANGERS:

A terrível dúvida sobre quais podem ser as conseqüências da união de força dos dois generais malignos finalmente será esclarecida. Uma batalha difícil aguarda os Jacohrangers. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 30 – A UNIÃO DOS GENERAIS

domingo, 6 de janeiro de 2013

EPISÓDIO 28 - O CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO LEVA À VITÓRIA


EPISÓDIO 28 – O CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO LEVA À VITÓRIA!

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- A QUEDA DO GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL IMPEDE QUE OS JACOHRANGERS CUMPRAM AS MAIS MUNDANAS TAREFAS DE SEUS COTIDIANOS.
- O CELULAR ULTRA-TECNOLÓGICO SE MOSTRA MAIS ÚTIL AOS JACOHRANGERS DO QUE SEU PRÓPRIO PORTADOR.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Japa sentiu o coração cheio de alegria, ansiedade e esperança renovada. Talvez, quem sabe, possivelmente, fosse possível transformar o celular ultra-tecnológico em um poderoso robô gigante. Aquilo não era nenhuma garantia de que o novo robô seria forte o bastante para vencer o terrível monstro Krordecimosexto. Mas talvez ele pudesse dizer à Paty: “Hey, sua linda, quer dar uma volta no meu robô gigante novo?”. Afinal, toda mulher se encanta com os veículos dos homens.
No entanto, acionar o modo “Robô Gigante” estava sendo difícil. A principal dificuldade era apertar os botões corretos, pois a mão de Japa estava engordurada. Ele havia acabado de comer pastéis de palmito com catchup, mostarda, maionese e sazon. Por várias vezes quase deixou cair seu celular.
Quando enfim conseguiu ativar a função “Robô Gigante”, uma mensagem na tela o informou que seria necessário primeiro que ele digitasse o código original de ativação. A numeração estava no manual do aparelho, que por sua vez estava em uma caixa, que estava no quartel-general, que estava há poucas quadras dali.

- Não irá a algum lugar, Jacohranger azul.

A voz abafada vinha de um soldado Krur. Outros oito lhe faziam companhia, punhos erguidos, sorrindo diabolicamente em direção a Japa. General Krir devia ter visto qual era a situação e enviou os soldados para impedir o herói azul.

- Vocês não me deterão! Pelo menos eu acho que não!

O jovem transformou-se e partiu rumo ao inimigo. Aparou dois socos e revidou com outros dois, derrubando o primeiro inimigo. Abaixou-se de um chute de que foi alvo, e aplicou uma rasteira em outro soldado. Desferiu uma seqüência de socos e cotoveladas, levando ao nocaute o terceiro e o quarto oponente.
Os demais cinco atacaram ao mesmo tempo, tendo todas suas investidas prontamente defendidas. Japa chutou com violência, socou com ódio, golpeou com pressa e encerrou o combate em pouco tempo. Não demoraria muitos minutos até que ele tivesse seu manual em mãos e transformasse seu celular em robô gigante.
No entanto, o Jacohranger azul entendeu porque os soldados Krur tentaram atrasá-lo. Olhando para trás, ele percebeu ao longe que o monstro Krordecimosexto já estava curado. De pé.

Pronto para destruir Cidadopolislândia.

***

“Não posso me atrasar de jeito nenhum”, Japa pensava. “Não posso perder tempo com nada. Devo ir até o manual, ler tudo e mexer no celular”. O garoto dizia a si mesmo. “Não importa que coisas boas possam aparecer para eu fazer”. “Não importa o quão maravilhoso o destino possa ser comigo me oferecendo oportunidades únicas. Preciso ir direto ao manual sem dar atenção a nada”.
Japa entrou correndo no quartel-general, sabendo que nada deveria distrair sua atenção. Polaco o chamou e lhe sussurrou:

- Japa, rápido. Paty está dormindo nua no quarto dela e esqueceu a porta completamente aberta. Por que você não aproveita que não tem mais ninguém aqui para ficar olhando para o corpo nu dela? Lembre-se que você, nunca, NUNCA, NUNCA, NUNCA, NUNCA mais terá uma chance igual a essa.

O herói oriental esmurrou a própria cara em sinal de protesto centenas de vezes até pegar o manual e começar a lê-lo. Quando ele explicou a Polaco a situação, já estava tudo pronto para transformar o celular em robô gigante.

- Japa, você vai lá fora e chama os outros. Eles estão na casa do vizinho jogando Playstation 2!
- E você, Polaco, onde vai?
- Vou acordar a Paty!

***

Os seis estavam do lado de fora do quartel-general. Polaco com um sorriso indisfarçável no rosto. Paty com um semblante que misturava raiva e constrangimento. Japa com cara de idiota. Todos os demais comentando sobre o jogo que tiveram que interromper para lutar.
O Jacohranger azul apertou os botões que deveria, e uma impressionante transformação teve início. O diminuto aparelho fino e de formato retangular foi se desdobrando, crescendo e mostrando possuir compartimentos ocultos. Uma vez finalizado o processo, a nova máquina de guerra tinha cinqüenta e dois metros e catorze centímetros.
Era, sem dúvidas, um robô imponente. Sua lataria era azul, tinha formato humanóide e os olhos de vidro faiscavam de fúria. Era robusto, tinha às ancas uma bainha com uma espada imensa, e de seus olhos eram emitidos violentos raios.

- Esse robô precisa de um nome – disse Ruivão, já dentro da máquina de batalha.
- Que tal “Robô Reserva”? – sugeriu Negão.
- Será que podemos decidir isso depois? – perguntou Paty, vendo que o monstro inimigo acumulava em suas mãos uma capacidade incrível de energia e ia arremessá-la contra os heróis.

Ruivão viu que à frente dele havia um botão escrito “escudo” e o apertou. Saído sabe-se lá de onde, surgiu um escudo enorme e repleto de gravuras estranhas. A energia lançada por Krordecimosexto não atingiu o Robô Reserva. Os heróis se empolgaram e decidiram atacar.
A máquina de batalha dos Jacohrangers golpeou com violência o inimigo, derrubando-o com apenas um soco. Além de forte, o robô também era veloz, não permitindo ao adversário que tivesse tempo de se defender ou se esquivar.
Krordecimosexto atacou de várias formas, sempre encontrando o escudo inimigo em seu caminho. Em um momento em que o monstro abriu a guarda, o Robô Reserva desferiu um poderosíssimo raio, que quase nocauteou o monstro. Antes que a criatura maligna se recompusesse, um novo raio o atingiu. Em seguida dois socos, um chute, uma cotovelada e um golpe de espada.

- Isso está ficando divertido! – disse o Jacohranger amarelo.
- Hey, vejam esse botão aqui! – gritou o herói verde – Está escrito “golpe final”.
- E qual será o nome do golpe final? – perguntou Japa.
- Que tal “Golpe Final Reserva”? – sugeriu Ruivão.

A descontração provocada pela conversa tola e sem conteúdo fez o Robô Reserva ser severamente golpeado. Krordecimosexto quase o derrubou e tentou seguir atacando, mas logo os heróis assumiram novamente o controle da batalha. Em poucos minutos, o monstro maligno estava praticamente moribundo.

- Golpe Final Reserva! – gritaram todos.

O Robô Reserva desembainhou sua espada, que subitamente encheu-se de uma poderosa, enigmática, misteriosa, desconhecida, estranha, esquisita e nunca antes vista energia, e desferiu um golpe vertical no monstro Krordecimosexto. A criatura explodiu, reduzindo-se a cinzas microscópicas. O robô embainhou sua espada e fez uma pose de batalha ridícula.

***

- Pelas minhas contas, ainda temos quatro dias e dezoito horas para ficar na Terra. Temos que pensar em uma forma de acabar definitivamente com o Império Krar antes disso – disse o Mestre Jacoh.
- Mas antes preciso de uma fechadura nova para a porta do meu quarto! – disse Paty.
- Alguma idéia de como encontrar o esconderijo secreto do Império Krar para lançarmos um ataque decisivo? – Mestre Jacoh insistiu no assunto.
- Não! – respondeu Japa – Mas posso conseguir uma fechadura nova para a porta de seu quarto, Paty.
- É a minha namorada! – intrometeu-se João – Portanto eu resolvo o problema da fechadura do quarto dela.

Todas as tentativas de voltar ao assunto da destruição do Império Krar falharam. Japa pôs seu celular ultra-tecnológico para recarregar a bateria, Negão foi ligar para uma linda jovem, Polaco foi terminar de beber uma garrafa de vodka, Ruivão foi ler um livro chamado “Você lê muito porque quer deixar de ser burro, ou por que não tem uma mulher com quem sair?”. João e Paty foram para um dos quartos fazer coisas feias.
 
NO PRÓXIMO EPISÓDIO DOS JACOHRANGERS:

Cansado de ser punido por seus fracassos, General Krir tenta ressuscitar o General Krer para ter com quem dividir a culpa. Mas para conseguir isso ele precisa sacrificar vidas. E os Jacohrangers tentarão impedi-lo. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 29 – A TENTATIVA DE RESSUSCITAR O GENERAL KRER