Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 24 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO 35 - O SACRIFÍCIO DE POLACO


EPISÓDIO 35 – O SACRIFÍCIO DE POLACO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- A TROCA DOS EXAMES DA MÃE DE NEGÃO E DE OUTRA SENHORA REVELA A MÁ QUALIDADE DO SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA EM CIDADOPOLISLÂNDIA.
- A MANIA REPETITIVA DO MESTRE JACOH DE DIZER QUE TUDO PODE SER RESOLVIDA APÓS UMA JORNADA PERIGOSA ABORRECE OS JACOHRANGERS!

O QUE IRÁ ACONTECER?

Krordecimosétimo tinha se cansado de procurar inutilmente pelo avião e voltou-se aos heróis. Estava furioso, pois tinha sido feito de trouxa, sido enganado, ludibriado. Teve sua inteligência subestimada, seu orgulho ferido e sua auto-estima comprometida por aquele truque estúpido. Com a pouca inteligência que tinha, o monstro prometeu a si mesmo que jamais, nunca mais, nunca, nunca, nunca mais seria feito de idiota outra vez.

- Hei, monstro. Olhe lá! Outro avião! – gritou João.

Krordecimosétimo virou-se empolgado em direção ao céu, ansioso pela possibilidade de realizar o sonho de infância de ver um avião de verdade voando. No começo, não viu nada, mas seguiu acreditando e procurando.

- Algum de vocês se oferece para sacrificar sua visão por algumas horas para que os demais possam voltar a se transformar? – Mestre Jacoh perguntou – Lembrem-se que aquele que aceitar, provavelmente passe as últimas horas que tem na Terra sem poder contemplar as belezas desse planeta, os decotes das mulheres, sem ler seus quadrinhos preferidos e sem ter certeza que a comida que lhe darei é realmente comida e não alguma brincadeira de mal-gosto minha que envolva margarina apodrecida misturada a urina canina.

Não havia tempo. Até mesmo a estupidez de Krordecimosétimo tinha limites, e logo os heróis seriam atacados. Precisavam recuperar logo a capacidade de se transformarem. Nem que isso significasse um sacrifício desumano a um deles.

- Eu acho que o escolhido deve ser o Polaco! – disse Paty – Ele é o mais preparado para seguir sua vida sem o sentido da visão. Afinal, ele passa 80% do dia em um estado de embriaguez que o deixa tão vesgo, que acho que ele nunca a visão totalmente perfeita.
- Ou seja, ele já está acostumado a não enxergar tão bem! – completou João.

Polaco aceitou. Não porque tivesse consciência da importância que seu gesto nobre tinha para a manutenção da paz na terra, ou porque realmente se considerasse capaz de ficar algumas horas sem enxergar e tocar sua vida mesmo assim. Mas sim porque estava tão bêbado que lhe faltava lucidez para argumentar alguma coisa.
Mestre Jacoh orientou seu pupilo. Primeiro o mentor dos Jacohrangers pegou os cacos das lentes de contato quebradas e as pôs sobre as palmas de suas mãos. Disse a Polaco para se concentrar, e ouviu um sonoro arroto como resposta. O Jacohranger amarelo, sem ter sequer consciência disso, começou a emanar de sua retina uma estranha energia. O poder misterioso circundou as lentes de contato, que por algum motivo igualmente misterioso foram se reconstruindo. A própria lente de Polaco também se reconstruiu, significando que quando o jovem recuperasse sua visão, poderia se transformar também e vir ajudar seus amigos.

- Não consigo ver nada! Não devia ter misturado vodka com conhaque com uísque com vinho com “Bacardi” com pinga com cachaça com “fogo paulista” com Fanta Uva.
- Não se preocupe, Polaco! – Ruivão tentou apoiar o amigo – Eu, por exemplo, não consigo enxergar meus próprios olhos. Isso é natural.

Mestre Jacoh deu as mãos ao agora cego pupilo e foram juntos de volta ao quartel-general. O Jacohranger amarelo precisaria de algumas horas de repouso até que sua visão voltasse ao normal. Um tempo precioso, mas que precisou ser sacrificado.

Pelo bem de Cidadopolislândia.

***

- Hora de Jacohmbater o mal!

Os outros cinco conseguiram se transformar novamente. Deixaram de ser jovens problemáticos, esquizofrênicos e semi-analfabetos para serem poderosos e valentes heróis. Ainda estavam feridos e ensangüentados, mas já tinham em mãos o poder necessário para seguirem lutando.
Diante deles, o terrível panorama: estátuas de aço carbono feitas a partir de inocentes vidas humanas, uma piada de mal-gosto fruto da crueldade do monstro Krordecimosétimo. Um monstro estúpido e que sonhava com aviões. Mas também poderoso e impiedoso. Combinação perigosa.

- Vamos derrotá-lo, ser das trevas! – o herói de armadura vermelha gritou.

Talvez fosse apenas impressão, mas a verdade é que os Jacohrangers sentiam-se mais poderosos. Era como se a visão de Polaco tivesse proporcionado a eles um aumento considerável em suas forças.
Logo isso se comprovou. Os socos de Ruivão e os chutes de João se mostraram mais efetivos contra o monstro, que chegou a ser derrubado duas vezes. Japa e Negão empunharam suas armas e conseguiram ferir Krordecimosétimo ainda mais. Paty surpreendeu a criatura com seus disparos a distância e também causou grandes estragos.
Mais que isso, os Jacohrangers também pareciam mais resistentes. Os ataques do ser maligno não conseguiam mais feri-los como antes. O monstro não podia mais evitar, nem se desviar das investidas dos heróis. A vitória parecia inevitável.
Os cinco lançaram um ataque combinado, deixando Krordecimosétimo zonzo. Antes que o monstro pudesse se recuperar, os Jacohrangers posicionaram-se para o ataque final.

- Bazuca sem nome! – todos gritaram.

Mesmo incompletos, puderam lançar seu ataque destruidor com grande potência. Krordecimosétimo explodiu, sendo feito em centenas de milhares de pedacinhos. Os heróis coloridos ainda vibravam infantilmente pela vitória, quando ouviram o grito desagradável que sempre estragava tudo.

- Raio agigantador!

E as centenas de milhares de pedacinhos se reconstruíram, porém com aproximadamente cinqüenta metros de altura. Krordecimosétimo se tornava um monstro gigante. A batalha ainda não havia terminado.
Todos olharam para Japa, que ficou alguns instantes sem entender. Chegou até a pensar que seus amigos queriam que ele, com um metro e setenta e cinco, enfrentasse sozinho um monstro que tinha quase trinta vezes sua altura.

- Ah, sim... O celular ultra-tecnológico – ele se lembrou.

E após uma série de complicados códigos serem digitados, um diminuto celular transformou-se em um imponente poderoso e feio robô gigante. Os heróis adentraram o “Robô Reserva” e prepararam-se para o imenso combate.
A máquina de combate desferiu socos e chutes, mas o monstro maligno se defendeu bem. Como contra-ataque, Krordecimosétimo emitiu seu raio luminoso. O Robô Reserva não se transformou em uma estátua de aço carbono, mas teve seus circuitos internos danificados.
E então um violento soco quase nocauteou o robô. Desequilibrado, o construto recebeu mais dois poderosos golpes. A máquina de batalha caiu. Krordecimosétimo não seria derrotado tão facilmente.

- Vamos usar farta e indiscriminadamente aqueles recursos que não devem ser usados farta e indiscriminadamente! – gritou o Jacohranger vermelho.

Os heróis usaram o Míssil Reserva, o Raio Reserva, o Ataque Apelativo Reserva e a Luz Eletromagnética Reserva. Krordecimosétimo foi ferido a ponto de não ter forças para contra-atacar. A vitória finalmente estava próxima.

- Golpe Fatal Final Reserva! – gritaram João, Negão e Paty.
- Golpe Final Fatal Reserva! – gritaram Ruivão e Japa.

Krordecimosétimo foi totalmente destruído, reduzido a partículas subatômicas. Os Jacohrangers abandonaram o Robô Reserva, que por sua vez voltou a ser um caríssimo celular sujo de gordura.
Para aumentar sua felicidade, os heróis ainda viram as pessoas que tinham sido transformadas em estátuas de aço carbono voltarem ao normal. A paz voltara a Cidadopolislândia.

Mas... Por quanto tempo?
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Finalmente os Jacohrangers decidem ir ao Monte Everest atras da água que pode fazê-los permanecer para sempre na Terra. Mas os perigos que lá residem podem ser ainda mais cruéis do que tudo que já enfrentaram. O monstro Krordécimooitavo surge e o caos em Cidadopolislândia recomeça. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 36 – A JORNADA PERIGOSA

domingo, 17 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO 34 - SEM LENTES, SEM PODERES


EPISÓDIO 34 – SEM LENTES, SEM PODERES

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- OS JACOHRANGERS CRIAM VERGONHA NA CARA E DECIDEM IR LOGO ATRÁS DA ÁGUA QUE PODE GARANTIR A PERMANÊNCIA DELES PARA SEMPRE NA TERRA.
- APESAR DISSO, OS HERÓIS DEMONSTRAM POUCO CONHECIMENTO AO NÃO SABEREM A DIFERENÇA ENTRE AÇO INOX E AÇO CARBONO.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Krordecimosétimo urrava de felicidade. Pareciam ser gargalhadas guturais. Ou estava zombando dos Jacohrangers. Os heróis tinham se destransformado graças ao poderoso ataque luminoso que ele emitira. As lentes de contato, que eram a fonte dos poderes deles, haviam se quebrado.

- Vamos tentar nos transformar sem elas! – gritou João.
- Hora de Jacohmbater o mal! – gritaram todos ao mesmo tempo.

Nada aconteceu. Chegaram a pegar cada um os cacos de suas lentes, segurarem-nos em suas mãos e tentar de novo. Outra vez, sem sucesso. Colocar aqueles vidrinhos quebrados nos olhos seria perigoso, por isso não fizeram aquilo.

- E se corrêssemos em direção à ótica mais próxima e comprássemos lentes substitutas? – Ruivão perguntou.
- Acredito que só as originais tinham o poder de nos transformar em Jacohrangers – respondeu Japa – Apesar de que se conseguimos um robô reserva, faria sentido conseguirmos lentes reservas.
- Japa, seu celular ultra-tecnológico não tem a função “lentes de contato reservas”? – perguntou Polaco.
- Não tem.

Para piorar tudo, Krordecimosétimo começou a atacá-los. O monstro era rápido demais para que se desviassem dele. João e Ruivão receberam violentos golpes no rosto e no abdômen, caindo no chão em poucos segundos. Paty e Polaco tentaram revidar as investidas do inimigo, mas sem sucesso. Não tardaram a cair. Japa foi a nocaute rapidamente também.
Krordecimosétimo já armava o golpe final, o ataque luminoso que transformaria os pobres jovens em estátuas de aço carbono, quando recebeu um chute de um cidadão que vinha da direção oposta. Os Jacohrangers caídos perceberam, surpresos, que era Negão.

- Voltei, amigos! – ele gritou.
- Ficamos felizes, mas... E sua mãe? – Ruivão perguntou, mesmo no chão.
- Trocaram os exames dela. Na verdade, a saúde dela está ótima.

Os demais Jacohrangers vibraram com a boa notícia. Era bom saber que tinham um problema a menos.

- Mas e por que você está destransformado? – perguntou João.
- Minha lente quebrou! – Negão respondeu.
- O que? Não me diga que você também foi atingido pelo raio luminoso de Krordecimosétimo, mesmo estando a quilômetros de distância?
- Na verdade, não. Minhas lentes quebraram porque eu tropecei e as derrubei no chão acidentalmente enquanto eu vinha para cá.

Uma vez esclarecidos os fatos, faltava derrotar um monstro poderoso que já seria terrível difícil de ser vencido em circunstâncias normais. Os cinco heróis levantaram-se com muito esforço, juntando-se a Negão. Fizeram uma pose de batalha constrangedora.

E tentaram o impossível.

***

General Krir mexia em uma estranha máquina. Os cientistas prisioneiros tinham feito ajustes naquela aparelhagem, fazendo com que os resultados por ela obtidos pudessem ser ainda mais satisfatórios.
As famílias dos prisioneiros passaram as últimas horas gritando aos três cientistas para que não colaborassem com aquele plano maligno. Pediam que eles não se importassem com o que pudesse lhes acontecer. Não deveriam compactuar com os terríveis invasores.
Mas armas assassinas estavam apontadas para suas esposas, filhas, filhos e cachorros. Era óbvio que os cientistas obedeceriam, e assim o fizeram. Com dor na consciência e o coração entristecido, os três consertaram, reprogramaram e ampliaram as capacidades de todas as máquinas e aparelhos do Império Krar. Mais que isso: adicionaram novas funcionalidades ao equipamento que gerava monstros malignos.
Graças àquilo, Krordecimooitavo estava quase pronto. Sua pele escamosa fora desenvolvida para refletir quase qualquer material que a atacasse. Sua força física foi aumentada dezenas de vezes. Ele ganhou um raio óptico potentíssimo e a capacidade de ficar quinze segundo invisível a cada duas horas. E ele NÃO era vulnerável a pastel de creme de fígado de barata.

- Insisto que devíamos mandar Krordecimooitavo para lutar junto com Krordecimosétimo! – Krir falou a Krer.
- Não! – foi a resposta – Um de cada vez será suficiente para destruir os Jacohrangers. Além disso, parece que eles mesmos causaram a própria derrota ao dependerem de lentes de contato frágeis para se transformar.
- Então vamos aguardar, Krer! Vamos aguardar que eles sejam derrotados por Krordecimosétimo. E se não forem, Krordecimooitavo cuidará do resto.

General Krir deu uma gargalhada diabólica típica dos vilões de desenhos infantis. Krer o acompanhou. Cientistas e familiares sentiram um aperto no coração. Talvez os Jacohrangers fossem mesmo vencidos.

***

Mestre Jacoh desligou a TV, guardou o DVD em sua caixinha, empilhou-a na estante e apagou a luz. Não houve tempo para trocar de roupa, nem para pentear o cabelo, tampouco para desligar o leite que se derramava sobre o fogão. Era mais urgente ir até os Jacohrangers e avisá-los daquela que poderia ser a última esperança deles...
O mentor do grupo chegou até o local onde seus pupilos estavam caídos, feridos, humilhados e ensangüentados. Lutaram com Krordecimosétimo por poucos minutos, pois, destransformados, não tinham como resistir ao poder de seu oponente.

- Pessoal, há uma forma de vocês conseguirem se transformar novamente! – o velho Mestre os informou.

Antes que pudesse prosseguir, Krordecimosétimo o atacou, arremessando-lhe a dezenas de metros de distância. Mestre Jacoh não tinha quaisquer poderes especiais, por isso caiu desacordado.

- Esse não pode ser o fim! – balbuciou João.
- Precisamos ganhar tempo – murmurou Negão.
- Alguma idéia? – tartamudeou Polaco.
- Vamos distrair o monstro Krordecimosétimo. Enquanto ele fica distraído, perguntamos ao Mestre Jacoh qual a forma de nos transformarmos novamente! – sussurrou Ruivão.
- Então vamos! – disse Japa.
- Hey, monstro Krordecimosétimo! Olhe lá em cima. Um avião! – mentiu Ruivão.

A criatura maligna virou-se para a direção para a qual o Jacohranger vermelho apontara. Procurou, procurou e procurou sem sucesso pelo tal avião. Chegou até a caminhar alguns metros e subir em um carro para ter uma melhor visibilidade.

Mas nada do avião.

***

Com muita dificuldade, os seis destransformados Jacohrangers conseguiram se levantar e chegar até onde estava o Mestre Jacoh. Desmaiado, com um corte na região craniana, sangrando muito e com os lábios roxos.

- Você emprestou seu batom para o Mestre, Paty? – Ruivão perguntou.
- Não! Eu acho que ele está assim porque está morrendo.
- Acho que posso resolver isso! – disse Japa.

O garoto lançou mão de seu celular ultra-tecnológico e ativou a função “Curar Mestre ferido”. Uma onda eletromagnética saiu do aparelho e circundou o corpo do velho Jacoh. Em poucos segundos, ele já estava parcialmente recuperado. O bastante para dizer aos Jacohrangers o que eles precisavam saber.

- Mesmo sem as lentes, é possível vocês se transformarem de novo. No entanto, é um processo arriscado que exigirá um terrível sacrifício. Algo arriscado que talvez seja um preço alto demais a ser pago.
- De novo essa conversinha, Mestre? – era Paty.
- Contarei agora do que se trata. Isso se Krordecimosétimo não atacar vocês primeiro.

NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Para que os heróis possam se transformar novamente, Polaco é obrigado a sacrificar sua visão. Os cinco Jacohrangers terão que, sem o amarelo, vencer o terrível monstro Krordecimosétimo. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 35 – O SACRIFÍCIO DE POLACO

domingo, 10 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO 33 - O DRAMA DE NEGÃO


EPISÓDIO 33 – O DRAMA DE NEGÃO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- JAPA LEVA FORA O MAIOR FORA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADEE  PATY SE MOSTRA A VERDADEIRA VILÃ DE CIDADOPOLISLÂNDIA.
- A FESTA DE DESPEDIDA DOS JACOHRANGERS, QUE DEVERIA SER MOTIVO DE ALEGRIA E REGOZIJO, TRAZ A TONA AMORES MAL RESOLVIDOS E CIRROSES MAL RESOLVIDAS, PARA DESESPERO DOS HERÓIS!

O QUE IRÁ ACONTECER?

Faltavam onze horas. A conta do tempo restante foi refeita várias vezes, visto que a calculadora do computador estava com defeito e nenhum Jacohranger ainda se lembrava da tabuada do quatro. Como se aproximava o momento de eles não resistirem mais as condições climáticas da Terra, aos poucos eles já iam sentindo um estranho mal-estar. Tonturas, enjôos, vômitos e desinterias acometiam os jovens defensores da terra.
Japa ainda estava triste, Polaco ainda estava de ressaca, Ruivão ainda lia alguma coisa, Paty ainda removia sua maquiagem (mesmo a festa já tendo acabado há horas) e João ainda assistia séries japonesas em um dos telões. Mas ninguém tinha visto Negão depois que amanhecera.

- Tive uma idéia! – disse o Mestre Jacoh.
- Qual? Procurar o Negão? – perguntou Polaco – Não precisa. Daqui a pouco ele aparece.
- Não é disso que estou falando. Lembram que eu comentei que no monte Everest existe um líquido que pode fazer vocês continuarem na Terra para sempre.
- Não! – respondeu Paty.
- Minha idéia é a seguinte: que tal se vocês parassem de perder tempo e fossem logo lá buscar aquele líquido.
- Parar de perder tempo e ir logo fazer o que precisa ser feito? É o tipo de coisa em que nenhum de nós pensaria – era Ruivão.
- É algo tão maluco que pode funcionar! – concordou o Jacohranger verde.

Paty, Japa e Polaco concordaram discretamente com suas cabeças, quando Negão apareceu no recinto. Cabisbaixo, com olheiras de quem parecia ter chorado muito. Ainda soluçava, ainda tinha a respiração acelerada. Nas mãos, seu celular.

- O que foi, Negão? – Mestre Jacoh fez a pergunta que todos queriam fazer.
- Acabei de receber uma ligação – a resposta veio em tom monocórdio – Minha mãe fez alguns exames e descobriu ter uma doença gravíssima. Ela só tem dez horas e cinqüenta e nove minutos de vida.

***

Já havia três cientistas reunidos. Com suas grandes capacidades intelectuais, a intenção era que eles reformassem todo o maquinário e as câmaras energéticas de construção de vida artificial do Império Krar. O poderio dos invasores aumentaria substancialmente e a terra estaria condenada.
Naturalmente, nenhum cidadão de bem compactuaria com aquilo, mas os três homens não tinham escolha. Na sala ao lado, chorando de tristeza e medo, uma jaula imensa na qual estavam presos seus filhos e suas esposas. Aos cientistas, apenas duas opções: trabalhar, ou ver sua família morrer diante de seus olhos.
Assim, os generais Krer e Krir apenas supervisionavam ocasionalmente o trabalho dos prisioneiros. Sua atenção estava mais voltada para a aparição do monstro Krordecimosétimo, que já fora criado usando parte dos benefícios implantados pelos cientistas.

- Devemos aproveitar para já criar o monstro Krordecimooitavo? – Krir perguntou.
- Acho melhor aguardarmos um pouco. Vamos ver do que Krordecimosétimo é capaz. Assim poderemos saber o quanto esses cientistas estão realmente se dedicando.
- Vamos mandá-lo vá para o ataque?
- Claro! Esse monstro tem a capacidade de transformar suas vítimas em estátuas de aço carbono. Vamos mostrar a esses humanos a força do Império Krar!

E Krordecimosétimo partiu para o centro de Cidadopolislândia.

***

- Tenho duas opções: ou passo essas últimas onze horas com minha mãe, ou passo essas últimas onze horas sem minha mãe. Eu gostaria de poder ajudá-los a encontrar a água que pode nos curar. Mas não sei se adiantaria continuar na Terra sabendo que minha mãe não passou seus últimos momentos ao meu lado.

Todos ficaram em silêncio. Pela primeira vez, Ruivão não sabia o que dizer. Os demais Jacohrangers também se mantinham silenciosos, pensativos. Estavam solidários a seu amigo.

- Passe as últimas horas com sua mãe! – disse João – Nós daremos um jeito de compensar sua ausência!
- Sim, meu amigo imaginário, o Bob, pode ir em seu lugar! – disse Ruivão.
- Não é a isso que eu me refiro! – João gritou.
- Obrigado, amigos.

Os outros cinco Jacohrangers abraçaram Negão, deram-lhe tapinhas no ombro e lhe desejaram força e fé. Mestre Jacoh queria ter tido algo útil a dizer, mas só conseguiu lacrimejar e apertar com força a mão de seu pupilo. O jovem agradeceu o apoio e preparou-se para ir, quando o alarme soou com o tom escandaloso de sempre.

- Alerta! Perigo! Mexam-se seus inúteis, mexam-se! Mexam-se!

Negão virou-se em direção aos amigos, com o semblante de ira combativa, mas todos balançaram a cabeça em negativa. O combate ao Império Krar ficaria restrito aos outros cinco heróis. O Jacohranger preto deveria ir resolver seus problemas familiares. Todos lutariam por ele.
Negão partiu, seus olhos cheios de água. Não sabia se era de tristeza por estar perto de perder sua amada mãe, se de alegria por ter amigos maravilhosos que sempre o apoiariam em momentos difíceis, ou se por ter entrado um cisco em seu olho. Fosse pelo que fosse, não era o momento de olhar para trás, ou pensar muito. Era o momento de agir.

- Hora de Jacohmbater o mal! – gritaram os outros cinco.

Krordecimosétimo os aguardava.

***

- Que coisa fascinante! Uma exposição de arte ao ar livre.
- Cale-se, Ruivão! Não percebe que as pessoas foram transformadas em estátuas de aço carbono pelos poderes terríveis de algum monstro terrível que nos proporcionará um combate terrível!
- A crueldade do Império Krar não tem limites. Se tivessem transformado as pessoas em estátuas de aço inox, ao menos não haveria perigo delas oxidarem! – o Jacohranger vermelho vociferou.

De fato, o centro de Cidadopolislândia parecia um museu macabro. A maioria das pessoas transformadas tinha nos rostos expressões de desespero, reflexo do medo que sentiam quando foram atacadas. Eram muitas, mais do que se podia contar, especialmente para os Jacohrangers, que tinham dificuldades com números acima de quinze.

- Onde está o monstro responsável por essa vilania? – Ruivão perguntou.

A resposta veio em uma violenta onda de luz, um flash que pôde ser visto a centenas de metros de distância. Krordecimosétimo transformava pessoas em estátuas através de um terrível raio luminoso.

- Vil criatura, os Jacohrangers estão aqui para puni-lo! – o herói verde gritou.

Soldados Krur se adiantaram e iniciaram a batalha. Estavam mais poderosos, resistindo aos socos e chutes dos guerreiros coloridos. Foi necessário que os Jacohrangers sacassem suas armas para que os ataques surtissem efeito.
O vermelho derrubou três com sua espada, a rosa nocauteou dois com seus disparos e o azul esmagou outros três com sua maça. Em poucos minutos, os soldados Krur caíam, tal qual o poder de compra dos cidadãos de Cidadopolislândia.

- Venha nos confrontar, monstro pavoroso! – gritou o Jacohranger amarelo.

Da testa de Krordecimosétimo um terceiro olho emitiu o terrível raio luminoso, surpreendendo os defensores da paz. O brilho intenso se mostrou insuportável, e por alguns segundos os heróis tiveram seus olhos ofuscados. Foi necessário um tempo para que os Jacohrangers conseguissem voltar a enxergar. Não ficaram cegos depois do ataque, nem foram transformados em estátua.
Mas, por algum motivo, se destransformaram. As lentes de contato responsáveis por seus poderes estavam no chão.

Quebradas!
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

Os Jacohrangers não conseguem mais se transformar. Eles precisam vencer o monstro e partir para o Everest. Conseguirão a tempo? Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 34 – SEM LENTES, SEM PODERES!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO 32 - A TRISTEZA AINDA MAIOR DE JAPA


EPISÓDIO 32 – A TRISTEZA AINDA MAIOR DE JAPA

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- JOÃO ARRUÍNA A INFÂNCIA DE MUITOS DESAVISADOS COM A INESPERADA REVELAÇÃO DE QUE A “ESPADA OLÍMPICA” DE JIRAIYA NÃO SE CHAMAVA “ESPADA OLÍMPICA”.
- FALTANDO POUCO MAIS DE UM DIA PARA SEU TEMPO NA TERRA ACABAR, OS JACOHRANGERS TENTAM RESOLVER SUAS PENDÊNCIAS SENTIMENTAIS EM UMA FESTA REPLETA DE SALGADINHOS.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Em meio a músicas, danças exóticas, reclamações por parte dos vizinhos e strip-teases evitados a muito custo, a festa seguia. Chegou o momento de todos sentarem nas cadeiras, respirarem fundo e comerem um pouco. Exceto, claro, Polaco, que estava há quase duas horas vomitando mas mesmo assim se recusava a parar de beber.
João estava tão concentrado em assistir alguns episódios de Battle Fever J, que nem percebeu que sua namorada estava sozinha em um canto, e que Japa foi até aquele canto e fechou uma porta, deixando ambos a sós. O Jacohranger verde só tinha olhos para o roteiro daquele viciante Super Sentai. A segurança de seu relacionamento podia esperar.
Ruivão seguia conversando com seu “eu lírico”, enquanto tentava incluir no diálogo seu “alterego” e seu “superego”. Os assuntos ainda eram seus confusos sentimentos por Paty.
Negão e Mestre Jacoh levaram “foras” das strippers e se refugiaram na bebida para lidarem com isso. As dançarinas profissionais abandonaram a festa antes do combinado e ainda cobraram o cachê em dobro. Negão ainda teve uma desagradável surpresa ao abrir seu “perfil” em uma rede social. Sua namorada havia lhe mandado uma mensagem terminando tudo. “Deus me mandou amar o próximo”, ela escrevera.
E em um aposento sem muita música, sem muita luz e sem bandejas com coxinhas, Japa e Paty ficaram frente a frente.

***

Krer e Krir, os generais recém-derrotados, usavam todos os recursos que sua tecnologia alienígena lhes oferecia para curarem, ao menos parcialmente, seus ferimentos. Havia também os machucados profundos que surgiram em seus orgulhos e em suas auto-estimas. Ambos apanharam e tiveram que fugir covardemente. Apenas uma violenta vingança poderia curar aquele sentimento de humilhação que pulsava em seus peitos.

- Alguma idéia para derrotar os Jacohrangers? – Krer perguntou.
- Sim. Tenho uma relação com os nomes de três cientistas deste país que estão desenvolvendo estudos sobre a potencialização do poder destrutivo de várias armas. Pensei em seqüestrar familiares desses cientistas e assim os chantagearmos, obrigando-os a aplicarem essa nova tecnologia em nossos armamentos. O que acha?
- Aumentar o poder de nossas armas pode ser algo útil. Poderíamos pôr o plano em ação assim que nos recuperarmos. O que acha?
- Você está atrasado, amigo Krer. Os soldados Krur já estão no encalço das famílias dos três cientistas. Acredito que nas próximas horas já tenhamos um ou dois deles aqui trabalhando para nós.
- Genial, Krir! Notícias de nosso Imperador?
- Não ainda. Ele parece estar ocupado com algum plano de contingência. Ou aumentando seus próprios poderes. Ou tentando seduzir alguma imperatriz de algum outro império espacial. Ou simplesmente ficando um tempo longe de nós.
- Eu aposto na terceira opção.

A conversa foi subitamente interrompida pela chegada de sete soldados Krur. Com eles, assustados, amarrados e chorando muito, um senhor de meia-idade, uma mulher que parecia sua esposa e uma criança que provavelmente era a filha do casal.

- Já temos o primeiro cientista! – disse o General Krer – O plano vai finalmente começar.

***

- Paty, espero não estar tomando seu tempo.
- Não, Japa. Não está. Diga!

O garoto de descendência oriental respirou fundo, sem saber muito bem o que dizer à mulher amada. Negão tinha lhe dado um conselho importante, mas no momento de pôr aquele ensinamento em prática, as coisas pareciam bem mais difíceis. Fosse como fosse, não havia mais volta.

- Paty, você está muito linda hoje! Com todo o respeito, é claro! – Japa ficou vermelho ao dizer aquilo.
- Muito obrigado, Japa. Mas não é só hoje que estou linda. Sempre estou.
- É verdade! – ele ficou mais vermelho ainda.
- Você quer me dizer alguma coisa, não quer?
- Sim!
- Então pode falar.
- Certo!

Mas as palavras não saíram e ele ficou um bom tempo olhando para o chão pensando em como começar. Veio à sua cabeça a dúvida: quais seriam as chances que ele teria com Paty, levando em conta que ela era lindíssima, tinha um namorado e era cortejada por outro cara? Mais que isso: que chances ele teria com ela, levando em conta que ela já sabia do vício dele em urinar nas paredes de seu robô gigante, sabia que Japa não tinha experiência praticamente nenhuma com mulheres e nem tinha a capacidade de se declarar decentemente, como qualquer homem de verdade faria?

- Paty, gosto muito de você.
- Eu sei, Japa.
- Tenho alguma chance com você, Paty? Posso ter esperanças de um dia ficarmos juntos? – ele finalmente conseguiu perguntar.

Foi a vez de ela demorar um pouco para responder, após olhar por alguns instantes para o chão. Ela suspirou. O coração dele bateu acelerado. E então ela respondeu.

***

No centro de Cidadopolislândia, soldados Krur levavam famílias ao desespero, procurando entre elas alguém especial. O caos tinha tomado conta de tudo. Uma criança foi ameaçada por eles, fazendo seu irmão e seu pai se mostrarem. O pai dela era o alvo. Os três foram seqüestrados. O segundo cientista era levado ao esconderijo do Império Krar, enquanto outros soldados procuravam o terceiro cientista.
No quartel-general dos Jacohrangers, o alarme soava de forma escandalosa, mas a música que tocava era ainda mais escandalosa. Uma sirene vermelha piscava, mas não havia ninguém próximo aos monitores. Todos estavam em outros aposentos, ocupados demais com seus próprios assuntos.

Cidadopolislândia estava em perigo, mas seus heróis não sabiam.

***

- Japa, infelizmente você não tem nenhuma chance comigo. Desculpe, mas não vejo em você nada além de alguém que só é útil porque nos conseguiu um robô gigante reserva. E ainda demorou a conseguir isso, diga-se de passagem. Você sabe que eu namoro o João, mas já tive uma queda pelo Ruivão. Acho que até com o Negão, que tem certo charme e bastante lábia eu me envolveria. Talvez até com o Polaco, que bebe bastante e tem certo charme por causa disso, e que também tem boa lábia, eu poderia me envolver. O próprio Mestre Jacoh, com seu jeito às vezes pervertido, também poderia, quem sabe, despertar o meu interesse se tivesse mais higiene.
- E eu? – Japa ficou com medo de perguntar.
- Você tem um jeito tímido, do tipo que não desperta a “libido” de uma mulher. Por ser assim, fica difícil você mostrar a alguém seu carisma, supondo que você tenha. Pelo que te conheço parece que você não tem. O fato de você gostar de mim há tanto tempo e só ter tomado uma atitude agora mostrar sua covardia, inexperiência e mediocridade. Por isso eu jamais vou amá-lo, jamais sentirei por você qualquer coisa maior que certa gratidão por você ter conseguido para nós outro robô gigante. Pelo que te conheço, percebo que você provavelmente também fracassará com qualquer outra mulher pela qual você se apaixone, então aconselho você a se conformar com a idéia de ficar sozinho para sempre.

Japa não soube o que responder.

- Mas apesar de tudo isso, espero que você não fique triste! – Paty concluiu.

A garota levantou-se, saiu daquele aposento e foi massagear os ombros de seu namorado, que assistia repetidamente a abertura de Boukenger, cantando a música tema em alta voz.
Japa não soube o dizer, nem o que pensar. Teve a impressão de que sua pressão baixou, sentiu certa tontura e ânsia, e foi ao banheiro vomitar. Lá chegando, encontrou Polaco de joelhos, debruçado sobre a privada.

- Você também bebeu demais, Japa?

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DOS JACOHRANGERS:

Os problemas particulares de Negão vêm à tona, ao mesmo tempo em que o plano dos generais vai tomando forma. Faltando apenas onze horas para o tempo acabar, os Jacohrangers ainda precisam combater o monstro Krordecimosétimo, enquanto Mestre Jacoh tem uma idéia. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 33 – O DRAMA DE NEGÃO!