Jacohrangers

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO 35 - O SACRIFÍCIO DE POLACO


EPISÓDIO 35 – O SACRIFÍCIO DE POLACO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- A TROCA DOS EXAMES DA MÃE DE NEGÃO E DE OUTRA SENHORA REVELA A MÁ QUALIDADE DO SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA EM CIDADOPOLISLÂNDIA.
- A MANIA REPETITIVA DO MESTRE JACOH DE DIZER QUE TUDO PODE SER RESOLVIDA APÓS UMA JORNADA PERIGOSA ABORRECE OS JACOHRANGERS!

O QUE IRÁ ACONTECER?

Krordecimosétimo tinha se cansado de procurar inutilmente pelo avião e voltou-se aos heróis. Estava furioso, pois tinha sido feito de trouxa, sido enganado, ludibriado. Teve sua inteligência subestimada, seu orgulho ferido e sua auto-estima comprometida por aquele truque estúpido. Com a pouca inteligência que tinha, o monstro prometeu a si mesmo que jamais, nunca mais, nunca, nunca, nunca mais seria feito de idiota outra vez.

- Hei, monstro. Olhe lá! Outro avião! – gritou João.

Krordecimosétimo virou-se empolgado em direção ao céu, ansioso pela possibilidade de realizar o sonho de infância de ver um avião de verdade voando. No começo, não viu nada, mas seguiu acreditando e procurando.

- Algum de vocês se oferece para sacrificar sua visão por algumas horas para que os demais possam voltar a se transformar? – Mestre Jacoh perguntou – Lembrem-se que aquele que aceitar, provavelmente passe as últimas horas que tem na Terra sem poder contemplar as belezas desse planeta, os decotes das mulheres, sem ler seus quadrinhos preferidos e sem ter certeza que a comida que lhe darei é realmente comida e não alguma brincadeira de mal-gosto minha que envolva margarina apodrecida misturada a urina canina.

Não havia tempo. Até mesmo a estupidez de Krordecimosétimo tinha limites, e logo os heróis seriam atacados. Precisavam recuperar logo a capacidade de se transformarem. Nem que isso significasse um sacrifício desumano a um deles.

- Eu acho que o escolhido deve ser o Polaco! – disse Paty – Ele é o mais preparado para seguir sua vida sem o sentido da visão. Afinal, ele passa 80% do dia em um estado de embriaguez que o deixa tão vesgo, que acho que ele nunca a visão totalmente perfeita.
- Ou seja, ele já está acostumado a não enxergar tão bem! – completou João.

Polaco aceitou. Não porque tivesse consciência da importância que seu gesto nobre tinha para a manutenção da paz na terra, ou porque realmente se considerasse capaz de ficar algumas horas sem enxergar e tocar sua vida mesmo assim. Mas sim porque estava tão bêbado que lhe faltava lucidez para argumentar alguma coisa.
Mestre Jacoh orientou seu pupilo. Primeiro o mentor dos Jacohrangers pegou os cacos das lentes de contato quebradas e as pôs sobre as palmas de suas mãos. Disse a Polaco para se concentrar, e ouviu um sonoro arroto como resposta. O Jacohranger amarelo, sem ter sequer consciência disso, começou a emanar de sua retina uma estranha energia. O poder misterioso circundou as lentes de contato, que por algum motivo igualmente misterioso foram se reconstruindo. A própria lente de Polaco também se reconstruiu, significando que quando o jovem recuperasse sua visão, poderia se transformar também e vir ajudar seus amigos.

- Não consigo ver nada! Não devia ter misturado vodka com conhaque com uísque com vinho com “Bacardi” com pinga com cachaça com “fogo paulista” com Fanta Uva.
- Não se preocupe, Polaco! – Ruivão tentou apoiar o amigo – Eu, por exemplo, não consigo enxergar meus próprios olhos. Isso é natural.

Mestre Jacoh deu as mãos ao agora cego pupilo e foram juntos de volta ao quartel-general. O Jacohranger amarelo precisaria de algumas horas de repouso até que sua visão voltasse ao normal. Um tempo precioso, mas que precisou ser sacrificado.

Pelo bem de Cidadopolislândia.

***

- Hora de Jacohmbater o mal!

Os outros cinco conseguiram se transformar novamente. Deixaram de ser jovens problemáticos, esquizofrênicos e semi-analfabetos para serem poderosos e valentes heróis. Ainda estavam feridos e ensangüentados, mas já tinham em mãos o poder necessário para seguirem lutando.
Diante deles, o terrível panorama: estátuas de aço carbono feitas a partir de inocentes vidas humanas, uma piada de mal-gosto fruto da crueldade do monstro Krordecimosétimo. Um monstro estúpido e que sonhava com aviões. Mas também poderoso e impiedoso. Combinação perigosa.

- Vamos derrotá-lo, ser das trevas! – o herói de armadura vermelha gritou.

Talvez fosse apenas impressão, mas a verdade é que os Jacohrangers sentiam-se mais poderosos. Era como se a visão de Polaco tivesse proporcionado a eles um aumento considerável em suas forças.
Logo isso se comprovou. Os socos de Ruivão e os chutes de João se mostraram mais efetivos contra o monstro, que chegou a ser derrubado duas vezes. Japa e Negão empunharam suas armas e conseguiram ferir Krordecimosétimo ainda mais. Paty surpreendeu a criatura com seus disparos a distância e também causou grandes estragos.
Mais que isso, os Jacohrangers também pareciam mais resistentes. Os ataques do ser maligno não conseguiam mais feri-los como antes. O monstro não podia mais evitar, nem se desviar das investidas dos heróis. A vitória parecia inevitável.
Os cinco lançaram um ataque combinado, deixando Krordecimosétimo zonzo. Antes que o monstro pudesse se recuperar, os Jacohrangers posicionaram-se para o ataque final.

- Bazuca sem nome! – todos gritaram.

Mesmo incompletos, puderam lançar seu ataque destruidor com grande potência. Krordecimosétimo explodiu, sendo feito em centenas de milhares de pedacinhos. Os heróis coloridos ainda vibravam infantilmente pela vitória, quando ouviram o grito desagradável que sempre estragava tudo.

- Raio agigantador!

E as centenas de milhares de pedacinhos se reconstruíram, porém com aproximadamente cinqüenta metros de altura. Krordecimosétimo se tornava um monstro gigante. A batalha ainda não havia terminado.
Todos olharam para Japa, que ficou alguns instantes sem entender. Chegou até a pensar que seus amigos queriam que ele, com um metro e setenta e cinco, enfrentasse sozinho um monstro que tinha quase trinta vezes sua altura.

- Ah, sim... O celular ultra-tecnológico – ele se lembrou.

E após uma série de complicados códigos serem digitados, um diminuto celular transformou-se em um imponente poderoso e feio robô gigante. Os heróis adentraram o “Robô Reserva” e prepararam-se para o imenso combate.
A máquina de combate desferiu socos e chutes, mas o monstro maligno se defendeu bem. Como contra-ataque, Krordecimosétimo emitiu seu raio luminoso. O Robô Reserva não se transformou em uma estátua de aço carbono, mas teve seus circuitos internos danificados.
E então um violento soco quase nocauteou o robô. Desequilibrado, o construto recebeu mais dois poderosos golpes. A máquina de batalha caiu. Krordecimosétimo não seria derrotado tão facilmente.

- Vamos usar farta e indiscriminadamente aqueles recursos que não devem ser usados farta e indiscriminadamente! – gritou o Jacohranger vermelho.

Os heróis usaram o Míssil Reserva, o Raio Reserva, o Ataque Apelativo Reserva e a Luz Eletromagnética Reserva. Krordecimosétimo foi ferido a ponto de não ter forças para contra-atacar. A vitória finalmente estava próxima.

- Golpe Fatal Final Reserva! – gritaram João, Negão e Paty.
- Golpe Final Fatal Reserva! – gritaram Ruivão e Japa.

Krordecimosétimo foi totalmente destruído, reduzido a partículas subatômicas. Os Jacohrangers abandonaram o Robô Reserva, que por sua vez voltou a ser um caríssimo celular sujo de gordura.
Para aumentar sua felicidade, os heróis ainda viram as pessoas que tinham sido transformadas em estátuas de aço carbono voltarem ao normal. A paz voltara a Cidadopolislândia.

Mas... Por quanto tempo?
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Finalmente os Jacohrangers decidem ir ao Monte Everest atras da água que pode fazê-los permanecer para sempre na Terra. Mas os perigos que lá residem podem ser ainda mais cruéis do que tudo que já enfrentaram. O monstro Krordécimooitavo surge e o caos em Cidadopolislândia recomeça. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 36 – A JORNADA PERIGOSA

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