Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 28 de abril de 2013

EPISÓDIO 44 - A APARIÇÃO DO IMPERADOR KRAR



EPISÓDIO 44 – A APARIÇÃO DO IMPERADOR KRAR

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- APÓS UMA ENROLAÇÃO DESAGRADÁVEL QUE JÁ IMPACIENTAVA OS FÃS DO GRUPO, FINALMENTE OS JACOHRANGERS CONSEGUIRAM A TAL ÁGUA SAGRADA E ASSEGURARAM SUA PERMANÊNCIA NA TERRA.
- SERÁ QUE O EFEITO DA ÁGUA SAGRADA IRÁ DESAPARECER QUANDO OS HERÓIS TIVEREM QUE URINAR?

O QUE IRÁ ACONTECER?

Os seis heróis repousavam. Cada um em seu aposento, exceto por Paty e João que trocavam carícias a portas trancadas, para desespero de Japa (que estava no quarto imediatamente ao lado e podia ouvir gemidos). O herói oriental aproveitava para jogar na loteria. Ruivão lia um livro intitulado “Uma temporada acaba e a outra termina: é o ciclo da vida”. Negão assistia filmes pornôs enquanto conversava via internet com jovens despudoradas. Polaco estava quase entrando em coma alcoólico.
Mestre Jacoh terminava de tomar seu banho, quando se lembrou que havia três famílias de cientistas mantidas como reféns pelo Império Krar. O próprio mestre havia tentado resgatá-los, mas falhou miseravelmente ao ser rechaçado por um número absurdamente grande de soldados Krur.
Aos trambolhões, ele se vestiu e correu para chamar seus pupilos. Notou ter vestido suas calças do lado contrário, e no exato momento em que a tinha tirado é que todos os Jacohrangers chegaram ao mesmo tempo até onde ele estava.

- Devo ter no meu quarto um manual que ensina como vestir corretamente suas calças – disse Ruivão.
- Até quando vai nos envergonhar? – era Negão, sério.
- Por que não anda pelado de uma vez? – Japa brigou.
- E depois não quer ser motivo de chacota – Polaco falava com dificuldades.
- So não rio da sua cara porque minha namorada e eu também não estamos usando calças – disse João, e então todos viram que ele e Paty estavam nus.
- Quando todos estiverem vestidos eu volto aqui! – Ruivão deu as costas e saiu.

Minutos mais tarde, com todos adequadamente vestidos, o grupo se reuniu. João e Paty caminhavam com certa dificuldade. Japa percebeu e se desesperou. Os seis fizeram silêncio. Mestre Jacoh lhes contou sobre os reféns.

- Isso é relativamente terrível! – Ruivão foi o primeiro a se manifestar – Claro que ser mantido como refém cerceia a liberdade da pessoa, mas, por outro lado, pense que agora eles não correm mais o risco de serem assaltados, não gastam com água, energia elétrica, internet e alimentação. Há um lado bom nisto tudo.
- Sabe onde é o lugar, Mestre? – João ignorou seu colega – Partiremos para lá imediatamente.
- Sei sim. Inclusive, acho que posso até ir com vocês.

Estavam prontos para partir, quando o alarme tocou da forma escandalosa de costume. O monitor ligou sozinho, de súbito, exibindo uma imagem assustadora: o Imperador Krar, em tamanho monstruoso, atacando Cidadopolislândia.

***

- Meu celular ultra-tecnológico ainda não está com a bateria totalmente carregada, por isso não podemos usar o Robô Reserva, muito menos fazer a fusão que vai resultar no Robô Supremo – Japa explicou – Vamos ter que usar apenas o Gigante Guerreiro Jacohlossal!
- Você é um inútil mesmo, hein Japa? – Paty disse, magoando profundamente seu colega.
- Hora de Jacohmbater o mal! – todos gritaram.

Os heróis partiram rumo ao centro. Mestre Jacoh ficou na base. Logo adentraram o Gigante Guerreiro Jacohlossal. Ficaram frente a frente com o terrível Imperador Krar. Nas mãos, o monstruoso líder invasor tinha uma espada em chamas. Nos olhos, um ódio palpável.

Aquela seria, definitivamente, a batalha final.

***

- Chega de subterfúgios! Chega de recorrer a generais medíocres! Eu mesmo destruirei vocês e governarei este planeta ridículo. Façam suas preces, heróis malditos!
- Chega de alarmes soando e nos matando de susto! Chega de ataques realizados bem na hora em que estamos lendo algum livro de filosofia húngara! Chega! – Ruivão gritou – Vamos destruir você de uma vez por todas!

E a batalha teve início.

A espada do Imperador e a do Gigante Guerreiro Jacohlossal se chocaram, fazendo uma chuva de faíscas e chispas caírem sobre a cidade. As lâminas gigantescas mediam forças, revezando entre atacar e defender. As forças e habilidades pareciam ser mais ou menos iguais.
Dos olhos do furioso líder inimigo voaram vários poderosos raios. O Escudo Jacohlossal não foi rápido o bastante para garantir o bloqueio das rajas, e o robô dos heróis foi atingido. Antes que se recompusesse, a espada em chamas do Imperador desceu furiosa sobre o ombro do robô dos heróis.
O Gigante Guerreiro Jacohlossal foi ao chão, gerando várias explosões com o impacto. Nem bem os heróis se recuperaram, e foram alvo de mais raios, ainda no chão. Mais explosões. A máquina de batalha dos Jacohrangers ia ficando mais e mais danificada.

- Deste jeito seremos derrotados! – João gritou.

Dispararam o Míssil Jacohlossal. O Imperador Krar se desviou sem esforço, mas aquilo deu aos heróis o tempo necessário para levantarem o Gigante Guerreiro Jacohlossal. As espadas voltaram a dançar a dança da morte. Quando o terrível inimigo desferiu rajadas de seus olhos, os heróis revidaram com o Raio Jacohlossal.  As poderosas energias colidiram, resultando em mais e mais explosões.
A habilidade do Imperador com a espada parecia maior, e logo ele foi ganhando terreno na batalha corpo-a-corpo. Desferiu um ataque de cima para baixo que foi defendido pela lâmina do Gigante Guerreiro Jacohlossal. No momento em que as duas armas colidiam, as chamas presentes na espada do vilão se intensificaram, desequilibrando o robô dos Jacohrangers.
E então veio uma seqüência de estocadas, raios e chutes. Os heróis tornaram a ir ao chão, enfraquecidos e feridos.
O centro de Cidadopolislândia tinha virado uma gigantesca cratera. Pessoas corriam desesperadas, em busca de uma segurança que só viria se os heróis vencessem a batalha. Havia gritos e desespero, mas eles não eram mais audíveis que as gargalhadas sinistras do terrível Imperador Krar.
Os Jacohrangers tentaram se reerguer. Alguns comandos do Gigante Guerreiro Jacohlossal não funcionavam mais. O cheiro de urina invadiu o compartimento dos heróis. Paty sugeriu a João, em voz alta, que já que eles seriam destruídos em poucos minutos deveriam fazer amor pela última vez.
Aproveitando-se do estado trágico em que seus inimigos se encontravam, o Imperador Krar começou a reunir uma grande quantidade de energia nas mãos. Chamas que mordiscavam o ar iam agrupando-se mais e mais no punho fechado e tirânico do vilão. O poder ali contido era gigantesco.

Aquele seria o golpe final que destruiria os Jacohrangers.

***

- Eu me recuso a perder! – Ruivão gritou.
- Eu também me recuso! – João fez coro ao amigo.
- Eu também! – gritou Negão.
- Eu nem importo muito, mas vou dizer que também me recuso para não parecer que quero ser o “diferente” do grupo! – Japa foi sincero.
- Todo mundo se recusa a morrer! – Paty disse com desprezo – A pergunta é: o que podemos fazer para vencer?
- Isso! – e João apertou um botão.

E invocou o golpe mais poderoso do Gigante Guerreiro Jacohlossal.

- Golpe Fatal Final Jacohlossal!

E a energia que o Imperador Krar estava reunindo desapareceu. Uma gigantesca explosão destruiu o que restava do centro de Cidadopolislândia, mas por sorte as pessoas inocentes já estavam bem longe dali. O ataque também provavelmente tinha destruído, finalmente, o Imperador Krar.

Ou não.

Sob uma camada espessa de poeira e uma verdadeira “cortina de fumaça”, uma sombra ainda de pé grunhia e praguejava em voz baixa. Com espanto, os Jacohrangers viram que o Imperador Krar estava terrivelmente ferido. Mas ainda não derrotado. A batalha final ainda não tinha sido vencida.
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Muito ferido, o Imperador Krar recua. Os Jacohrangers partem para salvar os reféns, mas são surpreendidos pela quantidade absurda de soldados Krur que tentam impedí-los. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 45 – MILHARES DE SOLDADOS KRUR

domingo, 21 de abril de 2013

EPISÓDIO 43 - A CORRIDA CONTRA O TEMPO


 EPISÓDIO 43 – A CORRIDA CONTRA O TEMPO

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- FINALMENTE MESTRE JACOH CRIA VERGONHA CARA, DEIXA DE SER COVARDE, FROUXO, MULHERZINHA, MARIQUINHA E RESOLVE CONTAR TODA A VERDADE PARA OS JACOHRANGERS.
- SERÃO OS HERÓIS CAPAZES DE CONSEGUIREM A ÁGUA SAGRADA QUE TANTO PRECISAM EM APENAS TREZE MINUTOS E ASSIM GARANTIREM SUA PERMANÊNCIA NA TERRA?

O QUE IRÁ ACONTECER?

Pela contagem oficial, faltavam onze minutos e meio. Os seis heróis já estavam no Monte Everest. O frio era terrível, o ar era rarefeito e o cheiro era desagradável.

- Japa, isto não é hora para urinar! – Negão deu a bronca no amigo.

A montanha que tinham que escalar era íngreme. O vento intenso os agredia como um chicote que não parava de estalar. Até mesmo olhar para cima se tornava cada vez mais difícil. Fora aquilo, a trilha era escorregadia, não sendo raras as vezes em que um ou dois dos Jacohrangers caíam de boca no chão, sendo alvo das chacotas impiedosas de seus colegas.
Mas eles seguiam, movidos pelo desagradável motivo de não terem escolha. Sinais de cansaço, enfraquecimento e desânimo logo surgiram.

- Não estou conseguindo respirar direito!
- Então tire as mãos da frente de seu nariz, Ruivão! – João sugeriu.
- Boa idéia! Hey, funcionou! Muito obrigado!

Faltavam sete minutos, quando os problemas de verdade apareceram. Dois seres saídos de algum filme de terror de orçamento baixíssimo saíram de algum buraco na neve. Rosnavam, grunhiam, batiam nos próprios peitos. Pareciam imunes ao frio lancinante e ao vento mortal.

- Vamos nos dividir em três grupos de sete! O primeiro grupo volta e pergunta ao Mestre Jacoh quanto tempo ainda temos. O segundo e o terceiro grupo combatem esses seres. O quarto grupo vai atrás da tal água.
- Cale-se, Ruivão! – João gritou.

O Jacohranger verde tomou a iniciativa de combater uma das criaturas. Trocaram socos, chutes e cotoveladas. Os ataques de João não feriam o inimigo, que por sua vez machucava bastante o herói.
Japa e Negão foram em seu auxílio. Os três juntos atacaram por lados diferentes, com todas as forças que tinham. Vendo que não continuavam sem causar dano ao monstro, sacaram suas armas. E seguiram o ataque.
Ruivão, Paty e Polaco decidiram fazer o mesmo. Juntos, armas em punho, foram para cima do outro ser. Esforçaram-se ao máximo, mas o resultado foi o mesmo: não eram capazes de vencer.
Surgiu então a brilhante idéia de os seis Jacohrangers enfrentarem juntos um monstro de cada vez. Assim o fizeram. Com a força de suas armas, e com a determinação que apenas um valoroso grupo de Super-Sentais pode ter, atacaram. E o resultado foi o mesmo.

- Vamos usar a Bazuca sem nome! – Negão gritou.
- Boa idéia! – todos responderam ao mesmo tempo – Bazuca sem nome!

E da bazuca saiu uma quantidade enorme de uma estranha energia que explodiu na criatura glacial. O ser maligno foi totalmente destruído, sem deixar vestígios. Restava apenas o outro monstro.
No entanto, a bazuca sem nome tinha uma quantidade de energia limitada e não poderia ser usada duas vezes seguidas.

Então, a batalha teve que recomeçar.

***

Os Jacohrangers tinham apenas sete minutos na Terra.

***

Apesar de todos os esforços, não havia muito que pudesse ser feito. A criatura horrenda era poderosa demais. Mesmo os heróis atacando com todas as suas forças, não era possível vencer.

- João, Ruivão! Ouçam! – Japa gritou – Negão e eu vamos segurar esse monstro e vocês correm atrás da água. Paty, Polaco, nos dêem cobertura.
- Ok!

Com muita dificuldade, o Jacohranger azul e o preto agarraram a criatura abominável e a imobilizaram por algum tempo. As cotoveladas do monstro trataram de libertá-lo, mas aquilo deu o tempo necessário para que o herói verde e o vermelho corressem.
A rosa e o amarelo tentaram derrubar o adversário golpeando suas pernas. Não conseguiram e tentaram derrubá-lo com golpes nas “partes baixas”. Novamente vendo que não tinham sido bem-sucedidos, optaram por tentar jogar neve nos olhos do rival.
Aquilo até funcionou, mas apenas por alguns segundos. Eles aproveitaram aquele tempo para golpear o máximo possível, mesmo sabendo que causariam pouco ou nenhum dano.
Quando o monstro voltou a enxergar, espancou os quatro Jacohrangers. Bateu neles com extrema violência, fazendo seus corpos quase desmaiados rolarem montanha abaixo.

- João! Ruivão! Por favor, apressem-se! – Negão pensou, instantes antes de perder os sentidos.

***

Os Jacohrangers só tinham quatro minutos de vida na Terra.

***

Uma caverna, um tipo de gruta. Lá dentro, iluminação tímida, ainda menos ar, ainda mais frio. Não havia outro caminho naquela trilha, nem mais tempo para procurar. A água precisaria estar escondida lá, ou tudo estaria perdido.
João e Ruivão caminharam tão rápido quanto a baixa temperatura lhes permitiu. O interior daquela gruta foi ganhando uma estranha claridade, um brilho azulado de natureza misteriosa. Sem entender o motivo daquilo, eles apenas seguiram. Até chegarem a uma bifurcação.

- Vamos nos separar! – Ruivão propôs – Você vai pela direita, e eu vou pela direita também.

João apenas balançou a cabeça em negativa e tomou o caminho da esquerda. Após caminhar pouco mais de cinco metros, encontrou Ruivão, ficando com a impressão que qualquer caminho os faria chegar lá. E então encontraram.
Havia uma espécie de altar, já em ruínas, cheio de símbolos já apagados pelas ações predatórias do tempo e do frio. Sob um suporte de ouro, um frasco dourado com um líquido levemente amarelado em seu interior. Só podia ser a água sagrada que tanto buscavam.

- Só espero que não seja a urina do Japa! – Ruivão comentou.

Os dois voltaram correndo. Pela contagem oficial (que não era tão oficial assim), restavam apenas dois minutos. Desceram aos trambolhões a montanha, deixando para trás a criatura parecida com o Abominável Homem das Neves. Certo desespero os invadiu ao perceberem que teriam que localizar os corpos desmaiados de seus amigos.
Felizmente, Mestre Jacoh já estava reanimando os quatro guerreiros caídos. Rapidamente, todos ingeriram alguns goles daquele líquido misterioso. Sentiram um formigamento na língua, seguido de um estranho mal-estar, desorientação. As visões ficaram ligeiramente turvas, mas logo voltaram ao normal.

- Vocês conseguiram! Agora só precisam derrotar o Império Krar! – era o Mestre Jacoh.
- Por falar nisso, Mestre, quero lhe fazer uma pergunta antes de voltarmos. O senhor disse que o tal Império Akkuma atacou e destruiu o planeta Jacoh e que eles são muito poderosos, terríveis, cruéis e mais perigosos que o Império Krar. Existe a possibilidade de eles atacarem a Terra um dia? – Paty perguntou.
- Sim, mas não se preocupe: eles só vão fazer isso na segunda temporada.
- Menos mal.

Os seis Jacohrangers e seu mestre ingressaram no jato e regressaram à sua base sem pressa. O Império Krar ainda não tinha sido derrotado, era verdade, mas ao menos agora eles poderiam lutar com um pouco mais de tranqüilidade. Algo realmente muito bom.

Porque o que os aguardava era simplesmente o maior desafio de todos.
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

O Imperador Krar regressa mais poderoso e lança um furioso ataque à Cidadopolislândia. Mais que isso, ele desafia os Jacohrangers para a batalha final. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 44 – A APARIÇÃO DO IMPERADOR KRAR

domingo, 14 de abril de 2013

EPISÓDIO 42 - REVELAÇÃO! O SEGREDO DO MESTRE JACOH!



EPISÓDIO 42 – REVELAÇÃO! O SEGREDO DO MESTRE JACOH!

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- O MESTRE JACOH REVELA TER UM SEGREDO IMPORTANTÍSSIMO A REVELAR AOS JACOHRANGERS.
- A PRIMEIRA TEMPORADA DOS JACOHRANGERS TERÁ 50 EPISÓDIOS, APÓS DA QUAL TEREMOS A SEGUNDA TEMPORADA COM VÁRIAS NOVIDADES E MAIS 50 EPISÓDIOS.

O QUE IRÁ ACONTECER?

- Resta-nos pouquíssimo tempo – a voz do Mestre Jacoh era pura apreensão – Preciso contar algo a vocês antes que seja tarde demais. Peço que se preparem, pois não será fácil.
- Sinto cheiro de desgraça – era Negão.
- E eu sinto cheiro de urina, mas nem quero imaginar o que isso pode significar – disse João.
- Vou-lhes contar sobre o planeta Jacoh! – o Mestre tomou a palavra – Não me interrompam!

E foi esta a história que o Mestre Jacoh contou:

***

O planeta Jacoh era um planeta pobre, sem grandes recursos e povoado por pessoas extremamente burras. Sem ensino, sem cultura, sem instrução, sem vontade de aprender, mas, sobretudo, sem grandes capacidades intelectuais. Sem bom senso. Sem sensatez. Sem poder de dedução. Sem senso crítico. Sem discernimento. Sem maturidade. Sem nada.
Alguém pode pensar que toda aquela mediocridade pudesse conseqüência de algum período pós-guerra. Alguma coisa tipo: “O planeta Jacoh perdeu uma guerra, seu povo foi quase extinto e sua civilização foi dizimada e teve que recomeçar do zero”. Sim, por muito tempo, povos daquela galáxia pensaram assim.

Todos errados.

O planeta Jacoh sempre foi daquele jeito. Nada justificava a burrice, primitivismo e pobreza daquele povo. O que tinha seu lado bom, pois, por esses motivos, nenhum império intergaláctico tinha interesse em atacar ou dominar aquela civilização. (Se é que aquilo podia ser chamado de civilização).
Enfim, era um planeta muito povoado. Algo em torno de 700.000.000.000.000 de habitantes. Como Jacoh era infinitamente maior que a Terra, aquele excesso de gente nunca foi problema. Mas, rapidamente, a população foi crescendo. Antes que alguém pudesse perceber, começou a faltar espaço para os moradores. E começaram as guerras.
Devido à burrice extrema do povo, ninguém sequer pensou em fazer algum tipo de “controle de natalidade”. Ninguém pensou em desenvolver uma tecnologia que permitisse procurar planetas maiores para o povo morar. Ninguém pensou em usar parte dos 400.000.000.000 de quilômetros quadrados nos quais viviam vacas invisíveis para dar moradia às pessoas.
Infelizmente, a guerra acabou sendo a melhor opção, pois a apenas com a morte de 73,11% do povo, o restante poderia ter condições razoavelmente dignas de moradia e alimentação.
Mas havia o problema do primitivismo da população. Não existiam armas de destruição em massa. Nem armas brancas. Nem mesmo facas de cozinha. E em uma guerra disputada apenas com socos, chutes e cusparadas, o lado derrotado leva MUITO tempo para morrer.
Assim, a fome acabou sendo a principal responsável pela quase extinção do povo do planeta Jacoh. Demorou bastante, mas chegou um momento em que só existiam 132 pessoas vivas lá. Os habitantes de lá acharam que tinham chegado ao momento mais constrangedor e degradante de sua história.

Mas estavam enganados.

Um dos seres espaciais mais violentos e cruéis de todo o universo atacou. Era o Império Akkuma. Infinitamente mais poderosos, astutos e sanguinários que o Império Krar, eles sempre foram considerados o grande flagelo dos seres vivos.
Chegando ao planeta Jacoh, eles logo viram se tratar de um local sem utilidade. E exterminaram os que ainda viviam lá. Todos. Exceto um. Todos, menos um cidadão que conseguiu se esconder. Um cara que teve ainda a audácia de viajar escondido nas naves deles e veio parar na Terra devido a um distúrbio espacial. Sem dúvidas, alguém especial.

Eu.

***

- Mestre Jacoh, está nos dizendo que o senhor é o último sobrevivente do planeta Jacoh? – Ruivão perguntou – Isso significa que se não conseguirmos a água sagrada a tempo, teremos que passar o resto de nossas vidas lá morrendo de solidão?
- Sim, Ruivão. Sou um nativo do planeta Jacoh. Sou realmente o último sobrevivente daquele povo. Mas, infelizmente, não será possível irmos para o planeta Jacoh. Sabe por que, Ruivão?
- Por que não temos autorização do DETRAN para fazermos uma viagem tão longa neste jato?
- Não!
- Por que o ataque do Império Akkuma fez o planeta sair de sua órbita, tornando impossível sua localização?
- Não!
- Por que existe a possibilidade de encontrarmos esse Império Akkuma no caminho e o senhor tem medo de apanhar deles mais uma vez?
- Não!
- Por que o planeta Jacoh é, na verdade, uma metáfora, um mundo imaginário reflexo de nossos sonhos pueris e só pode ser alcançado por alguém cuja pureza e inocência permita acreditar na existência dele?
- Não!

Sete minutos se passaram.

- Por que com o aumento do preço do combustível, se fôssemos para lá só teríamos dinheiro para chegar até metade do caminho?
- Não!
- Por que no trajeto até lá há uma cobrança abusiva de pedágio que vai muito além de nossas parcas economias?
- Não!
- Já chega, Ruivão! – Paty gritou – Não podemos ir para lá porque o planeta Jacoh foi destruído. O Mestre Jacoh provavelmente não nos disse isso com todas as letras porque isso deveria lhe trazer lembranças dolorosas, mas é óbvio que após assassinar os seres vivos de lá, o Império Akkuma deve ter destruído completamente o planeta.
- Puxa! – Ruivão ficou assustado – Eu jamais teria pensado nessa hipótese.

E o Mestre Jacoh se entregou às lágrimas. Discretas, silenciosas, tímidas, mas muito doloridas. Ao menos, ele sabia que poderia contar com o apoio e compreensão de seus pupilos.

- Hahahahahahahahahahahaha! Está chorando! – Polaco gritou – É uma mariquinha mesmo!
- Que feio, hein Mestre? – era Negão – Ter seu planeta natal de origem destruído é algo que pode acontecer com qualquer um, mas isso não é motivo para chorar.
- Verdade, Mestre! – Paty concordou – Um homem de verdade não choraria nem se visse as pessoas que mais ama serem esquartejadas e torturadas com requintes de crueldade. Você é, sem dúvidas, uma mariquinha, Mestre! Deveria se envergonhar.

E todos começaram a gritar a seu mestre, em alta voz: “VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA!”.

***

Os Jacohrangers tinham apenas catorze minutos de vida na Terra.

***

- Resumindo ao extremo: vocês têm apenas treze minutos e meio para conseguir a água sagrada, ingeri-la e poder ficar na Terra para sempre. Se não conseguirem, precisarão partir imediatamente para o planeta Jacoh, o único local onde poderão continuar vivos. E como o planeta não existe mais, vocês morrerão não importa para onde partam.
- Por sorte, o Monte Everest já está visível daqui – João tentou encorajar o pessoal – Vamos descer, pessoal. Vamos garantir nossa permanência na Terra e depois chutar a bunda do Império Krar.
- Vamos! – todos responderam em uníssono.

Dentro do jato, o Mestre via seus pupilos correrem em direção à água que tanto precisavam. Mas, como se já não tivesse problemas suficientes, outra coisa o preocupou.

- Essa energia maligna é do Imperador Krar! Logo, ele voltará para atacar a Terra.
 
NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Seres parecidos com o Abominável Homem das Neves surgem para impedir os Jacohrangers de conseguirem a água sagrada que precisam. Como se isso não bastasse, o tempo está contra eles. Não percam no próximo domingo:

EPISÓDIO 43 – A CORRIDA CONTRA O TEMPO

domingo, 7 de abril de 2013

EPISÓDIO 41 - GATTAI! FUSÃO! O ROBÔ SUPREMO!



EPISÓDIO 41 – GATTAI! FUSÃO! O ROBÔ SUPREMO!

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- A SAGA DOS JACOHRANGERS TERÁ AO TODO 50 EPISÓDIOS. APÓS ISTO, TEREMOS A 2ª TEMPORADA, COM MUITAS NOVIDADES.
- GIGANTE GUERREIRO JACOHLOSSAL E ROBÔ RESERVA ESTÃO PRESTES A SEREM DESTRUÍDOS POR KRORDECIMOOITAVO, KRORDECIMONONO, KRER E KRIR.

O QUE IRÁ ACONTECER?

- De acordo com o “Google Tradutor”, “Gattai” significa “coalescência” – disse Ruivão – Acho que coalescência deve ter algo a ver com “coalhar” o leite. Ou algo assim.
- Aperte esse botão, Negão! – Japa gritou – Ele pode nos salvar.

Uma voz metálica emitiu um estrondoso grito de GATTAI, e um estranho processo teve início. Gigante Guerreiro Jacohlossal e Robô Reserva foram atraídos um em direção ao outro. Peças foram se alterando, algumas se soltando, outras se conectando, dando espaço a novos compartimentos. E os robôs foram se fundindo. Diferentes partes foram se unindo, encaixando-se sob um som de metal.

Surgia o Robô Supremo!

***

Krordecimooitavo e Krordecimonono atacaram ao mesmo tempo. O Robô Supremo desvencilhou-se do toque sujo dos monstros e os golpeou, levando-os ao chão rapidamente. Krer e Krir também tentaram atacar e não foram bem-sucedidos. Receberam o contra-ataque e foram ao chão.

- Esse robô é muito forte! – João e Ruivão gritaram ao mesmo tempo.
- Pessoal, vejo que meu celular ultra-tecnológico está com a bateria muito próxima do fim. A fusão não vai durar muito tempo – Japa alertou – Melhor acabar com isso enquanto ainda podemos.

Os ataques do Robô Supremo arrancaram braços e pernas dos monstros e dos generais, deixando-os à beira da morte. Krer tentou fugir, mas tropeçou em um prédio e caiu. Krir arriscou um ataque, mas o robô dos Jacohrangers desviou-se. João, então, preparou o golpe final.

- Poder Jacóhsmico!

***

De volta à base dos Jacohrangers, Mestre Jacoh entrava em desespero.

- Eles estão usando o “Poder Jacóhsmico”! Dizem que toda lâmpada brilha ao máximo antes de se extinguir para sempre. Talvez os Jacohrangers estejam fazendo o impossível agora...

E o velho mestre começou a chorar.

***

Uma quantidade absurda de energia envolta a uma quantidade absurda de luz foi disparada, causando uma quantidade absurda de barulho. A onda de devastação foi tão grande, que atingiu ao mesmo tempo os quatro inimigos. Krordecimooitavo, Krordecimonono, General Krer e General Krir foram varridos da face de Cidadopolislândia e transformados em poeira cósmica. Poeira Jacóhsmica!

- Vencemos! – gritou Polaco.
- Sua visão voltou ao normal, velho amigo – Negão comemorou.
- Vamos ver se voltou mesmo: Polaco, quantos dedos há aqui? – Ruivão perguntou, mostrando seu cotovelo e sendo imediatamente ignorado.

Os heróis seguiram conversando, destransformados, sobre a recente vitória, quando notaram um silêncio preocupante de Japa. O celular ultra-tecnológico estava sem bateria. Totalmente. O Gigante Guerreiro Jacohlossal voltou para a base e ainda poderia ser usado se necessário. Mas o Robô Reserva só voltaria a ativa quando o celular estivesse com a bateria carregada. O que poderia levar horas.

***

Os Jacohrangers só tinham mais cinqüenta e sete minutos na Terra.

***

- Precisamos voltar para nossa base – João disse – Lá o Japa poderá pôr o celular ultra-tecnológico para carregar. Precisamos dele para usar o teletransporte e assim chegarmos ao Monte Everest.
- Que coisa, hein Japa? Você não serve nem para ter um celular reserva! – Paty grunhiu com desprezo.
- E você nem para me aceitar como seu namorado reserva, hein Paty? – o descendente de orientais respondeu.
- Calem-se os dois! – João gritou – Isso não é hora para discussões. Não percebem que temos pouco e já está quase anoitecendo?
- Justamente por isso é que eles deveriam discutir – Ruivão opinou – Da discussão, nasce a luz.
- Decidam logo o que vocês querem fazer, porque eu preciso urgentemente de uma cerveja – disse Polaco.
- Eu também! – era Negão.

Após várias discussões e muitas conversas tolas e sem conteúdo, os seis heróis chegaram ao seu quartel-general. Japa correu em busca da tomada mais próxima e pôs seu celular para carregar. Paty foi tomar um banho. Polaco abriu uma garrafa de champanhe. Ruivão foi continuar a leitura de um livro chamado: “Se da discussão nasce a luz, da agressão nasce o que?”.
João foi procurar o Mestre Jacoh. Tinham vencido uma importante batalha, mas restava-lhes pouquíssimo tempo. Aquele era o momento de absorver todos os ensinamentos possíveis. E também de pedir a ele para baixar os episódios recentes de Kamen Rider Wizard.

- Mestre Jacoh! Mestre Jacoh! – ele ia gritando em todos os ambientes.

Doze minutos depois, a triste conclusão: o mestre do grupo não estava lá. Onde poderia ter ido em um momento tão crítico?

***

Os Jacohrangers só tinham mais quarenta minutos na Terra.

***

O Mestre estava de volta. Ele tinha ido buscar um jato especial que o grupo tinha – embora ninguém soubesse. O veículo tinha sido liberado há poucas horas pelo DETRAN do estado de Mato Grosso do Oeste. Com ele, seria possível os Jacohrangers irem ao Monte Everest sem recorrer ao teletransporte proporcionado pelo celular de Japa.
Os seis heróis foram chamados às pressas. Paty estava ainda seminua, mas foi encorajada por seus companheiros a não se importar com aquilo. Polaco e Negão já estavam ligeiramente embriagados. Japa deixou seu celular carregando. Ruivão e João nada disseram. Mestre Jacoh também ingressou no veículo.

- Temos que conversar! – o mestre disse em tom monocórdio.
- Concordo! – era Ruivão – Até porque, se ficarmos em silêncio durante a viagem, ficaremos entediados. E aí, João? O que nos conta de novo?
- Cale-se, Ruivão!

A cabeça do Mestre Jacoh zunia. Pela cabeça dele passava a gravidade da situação atual, a urgência que tinham, e um medo sobre o qual não tinha ainda conversado com os Jacohrangers.
O Imperador Krar estava desaparecido. Ou planejando o ataque definitivo, algo surpreendente e devastador; ou reunindo guerreiros para a criação de um grande exército? Quem sabe despertando seu poder máximo? Ou apenas esperando que os Jacohrangers sejam derrotados pelos seus próprios erros? Até onde poderia ir a força do Imperador? Os heróis seriam capazes de vencê-lo? Se sim, a que preço?

- Mestre, hipoteticamente, falando: caso o senhor tenha alguma revelação a nos fazer, algo sério que nunca nos contou antes por falta de coragem, acredito que agora seja o momento mais indicado. Só temos mais trinta minutos para ficar aqui na Terra – disse Ruivão.
- Como sabe que tenho algo a lhes contar?
- Na verdade, não sei. Negão, caso tenha alguma revelação a nos fazer, algo sério que nunca nos contou antes por falta de coragem, acredito que agora seja o momento mais indicado. Só temos mais vinte e nove minutos para ficar aqui na Terra.
- Cale-se, Ruivão!

NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS!

Coincidência ou não, o Mestre Jacoh realmente tinha uma revelação seriíssima a fazer, algo que mudará completamente o destino dos Jacohrangers. Não percam no próximo domingo:

CAPÍTULO 42 – REVELAÇÃO! O SEGREDO DO MESTRE JACOH!