Jacohrangers

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

EPISÓDIO 35 - GREY FRAQUEJA


EPISÓDIO 35 – GREY FRAQUEJA

NO CAPÍTULO ANTERIOR DE JACOHRANGERS:

- HAORI SE REVELA A JACOHRANGER PRATEADA E DESTRÓI O TERRÍVEL FEITICEIRO IMPERIAL, ENQUANTO SUA MÁQUINA DE BATALHA, O GALACTIC ROBÔ AJUDAVA O ROBÔ CRUZADOR E O RECÉM-CONSERTADO DENSETSU ROBOTTO A DERROTAR OS MONSTROS GIGANTES.
- APESAR DE TUDO ISTO, O RITUAL FORA COMPLETADO. O PLANETA ESTAVA FORA DE SUA ÓRBITA. A TERRA SE AFASTAVA LENTAMENTE DO SOL.

O QUE IRÁ ACONTECER?

Haori não conseguia entender. Achou que todos tinham ficados surpresos com a revelação de que ela podia se transformar na Jacohranger prateada, pensou que todos a encheriam de perguntas sobre sua máquina de batalha, o Galactic Robô, imaginou que passaria as horas seguintes contando com detalhes como tudo aquilo havia acontecido.

Mas não.

Chairo e Aline estavam isolados em um quarto. Quem passava pelo corredor podia ouvi-lo chorando de alegria e alívio. Havia muito que conversar, e o Jacohranger marrom jurou repetidas vezes que jamais permitiria que a vida de Aline corresse perigo novamente. A menos que o Mestre Jacoh convocasse os heróis por algum motivo, com certeza eles não sairiam daquele quarto tão cedo.
Murana e Daira, cada uma em seu aposento, mantinham-se em um silêncio depressivo. Era sabido que ambas nutriam fortes sentimentos por Chairo, e agora ele estava com a amada dele. Ambas ficaram felizes, pois a vida de uma pessoa inocente tinha sido salva, e seu amado voltava a sorrir como há semanas não fazia. Mas, ainda assim, elas estavam tristes demais – e viam no isolamento a melhor forma de se sentirem melhor.
Hitomi conversava com o Mestre Jacoh. Ambos monitoravam a situação atual do planeta com a ajuda dos avançados computadores do quartel-general. A intenção era estabelecer uma espécie de “prazo”. Precisavam saber por quanto tempo ainda haveria vida na Terra. Era imperioso saber quanto tempo tinham para reverter aquele ritual maldito. Paralelamente a isto, também estavam verificando a extensão dos estragos causados por fenômenos atmosféricos – e formas de minimizar tais danos. Com certeza, Hitomi não seria a pessoa certa para ouvir tudo que Haori queria contar.
E havia o Grey. O mais calado, o mais tímido dos Jacohrangers. Estava em seu quarto desde que voltaram da última batalha, mas certamente apenas por uma questão de preferir o silêncio. Não deveria haver nenhum motivo específico para que se isolasse.
Haori decidiu conversar com ele.

***

Duas batidas de leve na porta. Como resposta, uma voz abafada que dizia “entre”. Haori abriu lentamente a porta, imaginando encontrar apenas um jovem um tanto quanto antissocial. E se surpreendeu.
Grey usava as costas das mãos para enxugar as lágrimas. Era possível notar seu rosto vermelho, sua respiração um tanto descompassada. A impressão era que ele tinha passado as últimas horas chorando.

- Desculpe. Estou incomodando? – ela gaguejou.
- Não, claro que não – ele gaguejou ainda mais.

Ele estava sentado em sua cama. Ela ficou de pé, meio constrangida, apesar de haver uma cadeira em frente à mesa do computador de Grey.

- Sabe, eu... achei que talvez você se interessasse em saber mais sobre como descobri que podia me transformar em uma Jacohranger. Os outros parecem estar meio ocupados... Bem, não que você não esteja...
- Sente-se, Haori. Eu quero ouvir, sim. É claro. Mas, antes, por favor, me responda: você vai conseguir se transformar em Jacohranger para sempre? Você já é realmente uma nova componente do grupo?
- Bem, sim... Na verdade...
- Então, Haori, eu não sou mais necessário. Vou conversar hoje mesmo com o Mestre Jacoh e avisá-lo. Vou abandonar os Jacohrangers.

***

- Grey, por que isso?
- Eu não sou mais necessário, Haori. A Shira morreu, e eu não fui capaz de impedir. Durante todas as batalhas que travamos, eu sempre fui o menos útil do grupo. Com a chegada da Hitomi, voltamos a ser cinco, e eu pensei em sair já naquela época, mas acabei não fazendo aquilo porque sabia que lutar apenas em quatro seria difícil. Agora que você também virou uma Jacohranger, eu posso sair com tranqüilidade. Restaram cinco Jacohrangers. Um número suficiente para proteger a Terra do maldito Império Akkuma.
- Mas e você?
- Eu seguirei o meu caminho. Seja ele qual for – ele quase não conseguiu dizer aquilo.
- Grey, faz muito pouco tempo que estou aqui com vocês, mas pelo que já notei você, definitivamente, não é um inútil. Você tem lutado, da mesma forma que todos os outros, e não deixa a desejar em nada. Você é tão Jacohranger quanto qualquer um dos outros.
- Eu já tomei minha decisão...
- Grey. Há algo mais que eu não saiba, algo que ninguém aqui saiba? Algo que você, talvez, queira contar?
- Haori, eu já tomei minha decisão... Amanhã mesmo irei embora após conversar com o Mestre Jacoh.
- Grey, não sabemos quanto tempo temos até termos que lutar novamente, então aproveite. Aproveite este momento, aproveite que todos os outros estão ocupados com seus próprios assuntos e me conte. Diga para mim o que está fazendo você pensar desta maneira.

O Jacohranger cinza recomeçou a chorar. Quando conseguiu parar, resolveu contar o que lhe afligia.

***

- Então, ela morreu porque você não conseguiu protegê-la?
- Sim. Eis por que eu não sou digno de ser considerado um Jacohranger.
- Grey, você não pode...
- Você não tem idéia do quanto eu gostava dela, Haori. Ela foi a primeira pessoa nesta vida que gostou de mim, e eu gostava dela mais do que de qualquer coisa, e aqueles malditos... Aqueles malditos assassinos! – Grey gritou – Não tiveram piedade.
- Você não teve culpa.
- Sim, eu tive – o tom de voz dele continuava alterado – Se eu tivesse sido mais forte, se eu fosse mais competente... Chairo conseguiu salvar sua amada. Ele sim é um verdadeiro Jacohranger. Eu sou só um inútil, só estive aqui durante todo este tempo para “fazer número”. Mas agora que você chegou, eu não sou mais necessário.

A mão de Haori voou em direção ao rosto de Grey. O garoto não reagiu, embora não escondesse a surpresa por receber um tapa tão violento.

- Esqueceu-se que meu mundo também foi atacado? Que eu também perdi pessoas que eu amava? Acha que também não me sinto culpada por não ter sido capaz de protegê-las? Responda.

Nada.

- Eu também senti na pele tudo o que você está sentindo. Mas escolhi superar a dor e lutar. Lutar para impedir que outras pessoas passem pelo mesmo que eu passei. Lutar para vingar a morte daqueles que eu tanto amava. Lutar para punir os desgraçados do Império Akkuma. Eles são muito poderosos, Grey. São os seres mais abomináveis do universo. Não é nenhuma vergonha ter dificuldades em enfrentá-los porque todo o universo já se mostrou impotente contra eles. Nós devemos levantar a cabeça e fazer o nosso melhor. Esta é a melhor maneira de respeitar a memória daqueles que se foram. Eles jamais descansariam em paz se soubessem que desistimos de lutar. Pense nisto, Grey.
- Haori, é fácil falar...

Outro tapa, muito mais violento que o anterior. A Jacohranger prateada saiu e bateu a porta com força, deixando o herói cinza a refletir sobre tudo aquilo. Lá fora, uma reunião do Mestre Jacoh com os demais. Era a hora de salvar a Terra.

- Não é uma previsão exata, apenas uma estimativa. Temos algo em torno de trinta horas até um colapso total e irreversível – o Mestre Jacoh explicava – O ritual pode ser revertido, mas será muito difícil. A missão que lhes aguarda não será fácil. Assim que vocês disserem que estão prontos, eu lhes darei todos os detalhes.

Haori olhou para trás. Grey não apareceu.

NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE JACOHRANGERS:

Um ritual do Império Akkuma traz à vida uma fera terrível que jamais foi vencida. A missão dos heróis de reverter o ritual acaba tendo que esperar. Mas a força do inimigo vai além de tudo que se imaginava. Não percam no próximo domingo:


EPISÓDIO 36 – REVIVE O REI DOS MONSTROS DO INFERNO!

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