Jacohrangers

Jacohrangers

domingo, 6 de julho de 2014

ESPECIAL - JACOHRANGERS VS. JACOHRANGERS

 JACOHRANGERS VS JACOHRANGERS
ジャコレンジャー vs. ジャコレンジャー

- Tsugi no jibun no tame koukai shinai tame! Tamerai tomaru koto wa nai tatakainuku. Mune ni nemuru chikara sono tsuyosa ataete! Ending is just the beginning. GOES ON.
Guitarras pesadas, vocais femininos perfeitamente afinados e uma melodia marcante. Os vizinhos estavam incomodados, mas João pouco se importava. A próxima canção seria um tanto menos pesada, porém com um refrão daqueles impossíveis de não se cantar junto.
Ele já fora um turista no Japão, fora namorada de uma moça fútil e já fora até um Jacohranger, o verde, o último a ingressar no grupo. Tinha um passado repleto de histórias para contar, conquistas que não mais importavam, possibilidades grandiosas das quais abriu mão em nome de um sossego prolongado.
Ele tinha sido muitas coisas, e poderia ser infinitas outras se assim o quisesse. Mas, naquele momento, era o que queria ser – e seguramente ainda seria um bom tempo.
Um fã passional das Kamen Rider GIRLS.
Não havia dicionários suficientes para reunir todos os adjetivos necessários para elogiá-las, e ele não era o único a pensar daquela forma. Mestre Jacoh, que lhe visitaria nas próximas horas, também era um “fanboy” delas. Poucos sabiam, mas todos os esforços do velho mestre para impedir que a Terra fosse destruída por vilões era justamente para proteger suas adoradas.
E então ele chegou, seis horas antes do combinado, surpreendendo João, e interrompendo o refrão da canção “Mystic Liquid”.
- Pode continuar cantando – o visitante inoportuno disse – Se quiser, eu canto com você. Kono tsuyosa mystic, yami sae mo aozora ni kaeeeeee!!!
A música foi subitamente desligada. João ficou irritado em ser flagrado só de cuecas fazendo coreografias femininas. Ao menos, a música tinha guitarras com distorção.
- Você pode não acreditar, Mestre, mas existe uma coisa chamada “privacidade”. Algo muito apreciado pela raça humana.
- João, eu vejo que há muitas outras coisas aqui para se apreciar – o Mestre tirou de uma estante um CD original das Kamen Rider GIRLS.
- Importa-se de não mexer nas minhas coisas enquanto eu me visto, mestre? – João perguntou, já se dirigindo a seu quarto.
- Não vou prometer nada.
Minutos depois, o ex-Jacohranger verde voltou, trajado como um jovem sem muito comprometimento com a moda. Os cabelos estavam um tanto quanto embaraçados, indicando que há dias ele não saía de casa, nem se arrumava como se fosse sair.
- Outra coisa apreciada pela raça humana é a higiene – o mestre fez uma tentativa de humor – Você está parecendo o Ruivão. Ou melhor: o seu cheiro está parecendo.
- O CD novo é sensacional, Mestre. Não há como eu me preocupar com coisas secundárias como banho, escovar os dentes, ou expulsar os ratos que se multiplicam por aqui. Se eles não roerem meus CD’s e DVD’s, já estarei feliz.
- Mudando um pouco de assunto, João, a Terra está ameaçada, e eu estou tentando reunir todos os Jacohrangers da “primeira geração”. Preciso que venha comigo, pois temos pouco tempo. Se bem que... acho que dá tempo de ouvir mais uma música delas.
- Então vamos ouvir... “Mission Complete”.
Empolgados com a qualidade musical espetacular das Kamen Rider GIRLS, acabaram ouvindo o CD inteiro dezoito vezes. Depois, assistiram aos dois DVD’s por nove vezes seguidas.
Dois dias depois, perceberam que precisavam ir proteger a Terra e partiram. Os outros Jacohrangers os aguardavam – provavelmente furiosos pelo atraso.

***

Japa estava de terno e gravata. Deixara no estacionamento próximo dali um carro importado caríssimo. Tinha na boca um charuto, e nas mãos uma coleira pela qual trazia consigo Paty, sua escrava e ex-Jacohranger rosa.
Ruivão vestia trapos sujos. Tinha agora a mania de falar sozinho, o que fez os demais ficarem relativamente longe dele. Elucubrava sobre as dificuldades de se capturar uma formiga no asfalto quando se está usando luvas de boxe. Segundo ele, aquele talvez fosse o mais desafiador problema da humanidade nos últimos tempos.
Polaco parecia bêbado. Seus olhos estavam mortiços, o corpo não mostrava equilíbrio, sua expressão era a de um louco. Mais tarde, todos entenderam que ele não estava embriagado. Ao contrário, se encontrava naquele estado lamentável justamente por estar sóbrio.
Negão tinha a seu lado duas acompanhantes. Eram senhoras de mais setenta anos, todas usando vestidos caros, perfumes exóticos e anéis ainda mais caros. Nada daquilo disfarçava a pele rugosa, as mãos trêmulas e o uso de bengalas. Mas o ex-Jacohranger preto tinha orgulho de suas clientes, assim como todo garoto de programa deveria ter.
Quando João e o Mestre Jacoh chegaram, houve um protesto generalizado pelo atraso. Todos os xingavam, reclamando dos dias de atraso, enquanto os dois apenas ignoravam e seguiam conversando sobre como “ninguém conseguia assistir ao final de Kamen Rider W sem chorar”.
- É uma alegria muito grande revê-los, amigos! – o Mestre disse.
- Só se for alegria para você – disse Japa – Você só nos procura quando precisa da nossa ajuda. Parece meus parentes pobres.
- E vocês são pobres de espírito – o mestre rebateu – Sabiam que há outro grupo de Jacohrangers lutando para defender a Terra enquanto vocês se preocupam com coisas egoístas como pagar as contas, constituir família e ser feliz? Não se envergonham?
- Estou fazendo uma tese nova sobre a subjetividade da vergonha e o quanto ela afeta aqueles ao nosso redor – Ruivão se manifestou pela primeira vez – Convido vocês a acompanharem assim que derrotarmos essa ameaça nova sobre a qual o senhor deveria falar de uma vez, Mestre Jacoh.
E então vieram as explicações. Tratava-se uma ordem de seres criados por outra ordem de seres, todos manipuladores de poderosa magia. Aquelas criaturas passaram os últimos cinquenta anos adormecidas, mas despertariam nos próximos dias, tendo como objetivo destruir a raça humana para que o planeta ficasse só para eles.
- Isso seria terrível se eu não tivesse ouvido coisas parecidas antes – era Negão, rindo.
- E os outros Jacohrangers? – Ruivão perguntou.
- Eles também estão reunidos. Inclusive, já começaram a investigar. A intenção deles é impedir o despertar desses seres.
- É realmente necessário unir os dois grupos? – Japa perguntou – Lembre-se, Mestre Jacoh, que eles são nossos parentes. E reunir parentes sempre termina em confusão.
De fato, a segunda geração de heróis era composta por irmãos, irmãs, primos e primas dos componentes do primeiro grupo.
- Vamos nos unir a eles, ou dividiremos as tarefas e cada um faz sua parte separadamente? – Polaco perguntou.
- Tanto faz. O importante é que os seres sejam detidos – o Mestre respondeu.
Naquele instante, uma explosão imensa. Um prédio ruiu, trazendo caos à cidade. Pessoas corriam desesperadas. Três seres malignos podiam ser vistos em deslocamento. Os inimigos tinham sido despertados. Os Jacohrangers da segunda geração falharam.
- No final, somos todos uns inúteis – Negão disse, despedindo-se com um beijo carinhoso de suas acompanhantes – Vamos fazer o possível para salvar o mundo então. Ou, melhor ainda: vamos torcer para surgir um terceiro grupo, um realmente poderoso, para salvar o mundo.
Todos concordaram. E partiram.

***

Eram três disformes caricaturas de seres humanos. Olhos de um negro infinito, parecendo que qualquer resquício de luz fosse proibido naquelas órbitas, Traços faciais bestiais mesclados a estranhas tatuagens e a marcas disformes que lembravam cicatrizes. Os corpanzis tinham formato humanoide, embora aparentassem uma fragilidade maior. Capas rasuradas voejavam em suas costas. Anéis bizarros rodeavam os dedos finos, emitindo brilhos sobrenaturais que doíam as vistas de quem os fitasse.
- Enfim, estamos livres – disse uma das criaturas – Após milhares de anos de sono forçado, poderemos finalmente governar esse mundo. Não é, meus irmãos?
- É claro que sim! Mas, primeiro, talvez fosse recomendado conhecer um pouco do que a civilização que vive já construiu. Um pouco do que os nossos futuros servos têm a nos oferecer.
- E destruir qualquer tipo de defesa que eles tenham!
Os seis Jacohrangers presenciavam o diálogo com certa incredulidade. Os seres, fossem quem fossem, não levaram em conta a presença deles. E tinham planos cruéis que precisavam ser detidos.
- Parem aí! – era Chairo.
As criaturas se detiveram, estampando em seus rostos um sorriso de grande ironia. Nada disseram, apenas aguardando que o jovem terminasse suas bravatas. Os demais heróis deram um passo à frente.
- Quem são vocês? São as patéticas formas de vida que agora habitam este planeta? – perguntou aquela que parecia a fêmea do grupo.
- Somos os Jacohrangers, os heróis encarregados da proteção de nosso mundo contra seres como vocês! – Hitomi disse, a voz firme tentando intimidar o inimigo.
- Que absurdo! – outro vilão respondeu.
- Vamos! – Chairo gritou.
- Jacoh Change! – todos responderam em uníssono.
Os seis heróis se posicionaram de forma a cercar os inimigos. Sacaram suas espadas. Olhares atentos revelaram que os anéis dos invasores brilharam com uma intensidade sutilmente maior. Os inimigos estavam em guarda, ainda que a seu modo.
Vieram as primeiras estocadas, mas não houve talhos. As lâminas rasgaram o nada. Os três seres se desmaterializaram com velocidade que desafiava o mais aguçado dos sentidos e voltaram a se materializar atrás dos heróis. Os Jacohrangers se reposicionaram, atacaram novamente, para terem o mesmo resultado.
O fato se repetiu, com os defensores da Terra golpeando sem sucesso, e os vilões se teleportando de um lado ao outro, como se brincassem com seus oponentes.
- Creio que agora seja a nossa vez de atacar! – disse um deles.
De um dos anéis saiu uma faísca negra que rodeou os Jacohrangers púrpura e cinza e os arremessou para longe. Outro anel mágico emitiu uma luz dourada que explodiu no peito dos heróis marrom e prata. E o terceiro cuspiu chispas e chamas que feriram terrivelmente as guerreiras laranja e bege.
Os vilões se puseram lado a lado e uniram seus anéis mágicos. Um brilho ainda maior surgiu, liberando uma quantidade de energia assustadora. Prontamente, os Jacohrangers uniram as forças de suas pistolas, gerando na direção oposta outra rajada poderosa. As duas energias se chocaram e mediram forças, mas o poder dos adversários foi mais intenso, e os Jacohrangers explodiram.
Em poucos segundos, estavam outra vez de pé, embora consideravelmente feridos.
- Afinal, quem são vocês? – Chairo perguntou.
- Somos da civilização Myhara, e logo seremos os senhores desse mundo. Eu sou Ahyk Myhara.
- Eu sou Johak Myhara.
- E eu, Motuik Myhara.
- Vocês devem se render imediatamente! – Ahyk disse – Já ficou bem claro que vocês não são capazes de nos vencer. Comuniquem as autoridades deste mundo que elas não mandam mais em nada!
- Nunca! – o Jacohranger marrom bradou, avançando sozinho.
A luz que saiu do anel de Johak foi diferente. Outra tonalidade, um brilho mais intenso, uma duração maior. Quando Chairo foi atingido por aquela onda mágica, simplesmente desmaiou, como se adormecido por um encantamento ao qual não pôde resistir.
- Não toleraremos mais desafios! – Motuik disparou uma grande quantidade de energia, levando os Jacohrangers a nocaute.
- Vamos logo conhecer nossos futuros súditos! – disse Ahyk.
E os três seres abandonaram aquele lugar.

***

- Reunião de parentes é sempre uma merda – Negão disse – Só espero que não nos cobrem a grana que emprestamos.
- Só espero que não me peçam dinheiro emprestado – era Japa.
- Só espero que não peçam que eu seja emprestada – disse Paty, àquela altura já de pé e podendo se mover livremente.
Os seis heróis da primeira geração ouviram gritos e explosões, e sua animada conversa foi interrompida. A balbúrdia vinha de perto dali. Correram, já sabendo que algo ruim os esperava.
- Hora de Jacohmbater o mal! – bradaram, antes mesmo de encontrarem os malfeitores.
Chegaram a um bairro relativamente povoado da cidade. Havia pessoas inocentes desacordadas e muitas outras erguendo uma espécie de castelo sob o chicote violento de seus recém-chegados visitantes.
- Que incrível! – era Ruivão – Os invasores estão começando uma espécie de empreendimento e já contrataram trabalhadores da Terra, movimentando a economia do país e minimizando o problema do desemprego. Eu só posso bater palmas para a iniciativa desses caras.
- Cale-se, Ruivão – Polaco gritou – Não vê que estão escravizando aquelas pessoas?
- Não deixa de ser uma forma de vínculo empregatício...
- Vamos! – o Jacohranger azul e o preto gritaram ao mesmo tempo.
A chegada dos Jacohrangers fez os três tiranos do espaço pararem de supervisionar e fustigar seus escravos e olharem desafiadoramente para os heróis da primeira geração.
- Mais heróis coloridos! – disse Johak Myhara – Será algum tipo de característica deste planeta?
- Será que ainda existem muitos outros? – Ahyk perguntou, deixando transparecer certo desânimo em sua voz.  
- Pelo jeito, vocês já espancaram nossos parentes da segunda geração dos Jacohrangers – era o herói vermelho – Saibam que isso nos deixa bastante amedrontados, mas que não demonstraremos.
- Vocês parecem fazer questão de batalhar – Motuik largou seu chicote, e seu anel brilhou com mais intensidade – Nesse caso, nós ficaremos felizes em colocar vocês em seus devidos lugares.
- Todos os vilões dizem isso – João zombou – Será algum tipo de tendência?
- Chega de conversa! – Ahyk bradou.
E a batalha teve início.

***

Foram necessários, talvez, trinta segundos. Todos os seis Jacohrangers da primeira geração estavam no chão, desacordados. Seu poder não tinha sido suficiente para deter os inimigos, sequer para detê-los pelo mínimo de tempo possível.
Os seres da dinastia Myhara tomavam a cidade. Conquistando, escravizando e coagindo pelo medo, iam colocando o povo para trabalhar na criação de um grande castelo e de uma espécie de fortaleza ao redor. Uma fortaleza que eles pretendiam fortalecer através da poderosa magia que manipulavam.
Logo, os três já estavam em outro canto da cidade, e logo os povos de outras cidades foram sendo dominados e oprimidos. A fortaleza deles parecia cada vez mais próxima de seu término. Era provável que, a partir dali, lançassem um ataque contra as demais nações do planeta exigindo rendição.

***

- Não podemos partir sem o Chairo. Nem podemos deixá-lo desmaiado aqui – era Murana.
- Nem podemos ficar aqui esperando – Grey disse – Quando ele despertar, nos encontrará e virá lutar conosco.
- Eu concordo com a Murana – era Daira.
- Talvez o ideal seja que alguém fique com ele, e os outros partam – sugeriu Hitomi – Não podemos abandoná-lo, mas também concordo que precisamos deter os invasores.
- E não podemos brigar apenas por termos opiniões diferentes – Haori disse – É um momento difícil. Esses miseráveis parecem muito poderosos. Precisam ser detidos imediatamente. E é por isso que discordo de você, Hitomi. Se nos separarmos, seremos derrotados.
- Mas então...
- Vocês... devem... partir sem mim... Logo alcançarei vocês...
As palavras ditas a muito custo vieram dos lábios ensanguentados de Chairo.
- Não se preocupem. Estou... bem. Logo, chegarei até o... campo... de batalha.
- Chairo, não podemos te deixar aqui sozinho nesse estado – era Daira.
- O Chairo tem razão – Grey se interpôs – Precisamos confiar nele. Ele vai se recuperar, nos alcançar e ajudar a vencer.
- Chairo – Murana lacrimejou.
- Já estou me sentindo melhor – ele murmurou, ainda com certa dificuldade.
- Então vamos! – Haori gritou! – Jacoh Change!
E todos partiram, confiantes de que Chairo logo se recuperaria e os seguiria, conforme ele mesmo havia prometido. Mas, tão logo seus amigos se afastaram, ele caiu desacordado, parecendo ainda mais ferido que antes.

***

A civilização Myhara parecia ter mais seres em suas fileiras. Mais fracos, mas terrivelmente numerosos, lembravam estátuas cinzentas que grunhiam e combatiam. Pareciam os responsáveis por oprimir as pessoas que trabalhavam na coleta de pedras preciosas em uma gruta próxima.
Toda a geografia da região fora alterada para se adaptar às necessidades e exigências dos inimigos. Torres imensas estavam sendo erguidas, enquanto toda a área ao redor era rodeada por imensos muros que eram erguidos por trabalho escravo.
Era possível notar algo estranho no céu, como se a magia dos invasores estivesse alterando-o de alguma forma, por algum motivo.
Os soldados cinzentos patrulhavam a área externa da fortaleza em construção, como que prevendo um novo ataque dos heróis. Um olhar mais atento revelava que, ao redor, havia destroços de máquinas de guerra. O exército de outros países tinha atacado a civilização Myhara. O mundo já tinha consciência de enfrentar uma ameaça terrível.
Outras estruturas de grandes proporções, mas de utilidade questionável eram construídas às pressas.
Mas tudo foi interrompido com a chegada de um grupo de pessoas.
- Libertem essas pessoas! – o grito veio de um humano trajando uma armadura cinza.
Eram os Jacohrangers! Cinco deles.
Os soldados abandonaram seus postos para combatê-los. Eram centenas e pareciam não parar de chegar, então os heróis sacaram suas espadas. Optaram por disparar com suas pistolas, nocauteando e dispersando outros, evitando, assim, serem “engolidos” pela superioridade numérica dos adversários.
Haori, Grey e Murana iam simplesmente avançando, talhando os que apareciam em seus caminhos. A estratégia não era vencer todos, mas, primeiramente, ingressar na tal fortaleza antes que ela ficasse pronta. Hitomi e Daira faziam o possível para conter aqueles que tentavam deter seus amigos.
No meio da escaramuça, raios e explosões que pareciam não vir nem dos heróis nem dos vilões.
- Isso aqui está virando bagunça! E eu odeio bagunças – era João, o Jacohranger verde, um dos heróis da primeira geração.
- A responsabilidade de vencer os vilões é nossa, pois somos os heróis originais –disse Ruivão – Vocês deviam respeitar a “Lei do Respeito à Originalidade dos Heróis”.
- Teremos que vencer vocês ao mesmo tempo em que vencemos os vilões – bradou o Jacohranger preto.
- Parem! O que estão dizendo? – Murana perguntou.
- Hora de Jacohmbater o mal! – os seis heróis gritaram em uníssono.
E o que era uma batalha, virou uma grande balbúrdia. Enquanto isso, mais e mais estruturas estranhas eram construídas pelos invasores.

***

Chairo não tinha forças para caminhar. Chegou a tentar, mas não teve forças e foi ao chão. Movido pela determinação típica dos líderes de um Super Sentai, ele avançou rastejando, ainda que aquilo o ferisse ainda mais. Arriscou alguns passos, voltou a cair, voltou a rastejar, e foi se arrastando como podia. Precisava chegar ao campo de batalha.
Demorou, mas conseguiu.
Quando só faltava abordar seus amigos, faltaram forças e ele foi ao chão inconsciente. Não soube quanto tempo ficou naquele estado.
E então acordou.
A lucidez comprometida, visão turva, estômago revirado, corpo amortecido e enfraquecida. Não lembrava quem era, tinha na mente apenas uma sensação de estranheza provocada pela cena que via ao longe: seres de todas as cores se enfrentando, ao mesmo tempo em que enfrentavam formas de vida cinzentas e não-humanas. Fosse o que fosse, aquilo não parecia certo.
O Jacohranger marrom levantou-se, movido por uma obstinação que ele não entendia. Tirou do corpo parte do sangue e sujeira presentes, e percebeu já ter forças para ficar de pé.
E a consciência foi voltando. Viu preocupado que os Jacohrangers lutavam entre eles, enquanto também lutavam contra os soldados cinzentos. E nem sinal dos três magos da civilização Myhara.
- Parem! – ele gritou, enquanto corria desajeitadamente em direção ao conflito – Jacoh Change! – ele gritou às pressas.
Chegou ao campo de batalha e viu Murana e Grey tentando se desvencilhar das investidas de Polaco e Negão, enquanto inimigos de verdade os golpeavam. Até conseguir chegar a eles, o herói marrom desferiu tiros com sua pistola para abrir caminho. Procurou um foco de inimigos que não tivesse heróis por perto e disparou o Jacoh Cannon.
- Parem de lutar entre vocês – era Chairo, enquanto ia dizimando os soldados cinzentos – Somos todos aliados.
- Somos parentes – Japa gritou – E isso justifica toda essa violência entre nós.
- Fiquei sem resposta agora – disse Ruivão, que golpeava Haori.
- Parem!
Os soldados iam caindo. Mas os heróis da segunda temporada perderam a paciência com os da primeira e pararam de apenas se defender. Começaram a atacar também.
Em poucos minutos, não havia mais soldados da civilização Myhara. Mas todos os Jacohrangers, sem exceção, estavam terrivelmente feridos.
- Por quê? – Chairo perguntou, ferido e enfurecido – Por que estavam lutando entre vocês? Por quê?
- Foi um plano! – Ruivão surpreendeu a todos – Orientei meu grupo a atacar vocês. Assim, quando os soldados inimigos vissem que estávamos lutando entre nós, eles também lutariam entre eles, nos poupando o trabalho de derrotá-los. Isso se chama “Tentativa improvável de influenciar seres que dificilmente são influenciados”.
- Não posso acreditar que alguém tenha concebido um plano tão estúpido! – Grey gritou.
- Outro benefício do plano era que os magos da civilização Myhara nos veriam lutando e achariam que não seríamos ameaça para eles, e assim abririam a guarda e seriam mais facilmente vencidos – Ruivão explicou.
- Mas eles nem estavam aqui para ver tudo isso acontecer! – Hitomi contestou.
- Uma falha no plano, temos que admitir! – disse João.
- Vocês são um bando de loucos! – Daira gritou – O que acontece agora? O que o “plano” genial de vocês nos recomenda?
- Destruímos muitos soldados – era João, o Jacohranger verde – Podemos invadir a fortaleza e libertar as pessoas, ou esperar que os inimigos apareçam enfurecidos para então os derrotarmos.
- As pessoas devem estar machucadas. Temos que libertá-las logo – era Haori.
- Os escravos não são mais necessários – a voz vinha de um dos recém-chegados vilões – Já cumpriram o papel deles. Agora, basta que eles se curvem, assim como todo o seu planeta fará.
- O que é aquilo no céu? – Murana perguntou.
- Chamamos de nuvem – Ruivão tomou a liberdade de responder – É um conjunto de partículas de água ou gelo que se condensaram devido a fenômenos atmosféricos.
- Não, idiota! – Grey gritou.
- Está se referindo àquele portal dimensional que eles estão abrindo? – era Ruivão outra vez – Eu arrisco um palpite de que é um tipo de... sei lá... portal dimensional?
- Exato – era Johak Myhara – Aquele é o portal dimensional que trará nossa civilização inteira para cá. E então esse mundo será nosso.
- E não sejam tolos de dizer que impedirão, porque vocês não impedirão – era Ahyk.
- Veremos!
Os doze Jacohrangers se postaram lado a lado.
- Nós venceremos! – era Chairo.
Cada grupo preparou seu canhão mais poderoso. “Bazuca sem nome” e “Jacoh Cannon”. E dispararam. Motuik foi destruído na hora.

***

- Sabíamos que ele era o mais fraco. Quando lutamos com vocês pela primeira vez, vimos que toda a energia defensiva que usaram vinha de vocês, e não dele, que apenas se esquivou – Polaco explicou – E agora o chegou a vez de vocês serem derrotados.
- Miseráveis! – Ahyk gritou.
- Não nos vencerão com suas bazucas ridículas – era Johak.
Os heróis estavam em posição. Subitamente, Chairo e Ruivão abandonaram a formação, deixando os disparos da “Bazuca sem nome” e do “Jacoh Cannon” a cargo dos demais Jacohrangers. Eles tinham pistolas nas mãos, e um semblante de profunda concentração nos olhares.
- Agora! – ambos gritaram.
Tudo durou apenas uma fração de segundo. Um dos canhões disparou contra Ahyk, que se prometeu com sua magia. A outra bazuca abriu fogo contra Johak. Mas, um instante antes, o Jacohranger marrom e o vermelho, dispararam com suas pistolas contra o anel de Johak, destruindo-o. Quando ele foi atingido pelo tiro dos demais, não teve como se proteger, sendo violentamente atingido e caindo sem vida.
- Johak, não pode ser! – Ahyk gritou – Malditos!
- Agora só resta você! – disse Grey.
- Não me vencerão tão facilmente. Agora vocês conhecerão a força da civilização Myhara.
E sumiu após um brilho quase imperceptível tomar o horizonte.
- Vamos atrás dela – era Hitomi.
- Precisamos libertar as pessoas – Negão disse.
- E também precisamos descobrir como fechar aquele portal antes que seja tarde – Japa complementou.
- Não vão a lugar algum – a voz da vilã pôde ser ouvida de longe.
E então o chão tremeu.
As imensas torres se desprenderam do chão. As estruturas laterais, cuja utilidade era desconhecida, fizeram o mesmo. Todas as construções que, na teoria, compunham a construção, levitaram e foram se unir no céu.
Como peças de um gigantesco quebra-cabeça, todas as partes foram se conectando, se encaixando, se tornando uma. Ao final de alguns minutos, tudo aquilo que deveria ser uma fortaleza havia virado uma gigantesca máquina de combate. Um robô gigante.
- Essas coisas malucas... fizeram “Gattai” – Japa não podia acreditar.
- Vamos combatê-la então – Chairo gritou, já invocando o Densetsu Robotto.
- Venha, Galactic Robô! – Haori convocou.
- Nós vamos com o Robô Cruzador – disse Daira, apontando para Murana.
- Nós salvaremos as pessoas! – João gritou, sendo seguido por seus colegas heróis da primeira geração.
- Vamos! – todos gritaram ao mesmo tempo.
E a batalha final contra Ahyk começou.

***

Os seis heróis corriam desesperadamente acompanhando as pessoas que fugiam dos destroços. Algumas poucas construções da suposta fortaleza ainda estavam lá e eram constantemente atingidas por raios. Explosões eram comuns. Os ex-escravos ainda não estavam longe o bastante para se considerarem seguros. Os Jacohrangers da primeira geração garantiam que eles não se ferissem até que pudessem estar totalmente a salvo.
O Galactic Robô usou o Galactic Finisher, mas Ahyk e seu robô rebateram sem grande esforço, fazendo Haori e sua máquina de batalha voarem longe. O Densetsu Robotto usou o Densetsu Chou Ken Hi sem efeito.
O Robô Cruzador usou o Flash Sagrado dos Cosmos também sem sucesso.
- Não temos alternativa – Chairo gritou.
- Temos que nos unir – Haori ergueu a voz.
- Gattai! – todos gritaram em uníssono.
Os três robôs deram origem ao Great Jacoh Oh.
- Precisamos fechar aquele portal! – era Murana, após notar que uma grande corrente de sucção estava puxando terra, pedras e até casas distantes.
- Deixe isso conosco! – gritou o Jacohranger verde.
Os heróis da primeira geração estavam dentro do Robô Supremo, a fusão entre o Gigante Guerreiro Jacohlossal e o Robô Reserva. Usaram o Poder Jacóhsmico para arremessar uma quantidade apocalíptica de energia contra o portal. A explosão gerou uma explosão ainda maior, que atingiu Ahyk pela retaguarda.
Quando a vilã foi ao chão, ainda recebeu mais um pouco da energia do Poder Jacóhsmico.
- Agora! – os Jacohrangers da segunda geração gritaram – Ultimate Finisher!
Uma onda de energia infinita destruiu o robô gigante que continha Ahyk. Os robôs dos heróis foram arremessados longe devido à força do impacto. Mas o mundo estava livre da civilização Myhara.

***

- Esses dois indivíduos foram muito valentes, Mestre Jacoh. Não vou pedir que cobre deles mais dedicação do que já demonstraram.
- Certo. Posso deixar a Terra sob sua responsabilidade?
- Sim. Mas não vou mentir. Mais do que nunca, o planeta de vocês corre perigo.
- Irônico pensar que você conhece a ameaça melhor do que ninguém... Príncipe Alpha...

NÃO PERCAM A PARTIR DO PRÓXIMO DOMINGO A PRÓXIMA TEMPORADA DOS JACOHRANGERS:

JACOHRANGERS ALPHA!

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