Jacohrangers

Jacohrangers

sábado, 28 de março de 2015

EPISÓDIO 19 - AS LÁGRIMAS DE TAKESHI

EPISÓDIO 19 – AS LÁGRIMAS DE TAKESHI

たけしの涙

- Jacohrangers, atenção! – era a voz do Príncipe ALPHA, falando diretamente às mentes dos heróis – O primeiro deus maldito lançou um ataque à cidade. Ele tem o poder de envelhecer suas vítimas até a morte. Precisando derrota-lo imediatamente antes que o número de vítimas aumente.
Os Jacohrangers tinham acabado de derrotar Netsuzon. Ainda havia na tal nova capital prisioneiros e possíveis pessoas feridas. Keiko se prontificou a resgatar todos e a usar o Robô Guardião Lendário para destruir o que restava daquele lugar maldito.
- Eu também vou descobrir o que aconteceu com o Satoshi – ela disse, referindo-se ao súbito desmaio do ALPHA Red – Vão e derrotem o deus maldito.
- Keiko, você precisará ser rápida – O Príncipe ALPHA voltou a se manifestar telepaticamente – Apenas três Jacohrangers não serão suficientes para derrotar um deus maldito.
Talvez nem os cinco sejam, o Príncipe teve vontade de dizer, mas optou por se calar. Ainda estava abalado pela conversa difícil que tivera com seu pai.
Os demais heróis abandonaram o local de batalha e partiram para as regiões habitadas de Brazilian Tokyo. Não encontrando o novo inimigo, optaram por fazer o possível para acudirem as vítimas do ataque da criatura. Para isso, se separaram.

***

- Eu sei o que aconteceu com você, Satoshi – Keiko dizia a si mesma em voz baixa, enquanto terminava de resgatar os últimos prisioneiros. Todos com marcas de violência nos corpos. Se ainda houvesse algum hospital em funcionamento na cidade, seria imprescindível que fossem para lá.
O Chou Densetsu Crusher devastou o que restava da tal nova capital, pondo um fim temporário às ambições do Império ALPHA. A ALPHA Pink foi então acudir seu aliado.
- Você emprestou o poder que restava em seu talismã para o Robô Guardião Lendário, não foi? – ela dizia, mas ele não recobrava a consciência mesmo assim – Vendo que o pessoal perderia para o Netsuzon, você cedeu o último poder que tinha para que eles pudessem emitir um golpe final mais poderoso. E assim, ao custo de suas energias, eles venceram.
Ela o colocou nos ombros. Tão logo se certificasse que as vítimas estivessem realmente em um lugar seguro, iria ajudar os demais na batalha contra o primeiro deus maldito. Por algum motivo, tinha a intuição de que Satoshi logo se recuperaria, precisando apenas de algumas horas. Um tempo que, na verdade, não tinham.
- Sabe, Satoshi... Desde o começo eu julguei mal você. Achei que fosse um babaca arrogante, que queria ser o líder do grupo vaidade. No fim, eu acabei causando mais problemas ao grupo do que achei que você causaria. E agora estamos lutando juntos, muito mais só nós dois sozinhos, do que junto aos outros.
Só espero que não se apaixone por mim, ela pensou em voz alta, sorrindo da possibilidade absurda. Então seguiu junto aos recém-libertados em direção a algum bairro que tivesse um hospital em funcionamento.

***

Quando se dividiram, Takeshi optou por dirigir, sem dar detalhes a ninguém, até a região da cidade onde residiam seus familiares. Sua irmã e seu avô.
Uma confusão generalizada, com pessoas caídas, agonizando, outras tantas chorando debruçadas sobre corpos caídos. Gritos de agonia se misturavam a lágrimas, que se mesclavam às tentativas desesperadas de salvar vidas simplesmente gritando “Não morra”.
No meio daquele panorama desesperador, chegou Takeshi, transformado em Jacohranger ALPHA. Suas tentativas de acudir e acalmar as pessoas falharam – não havia o que fazer. Seus poderes não eram capazes de curar ninguém. Até mesmo levar aquelas pessoas a um hospital era inútil. A única saída era seguir procurando o deus maldito que havia feito aquilo e derrotá-lo urgentemente.
Foi quando ele viu algo que lhe chamou a atenção. Uma mulher que aparentava ter algo em torno de trinta minutos chorava compulsivamente sobre o cadáver cada vez mais deteriorado daquele que, de acordo com os gritos dela, tinha sido seu avô.
- Vozinho! Não morra! Vozinho, por favor! Não me deixe! – e as lágrimas a faziam soluçar, não permitindo que prosseguisse com a lamentação.
Embora alterada pela maldição da mudança de idade, as roupas, a forma de se referir ao avô, os traços faciais característicos e até a forma de chorar não deixavam dúvidas: era Ayumi, a irmã de Takeshi.
O Jacohranger ALPHA agradeceu aos céus por estar transformado. Podia se aproximar de sua irmã sem ser reconhecido. Podia chorar sem que seu pranto fosse visto. Cerrou os punhos e foi ter com sua irmã.
- Me perdoe! – ele disse, a voz monocórdia graças ao esforço colossal para não deixar que seus sentimentos transparecessem – Não fui capaz de proteger o seu avô.
- O meu irmão... Meu irmão saiu em viagem há meses, e eu não sei onde ele está – ela intercalava as palavras ao soluço provocado pelo choro – Por favor, proteja o meu irmão! – ela se entregou ao choro.
E ele também, embora ninguém tivesse notado.
- O culpado por tudo isso será punido! – ele disse – Eu juro!
- Eu só quero que você proteja o meu irmão – ela disse – Só quero que não aconteça com ele o que aconteceu com meu vozinho. Não deixe o meu irmão morrer, por favor!
Ele cerrou os punhos e partiu. O primeiro deus maldito, fosse quem fosse, seria destruído pelas mãos de Takeshi, o ALPHA Black.

***

Naomi e Haruto estavam transformados. O destino lhes permitiu chegar até onde estava o inimigo pouco antes de ele realizar um novo ataque. Pessoas corriam em desespero, e os disparos dos Jacohrangers garantiam que o deus maldito estivesse ocupado o suficiente para não tentar impedir a fuga dos inocentes.
- Sou o grande Garabohr! Não serei detido por seus poderes insignificantes.
- Maldito! Vai pagar por tudo que fez! – o grito veio do ALPHA Green.
- Falta muito pouco para acabar com toda a vida desta cidade imunda. E vocês não me impedirão!
Houve uma troca de disparos em todas as direções, mas, àquela altura, não havia pessoas inocentes que pudessem ser feridas. A batalha acontecia em uma espécie de praça. Os prejuízos eram apenas de ordem material.
Subitamente, Garabohr sentiu uma dor violenta nas costas, fruto de um ataque poderoso e inesperado de que tinha sido alvo. Eram Keiko e Satoshi – este último bastante enfraquecido. Ambos estavam transformados em Jacohrangers.
- Mesmo incompletos, não vamos perder para você! – a ALPHA Pink gritou.
- Incompletos ou não, nunca me vencerão!
Os quatro dispararam no deus maldito sem provocar grande dano, então sacaram as pesadas para lutarem corpo-a-corpo.
Em meio à troca de golpes, a impressão de que os heróis levariam a pior. Mesmo com a vantagem numérica, o oponente era mais rápido. Mais forte. Mais resistente. Vieram cusparadas de fogo do deus maldito, e os Jacohrangers foram ao chão.
- Eu disse que não me venceriam.
- Cale-se! – a voz veio de alguém que acabava de chegar.
- Takeshi! – o grito de surpresa foi uníssono.
- Eu vou vencer este desgraçado! – o ALPHA Black bradou – Sozinho!
- O que?
- Fiquem fora disso, entenderam? – Takeshi gritou – Vou lutar sozinho contra este miserável. E vou vencê-lo! Portanto não se metam!
Garabohr gargalhou. Gargalhou, gargalhou e gargalhou até perder o fôlego. Os Jacohrangers deram um passo à frente, mas um gesto da mão de Takeshi os deteve. O ALPHA Black parecia realmente decidido a lutar sozinho e a vencer.
- Venha, miserável!
- Pois bem – o deus maldito disse, após parar de rir – Venha! Venha e me mostre tudo que tem! Mostre-me se é capaz de salvar este mundo.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

Takeshi e Garabohr travam uma batalha violenta, mas o ALHPA Green não é capaz de vencê-lo. Os demais Jacohranger se unem, tornando o confronto algo desesperador. No pior momento, um milagre parece acontecer. Não percam:


EPISÓDIO 20 – O BRILHO DO TERCEIRO TALISMÃ!

domingo, 22 de março de 2015

EPISÓDIO 18 - CHOU DENSETSU CRUSHER!

EPISÓDIO 18 – CHOU DENSETSU CRUSHER

超伝説クラッシャー

Keiko e Satoshi desviavam dos disparos enquanto iam libertando as pessoas presas às muralhas. O ALPHA Red servia de alvo, chamando para si os tiros, enquanto a ALPHA Pink procurava salvar as pessoas que estavam mais distantes das armas.
Satoshi foi atingido pelo menos duas vezes, sendo arremessado ao chão e tendo que fazer um esforço sobre-humano para não ser atingido pelas rajadas vindouras. Conseguiu, mas já se sentia fraco a ponto de sentir sua mobilidade reduzida.
O poder do talismã está acabando?, ele não conseguia evitar de pensar.
Pelo menos trinta pessoas já tinham sido salvas, mas faltava pelo menos o triplo. Quem havia sido resgatado não sabia exatamente para onde correr, pois o fogo cruzado era intenso. Disparos em todas as direções, e o único caminho de fuga que realmente levava para longe daquela fortaleza era bloqueado pelo confronto que se iniciava entre o Robô Guardião Lendário e Netsuzon.
Satoshi e Keiko se reagruparam, pois os prisioneiros que restavam estavam muito próximos das armas que disparavam contra os heróis. Salvá-los exigiria atacar o armamento inimigo de muito perto. Seria quase uma batalha corpo-a-corpo contra canhões e lança-mísseis.
- Eu me recuso a perder – Satoshi disse – E você?
- Isso nem me passou pela cabeça – ela sorriu em resposta.
Com o que lhe restava do poder dos talismãs, foram destruindo as armas inimigas.

***

Por incrível que pareça, ainda existia vida (razoavelmente) normal em Brazilian Tokyo. Muita gente tinha se rendido a Netsuzon, mas havia milhares que não o fizeram. Havia muitos que tinham tentado fugir sem sucesso e acabaram voltando a seus lares. E houve gente de cidades próximas que tentaram vir resgatar aquele povo e acabaram ficando presos juntos.
Aquelas pessoas, embora representassem uma parcela pequena da população de Brazilian Tokyo, estavam lá, indefesas, enquanto os Jacohrangers lutavam ferozmente na fortaleza inimiga.
Garabohr, o primeiro deus maldito, se aproximava dos bairros que tinham a maior concentração de pessoas. O indivíduo tinha aspecto de gárgula, com longas asas estendidas, dentes pontiagudos indo além da boca, garras afiadas, patas de três dedos que lembravam um demônio, além de voz gutural. Seus olhos tinham um brilho vermelho intenso, como se mil joias reluzissem lá dentro.
Ele se posicionou a alguns metros de altura acima das casas daquela que considerou uma das ruas mais movimentadas. Uma espécie de centro comercial ao lado de uma praça – o único local onde encontrou uma concentração razoável de pessoas.
- Humanos miseráveis! – ele gritou, sendo prontamente ouvido por todos nas proximidades – Saiam de suas casas e entreguem-se a seus destinos. Vim fazê-los sofrer! Apareçam, ou terei que arrancar os telhados de suas casas à força.
Houve correria, pânico, e centenas olhando pelas janelas para identificar o que era aquilo. Indo contra as ordens do deus maldito, muita gente correu para suas casas ou para estabelecimentos comerciais próximos. A gritaria se tornou generalizada, com portas e janelas sendo trancadas às pressas, berros desesperados de quem não encontrava abrigo tomando as ruas de assalto.
- Hora de condená-los à morte lenta que merecem. Suas frágeis construções não irão salvá-los de seus destinos. Sofram até a morte.
Dos olhos de Garabohr saíram luzes rubras intensas que preencheram toda a região. E o terror começou.
Os corpos foram envelhecendo. Adolescentes iam lentamente ficando adultos, bebês iam se tornando crianças, e idosos morriam. O desespero fez todos saírem das casas e comércios, indo agonizar na rua, fazendo Garabohr gargalhar.
- Logo todos vocês morrerão de velhice! Miseráveis! Deveriam me agradecer por terem uma morte sem violência. Se qualquer outro maldito os atacasse, vocês seriam feitos em pedaços. Agradeçam-me! Agradeçam-me antes de morrer!
Na cabeça daquele povo, apenas uma pergunta:
Onde estão os Jacohrangers que não vêm nos salvar?

***

- Isto acaba aqui, heróis! – Netsuzon gritou – O universo inteiro tremeu diante do meu poder máximo. Com vocês não será diferente!
- Concordo com a parte de que tudo termina aqui e agora – Haruto gritou – Mas o resto é um absurdo! Prepare-se!
Netsuzon fez um brusco movimento das mãos, criando uma estranha neblina. À medida que aquilo se solidificava, foram surgindo outros “Netsuzons”. O vilão se multiplicava, e agora era sete. E todos cuspiram fogo contra o Robô Guardião Lendário.
Os heróis usaram o escudo imenso para se proteger, mas aquilo não os impediu de serem parcialmente feridos. Vieram mais rajadas de fogo e substâncias corrosivas diversas, atingindo mais seriamente a máquina de batalha dos heróis. O Robô Guardião Lendário recuou um pouco para poder contra-atacar.
- O que foi? Perceberam finalmente que não podem me vencer?
- Cale-se! – Takeshi respondeu.
A espada imensa do robô dos Jacohrangers ganhou uma coloração dourada, como se revestida por um poder especial. Labaredas bruxuleavam com intensidade, exalando um poder palpável. A um movimento do Robô Guardião Lendário, as chamas douradas voejaram com fúria para cima das cópias ilusórias de Netsuzon.
O vilão voltou a ser um só, e começou uma violenta batalha corpo-a-corpo. Ombros e abdômen foram talhados pela lâmina dos heróis, que tiveram a perna direita violentamente ferida. O robô dos Jacohrangers manquitolava, enquanto Netsuzon urrava de dor pelo sangue imundo que escorria.
Enquanto tudo aquilo acontecia, Satoshi ia a nocaute, vítima de mais uma violenta saraivada de tiros de que fora alvo. Keiko terminava de levar para longe as pessoas recém-salvas. Todo o armamento das muralhas tinha sido destruído. Só restava resgatar as pessoas ainda presas na tal “nova capital”. E depois destruir aquele local de opressão maldito.
Mas, antes, a ALPHA Pink foi ver qual o estado do ALPHA Red.
- Pode continuar, Satoshi?
- Preciso de alguns minutos. Meu medo é que o poder do talismã tenha me abandonado. Não sinto mais o poder dele.
- Não se preocupe com isso agora. Vou salvar as pessoas. Descanse, e logo eu virei te buscar.

***

- Hora do golpe final! – Naomi gritou, após os heróis terem ferido terrivelmente Netsuzon.
- Ainda não perdi! – o vilão respondeu, reunindo uma quantidade absurda de energia em suas mãos.
- Densetsu Crusher!
O ataque final do Robô Guardião Lendário chocou-se contra a energia arremessada por Netsuzon. Houve uma explosão imensa. E os heróis tinham levado a pior. O vilão resistia, ainda ferido, mas em melhores condições.
- Vamos tentar de novo! – Haruto disse aos amigos, terrivelmente feridos.
Subitamente, um brilho misterioso, cuja origem era absolutamente desconhecida surgiu, juntando-se ao Robô Guardião Lendário. Era como se a máquina de batalha dos Jacohrangers se remodelasse, adquirindo uma nova forma, sensivelmente mais poderosa. E mais rutilante.
- Não sei o que está acontecendo, mas é agora! – Takeshi gritou.
- Chou Densetsu Crusher!
A energia imensa destruiu Netsuzon com um golpe apenas, arrasando parte dos muros que circundavam a nova capital. Keiko fez o possível para que as pessoas presentes no local não se ferissem.
Naquele momento, Satoshi desmaiou.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

O primeiro deus maldito transforma Brazilian Tokyo em um inferno. Os Jacohrangers partem para combatê-lo, e então o passado de Takeshi vem à tona. O que aconteceu, afinal, com Satoshi? Não percam:


EPISÓDIO 19 – AS LÁGRIMAS DE TAKESHI! 

sábado, 14 de março de 2015

EPISÓDIO 17 - PAI E FILHO

EPISÓDIO 17 – PAI E FILHO

父と息子

As aves imensas tinham sido derrotadas, seus prisioneiros libertados a muito custo. Keiko levava às crianças como podia em busca de um lugar seguro em uma cidade que não tinha mais segurança. Monstros atiravam energia destrutiva contra a ALPHA Pink – queriam matar as crianças que ela protegia, e ela também. A heroína usava o poder de seu talismã para proteger-se com um campo de força.
Outros seres alados cuspiam fogo, mas aqueles não tinham reféns com eles. Satoshi pôde atacar com toda força, embora aqueles inimigos fossem bem mais resistentes. A espada do ALPHA Red encontrava plumagens duras, resistentes, nada vulneráveis ao poder ofensivo do guerreiro.
O Robô Guardião Lendário era alvo de diversos ataques. Rajadas de diferentes tipos vinham de várias direções, provocando os mais variados efeitos nocivos. A máquina de batalha dos heróis se valia de um poderoso escudo para minimizar os danos, mas era impossível ficar intacto.
O contra-ataque dos Jacohrangers veio quando, ao se esquivar de um golpe, o monstro que atacou atingiu outro, levando-o ao chão. O Robô Guardião Lendário golpeou agressor e agredido com fúria, explodindo os dois com uma sequência de ataques com a espada e mísseis.
Restavam quatro monstros, mas o que feriu o robô dos Jacohrangers foram disparos vindos de armas fixadas às muralhas. Quando parecia que os heróis cairiam, Keiko improvisou um campo de força com seu talismã, reduzindo os danos ao Robô Guardião Lendário.
- Precisamos nos apressar! – Haruto disse.
- Vamos usar o golpe final de uma vez! – Takeshi sugeriu.
- Sim! – foi Naomi que assentiu.
- Densetsu Crusher! – todos bradaram, e três dos monstros inimigos foram ao chão.
Faltava o último oponente.

***

Satoshi disparava raios contra as aves monstruosas imensas, mais para chamar a atenção delas do que para vencê-las, já que a intenção era permitir que Keiko, invisível, se aproximasse das muralhas da cidade. Havia pessoas ali – centenas – precisando ser resgatadas.
O problema é que ali havia também uma quantidade considerável de lança-mísseis e outros artefatos que disparavam fogo contra o Robô Guardião Lendário. Uma aproximação seria difícil sem destruir todo aquele armamento, mas destruir aquilo só seria com um ataque devastasse todas as muralhas – matando as pessoas presas a elas junto.
- Darei um jeito! – Keiko pensou.
Usando a invisibilidade, e o poder de seu talismã como escudo nas raras vezes em que era alvo de algum disparo, conseguiu se aproximar da muralha. Agora bastaria libertar as centenas de pessoas presas – como se aquilo fosse simples.
Satoshi já tinha vencido todas as aves monstruosas, mas estava bastante ferido Também tinha a preocupante impressão de que o poder de seu talismã já estava se esgotando. Haveria um limite para aquela força misteriosa?
- Não é hora de eu me preocupar com isso!
Avançou, disposto a ajudar Keiko a libertar as pessoas, mas a aparição repentina de um grande número de soldados Gama não permitiu. Sacou sua espada e pôs-se a combatê-los. Eram muitos, mas logo todos cairiam.
A obstinação dos Jacohrangers ultrapassava todos os limites.

***

O monstro restante havia absorvido os restos dos anteriores. Mais que isso, aprecia ter drenado também algo parecido com a energia vital de seus aliados destruídos. Fosse aquilo o que fosse, o fato é que tinha ficado ligeiramente maior, mais furioso, mais agressivo.
- Vai precisar de mais que isso para nos intimidar! – Takeshi gritou.
Os Jacohrangers seguraram os controles do Robô Guardião Lendário com mais força, como se aquilo fosse um reflexo da determinação inquebrantável que os movia. A imensa máquina de batalha avançou, nas mãos a enorme espada, dentro de si heróis obstinados. Não perderiam, não importava a força que o inimigo tivesse.
A primeira rajada explosiva desferida pelo monstro foi bloqueada pelo escudo do robô, gerando explosões por todos os lados.
- Temos que tomar cuidado para não acabar causando muitos danos à cidade! – Haruto disse.
Vieram mais ataques daquela natureza, sempre defendidos pelo escudo imponente. O Robô Guardião Lendário foi avançando aos poucos, ignorando o poder destrutivo lançado contra ele, até chegar próximo o bastante de seu inimigo para atacá-lo.
A espada foi talhando o monstro com violência, ignorando totalmente o fato de ele estar teoricamente mais forte pela absorção de seus aliados. Mais golpes de espada foram vindo, os Jacohrangers estocando com fúria, o inimigo urrando e sendo ferido sem forças para se defender.
- É agora, o golpe final! – todos gritaram ao mesmo tempo – Densetsu Crusher!
E o inimigo foi feito em pedaços. Antes que os heróis pudessem comemorar, uma voz muito conhecida foi ficando maior. E seu portador também.
Netsuzon assumia a forma de um monstro de mais de sessenta metros de altura.
- Hora de travarmos a batalha final, Jacohrangers! Venham!
- Estávamos esperando que dissesse isso, miserável! – Haruto respondeu.

***

- Realmente se aliou aos miseráveis seres deste planeta? – o Imperador, que acabara de se aproximar do Príncipe, perguntou – O que viu neles? Sentiu pena?
- Acho que a questão aqui não é exatamente o que me levou a fazer isso. E sim o fato de eu ter ido contra suas expectativas. Não é isso? Nenhum planeta do universo escapa de sua fúria quando faz isso. Por que comigo seria diferente?
- Porque minhas expectativas com relação a você são bem diferentes.
- Novamente, a questão deixa de ser sobre mim, e passa a ser sobre suas expectativas. Só sua opinião importa? Eu também sou apenas uma marionete destinada a satisfazer suas vontades?
- Você teria um universo inteiro de marionetes a seu serviço se me obedecesse...
- Passa pela sua cabeça que talvez eu não queira isso, pai?
- É por isso que pergunto o que o contato com esses vermes fez com você. Por que mudou? Você não pensava desta forma. Ou você ficou sensibilizado com os sentimentos que encontrou nestas formas de vida aqui, e resolveu rever seus conceitos?
- Não pretendo saciar sua curiosidade. Eu, honestamente, esperava que você descobrisse isso por si mesmo, pai. Mas vejo que estava esperando demais de você.
- Eu digo o mesmo. E por saber que não podia contar com você, tive que trazer os deuses malditos. Espero realmente que você não tenha se afeiçoado aos seres deste planeta, pois acho que você sabe o que eles farão com este mundo.
- Não vamos permitir!
- Vamos? Quer dizer que você realmente se considera parte do povo da Terra?
- Estou me referindo aos Jacohrangers! – o Príncipe ergueu a voz – Eles protegerão a Terra?
- Está se referindo aos heróis patéticos que sequer conseguiram vencer ainda o inútil Netsuzon? Você não pode depositar suas esperanças em seres desta estirpe.
- Nada do que eu disser vai fazê-lo mudar de ideia, não é pai?
- Ainda há tempo para que se arrependa, meu filho. Pense nisso. Você sabe que logo eu não estarei mais aqui, e então as coisas poderão sair do controle. Aproveite para voltar para o lado vitorioso enquanto ainda pode fazer isso.
- Não, pai. Eu não vou mudar de lado.
- Então espero que não se importe de eu testar a força de seus novos amigos contra o primeiro deus maldito, não é?
O Imperador sumiu. O Príncipe começou a chorar compulsivamente, ao ponto de cair de joelhos, cobrir o rosto com as mãos e soluçar.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

Os Jacohrangers travam a batalha final contra Netsuzon. O primeiro deus maldito inicia um ataque, mas não há quem possa proteger Brazilian Tokyo. As pessoas atingidas vão envelhecendo até a morte. Será o Príncipe ALPHA capaz de fazer alguma coisa? Não percam na próxima semana:


EPISÓDIO 18 – CHOU DENSETSU CRUSHER!

sábado, 7 de março de 2015

EPISÓDIO 16 - O COMEÇO DA BATALHA FINAL!

EPISÓDIO 16 – O COMEÇO DA BATALHA FINAL!

決戦の始まり

- Doze horas não me parece tempo suficiente para procurarmos pelo terceiro talismã – Satoshi coçou a cabeça – Talvez o que a gente precise seja planejar uma estratégia de combate em conjunto.
- Nisso eu concordo – Haruto assentiu levemente com a cabeça – Lutamos usando fontes de poder diferentes, então é importante que a gente consiga organizar isso.
- Por exemplo, quando usarmos o Robô Guardião Lendário, o que vocês farão? – Takeshi perguntou.
- É bem isso que temos que planejar – Keiko disse – Vamos aproveitar o tempo que temos justamente para isso.
- Mas antes... – o Príncipe ALPHA os interrompeu – Há algumas coisas que vocês precisam saber. Algo que fez com o Império ALPHA jamais falhasse em dominar um planeta escolhido como alvo, por mais forte que aquele povo fosse.
Os heróis se calaram, olhando com semblante de preocupação para o monarca. O Príncipe respirou fundo antes de começar. Sequer sabia o que dizer primeiro.

***

Essa é uma história que remonta há séculos. Quando o Império ALPHA iniciou uma verdadeira campanha de conquistas, os primeiros alvos foram planetas próximos, da mesma galáxia que a capital do império. Foram verdadeiros massacres, nos quais os poucos sobreviventes eram capturados como escravos e levados para servir à Família Real.
Com o tempo, os conquistadores foram diminuindo o número de vítimas, assassinando apenas o suficiente para que o povo atacado se rendesse incondicionalmente. Hoje, é certo dizer que quase não há mortes em um planeta atacado pelo Império ALPHA: apenas escravidão total.
Em certo momento, um dos sábios do império alertou o Imperador de que havia uma estranha agitação no mundo dos mortos, como se as almas dos seres assassinados pelo povo ALPHA estivessem se revoltando por não conseguirem descansar em paz. A Família Real achou melhor aguardar e tentar entender o que aquilo significava.
Até que algum dia, de alguma forma, uma legião de espíritos conseguiu romper a barreira que separa o mundo dos mortos do mundo dos vivos. Eram seres imateriais frágeis, embora raivosos. Os sacerdotes do Império conseguiram dominar aqueles espíritos, e acabaram decidindo mantê-los como escravos, pois poderiam ser úteis de alguma forma.
A Família Real não apenas consentiu com aquela atrocidade como também sugeriu um ritual que amalgamasse aquelas almas penadas, transformando-as em seres mais poderosos. Quando aquilo foi feito, haviam surgido doze monstros espirituais.
Que ganharam a alcunha de doze deuses malditos.

***

- O seu Império representa o que de mais asqueroso e podre existe no universo – Naomi disse ao Príncipe, horrorizada com aquele relato.
O monarca continuou.
Para que aqueles seres fossem realmente úteis, seria necessário que tivessem um corpo físico.
- Posso até imaginar que usaram corpos de seres vivos que vocês tinham escravizado – Takeshi disse, com asco na voz – Os mais fortes fisicamente, tenho certeza.
- Exato – o Príncipe seguiu – Graças ao terror que representam, esses deuses malditos nunca foram vencidos por nenhum alvo do Império ALPHA. Além de poderosíssimos, eles possuem uma espécie de aura de desespero que leva à loucura qualquer ser vivo.
- E por que não levou à loucura ninguém do seu povo? – Satoshi perguntou.
- Porque nosso povo é imune a sentimentos e emoções. Qualquer demonstração dessas é tratada como uma anomalia e tratada através de meio psicoterapêuticos ou mesmo sobrenaturais. Isso faz com o que o povo do Império ALPHA seja, entre outras coisas, imune ao medo. E ao desespero dos deuses malditos também.
- Isso significa que você não acredita na nossa vitória contra esses seres? – Haruto perguntou.
- Não tenho certeza absoluta que todos eles tenham vindo – o monarca respondeu visivelmente tenso – Acho que eu, sozinho, sou capaz de derrotar alguns deles, já que sou imune ao terror que eles provocam. Mas não conseguiria enfrentar todos.
- E enquanto você os enfrenta – Naomi completou o raciocínio – nós lutaríamos contra os membros do Império ALPHA. Aqueles a quem podemos vencer.
O Príncipe assentiu. Os heróis mudaram de assunto, buscando organizar uma forma de aproveitar suas habilidades novas da forma mais eficiente possível. Cogitaram dois ou três planos de ataque, mas depois os descartaram. Refizeram as estratégias, rediscutiram, repensaram e chegaram a um acordo.
Tinham um curso de ação principal, e um plano de emergência. Aquilo teria que bastar. O Príncipe ALPHA ofereceu suporte para o confronto caso o pior acontecesse. Tinha chegado a hora do filho do Imperador atacar seu passado e sua família.
- Vamos! ALPHA Change!

***

ALPHA Black, Green e Yellow iam dentro do Robô Guardião Lendário. Invadiriam a fortaleza inimiga com força máxima. Para os Jacohrangers, aquela era a batalha final. Dez horas apenas tinham passado, mas eles queriam acabar com tudo aquilo o quanto antes. Por isso, o robô gigante avançava.
ALPHA Red e ALPHA Pink tinham usado os poderes recém-descobertos dos talismãs para criar estratégias bem específicas. Projetaram cópias ilusórias deles mesmos, cópias que iam nos ombros do Robô Guardião Lendário. Os verdadeiros Satoshi e Keiko estavam invisíveis, avançando furtivamente por outro lado, à procura de brechas na segurança da capital que o Império maldito queria construir.
Dentro da fortaleza que se erguia cada vez mais lentamente, Netsuzon orientava os soldados Gama a posicionar armamentos em locais específicos. Escravos e prisioneiros se misturavam, eram levados a lugares destinados a eles – aparentemente, o povo de Brazilian Tokyo sob o poder de Netsuzon também seria usado na batalha de alguma forma cruel.
- Eu estou pronto! Venham, Jacohrangers! – ele gritou.
E os Jacohrangers vieram!

***

Monstros voadores assemelhados a dragões, porém bem menores, deram as boas-vindas aos heróis, cuspindo fogo, ácido e outras substâncias corrosivas. O Robô Guardião Lendário planejou atacar os bichos, quando notaram que havia reféns atados às criaturas.
Crianças.
O movimento veloz das aves imensas não permitia uma visualização correta, mas ficava claro que eram meninos e meninas de menos de dez anos amarrados às penugens espinhentas dos inimigos, que sobrevoavam com velocidade baforejando todo o tipo de energia destrutiva.
- Já esperávamos por isso! – Satoshi disse a Keiko, cancelando sua invencibilidade, e saltando em direção à ave mais próxima.
- Satoshi, Keiko! – Haruto gritou – Deixamos isso por conta de vocês.
Seis monstros imensos abandonaram a capital em construção e saíram. Antes, os Jacohrangers puderam notar que as imensas muralhas que cercavam a fortaleza inimiga estavam cheias de humanos presos a elas. SE os Jacohrangers derrubassem os muros usando à força, aquelas pessoas morreriam – ou pelo ataque sofrido, ou por serem soterradas no desmoronamento do concreto.
De partes específicas das muralhas também surgiam armas alienígenas disparando substâncias cáusticas e explosivos diversos. O Robô Guardião Lendário foi atingido, mas seguiu andando.
Satoshi e Keiko lutavam contra as aves imensas, ao mesmo tempo em que tentavam libertar os prisioneiros. E os outros três Jacohrangers ficaram frente à frente com os seis monstros gigantes.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

A batalha segue desesperadora. Enfim, chega o momento de os heróis resolverem suas diferenças com Netsuzon. O Príncipe ALPHA tem um inesperado reencontro, e tudo pode mudar. Não percam na próxima semana:


EPISÓDIO 17 – PAI E FILHO!