Jacohrangers

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sábado, 25 de abril de 2015

EPISÓDIO 22 - A FAMÍLIA QUE EU AMEI

EPISÓDIO 22 – A FAMÍLIA QUE EU AMEI

愛した家族

Naomi frequentou o mesmo orfanato que seus colegas Jacohrangers. Poucos sabiam sua história, mas era de se supor que ela não tivesse pais vivos. Ou que tivesse sido abandonada por eles. A verdade era só um pouco diferente daquilo.
Seus pais brigavam muito. O pai de Naomi era alcoólatra, o que fazia qualquer coisa se tornar motivo de discussões – e, eventualmente, até de violência. A mãe, no começo, era agredida apenas eventualmente. O que era eventual se tornou frequente, e os apelos chorosos da menina eram ignoradas. Houve um dia em que ela apanhou junto da mãe ao tentar protegê-la. Os pedidos de desculpas do pai dela nas manhãs seguintes, já sóbrio e com cara de poucos amigos, não atenuavam o sofrimento. A situação chegou ao limite em uma briga particularmente feia, na qual copos e xícaras foram quase que usados como armas de guerra. Naomi fugiu de casa, mesmo com apenas nove anos, com medo de que as marcas de violência que vira em seus pais não fossem fatais. No fundo, o medo de constatar que seu pai e sua mãe tinham, literalmente, se matado havia sido o principal motivo de sua fuga.
Encontrou abrigo no orfanato em que conhecer os demais, uma instituição modesta e de poucas perguntas, onde crianças que se diziam órfãs eram abrigadas sem muita demora. Ali cresceu, sem ter notícias de sua família, mentindo para si mesma que eles deviam ter se entendido, seu pai parado de beber, e sua mãe aprendido a lidar com com o forte temperamento do esposo. No fundo, ela sempre soube que pais tinham morrido após aquela discussão, um morto pelo outro, a garrafadas.

***

- Este é pior pesadelo da Naomi? – Keiko perguntou – Ela parece estar tendo alucinações com os pais dela vivos, não mortos.
- Isso não faz muita diferença agora – Satoshi bradou – Precisamos encontrar o segundo deus maldito o quanto antes. Não sabemos quanto tempo mais ela e as outras vítimas irão aguentar neste estado.
- Será que o Príncipe ALPHA não pode usar seus poderes psíquicos para fazê-los voltar ao normal? – Takeshi perguntou.
- Posso! – a resposta imediata do monarca era sinal de um teletransporte bem sucedido – Mas vou precisar de alguns minutos. Vocês precisam ir imediatamente atrás do deus maldito. Rápido antes que ele faça novas vítimas.
Os outros quatro Jacohrangers partiram. O Príncipe ALPHA levou, com muito esforço, todas as vítimas do vilão ao quartel-general improvisado dos heróis. Naomi foi a primeira a ser curada. Recuperou a consciência, suada, assustada, ofegante, atarantada. Parecia ainda estar presa em um mundo de sonhos, sem saber o que era real e o que não era. Viu o líder dos Jacohrangers fazendo o possível parar curar as pessoas que se debatiam, e quase que entendeu instantaneamente. Quis ajudá-lo, mas acabou desmaiando de cansaço.

***

- Desgraçado! – Haruto, o ALPHA Green, gritou – Quem lhe deu o direito de brincar com os sentimentos das pessoas? Como ousa deixar nossa amiga triste?
- Você traz à tona o que de pior existe na mente de uma pessoa – Satoshi gritou - Você é a escória do universo.
- Isso é só o começo – o deus maldito respondeu – Quem manda vocês cultivarem esse sentimentos fracos? Agora terão que pagar!
- Maldito.
As lâminas dos heróis arderam em chamas crepitantes, rasgando a pele do rival, que foi ao chão. Ele contra-atacou com vários disparos, prontamente rechaçados pelas armas dos Jacohrangers. A troca de golpes foi feroz, intercalada por bravatas e juras de vingança.
- Pagará pelo que fez, miserável! Não vamos perdoar você! – Haruto gritou.
- Dispenso o seu perdão, insetos!
E mais golpes de espada e disparos eram emitidos incessantemente, deixando um rastro de destruição naquelas vielas desabitadas. O deus maldito emitiu o brilho terrível de sua testa, e o ALPHA Red respondeu com o brilho de seu talismã. As luzes mediram forças, uma explosão arremessou todos para longe. Minutos se passaram, e logo heróis e vilões estavam novamente frente a frente. E outros dois Jacohrangers ergueram seus talismãs.

***

- Meu pior pesadelo nunca foi descobrir que eles tinham morrido. No fundo, eu já sabia que isso tinha acontecido. Meu pior pesadelo é imaginar que eles possam ter sobrevivido e continuam brigando. É pensar que eles não se entendem! – Naomi gritou.
- Eu entendo! – o Príncipe ALPHA tentou soar solidário, mas sua frieza característica falou mais alto.
- Não, você não entende. Nós, que somos seus amigos, estamos enfrentando o exército de seu pai. Se você entendesse o que eu sinto, também sofreria por estar em uma situação parecida, também não iria gostar por ver seus aliados enfrentando seu pai. Se você me entendesse...
- Acha que é fácil para mim? – o monarca respondeu, a voz ligeiramente alterada – Não é o momento para conversarmos sobre isso, Naomi, porque agora seus amigos precisam de você. Mas mesmo que eu não entenda o que você está sentindo, quero que acredite que eu respeito sua dor. Eu avisei que os deuses malditos recorriam a truques covardes e desprezíveis. Precisam estar preparados para enfrentá-los. Preparados emocionalmente eu quero dizer.
Naomi assentiu. Enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Gritou “ALPHA Change” e partiu ajudar seus companheiros.
Quando chegou ao campo de batalha, o deus maldito tinha sido derrotado e erguia-se em tamanho gigante. Os Jacohrangers já tinham invocado o Robô Guardião Lendário. A ALPHA Yellow saltou em direção à máquina de batalha, ingressando nela com um ódio que podia ser visto mesmo usando o capacete do traje de Jacohranger.
- Agora, seu maldito, eu serei o seu pior pesadelo.
Praticamente tomando os controles do robô para si, a ALPHA Yellow foi golpeando, talhando, estocando e retalhando o inimigo, sem dar a ele qualquer possibilidade de reação. Foram necessários poucos minutos para que o Chou Densetsu Crusher dizimasse o segundo deus maldito. Uma explosão considerável foi causada, porém sem grandes danos à cidade. Naomi foi a primeira a abandonar o robô, indo a um local que Haruto já sabia onde era. Os demais também acabaram entendendo sem grande esforço.  
- Devemos segui-la? – Satoshi perguntou.
- Melhor não – Haruto estava um pouco taciturno, como se sentisse a dor de sua colega – Vamos acabar descobrindo a verdade quando ela vier nos contar.
- Mas ela pode precisar de apoio – o ALPHA Red contra-argumentou.
- E vai ter esse apoio – era Haruto novamente – Mas quando ela achar que precisa de nós. Não antes.

***

Sim, os pais dela estavam mortos. Naomi não foi à casa em que talvez pudesse encontrá-los, e sim ao cartório da cidade vizinha. Após algumas horas de pesquisa na internet, o funcionário trouxe os detalhes, mas ela não quis ouvir. Saber se seus pais tinham morrido devido a uma briga ou não, não mudaria nada.
Ela jamais soube, e jamais saberia, se seus pais tinham se entendido antes de morrerem. Nunca saberia que o falecimento dos dois se deu de forma trágica: a mãe ferida mortalmente por uma garrafada; o pai, enforcado em um ato de suicídio. Ela não saberia, e agora não importava.
Chegou ao local que agora era quartel-general dos heróis, os soluços de desespero podendo ser ouvidos longe. Tentar consolá-la foi inútil, mas, naturalmente, todos tentaram. Naomi chorou pela família que amou, pela família que não tinha mais, pela família que jamais veria de novo.
Por alguns dias, os Jacohrangers entenderam que, muitas vezes, os sofrimentos mais cruéis não vinham de alienígenas demoníacos.
Mas sim das próprias falhas dos seres humanos.

NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE JACOHRANGERS:

O terceiro e o quarto deus maldito lutam entre si. O que está acontecendo? Não percam:


EPISÓDIO 23 – QUAL A VERDADEIRA IDENTIDADE DELE?

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